Uma Evidência Da Educação Ter Desaparecido Das Prioridades Políticas De Todos os Partidos…

… é a facilidade como, para além das trocas epidérmicas com o Chega que de pouco ou nada adiantam (sem ser para provar que o Gabriel Mithá foi enviado para o banco de suplentes), o ministro Costa apresenta os números sem que ninguém o confronte com o facto de estar a fazer comparações com os anos da pandemia, manobrando as datas de acordo com o que lhe dá mais jeito.

Houve menos agressões nas escolas? Não me digam… se os alunos em 2019/2020 e 2020/2021 estiveram grande parte do tempo em casa, como andariam à batatada nos recreios ou junto ao portão?

Há agora, alegadamente, mais facilidade em fazer substituições de professores do que nos “dois anos anteriores”? A sério? Durante a pandemia, houve mais dificuldade em convencer os professores a deslocar-se para longe, em troca de horários precários e mal pagos? A sério? Não me diga! É agora mais rápido o processo? Que espantoso que assim seja, depois da maior parte estar vacinada e os números de contágios e mortes terem baixado.

O que desgosta é a inanidade da oposição, reduzida a uns bitaites mal preparados por assessores que ainda devem estar a fazer o seminário de “Spin Doctors para Totós” lá na sede da jota distrital.

Não Sendo Funcionário, Não Pude Comparecer, Até Porque Ainda Não Há Alta Velocidade Sobre Carris Até Ao Douro

Assunto: Convite aos funcionários para a silent party – hoje às 18h

Ex.mas Senhoras e  Ex.mos Senhores, 

Em cumprimento da determinação dada pela Srª Vereadora (…) por solicitação da Srª. Adjunta do Senhor Presidente da Câmara, (…) procede-se à seguinte divulgação: 

“O Sr. Presidente da Câmara convida todos os funcionários a produzirem as hormonas da felicidade, num sunset, gratuito, na PraÇa, hoje às 18h00m, numa celebração conjunta do fim das I Jornadas de Saúde Mental

Obrigada! 
Espero por vocês!>
😀

Quem me enviou isto quis anonimizar o ridículo, mas eu dei com a coisa. Só espero que o Albino não tenha aparecido ou era um eclipse total. A coloração rosada é de minha responsabilidade.

A Meio da Manhã na CNNPortugal

Está por aqui a gravação da intervenção na CNNPortugal na qual, perto do fim, questiona a “honestidade” de quem fala muito nela. O cão que se ouve não é meu, mas a culpa foi do parzinho serôdio que parou no passeio defronte. O raio do bicho não gosta de estranhos e não se calou durante todo o tempo em que ali estiveram numa conversa que podiam ter feito, enquanto tomaram o cafézinho na afamada pastelaria, na esquina do quarteirão.

A Entrevista Do Ministro Costa Ao Observador… 1

… faz lembrar algumas que a “reitora” deu, em especial uma ou outra ao Expresso, nas quais se espraiava entre a falsidade pura e a demagogia galopante.

Os excertos que vou transcrever são da transcrição que o Alberto Veronesi teve a simpatia de me enviar.

A abrir, temos logo um sumário que contém uma das “causas” mais iníqias de alguém que deveria ser responsabilizado pelo anátema generalizado que lança sobre todos os professores em baixa médica. Há uns tempos, Augusto Santos Silva, disse a André Ventura que “não há atribuições colectivas de culpa em Portugal” , mas pelo vistos isso não se aplica ao ministro Costa que continua impunemente a insinuar que existem fraudes nas baixas médicas dos professores (compreendo que isso aconteça em certos “círculos de conhecimentos” que não são os meus), aparentemente certificadas por juntas médicas cujas decisões serão agora analisadas por outras juntas médicas de valor acrescentado. Que tudo isto foi incentivado por gente de carácter dúbio dentro da própria classe docente? Claro que sim, porque há sempre quem veja nos outros o reflexo do que gostaria de fazer. Pessoalmente, até porque há mais de 20 anos que não coloco baixa médica, não me reconheço nesta generalização abusiva do ministro, que algumas criaturas aplaudem, mesmo que nem sempre de forma tão explícita como outrora.

