Depende… Há Quem Leia Muita Porcaria… Ou Dê A Ler…

E são existir informação e formação para distinguir a semente boa da daninha, o resultado pode ser péssimo.

O problema dos chavões é mesmo esse… pode dar apenas em conversa de chacha que fica bééém no “retrato”, mas pode valer menos que zero na prática. Ou acham que a malta que faz massacres não lê? Que o problema deles é falta de leituras? Ou que o número crescente de gente que volta a acreditar na Terra plana ou que as vacinas são um complot para controlar as mentes e espalhar doenças não lê?

Não… o problema deles é lerem muita m€rd@ e acharem que é coisa boa. É a leitura em circuito fechado de cânones fechados em crenças que se auto-confirmam.

E a tolerância ou promoção do relativismo e a desvalorização do Conhecimento é a estratégia errada para combater isso.

«Quanto mais lemos, mais livres somos»

ble

Já em 2013…

… se alertava para a evolução menos favorável da educação finlandesa…

Finland Used To Have The Best Education System In The World — What Happened?

Agora, em 2016:

Finland’s schools were once the envy of the world. Now, they’re slipping.

Eles chegaram ao topo como culminar de um processo histórico complexo. Há quem tenha confundido isso com o presente. Por cá, há muitos que ainda não entenderam como estes fenómenos acontecem… e que a Educação também tem uma História.

O giro é que as mesmas pessoas que desvaloriza(va)m este tipo de testes eram os mesmos que usavam a posição cimeira da Finlândia nestes mesmos testes para nos convencer que este era o caminho certo.

Coerências do camandro.

Pentelho

Muito Bem!

Tal como tenho sido muito crítico de algumas intervenções do secretário de Estado João Costa, a apressar-se com conclusões sem fundamento empírico claro, cumpre-me elogiar bastante o artigo que hoje assina no Público, no qual afirma, por exemplo:

A dissemelhança de resultados a ciências entre o TIMMS e o PISA (com descida nos resultados do 4.º ano e subida nos resultados dos alunos com 15 anos) mostra que é preciso analisar estes dados de forma complementar. PISA, TIMSS, avaliação interna, exames, provas de aferição são instrumentos de análise que se complementam. Os resultados contraditórios devem alimentar reflexão sobre se se estão a avaliar as mesmas dimensões e sobre a robustez dos diferentes instrumentos. Para referir apenas um exemplo, quando vemos que há uma progressão consistente dos resultados do PISA, mas os alunos portugueses não exibem o mesmo nível de progressão nos exames nacionais de 9.º e 12.º ano, devemos questionar as razões para esta assimetria e até avaliar os nossos próprios instrumentos de avaliação externa — um desafio para o Conselho Científico do Iave.

Pista de análise… a avaliação em Portugal por via dos exames não é imune às conjunturas políticas e eleitorais. Quem afirmar o contrário, parece-me ingénuo. Porque há autonomias formais, mas também há vassalidades por telepatia.

Mas aplaudo ainda, em especial, a seguinte passagem, ao arrepio de outras declarações:

Além da afronta inerente, há alguma ingenuidade quando se acha que os sistemas educativos absorvem o impacto de políticas em dois ou três anos. Olhemos de novo para estes resultados: a melhoria é progressiva e consistente, resultado de políticas de muitos anos, de investimento direto e reforço em algumas áreas específicas do currículo, de planos de formação, de práticas locais constantemente melhoradas, de professores que investiram em si e nos seus alunos, de famílias mais motivadas para a educação face ao efeito transgeracional crescente e ao investimento na formação de adultos. Não há uma medida, há um compósito de contributos. E, por isso mesmo, o sucesso escolar não tem dono. Não é deste ou daquele governo, não é desta ou daquela escola. Sempre que temos menos alunos retidos, sempre que a escola combate injustiças sociais garantindo melhores aprendizagens para todos e em particular para aqueles que nascem em contextos em que tudo concorre para que a vida lhes corra mal, sempre que tal acontece, é o país que ganha. O sucesso escolar não tem dono, porque é um desígnio nacional e, por isso mesmo, é uma vitória para todo o país.

Já o artigo, mesmo ao lado, da Joana Mortágua, de tão maniqueísta na análise político-partidária, não passa de um texto panfletário e fica muito longe de qualquer utilidade real para um debate a sério sobre estas matérias, pois parece não ter entendido boa parte do que o SE já parece ter percebido.

O ministro, claro, está em parte incerta ou não leu o briefing no fim de semana.

lampadinha21

A Família Alargada da Criança

A Bárbara Wong faz o balanço mais generoso de todos acerca dos ganhos conseguidos nos PISA 2015. Não estou a ser irónico ou sarcástico. É verdade, no seu texto faz a distribuição mais completa de méritos pelo sucesso. Felizmente, não chega a Couto dos Santos, pois nesse caso eu teria mesmo de ser jocoso. Só acho que ignora o papel dos pais, pois em 20 anos a diferença de habilitações das famílias é muito sensível e a importância dada à Educação é, apesar de todos os problemas e desânimos, muito maior.

Quanto ao resto, vou permitir-me uma discordância respeitosa em dois pontos, para não me alongar muito:

Os ganhos dos TIMMS e PISA não provam nada de particular sobre a concentração da rede escolar e os eventuais ganhos da integração dos alunos em centros (caixotes, para mim) escolares, a menos que me tenha passado algum detalhe nos relatórios, onde se identifique a tipologia das escolas envolvidas ou se faça alguma comparação entre pequenas e grandes escolas, Integro-me no grupo daqueles (não me reclamando de “pedagogo”) que acha que a deslocação de miúdos de 5-6 anos para dezenas de quilómetros do domicílio todos os dias é mais traumática do que a transição do 4º para o 5º ano, que tanta vezes se apresenta como causa (nunca comprovada empiricamente) de insucesso. Também desconheço estudos que demonstrem que os alunos assim deslocados (e não a média das escolas, pois 2 em 20 representam muito mais peso relativo do que 20 em 600) obtêm um sucesso em média superior do que o que era alcançado em escolas mais pequenas. Há dados que o ME pode usar para fazer essa comparação. Posso estar errado, mas, neste momento, não se sabe.

