“Um Mau Acordo É Melhor Do Que Nenhum Acordo?”

Parece que esta mensagem anda a ser passada pelo sindicalismo institucional em algumas escolas, naquelas reuniões em forma de monólogo, para preparar o pessoal – não percebo se o mais velho, com alguma capacidade crítica e que se lembra de certos “acordos”, se o “sangue novo” com que pensam reconstituir o número de quotizados – para o que já sabem ser um mau acordo. A lógica é sempre aquela do… se não assinarmos, eles impõem o que querem. Curiosamente, a lógica que a CGTP raramente aceitou, excepto ocasionalmente durante a geringonça.

Ora, essa lógica é uma bosta e isso explica-se facilmente porquê.

O “mau acordo” é, no fundo, aquilo que a tutela praticamente imporia de qualquer maneira, mesmo sem assinatura.

Para além disso, quando se assina um “mau acordo” fica-se vinculado ao que foi assinado e perde-se a legitimidade para contestar seja o que for (relembro, mais uma vez, a CGTP a esse propósito), acabando por se ser apenas mais um elo na cadeia de domesticação dos “representados”.

Pelo que um “mau acordo” é, em regra, tão mau quanto nenhum acordo, mais as mãos amarradas.

O que vem aí é muito mau e inaudito, até porque não foi anunciado em qualquer programa eleitoral ou de governo. É mau para todos, mesmo se os “novos” pensam que assim até se podem safar e os “velhos” pensam que já não será com eles. Estão todos errados. Se não percebem porquê e como, de que modo a “alocação” de recursos humanos pode afectar todos de modo negativo, desenrasquem-se, pensem, que eu sou mau a fazer desenhos. E é estúpido andar gente a pensar que escapa entre os intervalos do granizo, a menos que já tenha uma “relação de proximidade” estabelecida e atractiva.

Assinar um “mau acordo” é voltar ao “entendimento” de 2008 e ao acordo concreto, em relação à add, estabelecido com Crato de 2012, por muito que andem aí a falar ainda de troikas. Há quem ainda se lembre do que fizeram nessa altura. É nada fazer de radical em relação ao modelo de gestão, desde que se coloque uma quantidade aceitável de director@s amigas no poder. Assinar um “mau acordo” é repetir a estratégia imbecil do período inicial da “geringonça”, em que deram 2-3 anos de avanço a quem nunca pensou verdadeiramente reverter fosse o que fosse, até que em 2018 se deu mais uma indignação que acabou em novo “mau acordo”.

De “mau acordo” em “mau acordo” andamos nisto há quase 15 anos. Mais ao menos ao mesmo tempo que os cromos de sempre os negoceiam e tentam vender-nos fruta podre como se fosse a única possível.

Como escrevi mais acima, o que espanta é que esta malta recomende como mal menor e faça exactamente aquilo que os camaradas mais crescidos dizem ser errado.

18 opiniões sobre ““Um Mau Acordo É Melhor Do Que Nenhum Acordo?”

  1. Ideias centrais do último plenário sindical em que participei…a norte do Douro:
    – devemos estar preparados para perder alguma coisa… é assim que funciona uma negociação.
    – o acordo assinado em 2008 era muito bom…por isso é que foi assinado.
    – eles são um verdadeiro sindicato…e por isso é necessário pagar a qualidade.
    – nunca se deve marcar uma greve durante o período negocial.
    – os mapas, as CIM ou outras coisas não se aplicam aos QE/QA…nem o senhor ministro pensou nisso.
    – as quotas devem ser eliminadas…ou reduzidas…ou qualquer coisinha.
    – não são os sindicatos que marcam as reuniões…nem são responsáveis pela ordem de trabalhos.
    – é melhor assinar um acordo… é só um aviso.

    E mais “luta da boa”.
    Alguns foram abandonando a sala fisicamente outros vou o espírito…

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    1. PS, PC, PSD, todos têm presidentes de câmara envolvidos em corrupção, todos se encobrem e a justiça não avança. São os responsáveis
      pela criação da extrema direita para fazer de papão. Estão todos a pactuar com a municipalização, todos querem continuar o forróbodó dos compadrios e dos jobs for the boys. Enfiam-nos a regionalização à força com a bênção do presidente da República e sem quaquer referendo prévio aos portugueses. Já perderam totalmente a vergonha e o respeito pelos cidadãos. Alguém tem de lhes fazer frente e teremos de ser nós por obrigação cívica!
      No programa do partido do poder nunca constou qualquer proposta de municipalização da educação. Com essa obtiveram a maioria absoluta e agora, numa atitude de absoluta rasteirice e desonestidade, querem impô-la à força!
      Os professores tem de se unir e fazer uma grande chamada de atenção para a sociedade civil.
      Compete-lhes moralizar esta gente que nos engole vivos!
      Vamos juntos e unidos sem nos deixarmos manipular por trntáculos partidários tantas vezes sob a forma de nossos protetores.
      Agora temos de ser nós a protegermo-nos e a proteger os portugueses.
      Não queremos chegas nem chegados para nos usarem!
      Queremos ser nós para mostrar que ainda há dignidade neste país!

