PIRLS 2016 – Claro Que o “Problema” É A Necessidade de Mais “Formação” de Professores

Assim sempre se podem alimentar uns nichos de formadores e não olhar para coisas como um 41º lugar na lista em que se avalia se os alunos têm uma biblioteca na sala ou não. Os alunos portugueses que a têm apresentam mais 10 pontos no seu desempenho (533) em relação aos que a não têm (523).

Mas claro que a “solução” para melhorar os resultados (que, lembremo-nos, se forem de outro tipo de provas “específicas” não interessam nada…) é “mais formação” para os professores (em primeira, segunda, penúltima e última instância a culpa dos “insucessos” é sempre deles e da sua fraca preparação) e não equipar devidamente as salas de aula.

Mas também este detalhe será, por certo, considerado devidamente quando as “análises” dos “especialistas” ultrapassarem os quadros mais óbvios.

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(afinal, o 1º ciclo é competência das autarquias, certo? aquelas para onde se querem passar todas as escolas, correcto? isto é mesmo uma palhaçada…)

O Melhor de 2016

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Mesmo se não foram produzidos ou editados em 2016, estes foram os dois livros que mais me impressionaram, em termos de ficção, durante um ano em que voltei fortemente a dois géneros bem mais escapistas como o policial e a ficção científica.

Não sei se por coincidência, ambos abordam a vida em comunidades rurais fechadas que, subitamente, são obrigadas a lidar com a mudança e com elementos estranhos. Num caso, durante o movimento dos enclosures em Inglaterra e no outro no pós-segunda guerra mundial, numa zona montanhosa algo indeterminada entre a Alemanha e a França (provavelmente a Lorena), temos narradores envolvidos em acontecimentos profundamente perturbadores, pela sua crueldade, quando o equilíbrio de uma micro-sociedade tradicional é colocado em causa e a irracionalidade irrompe, em virtude do medo do desconhecido, corporizado em alguém pouco convencional para a sua visão do mundo.

São dois casos em que a nomeação para prémios importantes foi mais do que justificada. Mas nenhum deles é de leitura para sensibilidades muito delicadas.

2016, Um Balanço

Do you think we have time?
Do you think we have time?

These are the days of the open hand
They will not be the last
Look around now
These are the days of the beggars and the choosers

This is the year of the hungry man
Whose place is in the past
Hand in hand with ignorance
And legitimate excuses

The rich declare themselves poor
And most of us are not sure
If we have too much
But we’ll taking our chance to say
I sang twenty years and a day
But nothing changed
The human race found some other guy
And walked into the flame

And it’s hard to love, there’s so much to hate
Hanging on to hope
When there is no hope to speak of
And the wounded skies above say it’s much too late
Well maybe we should all be praying for time

Doo oh oh
Do you think we have time?
Do you
Do you think we have time?

These are the days of the empty hand
Oh, you hold on to what you can
And charity, charity is a coat you wear twice a year

This is the year of the guilty man
Your television takes a stand
And you find that what was over there is over here

So you scream from behind your door
Say what’s mine is mine and not yours
I may have too much but I’ll take my chances
I sang twenty years and a day
‘Cause nothing changed
The human race found some other guy
And walked into the flames

It’s hard to love, Jesus, there’s so much to hate
Hanging on to hope, there is no hope to speak of
And the wounded skies above say it’s much too late
Then maybe we should all be praying for time

Doo doo doo
Do you think we have time?
Do you
Do you think we have time?
Lord, give us time

Presidenciais – 29

E fim. Apenas para registar que esta campanha, à semelhança de outras, infelizmente, foi marcada por um submundo abjecto em que se revelou melhor a elasticidade de princípios de algumas pessoas que, talvez ainda com a pedalada ganha na última década em especial com o advento do triste engenheiro, acham que já vale tudo mesmo arrancar os olhos. É muito útil para se perceber quem já se acha no direito de recorrer a todo o tipo de truques sujos – que antes se considerava ser apanágio apenas de determinados grupos – para suscitar todo o tipo de dúvidas, ao abrigo de alegadas ignorâncias. Cheguei a ver a produção de fichas de informador da PIDE para pessoas que na altura teriam sete anos e com foto actual no “cartão” que suscitaram comentários do género… isto tem de ser apurado porque é muito grave. O que é demasiado mau, seja mesmo ignorância, apenas estupidez ou profunda má fé. Há fronteiras que, depois de atravessadas, é muito complicado voltar a respeitar. As coisas foram para mim mais feias talvez porque agora eu visse os rostos com mais claridade. As tácticas já as conhecia, já as sofri na pele, mas tirando um par de casos, eram para mim gente sem rosto. Agora ganharam-nos, reconheci-lhes os contornos. Uma profunda tristeza ver até que ponto isto pode descer. Queremos sempre acreditar que os nossos não farão isso, independentemente dos seus credos. Fazem-no, tal como todos sujam os dedos quando o papel higiénico é demasiado fino. Isto não é nenhuma reclamação de superioridade moral, apenas de desgosto pessoal.

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Presidenciais – 28

Marcelo Rebelo de Sousa ganhou as eleições à primeira volta e vai ser o Presidente da República previsivelmente por 10 anos. Algo que não me preocupa especialmente, como escrevi logo no início desta campanha. Em boa verdade, será um imenso ganho em relação à última década, algo que os outros dois candidatos mais votados também seriam. Ao contrário das leituras de facção destas coisas, não o considero um perigo e não me revejo em muitas das acusações que lhe foram feitas, no que foi um submundo feio desta campanha, embora nem sempre tenha revelado a serenidade e humor que dele esperava. Há vitórias e derrotas, há que saber ganhar e perder e nunca perder a noção dos limites do combate político entre pessoas de valor. Marcelo Rebelo de Sousa não era o meu candidato, mas isso não me impede de reconhecer que ganhou com uma campanha baseada pura e simplesmente na sua notoriedade pública. Tem defeitos mas, curiosamente, parte desses defeitos nascem do seu desejo imenso de que o “povo” goste dele tanto quanto muitos notáveis o detestam. Vai ser interessante, teremos melhores maneiras à mesa, a comer bolo, não teremos a Maria toda emproada em Belém, mas adivinho que as cagarras não ficarão tristes.

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Presidenciais – 27

Os derrotados são muito claros: Maria de Belém e a sua candidatura alimentada por nem se percebe quem, Edgar Silva e a candidatura automática, Paulo Morais e os limites de um candidatura unidimensional (Marinho Pinto parece ter percebido isso a tempo e  desapareceu do mapa), Henrique Neto e o seu ressabiamento permanente sem qualquer mensagem alternativa e Cândido Ferreira, o candidato mais instrumental de todos, barriga de aluguer para calúnias vergonhosas.  Quanto a Jorge Sequeira, nem percebo se ganhou ou perdeu.

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