Estaremos Então Todos Em Casa Com Professor@s E Encarregad@s De Educação A Partilhar Conselhos Sobre Decoração De Interiores

E os putos a fazerem provas de aferição… ou talvez não. E a preparar as provas finais… ou talvez não. Mas certamente estaremos a monitorizar o cumprimento dos cronogramas e dos indicadores e níveis de (auto-satisfação) que provocam orgasmos múltiplos aos tecno-excitados do ME.

Já sei… estão a tentar pressionar o máximo até serem mesmo obrigados a “mitigar” o desvario e reconhecerem o óbvio, justificando o atraso das decisões com a necessidade de não sei quê.

Coronavírus: pico do surto em Portugal “nunca será antes do mês de Maio”

CasteloCartas

“O Foco Tem Sido Dois”

Um SE Costa com cara de sexta.-feira ao fim do dia apareceu na TVI24 a agradecer a colaboração do canal na divulgação da sua mensagem e a dizer que a preocupação do ministério é tranquilizar os alunos que o ano termina e termina com trabalho no 3º período, mas sem saber bem como (garanto que a sequência foi mesmo assim). A seguir, que estão a trabalhar em “grande proximidade” com as escolas, em busca de uma resposta única às necessidades, enquanto tentava fugir à questão do acesso (ou falta dele) dos alunos à net. Encaminhado para o tema começou a falar em questões de violência quando os alunos ficam em casa fechados com os pais (a sério, a articulação de ideias seguiu um caminho esquisito) e depois passou para os contactos com o Alto Comissariado para as Migrações e com os Escuteiros e, em bom momento, a jornalista cortou-lhe o pio, porque se estava a notar muito a opção pela navegação à bolina e, no fundo, a opção por encenar qualquer coisa.

Estão perdidos, sem saber se devem tomar decisões antes de fazer cálculos sobre os custos políticos. O ministro, que ontem também apareceu com umas vacuidades, ainda deve estar a carpir todas as viagens que não fará.

Se eu tenho muitas certezas sobre o caminho a seguir? Nem por isso, mas não passo de um professorzeco de subúrbio, daqueles que não alinha em geringonças blogosféricas telecomandadas. Mas, pelo menos, não finjo ignorar os “problemas” que se colocam a certas “soluções” da treta.

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(não, não se mandam os chefes escuteiros entregar fichas em certos bairros onde serão o equivalente a tenrinhos frangos ou docentes reformados de porta em porta… atinem, ganhem juízo, desçam à terra… acordem desse sono que vos faz pesar as pálpebras e raciocinar em forma de oito)

(isto não é qualquer embirração pessoal, é mesmo embirração com quem sabe governar em modelo de visita vip, com os cortesãos a aplaudir mas que, quando as coisas apertam, fica muito pouco de substancial debaixo do folheado)

 

4ª Feira

Ainda a municipalização do combate ao insucesso escolar. Ontem, lia um plano iniciado em Janeiro de 2019 (pelo que terá sido preparado em 2018) que foi comunicado às escolas e agrupamentos do referido concelho, ou pelo menos, a alguns deles apenas este mês. Consulta às comunidades educativas? Parecer dos Conselhos Gerais? Nada. Acredito que tudo tenha sido cozinhado ao nível do “topo” das hierarquias locais, mas quanto a “participação” e “trabalho colaborativo”, estamos falados. mas garanto que só teriam ganho em ter envolvido alguém que percebesse do assunto para além do empilhamento de lugares-comuns, mesmo se isso chega para captar verbas europeias

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Aquilo Do Limite Do Número De Alunos Por Turma?

Deve ser como os horários dos comboios da CP na margem sul nos anos 80. Servem para dar uma ideia da coisa, nunca para retratar a realidade. Com a chegada em barda nos últimos meses de malta dos PALOP e do Brasil, não interessa se tem vários ex-NEE/ actuais 54’s com RTP/CEI ou o que for. Se é turma “regular” ou “especial”. Então as turmas com PLNM é só rir. As mesas e cadeiras acabaram. Agora só no balcão. Ou em camarote. A “autonomia” é uma miragem, porque os serviços centrais mandam matricular de qualquer maneira, exista vaga nas turmas ou não.

