A Família É Uma Nação?

Sem ser necessário um grande esforço, consegue seguir-se a “narrativa” da “opinião” publicada no Expresso como se fosse uma espécie de novela do pais do faz-de-conta. A culpa é de “todos”, como se “todos” tivéssemos a mesma capacidade de agir. Como se, subitamente, o governo fosse um colectivo à escala nacional e o Primeiro-Teimoso, desculpem, o Primeiro-Ministro apenas um entre os pares. Não foram os meses de medidas não tomadas, a não aceitação dos avisos de quem projectava a dimensão da segunda vaga, não foi o populismo da folga natalícia, não foi a lentidão da reacção às evidências, fomos “NÓS”. Nós, o caraças!

O “falhanço nacional” é o fecho das escolas? Não é sermos o país com mais óbitos e contágios por milhão de habitantes no mundo? Não são as mais de 1500 mortes numa semana?

Não, pá, não foi bem isso que se passou, Mas eu percebo a tendência para fazer diluir a responsabilidade de uns quantos na massa enorme do “todos nós”. E o empurrar do “falhanço” para o “fecho das escolas”. “Inevitável”, mas só “agora”. Não é verdade. Esta “leitura” é quase tão inaceitável quanto “o preço de sermos humanos” do outro filho d’algo na bancada de filhos d’algo que é a prateleira dos opinadores residentes do semanário balsâmico. O que está a tentar fazer-se é, com rapidez e mais ou menos habilidade, uma enorme manobra de branqueamento.

O fecho das escolas, infelizmente inevitável perante os números atuais, é o maior símbolo do falhanço nacional.

Ricardo Costa

6ª Feira – Dia 1 Do Pseudo-Confinamento

Com dois professores e uma aluna em casa, o quotidiano continua absolutamente o mesmo que era antes. Pelo que foi possível observar como o trânsito era hoje pela manhã o mesmo de sempre em qualquer dos trajectos que, por necessidade laboral, implica passar por 3 concelhos e um dos acessos principais a Lisboa, o qual pelas 7.30 já estava a começar a ficar um bocadito obstruído. O “sempre que possível” é a porta aberta para “sempre que possível, vem trabalhar”. Até porque, quem é que vem fiscalizar?

Entretanto, na parte folclórica disto tudo, os supermercados não vão poder vender livros, porque não são “essenciais”. Em Boa verdade só um deles tem oferta que valha a pena, mas fica a ideia de que o online é que é, substituindo o agarrar um livro em pagá-lo (já estou no supermercado, portanto…), com encomendá-lo, alguém o embalar, alguém entregar para distribuição e o tipo das entregas mo vir trazer.

É uma forma de “proteger” os livreiros? Quais, as grandes cadeias? E, já agora, a medida, protege os editores?

Sem Comentários

Ministério da Justiça mandou retirar do site comunicado em que diretor-geral demissionário desmentia Van Dunem

Miguel Romão publicou um comunicado a desmentir a ministra da Justiça já depois de se ter demitido. Ministério tirou o documento do site oficial porque infringia “regras elementares”

(a verdade deixou de ser uma “regra elementar”?)

Uma Fantochada Só Possível Porque Temos Na Educação Umas Criaturas Que Só Navegam Com Vento Pela Popa

Contra todo o bom senso, continua a fingir-se que existe um modelo de avaliação do desempenho com um mínimo de sentido ou “rigor”. Continuam colegas a andar entre escolas e agrupamentos e a aceitar “observar”, enquanto a outr@s se exige que sejam “observad@s”. Tudo com recurso, pelo que vou sabendo, em “ferramentas de observação de aulas” que são, no mínimo, risíveis e intelectualmente deprimentes. De sul a norte, com naturais excepções.

Se tivéssemos na 5 de Outubro gente com as solanáceas no sítio e já teria sido pensado um modelo transitório para este período de pandemia. E poderia aproveitar-se a oportunidade para fazer alguma coisa de jeito na matéria mas, infelizmente, o pessoal político que anda por lá não prima pela coragem, preferindo refugiar-se em conversas de chacha saídas de sebentas mais do que encardidas. O que se passa é uma tristeza, criada para estrangular a progressão na carreira e mais nada. Que exista quem acha que assim é melhor do que nada e, portanto, colabora, desperta-me pensamentos que não gostaria de verbalizar agora por extenso, pois sei que gente amiga se sentiria ofendida.

