5ª Feira

Os casos começam a multiplicar-se em nosso redor, mesmo se oficialmente nada parece passar-se de significativo. Ao mesmo tempo, noto cada vez mais que quem afirma um amor imorredoiro pelos alunos e pelas aulas, não perde a mais pequena hipótese de se distanciar daqueles e destas ou de reduzir o tempo que passa nas suas proximidades.

Ainda O Alçada Baptista Em 1972

Isto de as pessoas valerem por dentro dá um certo conforto e uma certa leveza à própria vida. Porque isto de andarmos todos a fazer de sábios, distraídos e tudo, a fazer de intelectuais, de políticos, de banqueiros, de senhores, além de termos de estudar muito bem o nosso papel, dá muito trabalho a representar.

O Tempo nas palavras, p. 76

O Estado Da República

A conversa:

“É preciso sobrepor o interesse colectivo aos interesses individuais”, defende Marcelo

Os factos:

17 ex-gestores do GES tiveram perdão fiscal. Só Salgado terá legalizado 34 milhões

“Está a preparar-se um assalto aos fundos europeus”, diz presidente da Transparência e Integridade

Nova presidente da TIAC está preocupada com afastamento de Vítor Caldeira da presidência do Tribunal de Contas. Neste momento há dúvidas sobre quem se encontra em funções.

O Ordenado Mínimo É Que Leva O País À Falência

Sim, eu sei que os problema são os privados que não podem pagar. Fossem todos espertos e fundassem bancos… que o Estado pagaria tudo.

Novo Banco vendeu GNB Vida com desconto de 70% “coberto” por ajuda do Estado

Seguradora foi vendida por 123 milhões a fundos geridos pela Apax. Operação gerou perda de 268,2 milhões, que foi compensada com nova chamada de capital do Fundo de Resolução. Negócio foi fechado com magnata condenado por corrupção nos EUA.

Reparem que na reacção, o Novo Banco parece mais preocupado em limpar a imagem do comprador, do que em justificar a forma como usa os dinheiros públicos para cobrir “descontos”.

E só esse “desconto” é o dobro do dinheiro com que o ministro Tiago enche a boca acerca do investimento em pessoal para as escolas (125 milhões).

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Imaginem Isto Em Tempos Em Que Existisse Mesmo Oposição

A sucessão de disparates no ME começa a ultrapassar o vagamente razoável e está a par, se não suplanta, as trapalhadas dos tempos do Santana e da “tia” que era da família daquele senhor padre muito conhecido na altura.. Não é apenas o que isto desorienta as escolas e as famílias dos alunos, mas o que significa como sinal de um permanente amadorismo. Apesar de já ter tido tempo para fazer dois ciclos de estudos bolonheses na 5 de Outubro, o ministro Tiago continua aquela lástima que se viu na entrevista ao Expresso. Percebeu-se (e não foi apenas agora) que a carreira política está acima de qualquer coerência ou seriedade. O secretário Costa prefere os momentos e tempos de “sedução” a docentes “páusicos” de qualquer género, que gostam de conversa doce que faça sonhar com o fim dos anos 70 ou algo parecido e detesta ter de meter as mãos em tretas destas.

Nem vale a pena perder tempo com aquela de as turmas não irem ser divididas porque, afinal, os alunos cabem todos nas salas e o “distanciamento social” como prevenção é uma espécie de mito urbano moderno para o cientista Rodrigues.

Os manuais eram para devolver, apesar de se quererem recuperar aprendizagens no próximo ano; no Parlamento é votada a não devolução e o ME manda devolver na mesma até que alguém lhe deve ter explicado a estrutura dos poderes nos regimes liberais, porque no 6º ano ele estava distraído, porque História era uma chatice, e lá se disse que era mesmo para não devolver, embora grande número, na dúvida, tivesse devolvido.

