Sábado

A minha petiza teve, entre o 7º e 12º ano, seis directores de turma diferentes (e nem me lembro se não chegou a existir um sétimo, quase só durante umas semanas, antes de ser substituído).

O mais lógico seria eu desenvolver uma investigação e propor um novo sistema de recrutamento de professores com base nessa experiência pessoal?

Parece que, embora eu esteja ligeiramente a exagerar (mas só ligeiramente), as coisas agora são assim. A partir de uma má (?) experiência pessoal, traça-se todo um diagnóstico. Quase me esqueço que uma das críticas que li e ouvi anos a fio foi – com a escassez imaginativa típica de certos intelectos – que eu só via “o meu umbigo” ou que só conheço “o meu quintal”. Quando agora apresento diversas situações, de vários pontos do país, ou me dou ao trabalho de exemplificar com o que aconteceu em outros países, saem-me com “o meu netinho tem muitas férias e eu estou cansada” ou “o filho da porteira da minha cunhada, que é uma querida, não gostou do professor de Ciências, porque ele era velho e não sabia o que era o Assassination Classroom”.

Lamento insistir, mas o modelo de recrutamento não aumenta o número de professores disponíveis, a menos que baixe o nível dos critérios para poder-se concorrer. A contratação de um terço do corpo docente pelas escolas, nomeadamente os teip, apenas os tornará mais monocromáticos em termos pedagógicos e desligados de outras realidades; a vinculação directa pelas escolas é uma péssima ideia e criará situações de enorme iniquidade num país com cerca de 10 milhões de habitantes e de 90.000 km2 no seu rectângulo continental.

Não me venham com conversas de necessidade de maior “proximidade” na “escolha dos professores mais adequados”, porque o que está em causa é mesmo um quid pro quo entre a tutela e os seus emissários nas escolas.

Numa típica jogada de esperteza sonsa, o ministro Costa fala muito em não duvidar dos professores, de não colocar em causa a sua integridade e e tc, mas na prática faz toda uma outra coisa. Para além de saber que a falta de transparência está do lado dos que têm o poder de “guardar os horários na gaveta” ou de fazer uma “distribuição de serviço” manhosa, que faz aparecer aqui o que desapareceu ali. Se, como já ouvi, há quem “não conheça esse país” de que falo, então maior é a razão para não @s deixar com o poder de decisão sobre a vida dos outros nas mãos.

7 opiniões sobre “Sábado

  1. Hoje em dia, um vídeo, mesmo que só de 19 segundos, explica tudo muito melhor que um discurso de meia hora. Basta ver o exemplo para compreender como chegámos a este ponto.

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    1. Isto sim! Finalmente alguém com capacidade de discernimento para compreender onde residem as grandes mentes liderantes. Agora já posso ir dormir descansado.

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  2. Estou fartinho de gestões à la carte!
    O 79 tem que parar de nos fazer romper o fundo das calças nos bancos da escola!
    As substituições tem de parar de explorar mão-de-obra idosa alvo de pontapeada de matulão!
    O tempo roubado tem que ser devolvido!
    Um gajo é para ensinar, não é para entreter!
    Preciso de tempo para ler, porr*!

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  3. Não aprender com o erro vai contra todos os pressupostos pedagógicos em que assenta a aprendizagem. Não basta a trapalhada (para ser simpático com a “coisa”…) que já está instalada com as alterações à MPD, a trapalhada (para ser outra vez simpático…, embora já seja demais) da BCE, com as alterações que “vão impôr” ao concurso, este ME dá vais dar ao erro a oportunidade de mostrar que, afinal, errar é humano. Esperando para ver…haja paciência (muita)!

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  4. Constituição da República Portuguesa
    Artigo 13.º- Princípio da igualdade

    1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

    2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

    Face ao exposto acima, até que ponto será possível “dois pesos e duas medidas” num mesmo concurso? Será possível “escolher” alguns professores com base num grupo de critérios … e os restantes com base noutros critérios??? Se assim for, então tudo é possível. Haja paciência.

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  5. Colocar diretores a escolher professores quando sabemos que eles fogem de alunos como o diabo da cruz, que a maioria é pouco culta e apenas dada a manobras de vaidade, ou de aspiração à ribalta política, ou religiosa, ou rotária, ou comensal, ou de exibicionismo físico, ou do botox e renda da feira da ladra, ou do cartão certo, ou do carrão da terra, ou da confraria do feijão frade…
    Entregues à bicharada, até na selecção?!
    Só os primos não pedirão escusa de processo seletivo tão pouco dignificante!
    O mundo ao contrário 🙃, ou o retangulinho minúsculo armado ao pingarelho.

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