Criam-se novas regras para tudo, há por aí uma emergência, mas há docentes a passear de um lado para o outro a cumprir procedimentos de uma estupidez assinalável. E repito… não me digam que não poderia ser de outro modo, porque poderia. Nem é a falta de coragem que me choca, porque não tenho esperança nas criaturas, é mesmo a aparente falta de entendimento que me demonstra o nível a que tudo isto desceu. E ainda há quem fale em “respeito” ou da falta dele.

(já agora… a excelentíssima senhora qualquer coisa da bolsa de avaliadores externos da minha zona comunicou ao meu agrupamento, semanas depois de lhe ter transmitido que aderia à greve ao sobre-trabalho e não cumpriria qualquer tarefa como avaliador externo, que “prescindia dos [meus] serviços”… tivesse a senhora dótôra enviado o mail directamente para mim e teria direito a uma resposta à altura do seu medíocre desplante… e quem entender que vá “bufar-lhe” o que aqui escrevi, a ver se me chateio…)

(segunda diatribe do entardecer… é penoso ver gente que nem uma acta consegue escrever sem erros ou fazer um relatório dos mais primários sem tropeçar nos parágrafos, a avaliar colegas e a atribuir-lhes classificações; já sei… são sublimes pedagogos do “saber fazer”…)

6ª Feira

O ME parece que já tem uma plataforma ou algo assim para registo dos casos de covid-19 nas escolas. Mas tenho a certeza que os dados que lá serão lançados e depois publicitados serão bastante “mitigados” em relação à realidade, por causa das estratégias locais e centrais de “manter a calma e a confiança”. Até porque isto anda a cada lugar, cada sentença de quem decide, a começar por critérios perfeitamente desconformes consoante a “autoridade local de saúde” com que se entre em contacto.

5ª Feira

Os casos começam a multiplicar-se em nosso redor, mesmo se oficialmente nada parece passar-se de significativo. Ao mesmo tempo, noto cada vez mais que quem afirma um amor imorredoiro pelos alunos e pelas aulas, não perde a mais pequena hipótese de se distanciar daqueles e destas ou de reduzir o tempo que passa nas suas proximidades.

Ainda O Alçada Baptista Em 1972

Isto de as pessoas valerem por dentro dá um certo conforto e uma certa leveza à própria vida. Porque isto de andarmos todos a fazer de sábios, distraídos e tudo, a fazer de intelectuais, de políticos, de banqueiros, de senhores, além de termos de estudar muito bem o nosso papel, dá muito trabalho a representar.

O Tempo nas palavras, p. 76

O Estado Da República

A conversa:

“É preciso sobrepor o interesse colectivo aos interesses individuais”, defende Marcelo

Os factos:

17 ex-gestores do GES tiveram perdão fiscal. Só Salgado terá legalizado 34 milhões

“Está a preparar-se um assalto aos fundos europeus”, diz presidente da Transparência e Integridade

Nova presidente da TIAC está preocupada com afastamento de Vítor Caldeira da presidência do Tribunal de Contas. Neste momento há dúvidas sobre quem se encontra em funções.

O Ordenado Mínimo É Que Leva O País À Falência

Sim, eu sei que os problema são os privados que não podem pagar. Fossem todos espertos e fundassem bancos… que o Estado pagaria tudo.

Novo Banco vendeu GNB Vida com desconto de 70% “coberto” por ajuda do Estado

Seguradora foi vendida por 123 milhões a fundos geridos pela Apax. Operação gerou perda de 268,2 milhões, que foi compensada com nova chamada de capital do Fundo de Resolução. Negócio foi fechado com magnata condenado por corrupção nos EUA.

Reparem que na reacção, o Novo Banco parece mais preocupado em limpar a imagem do comprador, do que em justificar a forma como usa os dinheiros públicos para cobrir “descontos”.

E só esse “desconto” é o dobro do dinheiro com que o ministro Tiago enche a boca acerca do investimento em pessoal para as escolas (125 milhões).

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