A Maldição Dos 2ºs Mandatos

O segundo mandato em maioria absoluta de Cavaco Silva, chegou ao fim, mas de modo penoso, marcado por uma degenerescência completa e culpou-se a maioria absoluta pelos abusos de poder e por todo os esquemas de compadrio que tomaram conta do Estado e da sociedade.

O segundo mandato, em maioria relativa quase absoluta, de António Guterres terminou com ele a fugir de um “pântano” (político e não só) de que em parte se responsabilizou a tal maioria quase absoluta que precisava de favores limianos para se aguentar.

O segundo mandato, em maioria relativa, de Sócrates foi o que nos encaminho decisivamente para a falência técnica e a troika e na altura as culpas foram espalhadas em muitas direcções, com ele a criticar a maioria relativa que permitia maiorias negativas de bloqueio.

O segundo mandato de Costa, em maioria relativa com muletas parlamentares (PAN, PCP, as novas “limianas” independentes), vai-se aguentando, encostada a Belém, tropeçando aqui e ali, para além dos vários tropeções do primeiro mandato que a geringonça protegeu, e culpa-se a “percepção”.

Isto agora a seguir é apenas uma especulação, um “suponhamos”, porque me dizem que sem ideias novas, as coisas estagnam, não avançam e encalham nas águas movediças da pasmaceira.

E que tal limitar-se a um mandato o exercício de cargos governamentais (podendo voltar um mandato mais tarde), a começar pelo de PM, mesmo que seja o mesmo partido ou coligação a vencer as eleições, com eventual extensão da sua duração para 5 anos? E quanto aos presidente poderia fazer-se algo como estender o mandato para sete anos e ficar-se também por um, por causa de tudo que acarreta de cálculos o desejo de se ser reeleito como todos os anteriores?

Dados Da OCDE Sobre As Condições Para Um Ensino À Distância Em Portugal

A síntese sobre Portugal baseia-se em dados anteriores à pandemia, colhidos nas bases de dados do PISA e do TALIS. Para começar, destacaria os dois primeiros quadros que revelam alguns dados interessantes.

No primeiro, pode perceber-se que os professores portugueses até estão bem acima da média quanto ao apoio ao uso de meios digitais por parte dos alunos e da percepção de os poderem ajudar, mas sem que isso tenha feito parte da sua formação inicial. Ou seja, foram competências que os professores desenvolveram na sua formação pessoal e profissional posterior.

No segundo, temos a admissão pelos directores de que os meios (equipamentos, banda larga, plataformas específicas) das escolas são insuficientes para desenvolver um ensino de qualidade com meios digitais, entre outras evidências.

Mas foi assim que se fez o falso “milagre”. E é assim que ainda se continua. Independentemente da segunda vaga que nem o ministro cientista ou o seu secretário (e respectiva corte), sempre tão previdentes e com uma visão tão prospetiva) parecem ter previsto.

Os Limites Do Pensamento Mágico Acerca Das “Bolhas”

No passado, num par de situações mais complicadas em que a minha intervenção no decorrer/resolver de uma situação não era possível, terei entrado pelo que uns chamam crença na sorte, esperança no acaso, Fé. Aquilo que podemos considerar “pensamento mágico”, ou seja, tudo vai acabar bem ou porque achamos que somos bons e não merecemos tão má sorte ou porque não temos maneira de controlar o que se passa e acreditamos que com a força de vontade a realidade poderá aceder aos nossos desejos. Tirando um caso (a confirmar junto do Vaticano ou da Autoridade Internacional para as Leis do Acaso) , a coisa nunca funcionou e duvido sempre que funcione.

E estamos a viver em cima de uma crença irracional em que tudo vai correr bem, porque se acha que até estamos a fazer as coisas da forma correcta e o melhor possível e que… “risco existe sempre”.

Não é bem assim.

Há muita coisa a ser mal feita, a começar pela inépcia de um discurso político que muda conforme os dias da semana, as horas do dia e o público-alvo, enquanto se vende “segurança” e se pretende “confiança”.

No concreto, conheço melhor o que se passa nas escolas, os tais espaços de alegado mínimo risco, no qual trajectos diferenciados irão assegurar que as “bolhas” se mantenham quase estanques e (quase) imunes a contágios. O problema maior, para além da impossibilidade do pensamento mágico funcionar a uma escala tão global, é que a teorias das “bolhas” é uma enorme mistificação e a sua fundamentação profundamente falacciosa. Todos os dias, cada “bolha” (de docentes, de pessoal não docente, de alunos) se reconstitui a partir de dezenas ou centenas de outras “bolhas” exteriores às escolas, sobre as quais pouco ou nada se sabe. E as “bolhas” também aumentam dia a dia, com a entrada de novos elementos (sim, as turmas começam a aproximar-se ou a ultrapassar os limites máximos “legais”, mesmo em contexto de pandemia). E cruzam-se em espaços que são comuns, por muito que digam que o não são, em particular em escolas onde continuam a existir muitos equipamentos partilhados por quase toda a gente.

Não pode ser de outra forma?

Em parte, talvez seja verdade, mas nem tudo tem sido devidamente prevenido ou, pelo menos, tem sido pensado olhando de cima e raramente do piso térreo do corredor ou do pátio das escolas. Há muita asneira mal disfarçada, muito equívoco “conceptual” (a começar pela “teoria das bolhas”) e muita crença em arco-íris resplandecentes. Tem sido feito “o melhor possível” e “sempre que possível”? Não chega. Já não está a chegar. Não vai chegar. Não ´é alarmismo. É apenas o conhecimento directo das coisas, tal como elas são. Tomara eu que não fosse assim. Mas está a ser.

