Desculpem A Descrença

Sempre que há uma agressão mais mediática a um@ professor@ aparecem logo umas declarações de imensa solidariedade e de louvor ao papel dos professores por parte de muit@s dos que levam o resto do tempo a enterrar a classe docente, com todos os pretextos a que podem deitar a mão e a má língua.

. Isto inclui não apenas cronistas em busca de cliques, mas em especial o ministro sonso e a sua solidariedade ocasional, no mesmo dia em que volta ao tema das “baixas fraudulentas” em entrevista ao Observador, onde parece ter agora encontrado um curioso nicho solidário para este seu tipo de ataque sistemático e também para a desregulação final dos concursos de professores.

Como não sou assinante, não posso confirmar algumas ideias que tenho sobre a entrevista de que ouvi apenas excertos online, mas aposto singelo contra triplicado em como houve uma evidente e liberal afinidade ideológica acerca desta modalidade de “liberdade de escolha”. E que, depois do escorregão do “professor” Marcelo se falou pouco em óbitos de docentes a quem foi negada a mobilidade. Afinal, há que manter o “bom ambiente”, potenciador de futuras colaborações.

Ainda Aquilo Dos Créditos Horários Assimétricos

Falava com colega de agrupamento, algures da Grande Lisboa, que me dizia que lá pelas suas bandas se verifica uma concentração bastante acentuada do crédito horário que as escolas podem gerir de forma relativamente autónoma num ou dois grupos disciplinares considerados “fundamentais” ou “nucleares”. Isto anos a fio, sem que se vejam resultados, em especial ao nível da avaliação externa. Mas continua a acontecer o mesmo, apesar de muita “reflexão”, de aturadas “planificações”, de numerosos “projectos” e de constante “monitorização”. Confesso que me parece que mais do mesmo, dificilmente dará resultados muito diferentes, pelo que ou se muda a metodologia ou as pessoas ou as duas coisas, ou se deve reavaliar mesmo as prioridades estabelecidas no P.E.A., no P.A.A. ou em qualquer outro desses documentos que agora aparecem a garantir a promoção do sucesso e a erradicação de toda a “má prática” que leve ao insucesso dos alunos. Mas parece que não, porque estes nichos de interesses, estas redes clientelares, e incrustam na estrutura dos poderes locais e de tanto se entranharem, quase se tornam inamovíveis. Produz-se muita verborreia interna, pressionam-se colegas para fabricar sucesso, mas depois tudo desaba perante provas de avaliação externa. Daí a acrimónia com provas/exames ou rankings. Porque, como todas as suas limitações, desmontam muita da fancaria que por aí anda e sobrevive graças a habilidosas mistificações,.

Penso que a maioria perceberá onde quero chegar, sem ter de fazer um desenho, até porque essa maioria reconhecerá nos seus arredores quem anda sempre a achar que os outros é que são “negativos”, enquanto do seu lado existe sempre uma energia pletórica para propor novas actividades em nome de muita coisa, incluindo a Cidadania, em especial se nem for preciso consultar os alunos com alguma seriedade a respeito dos seus reais “interesses”. Ou com muito “enfoque no trabalho colaborativo”, em especial se a coisa for apresentada já feita, a partir dos tops da sapiência, com verniz de formação recente.

(e não me refiro apenas a “abelhices”…)

Por Exemplo… 2

A “minha” APH (embora não seja associado) cobra 85 euros aos sócios (115 aos não sócios) por cada acção com 25 horas, mas ao menos não são dadas por elementos dos órgãos sociais. Mas, phosga-se, é caro, mesmo que digam que têm qualidade.

Já num outro caso, o grupo de formadores inclui diversos membros dos órgãos sociais e a tabela é assim, sendo claramente “inflaccionados” os preços dos cursos online.

Uma outra associação, sem acções abertas (por isso não dá para ver quem são os actuais formadores) apresenta um preçário concorrencial (embora em outra área). Também por aqui não se sabe quem está em mobilidade.

Perante isto, quem tem moralidade para reclamar a formação “gratuita” que aparece no ECD se os seus “representantes” disciplinares fazem isto? Sim, quem dá formação deve receber, mas…

O Verdadeiro Malabarista

Há quem veja nela uma qualquer “esperança” que me escapa. Um “futuro” de que não percebo contornos que ultrapassem as “conveniências”, mais do que convicções, deles e destes ou daqueles que esperam o desenho “certo” de uma linha de alta velocidade, a localização “certa” de um aeroporto ou outra obra pública. Porque muito, mesmo muito, há a ganhar em tudo isto.

Pedro Nuno santos é capaz de se desdizer com uma desfaçatez que, nesse caso, sim, talvez explique um eventual maior “sucesso” na vida política.

Sim, fartei-me de usar aspas em tão curto texto.salvar-2023922

O ministro das Infra-estruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, avisou que integrar a TAP num grande grupo de aviação “pode ser mesmo a única maneira de assegurar a viabilidade de uma empresa estratégica para o país”. No debate requerido pelo PSD sobre a privatização da TAP, na Assembleia da República, Pedro Nuno Santos argumentou que os exemplos dados por outras companhias de aviação mostram que nenhuma conseguiu sobreviver sozinha.

Em 2020:

Pedro Nuno Santos: Se TAP fosse privada como PSD queria, “levavam com os preços” que ela quisesse

Pedro Nuno Santos: “Se o Estado não estivesse na TAP não sei se ainda cá estava”

5ª Feira

O PS vai recuperando tudo o que fez o seu “sucesso” no período do “engenheiro”. Obras públicas gongóricas em regime de PPP. Nunca deu resultado para o Estado e “contribuintes”, mas a tentação pelos lucros privados paralelos é muito grande. Por isso, agora é a alta velocidade que entra na área de negócio das “parcerias”. Já sabemos como tudo vai acabar… mas deve ser da pandemia que as “aprendizagens” ficaram por consolidar. Ou então é mesmo porque assim permite mais “contratos” com cunhados, primos, vizinhos, conhecidos, aparentados ou mesmo filhos, pais ou cônjuges, desde que tenham um parecer a garantir a “compatibilidade”.