Um Bom Critério Para Aferir Dos Princípios E Carácter…

… de indivíduos e mesmo de “organizações” é observar como tratam os mais frágeis: crianças, idosos, doentes e mulheres. Sendo elevada a feminização da classe docente, nem é preciso demonstrar de forma demorada como o desrespeito pela classe afecta em especial as professoras. Sim, claro que estou a pensar no nosso ministério (com minúscula) da Educação (com maiúscula a minguar)

Quanto aos “idosos”, basta ver como se tem dirigido, de forma recorrente, um discurso contra os professores “envelhecidos”, apresentados como preconceituosos, privilegiados, desactualizados e pouco flexíveis e inovadores, mesmo se em termos empíricos “muito há ainda para conhecer”, para citar uma frase que ouvi há não muito tempo sobre outros assuntos correlacionados.

Acerca dos doentes, já me repito mais do que o necessário ao destacar as infelizes e despropositadas insinuações – disfarçadas com ressalvas em segundo momento ou plano de fundo – acerca de quem pede mobilidade por motivos de saúde ou apresenta baixas médicas com “padrões irregulares” na opinião do ministro sonso e seus ecos nas escolas.

Por fim, as crianças, em defesa de cujo “interesse” muita gente fala de boca cheia e coração vazio, são quem mais é prejudicado com medidas que são as verdadeiras responsáveis por estarem sem professores mais tempo do que o indispensável e com a falta de medidas que, fora da escola, lhes permitam a ela chegar sem a necessidade de tantos mecanismos compensatórios das desigualdades que se extremam fora dos portões.

Por isso, se no passado não hesitei em apontar o dedo – de forma que sei ser apresentada como pouco elegante em certas tertúlias do belo pensamento e da retórica de gente pretensamente bem intencionada, mas a quem algum tipo de submundo certamente esperará – a outr@s que considerei falhos de princípios e desonestos nas argumentações, não vou agora encolher-me e dizer que, lá porque o tom é mais delicodoce, esse tipo de carências não é por demais visível na actual corte costista para a Educação.

7 opiniões sobre “Um Bom Critério Para Aferir Dos Princípios E Carácter…

  1. Esta tua defesa dos fracos, mais velhos, que muito deram à profissão,…não a encontro em lado nenhum. Apenas desdém, raiva, sobrolhos carregados e desconfiados. Esta pífia ideia de que todos os mais novos serão imortais, e NUNCA terão pais, mães, filhos , maridos, maridas ( qual género?) . sogras, sogros, a seu cargo é obscena. Porque há casos absolutamente tremendos e as pessoas só não se despedem porque aos 60 já não arranjam emprego alternativo. O pior ainda é os que da mesma idade, ainda não atingidos por um furúnculo sequer, mostra, todos os dias o quanto estão fantásticos e dizem que vão trabalhar até aos 70 . Ainda ontem soube de alguns.

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  2. Antigamente, diziam às mulheres: Vai pr’a casa coser meias!
    O ministério da educação não diz, mas pensa: Ganhas pouco? O teu marido que ganhe mais!… ou: Arranjasses um marido rico!

    É curioso: três profissões em que as mulheres são maioritárias (médicas, enfermeiras, professoras) são maltratadas pelos campeões da inclusão, feminismo e igualdade: Os Costas!

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  3. É verdade, já o disse, sempre as abnegadas mulheres a se submeterem aos poderes tiranos e caprichosos dos decisores – homens. Porém, o acesso das mulheres aos cargos de topo não se está a revelar muito diferente. Veremos, agora, mais uma em Itália.

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