As baixas médicas irregulares também estão na sua mira. Até porque, garante o ministro, 90% das vezes que os alunos ficam sem aulas é porque os professores estão de baixa médica. Há padrões que precisam de ser investigados e, se houver fraude, serão encaminhados para a Justiça — é isso que se deve fazer, defende.

Quem é quem vai encaminhar para a Justiça? Os professores ou os médicos? Clama, afinal o ministro não desconfia de nada. Quem se descuidou foi o Bocage, que não era invertebrado.

Ministro garante que não desconfia das baixas dos professores

Onde via “padrões irregulares” agora constata que, afinal. a “taxa de absentismo é de 8% e está “estável” ao longo dos anos“, no que é um malabarismo digno de um circo de província.

Quanto à falta de professores, o ministro Costa continua a fingir que, todos os anos, ficam dezenas de milhar de professores profissionalizados por vincular, sendo perfeitamente aberrante a noção de que a solução passa pelo número dos actuais alunos do Ensino Superior na área da formação inicial de professores. isto é, dito de forma clara, incompetência ou desonestidade intelectual.

Não só em Portugal, mas nos vários países do mundo, há um problema de falta de professores que, em Portugal, é ainda um problema de substituição de professores. Desde o início do ano letivo, já colocámos mais de 20 mil professores.

Mas as gerações que entram continuam a não substituir as que vão saindo?
Temos uma previsão de aposentações elevada e tivemos um défice na formação de professores nos últimos anos. Felizmente, os números estão a começar a melhorar. Este ano, para as licenciaturas em Educação Básica, entraram mais 14% de alunos do que nos últimos anos, e os mestrados em Ensino também estão a recuperar.

A manifesta truncagem da realidade continua quando se apresenta o recurso a professores com habilitação própria como a solução de curto prazo para o problema da escassez de docentes para substituições, como se não fosse muito mais eficaz, embora menos baratucho, garantir horário completo anual a quem estiver nas escolas pelo menos 60 ou 90 dias em regime de substituição.

Este verão, o Governo abriu a porta a que alunos com licenciatura de três anos possam ser professores. É um assumir de que não há soluções, e que é preciso optar por algum facilitismo, ou consegue garantir que a qualidade do ensino não vai cair por arrasto de medidas como esta?
A habilitação própria sempre existiu. Não tinha era sido atualizada para as licenciaturas pós Bolonha e foi isso que fizemos com este despacho.

(…)

Mas há ou não há um risco de começarmos a ver a qualidade a decair? De termos professores menos preparados para a função?
Não queremos que isso aconteça. Aquilo que não dispensamos é uma formação científica sólida, não dispensamos a formação pedagógica. Esta é uma solução de recurso, a alternativa é termos alunos sem aulas e isto tem permitido superar uma série de dificuldades na substituição de professores. O nosso objetivo é que continuem a sua formação. Nas escolas, são acompanhados pelos professores mais velhos, pelos coordenadores de departamentos, por este modelo entre a Direção Geral de Educação e a Universidade Aberta — estamos a implementá-lo para acompanhar o trabalho destes professores sobretudo na componente pedagógica. Idealmente, todos eles quererão continuar nesta profissão e vão querer profissionalizar-se e integrar a carreira como todos desejamos.

“Idealmente”, eu gostaria de ter um ministro que não deturpasse a realidade. Neste momento, não existe qualquer acompanhamento pela DGE ou Universidade aberta de quem está a chegar às escolas, via contratação, sem qualquer tipo de preparação. Resta uma espécie de “estágios informais”, assegurados pelos tais professores mais velhos e que, aparentemente, necessitam de todo o tipo de formação para o século XXI, menos para assegurar o apoio a estes “novos” professores”, alguns deles bem longe de serem cronologicamente novos.

“Idealmente”, eu gostava de ter um ministro que não mistificasse a opinião pública, usando o critério da “razoabilidade orçamental” para justificar algo com base em malabarismos estatísticos. Repare-se que se diz que os professores estão, em mais de 50% acima dos 55 anos” mas, curiosamente, só 18% chegaram ao tipo de uma carreira que, necessitando formalmente de 34 anos para completar os primeiros 9 escalões, deveria ter perto de 50% de “envelhecidos” nesse topo”. O que o ministro Costa omite é que os dois congelamentos, decretados pelo PS (mesmo se o segundo foi mantido pelo PSD), significaram a perda de dois escalões na progressão a todos aqueles que tiveram de passar pelo 5º (como eu), que tem apenas dois anos e quase dois escalões a todos os professores que em 2011 ainda não tinham escapado ao garrote das quotas.