Agora são as matrículas. Qualquer director de turma sabe que foi instigado com intensidade para convencer os encarregados de educação a usar o Portal das Matrículas; houve mesmo escolas que nem consideraram a possibilidade de matrículas presenciais. Deram-se datas, mas percebeu-se rapidamente que a última semana de Junho foi o melhor período para o usar, mesmo antes de se saberem os resultados das avaliações. Em pouco tempo, com a palavra passada, o portal começou a não aguentar os acessos simultâneos que eram previsíveis. E os directores de turma começaram a recomendar que se fizesse tudo pela madrugada, como antigamente com os primeiros irs por via electrónica. Quando tudo aconselharia que, em tempos como estes, as matrículas para quem permanecesse no mesmo agrupamento fossem automáticas. Mas não. Agora fala-se em “ataque informático” para justificar uma medida que deveria ter sido tomada há duas semanas. Não sei se existiu e até espero que não, pois os meus dados estão lá. Mas se houve mesmo, que segurança sentirão os pais dos alunos dos anos iniciais de ciclo ao irem lá colocar as suas informações?

Só que não temos oposição, por razões há muito sabidas. O Bloco anda a ver se apanha as últimas migalhas, enquanto encena umas questiúnculas e uns arrufos. O PCP anda a ver se ainda tem migalhas e não sabe bem o que fazer, não percebendo que já ninguém fica convencido com o perigo do papão da “Direita” chegar ao poder. Porque a “Direita” não existe. O PSD não tem uma mão cheia de gente que apareça e fale com credibilidade sobre seja o que for e o seu líder fica muito feliz só porque tem tempo de antena para dizer umas coisas. Se até o histórico militante laranjinha número 3 é o candidato preferido do actual PM, percebe-se que Rio está lá, porque é preciso estar lá alguém que nem perceba que só está lá para a cadeira não ficar vazia. Quanto ao CDS, apesar da boa iniciativa relativa aos manuais, é uma caricatura em miniatura dos seus piores tempos. Os outros? Os “novos”? A sério? Alguém leva mesmo a sério o Ventura (alguém que o convide para vice do Benfica e ele chega-se logo), a Joacine ou as zumbas do PAN?

O governo governa como bem quer e entende, podendo falhar tudo e mais alguma coisa, porque “o Marcelo” quer ser plebiscitado e bater o recorde de percentagem na eleição para um segundo mandato e não há qualquer tipo de “contrapeso” com verdadeira capacidade de intervenção. A maioria da comunicação social está estrangulada pelo medo de falir e aceita quase tudo, assinando de cruz. O poder judicial funciona até esta ou aquela instância, mas depois esbarra quase sempre numa parede imensa de cumplicidades.

Nem nos tempos mais ferozes do “engenheiro” se viu tamanha anomia e incapacidade de acção da oposição.

A democracia não é isto, mesmo se há cortesãos que batem palmas e se congratulam por esta forma “nova” de união nacional.

A preocupação maior é se os cámones vêm para o allgarve ou não. Tudo isto é triste, tudo isto é um mau fado.

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Os Marretas Ao Menos Tinham Graça

Claro que o problema teria de residir nos professores envelhecidos, atendendo a alguns dos participantes, jovens como alfaces ao amanhecer ou especialistas instantâneos em assentamento de sentenças e outras coisas “não lucrativas” (atchimmmm!).

Os professores não estão preparados para ensinar à distância

(…)

O debate, organizado pelo Expresso em parceria com a DECO Proteste, reuniu um conjunto de especialistas no sector da educação, e contou ainda com a presença de Alexandre Homem Cristo, co-fundador e presidente da QIPP, organização sem fins lucrativos que atua na área da educação, Nuno Almeida, IM B2B manager da Samsung Ibéria, Rita Coelho do Vale, professora de marketing na Católica Lisbon, e Teresa Calçada, comissária do PNL 2027 (Plano Nacional de Leitura).

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(já sei que é “demagógico” apontar o facto destas luminárias nunca se terem visto, durante uma semana que fosse, à frente de uma meia dúzia de turmas do ensino básico público nos últimos 30 anos, à distância ou pertinho…)

Prognósticos Só No Final Do Jogo

Há uns dias era uma senhora importante da Unesco a afirmar que a situação do ensino a distância tinha agravado desigualdades. Bonito era ter dito isso há 3 meses quando se poderia ter tentado fazer outra coisa que, em tantos casos, fingir que se estava a fazer algo de jeito. Quando se poderia ter passado o tempo a montar uma estrutura a sério e a sinalizar os casos de maior fragilidade de acesso a meios tecnológicos e a mobilizar meios que, de modo sustentável, pudessem servir para se ter uma rede (global, nacional, local) a funcionar de forma sustentável e socialmente vagamente justa.

