Não Consigo

Encher três páginas a um espaço a auto-avaliar-me. Nem a espaço e meio. Não fiz assim tanta coisa, a menos que coloque cada reunião numa linha como já vi em outros documentos de auto-exaltação da obra própria em verbo próprio. Cumpri os meus deveres para com os alunos, sem mútuo desagrado, e a minha consciência. Já não é coisa pouca, mesmo se não ocupa muitos parágrafos.

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Dualidades

É complicado conciliar uma retórica muito humanista da actual geringonça educativa com grande parte das suas medidas concretas, perfeitamente ditadas por lógicas economicistas e seduzidas pelas tecnologias. Não é que seja incompatível um ensino com recurso aos meios digitais que mantenha uma forte componente de proximidade entre professores e alunos, mas, infelizmente, aquilo a que se assiste é a uma enorme diferença entre o que se enuncia como princípios teóricos e a acção concreta, seja na sobrecarga burocrática para o sucesso, seja nas poupanças ensaiadas a todos os níveis em que possam ser feitas “economias de escala”.

Assim como é estranho montar um aparato de provas de aferição que, na sua concretização, parece estar mais ao serviço de impressionismos e grupos de pressão do que da aferição das aprendizagens dos alunos. E nem estou a falar na habitual (mas este mais notória nas provas em disciplinas não rotinadas neste tipo de processos) “evolução” nos critérios de classificação/codificação das provas.

Por exemplo… se avançar a realização a classificação das provas de aferição por meios meramente digitais, como é que isso se coaduna com tudo o que se manda afirmar para a comunicação social sobre os múltiplos factores a ter em consideração na avaliação do desempenho dos alunos?

Duvida

Já Há Solução

Para aquela coisa do subjectivismo na classificação de provas e exames de que ontem falava uma especialista no mesmo Público. Não é acabar com el@s, é fazer tudo online e classificar mecanicamente. Por mim, até deveriam ser feitas assim as provas de Expressão Físico-Motora. Claro que este tipo de método não coloca nada em desvantagem os alunos menos familiarizados com estas tecnologias (que são um pouco diferentes de usar o whatsapp…). Mas acredito que, instalado o sistema, seja bem mais barato, que é o que interessa. E lá virá alguém (o vital?) a anunciar a enésima revolução na Educação em Portugal na última meia hora.

É o chamado ensino humanista que atende a todo o contexto do aluno.  Logo eu que nem apanhei a tele-escola.

Tele

Tédio

Sim, já sabemos… os exames são maus e falíveis. Abandonemo-los ou façamos só de cruzinhas (há quem já os faça, depois aplique uma grelha tipo totoloto e já estão as “aprendizagens” avaliadas). Incluindo para o acesso à Universidade, à moda americana dos SAT. Ou tudo numa plataforma digital, em que os alunos nem precisem de saber escrever. O melhor mesmo é mudar de vez de paradigma a ver se ao menos deixamos de levar com esta conversa em cima, ano após anos, como se fosse novidade (com o selo de “estudo” feito por “especialista”) o que se diz há mais de 150 anos (por alguma razão não se terá ainda conseguido um modelo verdadeiramente alternativo para a escola de massas, mas…).

Se concordo com as “alternativas” para a avaliação? Claro… até pratico algumas (embora provas orais individuais para apresentação de projectos fossem uma coisa interessante de operacionalizar). Não sei é se algumas destas pessoas que tanto as defendem as praticam com os seus alunos.

formas-de-regateo