Sábado

Esta semana parei a observar as publicações colocadas nas semanas anteriores ao Dia Mundial do Professor no painel sindical da minha escola. Não é que, em regra, sejam coisas que me mobilizam ou entusiasmem, mas é impossível não sentir um clima de comparência apenas para cumprir calendário. Uns, expõem um caderno muito avermelhado (a FNE, curiosamente) com 22 páginas, metade das quais em branco ou preenchidas com uma única frase. Espremido, aquilo daria uma coisa com umas 4 páginas sem novidades. Outros, com um azul dominante (a Fenprof, curiosamente) anuncia(va)m a manifestação do dia 5, junto ao ME, anunciando que “Para resolver é preciso lutar”, como se não soubéssemos que nada será resolvido, muito menos quando quem pode resolver anda a discutir os amendoins do Orçamento. Quando quem manda lutar vai atingindo níveis mínimos de capacidade de pressão e ainda estamos para perceber o que ganha(mos) com esta peculiar forma de viabilizar os interesses de quem governa, assumindo uma subserviência que nenhuma declaração pública encalorada consegue esconder.

Em tempos arcaicos, à esquerda, eram os sindicatos a dar força a partidos. Agora, em tempos pós-modernos, os parelhos e conveniências partidárias conseguiram esvaziar os sindicatos de qualquer força efectiva, que nenhuma cosmética sucessão de mini-greves em alguns transportes consegue esconder. O sindicalismo oficial, em Portugal, em 2021, foi castrado de forma irremediável. E quando se diz que a força dos sindicatos depende essencialmente da força que lhe dão os trabalhadores, resultado da credibilidade que têm junto destes, está praticamente tudo dito.

Títulos Por Encomenda

A reforma dos professores é algo previsível, assim como o ME dispõe de dados sobre a tendência para muitas serem antecipadas. Nada fez quanto a isso e manteve (ou agravou) políticas míopes de gestão dos recursos humanos, obcecadas com as micro-poupanças de horas ou dias de trabalho dos professores.

Depois, manda cá para fora isto e a há quem faça o frete costumeiro (disfarçado de vez em quando com uma “notícia” vagamente desagradável por cada dezena de empreitadas).

Quem deixa os alunos sem aulas é a falta de planeamento estratégico deste governo e o facto das prioridades dos governantes desta área serem outras, passando em parte por dar a ideia que a culpa de tudo é dos professores “velhos”, enquanto cria em aviário uma nova geração de professores cuja formação inicial, na sua vacuidade, lembra a de gente habilitada para ser regente escolar em outros tempos.

JN, 5 de Outubro de 2021, Dia do professor

2ª Feira

O actual PM teve um ataque de coragem política de campanha. Deu uma de “animal feroz”. O que equivale a que fez voz grossa, mas actuará da forma mais fininha possível com a GALP. Ou porque se esquecerá do assunto daqui a uma semana ou porque o que mandar fazer, será a alguém com a ambição e trabalhar para a dita cuja empresa ou outra equivalente e fará por tomar uma medida com as esperadas falhas que permitirão a habitual escapatória ao prevaricador. Tudo isto costuma ser, realmente, “exemplar”.

Não Tem Resultado Muito

Porque tudo continua como dantes: as regras são conforme os humores ou inclinações d@ excelentíssimo@ senhor@ delegad@ de saúde. Nuns sítios, um par de casos positivos manda toda a gente para casa (alunos e professores), enquanto em outros vão apenas os alunos ou mesmo apenas alguns deles. A aplicação das regras da DGS fazem lembrar as leis do Antigo Regime e os horários dos comboios na margem sul nos anos 80: são meras indicações para dar a ilusão de qualquer coisa.

A notícia já tem uma semana.

A DGS reforçou junto das escolas e delegados de saúde as medidas de vigilância sobre a circulação de novas variantes de covid-19 e a deteção de surtos nas escolas, que incluem a suspensão de atividades.

6ª Feira, A Santa – Dia 54

Ontem, dia 1 de Abril, foi publicada em Diário da República a resolução n.º 108/2021 da Assembleia da República, aprovada no passado dia 11 de Março. Para quem esteja menos familiarizado com os protocolos parlamentares, uma resolução é um daqueles actos que os deputados praticam quando querem manifestar belas intenções, mas não através de leis consequentes.

6ª Feira – Dia 33

Diz-se que à noite todos os gatos são pardos. E eu acrescentaria que à distância todos querem parecer bem. “Ficar bem no retrato” tornou-se a aspiração central de um grupo de pessoas que, talvez por terem pouco para apresentar de obra feita, optam pelo constante envernizar da aparência para consumo exterior.

5ª Feira – Dia 32

Sendo que eu, tanto como pai e encarregado de educação, como enquanto professor, sinto um enorme défice de “representação” quando ouço ou leio as intervenções de representantes das “famílias”, das “escolas” ou dos “professores”. Eles falam, falam, mas não dizem nada em que me reconheça.

4ª Feira – Dia 3

Este desequilíbrio na representação da realidade, com a sua evidente “boa intenção” de transmitir uma mensagem de “esperança” e “positividade”, acaba por produzir incompreensão e frustração em quem não se sente retratado e pensa que está a ser discriminado. E interroga quem está mais próximo, nem sempre compreendendo que a culpa não é de quem também partilha dessa mesma frustração e mesmo uma inegável fúria contra quem, mesmo agora, acha que se pode escapar com uma nova vaga de remendos.