Domingo

Repor a verdade? Que verdade? A batalha por qualquer verdade foi perdida há muito e a culpa só é indirectamente das teses do pós-modernismo de há 50 anos. A batalha pela verdade, na política nacional apenas seguiu uma tendência internacional para os governos se preocuparem mais com a “comunicação” do que com a governação. A batalha pela verdade foi perdida quando as “centrais de comunicação” para intoxicação da opinião pública e alimentação da opinião publicada se tornaram um eixo estratégico da acção política. Sem houve esse tipo de fenómeno? Claro que sim… todo o século XX avança em crescendo nesse sentido, mas outrora a propaganda era mais fácil de identificar, porque os lados eram conhecidos e quase sempre reconhecíveis. As “quintas colunas” existiam, mas não à escala a que assistimos agora. A batalha pela verdade, qualquer verdade, foi perdida, quando muitos que a poderiam defender, em nome de uma sofisticação intelectual e de um relativismo cultural e político, desertaram para o lado dos defensores do anything goes desde que goes our way. Ou que crie a dúvida sistemática sobre tudo. Clinton e Blair aceleraram o processo? Sim e por cá a coisa descolou, não com Portas e Barroso, apesar da vontade, mas com Sócrates e os seus avençados na comunicação social, blogosfera e nascentes redes sociais. Os factos passaram a ser relativos e depois alternativos. O trumpismo venceu a partir do momento em que contaminou tanto os opositores que os tornou uma variante daquilo que combatiam.

Repor a verdade? Que verdade? Aquela com que gozam quando eu falo nela. A verdade do deputado porfírio que assina uma resolução a defender a recuperação integral do tempo de serviço e depois vota contra a proposta de lei que defendia essa recuperação?

Leia-se o comunicado do Conselho de Ministros de 17 de Novembro:

Foi aprovada a resolução que determina início do processo de transferência e partilha de atribuições dos serviços periféricos da administração direta e indireta do Estado, para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), nas áreas da economia, cultura, educação, formação profissional, saúde, conservação da natureza e das florestas, infraestruturas, ordenamento do território, e agricultura. Este processo de transferência e partilha de atribuições não prejudica a descentralização de competências para as comunidades intermunicipais e áreas metropolitanas.

De que “verdade” fala o ministro Costa e os seus minions no facebook e demais redes sociais? CE uma verdade que nega o que o próprio ministério apresentou aos sindicatos nas reuniões de 7 e 8 de novembro de 2022?

Não é esta a Verdade apresentada pelo ME há pouco mais de três semanas? Que “desinformação” veio denunciar o ministro Costa e os seus minions? Quem “manipulou” o quê? Por aqui, correndo sempre o risco do anacronismo, da acusação de ser “velho”, de estar agarrado a conceitos do passado, procuro comentar a partir das informações concretas que me chegam, não de boatos. Isso deixo para outros.

Repor a verdade?

Se o ministro Costa quer demonstrar que o ministro Costa é mentiroso, não sou eu que o vou impedir. Apenas esclarecer que é isso que se passa.

8 opiniões sobre “Domingo

  1. ver·da·de
    (latim veritas, -atis, verdade, sinceridade, realidade)

    1. Conformidade da ideia com o objecto, do dito com o feito, do discurso com a realidade. ≠ ERRO, ILUSÃO, MENTIRA

    2. Qualidade do que é verdadeiro. = EXACTIDÃO, REALIDADE

    3. Coisa certa e verdadeira. ≠ ILUSÃO, MENTIRA

    4. [Por extensão] Manifestação ou expressão do que se pensa ou do que se sente. = AUTENTICIDADE, BOA-FÉ, SINCERIDADE ≠ MENTIRA

    5. Princípio certo. = AXIOMA

    6. [Belas-artes] Expressão fiel da natureza, de um modelo, etc.

    “Verdade”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/Verdade [consultado em 04-12-2022].

    Numa qualquer busca em dicionários pelo termo Verdade, a análise confronta-nos com um poder na palavra, cuja interpretação não parece suscitar dúvidas, digo eu, que não sou perita em linguística nem tenho um doutoramento na área…
    Contudo, parece que o ministro Costa, usa a “verdade” ad libitum… Tentando criar na linguística o mesmo que faz na área que tutela, impondo novos “paradigmas”, “modelos” , “perfis”, “projetos”, “distribuições”, “planos de inovação”, et caetera…
    Quanto a isso, retirem-se as ilações que entenderem, os entendidos na matéria…
    A minha verdade, coloca-se mais neste sentido paradigmático (!) – com a perplexidade que dele advém: por que razão, ainda há quem tenha dúvidas em relação às [in]verdades do ministro?…

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  2. Como aconteceu, sobretudo desde os tempos negros da reitora, quando se falava em negociação já tudo estava decidido, aprovado e posto em marcha!!!!! Que grande aldrabice….

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  3. Que verdade? Hoje existe a verdade alternativa e da contra informação. Sim, desde algumas décadas atrás os partidos do arco democrático começaram a criar uma verdade alternativa para justificarem o incumprimento das promessas, a cedência a interesses ocultos e as próprios falhanços. Uma das maiores mentiras foi a justificação para a 2a invasão do Iraque. Agora lamentam-se com o ressurgimento dos extremos.

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  4. Nos idos de Blair, no RU, houve intensos debates: “The Education Debate”, pelo título que lhe deu Stephen Ball. Na altura, Ball levantou várias lebres, esse foi um dos títulos entre outros que escreveu. Pois, não há novidade, mas parece que agenda se mantém. Os benefícios estão por contar, a não ser que seja alocar recursos contra a sua vontade. No entanto, é necessário não esquecer que, apesar da narrativa vigente: os professores nem têm os ordenados e benefícios de deputados nem de elementos do governo – e, a maioria com 50 e muitos ou 60, tem algum direito à estabilidade, o que permanentemente está a ser posta em causa.
    Acresce que a comunicação social está, por razões que por vezes não entendo, do lado de medidas que lhe cabia, também, investigar. É sabido que há muitos anticorpos contra professores, se uns são plausíveis outros não o serão porque estão sempre dirigidos a uma profissão no seu todo.

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  5. Nova maioria absoluta, sem o voto de 100.000 professores, duvido! Com o desenrolar dos acontecimentos, a verdade, verdadeira há-de vir ao de cima.

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