Quando se faz um rol de governantes que desenvolveram políticas “eficazes” ao longo destes 20 anos e que devem ser parabenizados pelos resultados, devemos ter também a mesma atitude quando algo corre menos bem. E existe aí um desequilíbrio recorrente nas análises, uma assimetria nas auto e hetero-avaliações. Como aqueles treinadores que aparecem quando é conseguida uma vitória, que apresentam como sendo da sua estratégia que os jogadores souberam aplicar, mas que na derrota responsabilizam os erros do árbitro, falhas individuais, o azar da bola da barra, mas nunca as suas opções erradas. E em Portugal existe este mal crónico… nos dias bons, todos aparecem ao sol… mas nos dias de chuvas só se molham os pobrezinhos.

CHT164569

E é assim. Eu sei que a Bárbara quis envolver todos na festa dos dias que passam. O problema é que nem sempre isso acontece quando aparecem más notícias. E todos sabemos que é assim.

A excepção é no dia dos rankings, em que se visitam três ou quatro escolas do topo e outras da base. É para a semana, certo?

O Casal Maravilha

Maria de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato. Ambos reclamam a responsabilidade pelo trabalho alheio. O jovem especialista de serviço concorda e acha que ele é que pensa (há carreiras construídas assim, enfunando com todos os ventos, o rapaz chegará longe com esta forma de alisar todos os pelos). O Bloco esperneia sem sentido, quando os PISA demonstram que Portugal é dos países em que os alunos mais desfavorecidos têm melhores resultados. E depois há os que dizem que tudo melhorou, mas pode piorar. Até o Ramiro Marques ressuscitou (lembram-se, aquele gajo muito lutador que apagou tudo o que tinha escrito anos a fio quando lhe deram umas migalhas na 5 de Outubro para implementar a porcaria do vocacional?). A vergonha escasseia.

Voltando ao casal. Muitas vezes escrevi que eles tiveram mais pontos em comum do que profundas divergências. Por isso, levei pancada dos dois lados, mas mantenho. E volto a lamentar que tenhamos de ser por um ou por outra. Para mim, uma nunca poderá ser branqueada pela geringonça e o outro foi uma enorme desilusão, traindo muito do que afirmara antes de ser ministro.

Os ganhos são anteriores a ambos e provavelmente continuarão muito depois deles. Só que, infelizmente, o circo está instalado na cidade.

mister-ed-o

O Farol Apagou-se?

As transversalidades e as avaliações holísticas nem sempre resultam. Os bons resultados educacionais finlandeses não se deveram, em termos históricos, a uma escola do século XXI no século XX. Muito pelo contrário. A entrada em velocidade de cruzeiro parece não estar a correr bem. por cá, os analistas do tubérculo ramudo é que decidiram que se a Finlândia tinha bons resultados é porque a escola, no presente, era de um determinado modo, ignorando que isso não acontece desse modo. Parece que os amanhãs que cantam vão perdendo a voz, mas por cá iremos ignorar isso, enquanto não se perceber que o trotskismo educacional não funciona e que as acelerações históricas, embora façam parte do húmus ideológico da juventude de muita gente, não se coadunam com a evolução de médio-longo prazo da Educação. Para chegarmos ao século XXI precisamos cumprir as fases anteriores, incluindo os séculos XIX e XX, mesmo que com um ritmo mais forte, o que vamos fazendo. Neste momento, com uma escola pública fustigada pelas tentações demagógicas de políticos passageiros, vamos cumprindo a fase final do século XX e com resultados muito satisfatórios. Já na Finlândia, a evolução é decepcionante. Não sei se por causa do alargamento curricular. Ou das transversalidades. Ou da ausência de avaliação até ao fim da puberdade. Como foi decepcionante na descentralizada Suécia, na privada Holanda, na vocacional Alemanha…

Que raios… será que é a nossa escola arcaica que ainda funciona melhor?

Eu nunca fui dos que desvalorizaram este tipo de testes e comparações… mesmo se acho que não são indicadores absolutos. Mas lá que até fazem algum sentido, lamento, mas fazem.

The survey shows that the number of poor performers in science is growing and the number of top performers is declining, especially among boys, and regional equity is deteriorating.

-The number of students who perform poorly in science has nearly trebled and the number of top performers has dropped by nearly one third. Altogether 65 per cent of students who performed poorly in science also did poorly in mathematics and reading. Of these, two thirds are boys, observes University Researcher Jouni Vettenranta.

The gap in performance between the genders is growing and was the biggest among the OECD countries – 19 score points in favour of girls. Relative to all the participating countries and economies, Finnish girls were second best after girls in Singapore. In the comparisons among boys, Finnish boys came in tenth place. Finland was the only country where majority of the top performers were girls. The decline in the performance of boys further increases the gender gap to the advantage of girls.

Report: Finland’s fourth graders’ maths and science skills in decline

Compared to students in other countries, the test scores of Finnish fourth graders’ math and science skills have seen a decline over the past four years. According to the Trends in International Mathematics and Science Study, fourth grade female students surpassed their male counterparts in all areas. Researchers say that parents’ attitudes toward schoolwork and studying are particularly important.

susto