E sobre a questão das quotas não fala, porque seria interessante ouvir o que tem a dizer sobre a questão do “mérito” e o que acha dos rankings de professores recentemente publicados para acesso aos 5º e 7º escalões ca carreira. que este ano vão ficar milhares de bons professores na lista de espera para mudarem de escalão. Curiosamente, nas escolas, o “mérito” só é reconhecido aos alunos e a “honestidade” às directoras e directores.

Para que estes jovens sigam a carreira de professores, ela também tem de ser atrativa. Algo que ficou por resolver até hoje foi a carreira congelada dos professores e a sua recuperação. Para os sindicatos dos professores continua a ser uma bandeira. Para o Ministério da Educação é um assunto arrumado? Não vale a pena discutir mais?
Queria só qualificar um pouco o que disse. O problema de congelamento da carreira não ficou por resolver, a carreira foi descongelada em 2018 e nós conseguimos fazer a recuperação de algum do tempo de serviço.
Quase três anos.
Quase três anos…
Ficou a faltar o resto.
Ficou a faltar o resto, mas foi o que foi possível fazer com razoabilidade orçamental. Isto permite-nos, hoje, ao contrário do que tínhamos em 2018, termos já um terço dos professores nos três últimos escalões da carreira. Isto contrasta: temos hoje cerca de 18% dos professores no escalão mais alto da carreira, tínhamos 7% há quatro anos. Tínhamos menos de 5% de professores no 1.º escalão, salvo erro. Hoje, temos menos de 1%. Fizemos o que foi possível fazer, tento em conta a razoabilidade orçamental desta medida, e é isso que nos permite, hoje, num momento exigente em termos económicos, fazer aquilo que
estamos a viver.

“Razoabilidade orçamental”? A sério que é esse o nome que dão à coisa? Ou com que decidiram mascarar a falta de vergonha dos que chegaram a subscrever uma resolução parlamentar para a recuperação integral do tempo de serviço docente como dezenas de parlamentares do PS, com aquele porfírio à cabeça?

E é melhor, por agora, ficar por aqui, porque tanta “honestidade” me está a deixar carente de uma bela marretada na tola.

Foram 13 Minutos A “Abrir”

Nunca se sabe quando será a última vez 😉

Agradecendo a insistência da CNNP, depois de algumas indisponibilidades porque, estando os alunos em primeiro lugar, só nos intervalos ou períodos sem aulas. Mais tarde vejo de aparece a gravação.

(já agora… quem consegue localizar o Stan Lee? No outro dia, noutro sítio, estava o Oliveira de Figueira, que hoje ficou encoberto)

O Triunfo Do Achismo

Encontrei a imagem abaixo numa rede social. Parece corresponder a uma apresentação pública de um dos principais cortesãos da Educação costista. O que está escrito pode merecer o meu acordo ou não, dependendo muito da fundamentação do “acho que…” mas principalmente da coerência com que se aplica este princípio.

Aposto que para o animador da sessão, o que eu acho sobre gestão curricular ou escolar, sobre a dimensão das turmas e organização dos horários, sobre a carreira docente, após 35 anos de experiência, deve valer pouco em comparação com o que a tutela me manda fazer e fiscalizará se eu não fizer de acordo com o guião. Já na sala de aula… o que os alunos acham deve estar acima do que eu tenha a veleidade de os “mandar” (leia-se “sugerir”) fazer.

E é assim… eu acho que ao DR bateu algo muito forte. aguentemos.