Cadeiras

A Mim Parece…

… que há uma enorme encenação em torno de eventuais discórdias entre Costa e Centeno, sejam europeias ou nacionais. No fundo, é a velha estratégia do polícia bom e do polícia mau, sendo que o nosso PM gosta sempre de ficar a encher a fotografia do lado “certo”, enquanto o Ronaldo das Finanças prefere mostrar-se como o grande moralizador dos gastos da Nação e ganhar “prestígio internacional”. Podia ter sido ministro durante a troika, que pouco teria sido diferente, tirando a paz das “esquerdas” durante quatro anos.

O resto do governo não passa de um grupo de ajudantes, excepto algumas figuras com mais “peso político”, mas que andam em  pastas com poucos gastos como o S. S. ou então é o secretário com o apelido bom que tem muitas verbas europeias com autorização para distribuir pelo país. Já a ministra da Saúde fotografa bem quando anuncia milhões para pagar as dívidas do passado como se fossem investimentos para o futuro.

Tudo o mais não passa de fumaça para consumir papel (cada vez menos) e horas de tédio analítico televisivo.

spin

O Império Da Treta Oportunista

Não, não será oportunidade para mais nada do que poupanças e desprofissionalização da docência, com a entrada nas escolas dos interesses locais e regionais. Por uma razão simples… já nos últimos dez anos existiu uma evolução similar dos indicadores relativos ao pessoal docente e discente.

Nos próximos quatro anos cerca de 18 mil professores vão sair das escolas para a reforma, mas no mesmo tempo haverá perto de 101 mil alunos a menos. Será esta uma oportunidade para o sistema educativo? Por agora, a falta de professores em certas zonas do país exige do Governo e das autarquias medidas imediatas.

Vejamos o que se passou nesta década. Eis os dados oficiais da dgeec para 2009-10 e 2017-18 (os últimos online):

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Já neste período tivemos (apesar daquelas mistificadoras vinculações “extraordinárias”) uma redução de quase 13.400 professores dos quadros e de quase 27.000 em exercício. Isto significa que se verificou uma diminuição de 12,4% dos professores nos quadros e de 18,8% em todos os que estão em exercício.

Observemos a evolução do número de alunos no mesmo período, reparando que eu escolhi para ano inicial da série aquele em que se registaram mais alunos:

AlunosEvol

A redução foi de 164.414 alunos, ou seja de pouco mais de 10%. A redução de docentes foi quase o dobro e quanto a “oportunidades” nada se fez e até passámos pela troika e tudo. Foi o “mais com menos” de crato que continuou com costa&centeno mais o tiago, joão & joana,

O “argumento demográfico” foi usado de forma demagógica e truncada, quase sem contraditório. Era mentira que a redução do número de professores resultasse da redução do número de alunos. Estava em decurso um processo diferente, mas que o afirmava era denunciado como “corporativo”, por vezes por idiotas instalados de forma cómoda na carreira, por saberem que nada arriscavam.

Menos 100.000 alunos nos próximos anos será uma redução próxima dos 7%, enquanto desaparecerão 20% dos docentes que não há condições para serem substituídos sem uma regressão sensível no nível de experiência ou mesmo de qualificação profissional dos docentes, bastando ver como estão a chegar às escolas pessoas sem qualquer tempo de serviço ou experiência, fenómeno numa escala que não se via há uns 25 anos. Claro que serão mais dóceis, em especial se quiserem beneficiar de “incentivos” e alguma estabilidade.

O mais aterrorizador deste “tempo de oportunidades” será que muitas das medidas de “incentivo” ficarão a cargo das autarquias; não por tais medidas não serem eventualmente “eficazes” mas por o serem à custa da opacidade de procedimentos, pois já agora há “técnicos especializados” que ficam sempre nos lugares desejados em pseudo-concursos viciados à partida. E algumas outras “normalidades” que se começam a instalar com argumentos de “adequação” aos “projectos”, nomeadamente sob sugestão/aprovação de certos grupos de “consultores” na elaboração de “planos (inter)municipais”.