Atitudes

Uma colega explicava-me há um par de semanas porque tinha optado por, com algum esforço material, colocar a sua petiza numa escola privada de topo aqui da zona a partir do 2º ciclo. A explicação foi mais elaborada, mas depois de ver os critérios de avaliação da escola em causa, percebi uma grande diferença na forma como se faz a avaliação entre uma escola onde se parte do princípio que as “atitudes” são matéria que vem, em primeiro lugar, de casa, e a generalidade das escolas públicas que assumem que isso acaba por ser uma função em larga parte sua. Os princípios gerais estão online, mas o documento com os critérios mais específicos não encontrei no site (pode ter sido falha minha. Mas aqui fica. Enquanto nas escolas públicas “inclusivas” as atitudes acabam por pesar, em média, 20-40% da avaliação final, nestas escolas “de topo” esse valor fica pelos 10%. Percebe-se a disparidade e percebe-se que, muitas vezes, há quem considere que isto transmite não apenas uma maior preocupação com as aprendizagens académicas mas, em complemento, uma maior segurança.

Também não deixa de ser curioso que, mesmo no 2º ciclo, se use a escala de 0 a 20 valores, só sendo feita depois a conversão para níveis.

6ª Feira

Antes que seja tarde, esclarecer desde já uns pontos quanto à greve de dia 2.

Sim, vou fazer, não propriamente pelas “causas” (a maioria das que me dizem muito, julgo perdidas no curto/médio praxo), mas por manifesta saturação com a sonsice reinante e com um quotidiano escolar progressivamente desprovido de sentido. Um quotidiano que se tem degradado pelo país devido à acção ou apatia de muit@s que (ou)vi no passado dizer que nunca aceitariam que se fizesse o que agora fazem ou deixam fazer, na área da gestão, da avaliação do desempenho, ou das parlapatices em forma de “projectos” e “inovação”.

Sim, acho que não vai ter qualquer impacto relevante e podemos discutir porquê a vários níveis, mas gostava de dizer desde já, na sequência do ponto anterior, que o “ecossistema” da maior parte das salas de professores em 2022-2023 tem muito pouco a ver com o de 2007-08 ou mesmo de 2012-13. Muitos dos que animaram muita coisa já saíram, estão em situação de baixa médica ou com serviços reduzidos, não dando aulas, ou acham que já se sacrificaram mais do que o suficiente em troca de nada. E para muitos dos que chegaram, que apenas uma minoria são verdadeiramente “novos”, algumas “causas” dizem muito pouco e a precariedade da sua situação laboral/material faz-me compreender que se alheiem de certas lutas.

Sim, não confio em grande parte das lideranças sindicais, em especial com as que fizeram sempre os possíveis para fugir das salas de aula o máximo de tempo possível, guardando naturalmente um desdém especial pelos hipócritas que a cada ano bissexto de rabo sentado, dizem que desejam terminar a carreira na escola, a dar aulas. Por isso, faço greve, apesar desta malta, não porque ela me motive ou mobilize, muito pelo contrário. Porque sei que abandonam o barco, quando lhes dão um apertão. Tiveram a sua oportunidade de fazer a diferença há meia dúzia de anos e foram embarretados até aos pés ou então foram coniventes, para não dizer pior. Para os que andam sempre a falar dos anos da troika, olhem também para aquilo que mais vos preocupou nos anos iniciais da geringonça.

Não, não colocarei nenhum 102 nesse dia ou no dia 31.

Resumindo… sim vou fazer greve, se é que isso verdadeiramente interessa, excepto ao Estado a quem devolverei parte da esmola que por estes dias dizem que nos calhará, caso não tenham apagado o iban do site do fisco.