Mas… em Setembro logo se vê o “cenário” a escolher.

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(por cá, é ver muita mal disfarçada inflexão de rumo em cortesã(o)s com escasso decoro e muita disponibilidade para dizer sempre que sim a “soluções” e “desafios”)

Muito Pelo Contrário

Havia quem dissesse que, com o passar do tempo e a habituação às plataformas, os alunos começariam a realizar as tarefas de forma mais regular e com maior qualidade. Nada de mais errado. Cada vez as coisas chegam mais atrasadas ou nem chegam e grande parte do que chega tem o aspecto de “deixa lá despachar isto com o menor esforço possível”. Não encerro tarefas, pelo que ainda me aparecem coisas com 26 ou 35 dias de atraso. Mas, ao menos, essas ainda aparecem. E estou a referir-me a quem até tem alguns meios para responder.

Quanto às aulas presenciais, amanhã começa nova semana e também por aí tenho relatos (dois deles em primeira mão) de uma redução das presenças dos 80-90% iniciais para os 60-70%.

O remendo não tapou o buraco. Finge-se que.

Remendo

 

 

 

Mais (Des)Orientações

Não assinadas, sobre direitos e deveres dos alunos, com data de ontem (Orientações sobre direitos e deveres alunos_Maio2020), quando o regime não presencial do 3º período se iniciou há uma mês.

Destaco a seguinte passagem:

2.2. Atividades letivas não presenciais realizadas através de sessões síncronas:

a. Assumem caráter obrigatório para todos os alunos que dispõem de meios de suporte eletrónico, mantendo-se os deveres de controlo de assiduidade e de pontualidade, designadamente:

i. Registo pelo respetivo docente;
ii. Comunicação ao diretor de turma;
iii. Informação ao encarregado de educação;
iv. Apuramento das razões que motivaram a ausência do aluno;
v. Justificação da ausência perante o diretor de turma, nos termos do artigo 16.º do Estatuto do Aluno.

b. Aos alunos menores, a violação dos limites de faltas previstos no artigo 18.º do Estatuto do Aluno dá lugar à aplicação, com as necessárias adaptações, do disposto no artigo 20.º do referido Estatuto;

c. O incumprimento das medidas de recuperação e de integração, previstas no referido artigo 20.º, e a sua ineficácia ou impossibilidade de atuação determinam, tratando-se de aluno menor, a comunicação obrigatória do facto à respetiva comissão de proteção de crianças e jovens ou, na falta desta, ao Ministério Público junto do tribunal de família e menores territorialmente competente, nos termos do artigo 21.º do Estatuto do Aluno.

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As Orientações Da DGEstE Para O…

Regresso às aulas em regime presencial (11º e 12º anos de escolaridade e 2.º e 3.º anos dos cursos de dupla certificação do ensino secundário)

Página e meia de introdução desnecessária (caberia o que interessa num simples parágrafo) e depois o recurso repetido à expressão “sempre que possível””, pois é claro e notório que não será sempre possível muito do que ali está. E isso vai criar uma terceira camada de desigualdade de acesso à Educação.

Atente-se na forma como se “empurra” de forma decidida os alunos e famílias para uma decisão, com uma espécie de “chantagem” pouco subtil:

a. A assiduidade dos alunos é registada;
b. Os alunos que não frequentem as aulas presenciais, por manifesta opção dos encarregados de educação, veem as suas faltas justificadas, não estando a escola obrigada à prestação de serviço remoto.

Se o aluno faltar e isso for uma opção da família já se percebeu que é para “queimar”, porque não lhe serão asseguradas condições de desenvolver as actividades e, logicamente, isso terá reflexos negativos na avaliação.

Esta forma de fazer as coisas é feia, para não dizer pior. És livre de decidir, desde que decidas o que queremos. Se não o fizeres, ficas por tua conta e pagarás por isso.

Brilhante!

Stop