Vou Esperar Deitado…

… por uma posição oficial decente da ANDAEP, da ANDE ou mesmo do Conselho de Escolas em relação às propostas que andam por aí. Já sei que vão dizer que não têm conhecimento oficial da proposta criação de Conselhos (Inter)Municipais de Directores e que por isso não podem tomar a dita posição. O que é muito “institucional”, mas também pode passar por falta de tintins em assumir com clareza o que querem. Basta passar pelos sites das duas primeiras organizações para se ficar com a sensação que feneceram já há uns tempos (ou mesmo anos no caso da ANDE). Fazem lembrar o modo como a ANVPC ignora por completo as recentes questões relativas à contratação, depois de ter cumprido a missão de promover alguma figuras e conseguir absorver umas verbas jeitosas para formações e eventos alinhados com o patrão. Mais valia passar a chamar-se Direcção-Geral dos Contratados e integrar a estrutura orgânica do ME.

Já Repararam Que Esta Malta Cada Vez Está Mais Perto Do “Centro”?

Que seja inocente até prova em contrário. Mas esta forma de “fazer obra”, ou melhor, de “pagar obra” anda em alta e, sendo pelas vias certas, parece ser meio caminho andado para ser-se recompensado ao mais alto nível.

Casos como este são mais do que muitos pelo país, porque em terra pobre, estes esquemas tornam-se modo de vida e as clientelas fazem lembrar as velhas relações de patrocínio dos tempos romanos ou as feudalidades medievais. Claro que só se lembra de tais afinidades quem tenha tirado um anacrónico curso de História com disciplinas anuais, em vez de ter a História do Mattoso a exibir-se na estante, com as páginas coladas por causa dos anos de imobilidade.

Há quem grite que certas denúncias e indignações são “demagogia” ou “populismo”, mas é mais do que evidente que não vão além do papagueio de chavões, que não entenderam ainda que demagógicas e populistas são certas políticas locais baseadas na hidratação mútua das mãos de quem interessa.

Secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro foi acusado no âmbito de um inquérito resultante de uma denúncia anónima aberto em 2019.

Passou-se!

Se chegar aos oitavos já será obra, independentemente da qualidade dos jogadores. Mais do que isso, só se ele se enganar nas tácticas.

Mas acredito que o Costa-Mor deseja ardentemente que o povo consuma o seu ópio favorito durante todo o tempo que seja possível.

Fernando Santos: «Podemos ser campeões do Mundo e que é isto que esta equipa pode dar»

@ “Nov@ Professor@” Desejada Pelo Ministro Costa E Outr@s Como Ele Que O Antecederam Ou Andam Pela Sua Corte

  • Não tem memória de um sistema transparente de colocações, pelo que não se importa de um regime de favores a nível local, baseado em “perfis” e entrevistas.
  • Não conheceu outro modelo de gestão escolar, pelo que a existência de director@s e de um modelo único, impessoal e hierárquico até é aceite como “lógico”, pois “também é assim nas empresas”.
  • Não se importa de estar numa qualquer lista (inter)municipal de funcionários, porque só quer um vínculo qualquer, por precário que seja e é-lhe irrelevante quem lhe paga.
  • Não se incomoda de ter uma carreira desvalorizada e desqualificada em termos sociais, porque a única prioridade é sobreviver num mundo laboral desregulado e proletarizado.
  • Não tem redes de solidariedade alargadas, para resistir seja ao que for, porque se deixou atomizar na lógica dos nichos das redes sociais, em que a “indignação” se mede pelas partilhas de posts ou memes, mesmo que seja a própria pessoa a fazê-las por todo o lado.
  • Não sente qualquer problema com “aprendizagens essenciais” porque a sua própria formação tem muita teoria, mas muito pouco saber disciplinar específico.
  • Não tem reservas quanto ao desaparecimento de provas de avaliação externa, ou que sejam feitas apenas em modelo de escolha múltipla online, porque é essa a lógica em que se baseou a sua própria formação.
  • Etc, etc, etc.

5ª Feira

Os professores como funcionários (inter)municipais pode parecer uma excelente ideia a quem quer tê-los dominados em regime de proximidade, ao mesmo tempo que se fragmentam resistências colectivas aos desmandos. Seguir-se-á, se isto avançar, a total desregulação salarial, ao nível dos “incentivos”, com as zonas mais ricas a terem capacidade de atrair os “melhores”, deixando as outras entregues ao que restar. Há vários países, com forte tradição local na gestão da Educação, onde as coisas começaram a correr bastante mal, em especial para as zonas com alunos mais problemáticos, mas cá tudo se mascara com o “sucesso” dos “projectos” e o desaparecimento de uma avaliação externa a sério. Por outro lado, o crescendo de aposentações, daqueles que ainda têm memória do que já foi, até dá jeito a uma tutela que quer criar @ “professor@ nov@”, dócil, flexível e sem o peso incómodo de alguma saber de experiência feito.