Ainda Os “Envelopes Financeiros”

Se a transferência de competências para as autarquias só é feita com transferência de verbas, a alegada transferência (ou atribuição) de competências até agora não previstas para os directores deverá ser feita com igual contrapartida. Certo?

Ouvem-se boatos, mas não tenho qualquer confirmação credível e em primeira mão (há fontes que “secam” quando se lhes bate o tema à porta), de que haverá aumento do suplemento remuneratório para elementos das direcções, numa proporção significativa, para compensar a não actualização do valor desde 2008 ou algo assim. Desculpem-me a falta de preocupação com a informação sobre isso.

A minha proposta, que não aumentará as minhas fontes entre sobre este tema, é que o suplemento remuneratório acrescido estivesse indexado ao cumprimento de alguma componente lectiva pel@s director@s. Sem isso, só teriam direito a 50% do valor. Com uma turma daquelas disciplinas só com 2-3 tempos, daria 75%. Para ter os 100% teriam de ter uma turmas com disciplina de 5 ou 6 tempos ou turmas 2 de 3 tempos. Poderia – deveria? – até ser Cidadania. Não me digam que seria o caos na gestão escolar. Caos seria terem de cumprir as tretas da abelhinha. E veriam como fazer isso custa muito mais do que preencher aquelas plataformas maradas do MÉÉ.

Neste caso até aceitaria que a coisa fosse até à milena. Quanto ao resto da direcção, a mesma lógica e ninguém poderia ficar sem componente lectiva ou com menos de 5 horas. por favor, não me digam que já é assim e que me desculpem tod@s os que não desertaram quase por completo da sala de aula. Eu sei que até serão a maioria, mas anda por aí gente a dar mau nome à micro-corporação.

“Professores Contra Abusos Sistemáticos Dos Directores”

Não seria um título igualmente redutor e abusivamente generalista, meu caro Filinto? Porque que os há, sabes certamente que há e não são “casos isolados”, beneficiando mesmo da cobertura amigável dos serviços centrais do ME, que validam todo o tipo de atropelo, a menos que seja demasiado público. Se for preciso mando exemplos concretos.

Já agora, o que se entende por “sistemático”? Mais do que uma? Ou o termo “sistemático” foi da lavra do jornalista Bernardo Esteves para dar mais colorido à mini-peça sobre o asunto?

Diretores de escolas contra greves sistemáticas dos professores

Entretanto, a FNE já escolheu de que lado está.

Não Se Deu Por Nada Enquanto Esteve No Governo

Percebe-se que andam a promovê-la, até com chancela do Pacheco Pereira que a decidiu elevar a um patamar curioso, para quem diz coisas perfeitamente óbvias: só que parece que isso é muito original quando se pertence ao partido que governa. O que é triste e só revela a enorme pobreza da nossa classe política.

Só quem não se lembra do modo como ela defendeu de modo acérrimo a gestão draconiana dos horários dos professores contratados é que pode achar que a senhora deputada é vagamente como agora se pretende apresentar. Palavras, vão com as ventanias e oportunidades, já as acções, em especial as de governante, têm efeitos concretos na vida das pessoas e são mais difíceis de negar.

Diz que “claramente” integra a ala esquerda do PS e assume-se “pedronunista”. Mas será uma carta fora do baralho quando um dia se discutir a sucessão de Costa? “De há uns meses para cá falam-me nisso.”

Domingo

Repor a verdade? Que verdade? A batalha por qualquer verdade foi perdida há muito e a culpa só é indirectamente das teses do pós-modernismo de há 50 anos. A batalha pela verdade, na política nacional apenas seguiu uma tendência internacional para os governos se preocuparem mais com a “comunicação” do que com a governação. A batalha pela verdade foi perdida quando as “centrais de comunicação” para intoxicação da opinião pública e alimentação da opinião publicada se tornaram um eixo estratégico da acção política. Sem houve esse tipo de fenómeno? Claro que sim… todo o século XX avança em crescendo nesse sentido, mas outrora a propaganda era mais fácil de identificar, porque os lados eram conhecidos e quase sempre reconhecíveis. As “quintas colunas” existiam, mas não à escala a que assistimos agora. A batalha pela verdade, qualquer verdade, foi perdida, quando muitos que a poderiam defender, em nome de uma sofisticação intelectual e de um relativismo cultural e político, desertaram para o lado dos defensores do anything goes desde que goes our way. Ou que crie a dúvida sistemática sobre tudo. Clinton e Blair aceleraram o processo? Sim e por cá a coisa descolou, não com Portas e Barroso, apesar da vontade, mas com Sócrates e os seus avençados na comunicação social, blogosfera e nascentes redes sociais. Os factos passaram a ser relativos e depois alternativos. O trumpismo venceu a partir do momento em que contaminou tanto os opositores que os tornou uma variante daquilo que combatiam.

Repor a verdade? Que verdade? Aquela com que gozam quando eu falo nela. A verdade do deputado porfírio que assina uma resolução a defender a recuperação integral do tempo de serviço e depois vota contra a proposta de lei que defendia essa recuperação?

Leia-se o comunicado do Conselho de Ministros de 17 de Novembro:

Foi aprovada a resolução que determina início do processo de transferência e partilha de atribuições dos serviços periféricos da administração direta e indireta do Estado, para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), nas áreas da economia, cultura, educação, formação profissional, saúde, conservação da natureza e das florestas, infraestruturas, ordenamento do território, e agricultura. Este processo de transferência e partilha de atribuições não prejudica a descentralização de competências para as comunidades intermunicipais e áreas metropolitanas.

De que “verdade” fala o ministro Costa e os seus minions no facebook e demais redes sociais? CE uma verdade que nega o que o próprio ministério apresentou aos sindicatos nas reuniões de 7 e 8 de novembro de 2022?

Não é esta a Verdade apresentada pelo ME há pouco mais de três semanas? Que “desinformação” veio denunciar o ministro Costa e os seus minions? Quem “manipulou” o quê? Por aqui, correndo sempre o risco do anacronismo, da acusação de ser “velho”, de estar agarrado a conceitos do passado, procuro comentar a partir das informações concretas que me chegam, não de boatos. Isso deixo para outros.

Repor a verdade?

Se o ministro Costa quer demonstrar que o ministro Costa é mentiroso, não sou eu que o vou impedir. Apenas esclarecer que é isso que se passa.