Mas A “Pandemia” Não Foi, Por Definição, Global?

Se viermos por aí abaixo nos resultados, em termos comparativos, a culpa é da pandemia? Cheira demasiado a treta desresponsabilizadora… até porque há poucos dias embandeirava em arco com a OCDE.

O ministro da Educação, João Costa, afirmou, esta sexta-feira, à margem da sua intervenção no evento sobre o “PISA para as Escolas”, esperar piores resultados sobre a aprendizagem dos alunos portugueses que ainda vão ser apurados por estudos em marcha, fruto dos últimos dois anos letivos em pandemia.

A Transparência Quando Nasce Não É Para Tod@s

Se todos os concursos de docentes são divulgados publicamente, incluindo as mobilidades por doença, porque são reservadas as listas de mobilidades estatutárias para associações de professores e sindicatos? Porque fica tudo na intranet, uma espécie de darknet das escolas reservada às direcções? O que há a esconder? Que receio exista que saiba quem, para mais em “representação dos professores”, tem direito a redução, parcial ou total, da sua componente lectiva e da presença nas escolas? Sei que a última vez que consegui aceder a essas listas, sem ser por mão amiga, foi há uma década ou mais. Mas não sei, por exemplo, quantos associados têm certas organizações que se dizem representativas dos “professores de…”. O mesmo para os apoios financeiros do ME, via secretaria-geral e não só, a organismos como associações parentais, de professores, via projectos ou demais pretextos, ou outras. Porque é que quem tanto pressionou – e bem, no meu entendimento, para a publicitação dos resultados dos alunos – depois fica num total silêncio em relação a isto? Que acordos de bastidores existem para permanecermos sem saber quem fica a dever o quê a quem?

A Doutora Frankenstein Elogia As Suas Criaturas

Sim, eu também conheço muito boas/bons director@s, gente dedicada, competente e séria. Mas… la que hay malandrage… la hay.

As posições contra a proposta do Governo de dar mais autonomia às escolas e aos diretores na seleção dos seus professores focam-se na descredibilização dos diretores das escolas, como se, por absurdo, a seleção viesse a ser um ato arbitrário em que só aqueles interviriam. Afirma-se que faltam competência e legitimidade aos diretores, que estes são incapazes de reconhecer o mérito pedagógico dos professores, que se orientam por interesses de proteção de amigos e de clientelas. Tudo resumido, seriam todos uns “grandes malandros”. Serão?

Há coisa de uma década, ouvi esta mesma “reitora” sem avaliação, num congresso da andaep, queixar-se d@s director@s ainda não terem assumido por completo o seu papel de “gestores” e ainda se sentirem demasiado “professores”. Parece que, uma década depois… acha que tal problema já está resolvido.

Entretanto, se depois as coisas correrem mal, também já sabemos o que irá dizer.

Acredito Que Sim E Também Acredito…

… que conheço o pai ou mãe de alguns deles. Pelo menos de vista. Ou de nome. Que isto de anónimos não dá em nada.

Alunos querem participar mais nas decisões da escola e disseram-no ao ministro

São novos, mas já sabem como “fabricar” médias. Em especial se acabarem os exames, vai ser interessante a flexibilidade disciplinar no Secundário.

Por outro lado, falaram também dos currículos e a maioria concordou com a necessidade de não só serem mais flexíveis, de forma a permitir, por exemplo, que um aluno de Ciências possa escolher ter Espanhol em vez de Biologia, como é o caso de Bárbara Lima, 15 anos, ou que incluam outros temas, como literacia política e financeira, além de uma maior diversidade de clubes e atividades.

O interessante é que nada impede que, já neste momento, um aluno de Ciências tenha Espanhol – ou mesmo Latim – bastando existir autorização para abrir as respectivas turmas. Não é, senhor ministro?