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  2. Andam agora a ir às escolas a ver se apanham moscas… tarde demais, não voltaremos a acreditar em quem nos traiu em 2018 na greve às avaliações. Ou emendam a mão e se juntam com meios a esta greve, ou ficarão para sempre acantonados como traidores dos professores dos que ajudaram a fazer farinha da massa de bolo rei que a sinistra fez connosco.

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  3. Hoje o que está em jogo é do género daquilo que levou à grande manifestação de 2008. Na altura era titular versus não titular. Agora é boy do município versus professor a sério!

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  4. O grave, grave é que acabam os vínculos profissionais sérios. Até os Quadros de Escola vão para o olho da rua ao fim de 3 anos de não escolha pelo grupelho político que coloca professores na CIM!

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  5. Somos uma manta de retalhos por causa de todos esses maus acordos. É hora de reunir a sério e fazer uma marcha sobre estas arbitrariedades perpetradas por governos que desprezam a educação ajudados por sindicatos que apenas fingem representar a profissão!
    Os enfermeiros conseguiram, nós também vamos conseguir!
    A saúde e a educação, embora em teoria não sejam actividades de produção de bens, são as únicas que permitem que a sociedade tranquilamente os produza. Escolas fechadas é fundamental! Só assim se provará a falta que fazemos e recuperaremos o respeito, visto que estamos fartos de ser tratados como lixo!

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  6. todos esses maus acordos. É hora de reunir a sério e fazer uma marcha sobre estas arbitrariedades perpetradas por governos que desprezam a educação ajudados por sindicatos que apenas fingem representar a profissão!
    Os enfermeiros conseguiram, nós também vamos conseguir!
    A saúde e a educação, embora em teoria não sejam actividades de produção de bens, são as únicas que permitem que a sociedade tranquilamente os produza. Escolas fechadas é fundamental! Só assim se provará a falta que fazemos e recuperaremos o respeito, visto que estamos fartos de ser tratados como lixo!

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  7. “De “mau acordo” em “mau acordo” andamos nisto há quase 15 anos.”
    Sim, é a mais pura verdade.
    E temos estado tristemente sós…

    Depois de tudo, das encenações ridículas de “contestação” e de “negociações circenses”, não sei como é que ainda há colegas sindicalizados.

    Ainda há quem resista, mas sem respaldo decente por parte de forças sindicais (parece contraditório, eu sei), a resistência só vale por uma questão de consciência.
    É triste ver que aqueles que teoricamente nos deveriam representar são os primeiros a trair-nos…

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  8. Acordo, para quê? Um acordo com os professores para que aceitem serem ainda mais humilhados e vítimas do amiguismo? Ou já nos esquecemos da razão pela qual aqui chegámos? Um acordo com um personagem secundário, sem talento nem qualidades para o cargo que ocupa, um “yes man” que apenas serve de fachada.
    É necessário não esquecer que nenhum ministro vai para o poleiro por vontade própria. São escolhidos por “terem o perfil adequado” para as políticas que se pretendem implementar.
    Despejar a bílis em cima destas criaturas é simplesmente falhar o alvo e ajuda os pérfidos autores morais a safarem-se entre sorrisos reluzentes (quem não se lembra de “ver os dentes” tantas vezes aos primeiros na TV?).
    Quem tem que ser responsabilizado pela política criminosa de destruição do Estado Social que tanto custou a erguer são os mandantes. Esses têm um plano de desmantelamento do que custa mais dinheiro ao erário público para o poderem libertar para outras “prioridades” mais familiares.
    Esta é a investigação que urge fazer, a bem da Nação!

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  9. De mau acordo em mau acordo, aqui chegámos. Desbarataram força, muita força… Serão capazes de romper com esta tradição? Não creio, o futuro anuncia-se muito sombrio.

    Quanto a greves, estamos conversados, parece que se estão a transformar em provas de vida de um sindicalismo que se desligou da realidade. Será que alguns estarão há demasiado tempo longe da docência???

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  10. Já para não falar na votação da recuperação do tempo congelado, em que PCP e Bloco se abstiveram, quando tinham deixado no ar que ia ser aprovado, mas como estavam no poder, trairam os professores. A partir daí nunca mais votei. Sim porque a CGTP tem a agenda politica do PCP e convém-lhes não fazer muitas ondas!!!

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