6ª Feira

Chegado ao palco, com as luzes sobre si, sem possibilidade de se encobrir mais e deixado livremente aos seus desígnios (olha-me a referência implícita aos Pet Shop Boys que poderia passar despercebida à larga maioria), o ministro Costa cada vez se assemelha mais a uma MLR de calças e cabelo gelificado. Tornou-se um homem de causas, sendo que agora, cumpridas as que outr@s deixaram encaminhadas como o modelo único de gestão escolar, a municipalização ou o estrangulamento da carreira docente, não querendo resolver a escassez de docentes da maneira mais simples e óbvia, enveredou pela luta contra as “baixas fraudulentas” e pela autonomia d@s director@s para contratarem ou mesmo vinculares docentes nas suas “unidades orgânicas”.

Sobre a segunda “causa” já escrevi bastante, quer sobre a perversão intrínseca desta opção pela “liberdade de escolha” só num dos aspectos do sistema educativo, quer sobre a truncagem do diagnóstico sobre a realidade.

Quanto á primeira, conjugando-a com cruzada contra a mobilidade por razões de saúde, voltamos a encontrar um ministro que deturpa ou amputa os factos quando apresenta a necessidade de contratualizar 7500 juntas médicas para analisar os tais “padrões irregulares” que ele afirma ter detectado por manifesta incompetência técnica ou então por má fé intelectual. Em primeiro lugar, quem está de baixa médica passa por diversos crivos do lado do sistema de saúde e é mentira que as situações mais duvidosas não possam ser, desde já, sinalizadas pelas direcções escolares e encaminhadas para fiscalização específica. Aliás, no actual procedimento, quem coloca atestado de 30 dias, ao renová-lo uma vez, fica de forma automática obrigado a ir a uma junta médica (da adse, da segurança social) ou a regressar à escola, a menos que sejam exactamente as direcções e encaminhar os casos para nova junta médica, neste caso da Medicina do Trabalho.

Ao que parece, o ministro Costa considera que há professores que manipulam todo este processo de forma fraudulenta. Acredito que conheça alguns casos (acredito mesmo!), assim como a mim levantam dúvidas, algumas situações que já conheci. Só que elas podem ser fiscalizadas com as “ferramentas” que hoje já existem, sem necessidade de sujeitar milhares de pessoas sérias e honestas a uma nova verificação do seu estado de saúde (física ou mental), apenas porque temos um ministro que quer parecer muito justiceiro, na modalidade “firme e hirto”, sem qualquer necessidade que nnão seja ficar na história pequena dos governos desta quase república. As tais 7500 juntas médicas são desnecessárias, excessivas e, no limite, implicarão mais despesa do que poupança. Mas até se compreenderiam umas centenas (vá lá…) devidamente sinalizadas pelos poderes escolares locais, ao abrigo da sua “autonomia”. Mas parece que a cobardia impera e dá mais jeito que seja a tutela a generalizar a dúvida que se nega em palavras sonsas sobre a “honestidade”.

O que eu também gostaria de saber é onde vão buscar os médicos para estas 7500 juntas, quando tantos faltam no sistema de saúde e que saber acrescido terão para tomar decisões que contrariem os seus colegas que passaram os atestados e aqueles que, em outras juntas médicas, validaram a situação de incapacidade para leccionar. Será que o essencial não será a aplicação de critérios médicos, mas de directrizes administrativas? Terão estas juntas médicas que cumprir quotas de indeferimento das baixas? Será que, para provar um ponto, existirão mecanismos para forçar a detecção das alegadas “fraudes”? Sendo que o ME arranjou um parecer-fantasma para se eximir a reavaliar devidamente todos os casos de recurso no concurso da mobilidade, como se percebe que queira lançar 7500 juntas médicas?

Tudo isto revela que, da parte do ministro Costa, não existe qualquer presunção de inocência ou honestidade, mas o seu contrário. Só assim se percebe o que vai exigir a pessoas que, em larga proporção, estão demasiado fragilizadas para encarar mais esta humilhação pública. Que é o que o ministro Costa está a fazer de modo público e repetido, sempre que tem um microfone diante de si.

Falta-lhe, em conjunto com @s amad@s director@s, a coragem para, mais do que vincular docentes, assumirem as dúvidas que possam ter sobre casos particulares e mandar inspeccionar esses.

Sim, a decisão de mandar fazer 7500 juntas médicas não é qualquer luta contra alegadas fraudes, mas um enorme acto de cobardia no combate a essas eventuais fraudes.