Isolamento 2.0

Num qualquer vilarejo perto de si: criatura nos trintinhas, em plena rua, sem máscara, falando com conhecida, ambas confinadas por terem crianças (do 1º ou 2º ano, pelo tamanho do pobre coitado que ficou no carro com ar de cachorrinho abandonado) que testaram positivo, fazendo ouvir o seu desagrado por não ter a professora mandado ainda nada para a criança fazer e ela já estar farta de a ouvir, pelo que decidiu sair um bocado de carro e acabou ali a trocar ideias profundas de modo a poder ser ouvida num raio de várias dezenas de metros. Ahhh… faltava-me dizer que se notava gravidez adiantada ou então tinha sido uma feijoada capaz de bater o recorde daquela da ponte Vasco da Gama.

(é a chamada “auto-gestão da pandemia”)

49

Morreriam de qualquer forma, certo? Não vamos estar a “dramatizar” isto. O drama era se as escolas do 1º ciclo (e a parte do 2º ciclo das velhas EB23) tivessem fechado mais um par de semanas. Como se muitos que andam a passear pelos 9 anos do Básico com “sucesso” certificado tivessem todas as aprendizagens (mesmo as mínimas, agora, chamadas “essenciais”) mais do que realizadas. Essa é a enorme mistificação em curso e eu muito gostaria que colocassem a fazer provas de aferição alunos da pré-pandemia para ver o que ficou lá, comparando com os actuais.

Acordaram Tarde!

Como fora dos debates se assinalou a sua ausência, agora toda a gente já quer falar de Educação, a maior parte das vezes de forma oportunista ou mesmo sem ponta por onde se lhe pegue em termos de conteúdo ou novidade. Pura cacofonia, a ver se dá votos ou atenção.

Ao mesmo tempo, parece que descobriram (há pouco na RTP3, era a vez de Carlos Antunes) que a abertura das escolas aumentou brutalmente o número de contágios até aos 11 anos e que isso, com alguns dias de desfasamento, se estendeu à faixa etária dos pais dessas crianças, como se fosse algo inesperado ou imprevisível.

Os idiotas úteis do regime devem estar felizes, porque cumpriram a missão de forçar a abertura das escolas. Assim como os defensores do “isto é apenas mais uma gripe e se não for é apenas imaginação”.

Uma ADD Liberal

Não percebi se a proposta é apenas para a Madeira, se é para todo o país. Anoto que os liberais também aderiram ao linguajar do eduquês, nisso pouco se distinguindo da “esquerda socialista e radical” (a prova do algodão é o uso de expressões como “disseminação de boas práticas”, “partilha e experiências”, “potenciar o escrutínio” ou “cultura de indicadores transversais”. Em boa verdade, isto poderia ser dito pelo ministro Tiago, sob guião do SE Costa, que nestas coisas faz sempre de encoberto, com aplauso da maioria da esquerda parlamentar e belos nacos do psd da facção Azevedo/Matias Alves e eventual estudo legitimador do CNE.

Todos diferentes, mas tão iguais.

Assim a IL propõe:

· Rever, em conjunto com os agentes educativos, o regime de avaliação dos docentes;

· Estabelecer um regime de avaliação das escolas com base numa análise multifactorial;

· Rever a divulgação de rankings escolares;

· Promover a disseminação de boas práticas, com base na autonomia e na promoção de partilha de experiências entre escolas;

· Ter uma política de publicitação activa de dados em matérias relacionadas com a Educação, para potenciar o escrutínio e o debate público;

· Promover uma cultura de indicadores transversais entre as diversas instituições.