Domingo

Com 16 milhões (no mínimo) de portugueses felizes desde ontem, foi uma pena não terem marcado as eleições europeias para hoje. O Costa e o Marques iam ao Marquês e tinham automaticamente 104,32% dos votos.

Shin Chan

 

 

 

 

(calma, isto não é um post sobre futebol…)

 

Moeda Ao Ar?

Deve ser muito difícil contar os votos das eleições para o SPGL. Dois dias depois, ainda nada se sabe no site oficial. Confesso que – amig@s à parte em ambas as listas – poderiam perder as duas, por razões diferentes. Uma porque é a da ortodoxia nogueirista dos vargas e agentes da remax que deu no que deu em matéria de “luta” e a outra porque apresentou à frente alguém por cujo “espírito democrático” eu tenho uma “estima” muito especial.

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Agora Que Já Li O Texto Todo Do Pacheco Pereira, Subscrevo 99,9%

Em especial esta parte que ando a repetir há uns anos, sem grandes resultados, porque, lá está, sou um zeco alegadamente má língua, incapaz de ver como o futuro se parece com o passado.

Por fim, e o mais importante, há uma desvalorização do papel do professor, de ensinar, de transmitir um saber. Vem num pacote sinistro que inclui o falso igualitarismo nas redes sociais, o ataque à hierarquia do saber, o desprezo pelo conhecimento profissional resultado de muito trabalho a favor de frases avulsas, com erros e asneiras, sem sequer se conhecer aquilo de que se fala. É o que leva Trump a dizer que se combatia o incêndio
de Notre-Dame com aviões-tanques atirando toneladas de água, cujo resultado seria derrubar o que veio a escapar, paredes, vitrais, obras de arte. É destas “bocas” que pululam nas redes sociais que nasce também a hostilidade aos professores. É o ascenso da nova ignorância arrogante, um sinal muito preocupante para o nosso futuro.

E é muito grave que essa desvalorização tenha um dos seus epicentros exactamente no ministério da Educação e que existam governantes que definam como “professores do futuro” aqueles que alinham na sua própria desqualificação. Achando que é recompensa o selo de asnos com que acabam por se passear por aí.

Burro2

Be Afraid…

… porque entrámos numa espécie de ambiente típico de seitas religiosas. Só que que se trata de Educação e alguns dos sacerdotes são incrivelmente ineptos, para mão dizer estúpidos.

Passei por um conjunto de conferências viradas para o futuro da educação que decorre perto da minha localização. Quando entrei, o conferencista dizia: “a avaliação formativa e sumativa deve ser acompanhada por um texto descritivo. Com o excel automatizam-se as grelhas (o descritivo corresponde à inserção de um dado numérico)”. Compreendo todas as apreensões com o futuro.

Só pela situação se percebe a mediocridade dos conhecimentos do “conferencista”, embora esteja ao nível da larga maioria do nicho de “formadores” nestas matéria patrocinados pelo ME e seus secretários.

O problema é que, nas últimas semanas isto tem-se repetido a um ritmo quase diário por escolas e centros de formação do país na tentativa de deixar a reforma inscrita a reforma costista de forma indelével no nosso sistema de ensino.

E não vale a pena andarem em off a dizer que este ou aquele é só má língua e mau carácter, porque se fosse assim, muita coisa teria sido dita e escrita que não foi. Os mentirosos são os que lá estão. Pena é que não investiguem muito do que anda a acontecer nos bastidores, beneficiando do ruído da “luta” entretanto interrompida.

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Sábado

Chateia-me que mesmo quem apareça a defender os professores, sinta uma espécie de imperativo em colocar um “mas” ou em fazer um qualquer reserva inicial. É o caso de Pacheco Pereira que talvez pudesse perceber melhor que as nossas “muitas culpas” não serão assim tantas, sendo antes algumas e outras nem sequer nossas. A tradicional acusação em relação à avaliação mereceria uma análise mais “fina” quanto ao que existe, ao que poderia existir e ao que, nas condições que temos, é impossível existir.

Os professores têm muitas culpas, deveriam aceitar uma mais rigorosa avaliação profissional, mas isso não esconde que têm hoje uma das mais difíceis profissões que existe. E que, sem ela, caminhamos para o mundo de Camilo.

Burnout

E Quando Pensávamos Que As Coisas Não Poderiam Piorar (Pelo Menos Durante Uma Ou Duas Semanas)…

O Fundo Monetário Internacional (FMI) vê nos sucessivos congelamentos das progressões na função pública durante as duas últimas décadas um sinal de que as regras em vigor apenas servem para os momentos em que a economia ajuda e, por isso, recomenda ao Governo que proceda a uma reavaliação da forma como os funcionários públicos progridem na carreira, para tornar o sistema sustentável

Termos a reter: “sucessivos congelamentos” e “últimas décadas”.

Para contrastar com “o congelamento de de 2011 a 2017”.

O resto é o costume… o buraco dos bancos pode causar problemas “sistémicos”, enquanto os rendimentos dos funcionários são uma variável manipulável sem remorsos.

bullshit-detectorEntretanto:

Neste ano letivo, a percentagem de livros escolares reutilizados foi inferior a 4%. Tribunal de Contas avisa que o programa dos manuais gratuitos é frágil e que a sua viabilidade está em risco. Há dívidas por pagar a livrarias e 100 milhões de euros que não estão orçamentados. 

A entrega de manuais escolares gratuitos custou mais do que o previsto em 2018 e este ano o desvio repete-se. E numa dimensão bem maior. Segundo o Tribunal de Contas (TdC), a medida implica uma despesa estimada em 145 milhões de euros, três vezes mais do que o montante inscrito no orçamento da entidade responsável pela gestão financeira no Ministério da Educação. Durante o debate do Orçamento do Estado para 2019, no Parlamento, Tiago Brandão Rodrigues admitiu que o custo da medida podia chegar aos 160 milhões. O TdC fala em falta de transparência no processo orçamental.