Aceitei O Convite, Sem Pré-Condições, Assumindo Que O Debate Seria Sobre Educação E As Recentes Propostas Do ME Sobre Contratação E Vinculação De Professores

Só depois percebi que talvez não seja bem assim, porque eu não percebo muito de mutualismo ou segurança social e sobre o mercado de trabalho não passo de um leigo informado. Não sou um tudólogo, sou apenas um professor envelhecido e corporativo, sem vergonha. Por isso, não posso dar grandes garantias, o que já transmiti ao Filipe de Paulo.

O Sonso Contra-Ataca

Quando ele era director da FCSH deve ter sido um corropio de formação de professores. Mas será que ele não percebeu – ou apenas finge ignorar – que há muitos professores devidamente profissionalizados que não optam pela docência porque com mais de 40 anos são obrigados a andar de um lado para o outro, a contar horas para terem direito a salário completo (que foi preciso a UE obrigar a pagar pelo 1º escalão), porque desde 2015 não houve tempo para qualquer “reversão” significativa da precariedade docente? Mas o homem não se lembra que está no governo há 7 anos e que já não colhe a permanente atitude de desresponsabilização?

Já agora… eu avisei que ele não era o que dava a entender com as falinhas mansas, mas parece que muita gente gosta de aquecer as orelhas com barretes.

O ministro da Educação aproveitou o lançamento do relatório Education at a Glance para apontar o dedo a instituições de Lisboa: estão a recusar candidatos a mestrados de ensino, que são a porta de entrada para se ser professor do ensino básico e secundário.

Agora reparemos nos dados sobre a evolução dos alunos matriculados em cursos superiores na área da Educação e reparemos em que período foi a maior redução e o menor peso no total de matrículas.

Em 2005, eram 8,7% do total. Em 2009, no final do período da “reitora” já tinham descido para 5%. Depois de uma recuperação, a meio do período da troika, quando a contracção volta, ainda chegam a 5,2% do total de matrículas. Mas o ponto mais baixo é em 2019, quando está a terminar o governo da geringonça quando apenas 3,3% dos alunos seguem cursos na área da Educação. Quem estava no Governo? O Cantinflas? E no ME, eram os Três Estarolas? Mesmo para 2022, com tanto aumento de vagas, ainda rasteja pelos 3,5%. De quem é a culpa? Dos reitores? Dos directores das Faculdades e Politécnicos? Dos governantes já percebi que não é. Nunca. São todos virtuosos maridos de Pompeia Sula (ou mulheres de um qualquer César).

O Grande Ancião Da Economia Para Totós Da SICN Já Está A Panicar

Alguém explique à dona Gertrudes dos Anjos Caídos, desculpem, ao José Gomes Ferreira que se a “massa salarial” dos funcionários públicos aumenta, também aumentam as suas contribuições fiscais, para a C.G.A. e/ou a Segurança Social. Não é preciso estar já todo agitado com os encargos dos aumentos e das “progressões”, que parecem ser uma espécie de assombração para esta malta, tipo reduções do 79 para os pseudo-jovens ou cultores da “boa governança”.

O César De Que A Ministra Fala É Este?

Marido da ministra da Coesão não vê problema em ter sócio condenado por corrupção

Tod@s são honestos até prova em contrário, parece ser o lema dos governantes desta temporada. O problema é quando ficou provado que o amigo do tal “César” não é honesto e ele não se incomoda com isso.

E será o “parecer” desta ministra tão virtual quanto o evocado pelo da Educação que ainda ninguém viu?

A “Transnacionalização” Da Coisa

Parece que agora funciona como desculpa o também acontecer lá fora. è tão engraçado quando governantes de “esquerda” se justificam com os efeitos de politicas perfeitamente idênticas às adoptadas por governos de “direita” como aconteceu longamente na Alemanha e não só. Não foi só a precarização e a proletarização, mas de igual modo a desqualificação académica da docência, querendo reduzi-la a uma espécie de “cuidadores de crianças” como escrevia há pouco tempo um insigne especialista na matéria.

É como o menino que, depois de asneiras, se justifica com as asneiras alheias, apesar de ter sido atempadamente avisado para não fazer o que decidiu fazer.

Há quem venha sempre dizer que não dianta apontar culpados, mas esse é o argumento central da cultura da desresponsabilização em que nos afundaram. E não venham sempre que foi só por causa da troika, porque a História não começou aí.

Apontar culpados teria a vantagem – mas não entre nós – de sabermos a quem não pedir conselhos ou a quem não voltar a colocar em funções de responsabilidade. Mas…

Há cada vez mais países na OCDE a recorrer a professores sem habilitações específicas para a docência

O Balanço Da “Reversão”

Metade da média da OCDE. Salários dos professores portugueses subiram 3% entre 2015 e 2021

Por uma vez, mas agora que até correspondem aos “reais” (pré esbulho fiscal), consegue ler-se que as análises são feitas sobre os “salários estatutários”, ou seja, nominais.

“Entre 2015 e 2021, os salários estatutários dos professores do ensino secundário em Portugal aumentaram 3%, menos do que a média dos países da OCDE (6%)”, lê-se no relatório anual da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) “Education at a Glance 2022”, divulgado esta segunda-feira.

Claro que depois se diz que os professores ganham mais do que outros trabalhadores com formação superior. Resta saber a idade, posição na carreira, funções desempenhadas, etc, etc, mas eu depois já espreito a ficha técnica.

2ª Feira

No fim de semana tive a oportunidade de ter (mais) um relato off the record do que se passou na tal reunião entre o ME e os sindicatos sobre a contratação e vinculação de docentes pelas escolas. Como já tinha percebido, a encenação pública não corresponde, em vários casos, à postura “negocial”, em privado, muito “construtiva” e dialogante. Ao que parece, o ministro Costa exerce uma forte “sedução” sobre @s sindicalistas, incluindo alguns tidos por façanhudos. E, infelizmente, as declarações que fez no final da reunião correspondem provavelmente mais ao que se passou do que alguns comunicados oficiais.