Eu Também Tenho, Teoricamente, 18 Horas Lectivas

Há horários de pessoal com a minha idade que parecem oásis ou miragens. Há uns anos, o Paulo Prudêncio não acreditava que existissem, mas eu enviei-lhe 2 deles que, ao pé deste, que ontem me enviaram, pareceriam de trabalhos forçados, pois tinham lá umas 10 aulas marcadas. Por isso, não me espanta que exista quem viva bem com este modelo de “autonomia”, de “projectos”, de “créditos” distribuídos à medida. Acrescento que nem se trata de uma “liderança intermédia”. Sim, já sei que tudo dá imenso trabalho a preparar, a acompanhar., a monitorizar, a avaliar. Que exista quem apareça a dar apoio a decisões das sadd que indeferem toda e qualquer reclamação. Quem esteja sempre disponível para “inovar”.

Phosga-se, mais inovação do que duas aulas semanais num horário de 18 horas lectivas? Até eu me tornaria um cósmico adepto do mel da abelha. E gritaria a plenos pulmões pela inclusão, pela equidade, pela diferenciação e pela justiça social. No mínimo.

Só que estou numa escola que insiste em tempos de 45 minutos, isso dá 20 aulas. E não adianta tentar explicar isso, porque a maioria ou não percebe, ou faz que não percebe ou, quando percebe, se cala ou fica calada, quando o momento certo chega. Aquilo do “bom ambiente” e da “boa educação” de não contrariar quem manda.

Domingo

Ontem, andei por fora daqui, em boa parte porque estive em conversa com colegas, por telefone ou presencialmente, para perceber melhor como andam as coisas por diversas escolas, acrescentando a outras conversas tidas durante a semana. Sobre a falta de professores para substituir colegas de baixa médica de longa duração ou com serviços moderados (muitos dos quais na plataforma surgem como “temporários”, sendo na verdade anuais), percebi, curiosamente, que há agrupamentos que estão com poucos problemas porque @s director@s, aproveitando aquela regra de completar horários a partir do 3º período do ano lectivo passado, agarraram na oportunidade e reconduziram grande parte das pessoas e, assim, ficaram realmente com a maioria das necessidades resolvidas. Pode ser coincidência, mas são director@s com o tal “perfil” de relação privilegiada com a tutela, que sentem que nada lhes virá de mal, a partir de “cima”, pois exerceram a sua “autonomia” e poderão ser sempre apresentados como exemplos de “boas práticas”. Pelo contrário, em outros agrupamentos, a opção por um caminho mais timorato, só reconduzindo quem estava mesmo nas escolas desde Setembro, fez com que existam muitos horários por preencher, alegando-se que “não podíamos ter feito de outra maneira”. Poder, podiam, mas tiveram medo das eventuais consequências. porque sabemos que há filhos, conhecidos, amigos e enteados indesejados.

Esta assimetria acontece em “unidades orgânicas” nem sequer muito distantes entre si. Nem sequer são de contextos muito diferentes, embora se note que o pessoal de alguns teip navega sem medo de ventos adversos, enquanto em outros territórios, se fica tudo mais nas “encolhas”. E é esta diferente forma de tratar as coisas que se quer generalizar, justificando com a “autonomia” algumas práticas que deveriam ser claramente anunciadas e permitidas a tod@s, sem qualquer necessidade de nova legislação.

Aliás, parece-me mesmo que existe o objectivo de deixar instalar algum caos, para apresentar como indispensável uma “mudança nos procedimentos”. Para apresentar como as melhores práticas, aquelas que já são agora possíveis, mas que num futuro próximo serão acrescidas de um poder extra para as direcções, não apenas reconduzirem ou contratarem, mas também vincularem à revelia de qualquer graduação, com base no tal sistema que deixa, no mínimo, 15% à “capacidade relacional e comunicacional” d@ candidat@, como li num documento que até deve aparecer publicamente no site desse agrupamento. Mas é numa entrevista de alguns minutos que essa “capacidade” é avaliada? Estamos em algum concurso televisivo?