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As coisas andam pouco de feição? Atiram-se com uns números de “sucesso” para a mesa mediática. Espremendo bem a coisa, ainda se conclui que a falta de professores ajuda ao sucesso. Pois é bem verdade que sem haver professores, não há avaliação, logo…

Número de alunos a fazer o secundário sem nunca ter chumbado bate recorde

A verdade, com o rabo de fora, vem lá escondida no meio, para quem conhece a realidade de que é feita esta “diversificação”.

Uma das explicações para a melhoria é atribuída à “diversificação das ofertas de educação e formação no ensino secundário”.

Leia-se… “ofertas nas quais o ónus total da prova é dos professores se os alunos não passarem, mesmo se forem daqueles que nem lá aparecem e já antes se estavam nas tintas para aquilo”.

E, claro, lá vem a evidência de que os mais pobres são os que têm piores resultados, mas nas conclusões nunca vem a mais óbvia: de que a solução é que existam cada vez menos pobres e menor desigualdade.

Como Se Isso Preocupasse O Herdeiro Da “Reitora”

Dá uma resposta chapa-5, com meias-verdades ou mentiras inteiras e nem perde um minuto de sono. Como com as juntas médicas excepcionais, o intuito é intimidar e apresentar factos consumados e que se lixe o mexilhão, num belíssimo exemplo de “cidadania” e “inclusão”.

Mobilidade por doença dos professores. Provedora de Justiça questiona Governo sobre lei “insuficiente”

Oeiras, Odivelas, Mafra

Só esta semana, juntando-se a Montalegre. Juntando ao resto, penso que até o presidente Marcelo considerará que começam a ser números elevados. Afinal, só temos uns 300 concelhos e pelo menos dois destes são dos graúdos. E até temos uma ex-secretária de Estado da Educação e tudo. Mas… tudo bem… devemos confiar e deixá-los ainda a gerir a Educação e a Saúde.

Não há juntas médicas para isto? Tipo tratamento da cleptomania autárquica?

6ª Feira

Um dos traços mais perversos de algumas políticas educativas que estão em acelerada consolidação é a debilidade empírica em que se baseiam, aplicando modelos teóricos de outros tempos, embora com novos nomes e desenvolvendo uma “investigação” que faria corar de embaraço um aluno de uma licenciatura pré-bolonhesa nas áreas das Ciências Sociais e Humanas minimamente exigente. Só quem não anda nisto há umas décadas é que desconhece que os “estudos de caso”, claro que com excepções, em especial quando produzidos em sucessão e com base em amostras perfeitamente irrelevantes em termos estatísticos, são o refúgio de quem não tem paciência ou engenho para ir mais longe. E há por aí gente a coordenar projectos ou a legitimar as suas orientações que considera “investigação” em “inovação pedagógica” coisas que se fazem em menos de um mês, nos tempos livres, com base em turmas ou grupos de alunos seleccionados a dedo, nomeadamente quando se validam “soluções” que se pretendem universalizáveis e de cuja validade se necessidade para manter o lugar na corte ou o subsídio a correr.

Tenho este ano cinco turmas. Com essa amostra, umas questões de aula, umas “atividades práticcas de construção do conhecimento” e uns quantos inquéritos consigo provar praticamente qualquer teoria e o seu contrário, tudo dependendo da “perspectiva” colocada nos “instrumentos” da investigação. Ou na selecção da amostra. O “viés da confirmação” é uma enorme tentação e basta fazer uma planagem rápida sobre uma série de artigos disponíveis em repositórios académicos para detectar a “linhagem” de certas pesquisas e mais do que expectáveis conclusões.

O que é agravado por vias de publicação sem qualquer verdadeira “revista pelos pares”, daquela que se faz sem que o revisor saiba o nome de quem escreveu ou esteja ligado à mesma escola de “pensamento” (estou a usar muitas aspas…). Pelo contrário, há plataformas para publicar aquilo que confirma exactamente o que os seus promotores pretendem “provar cientificamente”. O que depois se amplia, através de encontros, seminários e debates em circuito fechado, se possível em horário coincidente com os das aulas de quem não está dispensado pelas escolas para servir de audiência atenta e pacífica da coisa, sem direito a contraditório informado em plano de igualdade ao dos prelectores, sempre numa postura de autoridade e de superioridade moral, a partir das “boas intenções” em desenvolvimento. Só que em muitos casos, aquilo é tudo uma enorme fancaria que se limita a replicar o que está na “agenda” do momento.

Há quem considere “provadas” teses que não resistiriam, na sua fundamentação, a uma análise rigorosa dos métodos usados, desde a selecção da amostra à inexistência de qualquer tentativa de fazer estudos na lógica do contra-factual ou que procure, seriamente, verificar se as conclusões pré-definidas não são passíveis de ser falsificáveis, ou seja, de encontrarmos casos em que a teoria é informada.

Há dias lia alguém que garantia que naquele artigo “convocamos [sempre gostei de plurais majestáticos] um acervo significativo, sistemático e abrangente de investigação, realizado ao longo de mais cinquenta anos e em vários domínios”. Consultada a bibliografia, percebia-se que a afirmação era uma manifesta hipérbole porque de “investigação” propriamente dita, de estudos sobre o tema com amostras significativas, nem um punhado das menos de 30 referências da bibliografia que continha, como seria de esperar, Foucault, Lyotard, ao lado de Perrenoud e Schleicher. Muita teoria, pouca uva, a menos que consideremos o decalque das teorias de Pierre Merle como “acervo significativo, sistemático e abrangente” seja do que for, por interessantes que sejam algumas das ideias do autor replicado. Abrangente, talvez, por abranger coisas muito distantes do essencial que deveria ser, para comprovar o anunciado, uma meta-análise de pesquisas sobre o tema. Quanto ao tema da avaliação como “fabricação”, revisitado recentemente pelo autor original, eu ficaria por uma crítica daquelas cujo final, em tons de elogio, acontece depois da “martelada” sobre – hélas! – a falta de satisfatória fundamentação empírica.

Par ailleurs, le lecteur a parfois du mal à adhérer pleinement à la
démonstration de l’auteur. C’est ainsi que quelquespoints des chapitres 8 ou
9 nécessiteraient d’être approfondis pour convaincre entièrement. Par
exemple, créer les conditions d’un état de concentration intense (le “flow”)
laisse perplexe sur l’état actuel de fonctionnement du système éducatif, tout
comme l’exploitation d’outils numériques spécifiques ou de nouvelles
modalités pédagogiques (classes inversées) dont l’efficacité n’est pas
entièrement démontrée. D’autres questions restent également en suspens et
mériteraient une réflexion : quid de l’effet de l’appartenance à un groupe
faible dans l’évaluation par compétences, en rompant l’isolement de l’élève
ne déplace-t-on pas pour autant le problème de la stigmatisation des plus
faibles ? Quels seraient les critères d’information aux familles si les notes
disparaissaient ? Quelles conséquences sur les mécanismes d’orientation des
élèves après l’enseignement obligatoire si l’évaluation par compétences
trouvait sa légitimité dans ce dernier ? Quelles mesures des progressions des
élèves envisager dans l’approche par compétences, pour que cette
évaluation contribue réellement à la dynamique évaluation-apprentissage
plébiscitée par l’auteur ? Quelles définitions et quelles mesures des
compétences pour limiter les biais dans l’évaluation par compétences ?