Amigos, De Novo?

Aumentos na Função Pública: após 23 anos sem consenso, há acordo entre Governo e sindicatos para atualizar salários e rever carreiras

Executivo fechou este sábado, com os sindicatos da Administração Pública afetos à UGT, o acordo plurianual para a valorização salarial das carreiras do Estado. A última vez que um acordo desta natureza foi assinado entre o Governo e os sindicatos foi em 1999, também com o STE e a FESAP

Ou Então O Ministro Anda A Arredondar Os Números

Não seria a primeira vez. Nem se adivinha que seja a última. Porque ele é de Letras e tal e os números confundem-se-lhe na cabeça… 10.000, 15.000, 20.000 é tudo o mesmo desde que pareça muito.

Consultando as listas das reservas de recrutamento já efectuadas, verifica-se que desde o seu início só cerca de 900 docentes saíram deste concurso por, entretanto, terem aceitado colocação em contratação de escola. Supondo que os 13.530 colocados nas reservas aceitaram o lugar, o que muitas vezes não acontece, e somando estes aos 900 professores com habilitação profissional que saíram para a contratação de escola, pode-se tirar esta conclusão: dos 20 mil professores colocados em substituição apontados pelo ministro, pelo menos cerca de seis mil não têm qualificação profissional, que actualmente é atribuída pelo mestrado em ensino.

Sábado

Não estamos em 1982 de novo, porque não havia centros comerciais, supermercados eram poucos (o Pão de Açúcar do Lavradio era o único a que se ia na minha zona) e também não havia telemóveis para fotografar alarmes em latas de atum, nem a ninguém teria ocorrido tal. A crise era forte, mas havia solidariedade vicinal e o rol para quem não tinha como pagar e pagaria quando pudesse. Não digo que não se roubasse, por necessidade ou sem ela, mas realmente o mundo era diferente.

Há 35 anos começaram a chover dinheiros europeus, em alguns períodos de forma torrencial. Se fizéssemos as contas e dividíssemos o total pelos portugueses que por cá foram vivendo estaríamos todos, no mínimo, remediados e grande parte quase ricos. Mas nã… estamos cada vez mais desiguais e não é sequer preciso um sócrates e uma troika para que tenhamos mais de 2 milhões de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza, porque se optou pelo modelo típico das sociedades pobres com elites cleptocráticas. Quem pode, guarda para si e os seus, mesmo que se mostre compungido com os pobrezinhos, seja por via da caridade ou do “apoio social”. A verdade é que as nossas elites governativas falharam de forma tão flagrante no desenvolvimento do país quanto tiveram sucesso em governar-se com generosidade a si mesmas neste período de rotativismo, ocasionalmente alargado. Da esquerda à direita, uns com menos e graças mais aos poderes locais, outros muito mais graças ao controle das escápulas financeiras centrais.

Uma errada política salarial, manteve pobres os pobres e empobreceu os remediados. Apostou nas pequenas invejas para colocar aqueles contra estes e justificar que o salário mínimo cada vez mais pareça o salário médio. Economistas de ocasião, de previsões ou políticas falhadas, permanecem por aí a dar sugestões sem parar e sem vergonha, a par de “analistas” da especialidade, cujo maior mérito é escrever livros sobre como fazer o que nunca fariam. Mas como tudo vive deste equilíbrio entre fraquezas, uns não desmascaram os outros, a menos que seja mesmo muito óbvio. E quem diz economia, poderia dizer saúde, justiça ou educação. Quase toda a gente sabe imenso sobre como se deveria fazer e nunca se fez, mesmo quando foi possível. E dão-nos depois lições sobre o despesismo familiar e até há quem proponha que se aprenda como lidar com 125 euros, essa quantia imensa que nem dá para um copo de barca velha de 2011, quanto mais de 2008.

E acabamos, como pobres que somos, a comprar raspadinhas de forma obsessiva e a colocar em risco latas de atum e bacalhau. Até a roubar a maioria é pobre em ambição, mesmo se parece que há quem tenha percebido que a picanha sabe bem e gasta pouco tempo a grelhar.

E é disso que se valem os do costume que, no seu empaturrar diário, são os criadores do papão populista que acenam para atemorizar a tal maioria que lhes vai escapando entre os dedos para aqueles que apenas querem, em primeiro lugar, chegar-se à mesa onde se cortam as fatias das pizzas orçamentais.