Há quem esteja muito pior? Acredito, mas o argumento da mediocridade como benchmarking é muito débil.

E começo a ficar farto daqueles tapetes do ikea…

(e é tão interessante ver colégios “de topo” a ignorar por completo nos seus sites o que se passa, preferindo os “contactos pessoais”  – não presenciais, claro – para comunicar as ordens de marcha para casa…)

O (Anti-)Racismo É Uma Moda?

Porque dá a sensação que sim e que há quem se sinta muito bem no papel que escolheu nesta espécie de triste circo. Os que, finalmente, parecem querer sair da casca sem tantos preconceitos e aqueles que, nunca os tendo visto fazer seja o que for em tal matéria, agora batem no peito do anti-racismo. E tudo me parece encenado, dando corpo a uma estratégia mediática para ocupar o pouco espaço que o vírus e os perseguidores do Cavanni deixam livre.

E fazem-me lembrar aquele vulto do esquerdismo nacional com que contactei alguns anos e que, mal teve dinheiro de obra bem paga, mudou de casa e como critério básico só tinha o não querer ciganos por perto. Ainda bem que o recente manifesto não chegou aos 40 ou a criatura ainda por ali aparecia.

O problema do racismo merece muito mais do que estátuas degoladas ou condenações de desfiles de máscaras.

janus

A Ler

Porque é importante não ceder a leituras simplistas de tudo isto. O assunto é complicado e não se resolve com “opiniões”. E devemos ter a capacidade de admitir o que não sabemos, mas não para colocar questões muito básicas em questão, como se isso estivesse a coberto da “liberdade”. Ora… a tua “liberdade” termina no momento em que podes colocar em risco a minha saúde e dos meus.

Immunology Is Where Intuition Goes to Die

Which is too bad because we really need to understand how the immune system reacts to the coronavirus.

There’s a joke about immunology, which Jessica Metcalf of Princeton recently told me. An immunologist and a cardiologist are kidnapped. The kidnappers threaten to shoot one of them, but promise to spare whoever has made the greater contribution to humanity. The cardiologist says, “Well, I’ve identified drugs that have saved the lives of millions of people.” Impressed, the kidnappers turn to the immunologist. “What have you done?” they ask. The immunologist says, “The thing is, the immune system is very complicated …” And the cardiologist says, “Just shoot me now.”

The thing is, the immune system is very complicated. Arguably the most complex part of the human body outside the brain, it’s an absurdly intricate network of cells and molecules that protect us from dangerous viruses and other microbes. These components summon, amplify, rile, calm, and transform one another: Picture a thousand Rube Goldberg machines, some of which are aggressively smashing things to pieces. Now imagine that their components are labeled with what looks like a string of highly secure passwords: CD8+, IL-1β, IFN-γ. Immunology confuses even biology professors who aren’t immunologists—hence Metcalf’s joke.

(…)

Thumbs

Agora Não Me Dava Jeito Nenhum…

You’re Likely to Get the Coronavirus

Most cases are not life-threatening, which is also what makes the virus a historic challenge to contain.

(…)

Production of vaccines has long been contingent on investment from one of the handful of giant global pharmaceutical companies. At the Aspen Institute last week, Fauci lamented that none had yet to “step up” and commit to making the vaccine. “Companies that have the skill to be able to do it are not going to just sit around and have a warm facility, ready to go for when you need it,” he said. Even if they did, taking on a new product like this could mean massive losses, especially if the demand faded or if people, for complex reasons, chose not to use the product.

Making vaccines is so difficult, cost intensive, and high risk that in the 1980s, when drug companies began to incur legal costs over alleged harms caused by vaccines, many opted to simply quit making them.

E não é que há medidas que nos fazem lembrar um pouquinho, nem que seja um pouquinho, a Idade Média?

Italy, Iran, and South Korea are now among the countries reporting quickly growing numbers of detected COVID-19 infections. Many countries have responded with containment attempts, despite the dubious efficacy and inherent harms of China’s historically unprecedented crackdown. Certain containment measures will be appropriate, but widely banning travel, closing down cities, and hoarding resources are not realistic solutions for an outbreak that lasts years. All of these measures come with risks of their own. Ultimately some pandemic responses will require opening borders, not closing them. At some point the expectation that any area will escape effects of COVID-19 must be abandoned: The disease must be seen as everyone’s problem.

Plague

Da Teoria Ao “Saber Fazer”

Um dos conteúdos que mais me agrada no programa de Português do 2º ciclo é, como seria de esperar, a banda desenhada. Gosto de abordar a teoria da coisa, de explicar a sua originalidade e variantes. Como começar de esquemas simples e os ir complexificando, além dos tios patinhas ou mesmo dos agora populares manga. Uso o Stripgenerator para eles começarem a treinar com um leque de objectos e figuras pré-definidas (a queixa habitual é “não sei desenhar”) e depois forneço-lhes pranchas com diversos formatos, dando-lhes alguns temas para eles desenvolverem e irem-me entregando à medida que terminem, sem um prazo definido. Há sempre um pouco de tudo. Há sempre quem arrisque, sem medo que o professor lhes destrua a criatividade. Se quiserem, podem construir os seus formatos.

E é por aqui que eu muitas vezes entro em choque com as concepções da criatividade nascida do nada. Neste caso, a “competência”, o “saber fazer” vem depois do conhecimento dos elementos básicos das técnicas. Claro que poderia brotar qualquer coisa da folha branca e eu até teria menos “trabalho”, pois em vez de explicar os formatos das vinhetas, das tiras, dos balões, das onomatopeias, bastaria ser o “facilitador” da rabisquice. Mas parece que até o Picasso, o Mondrian ou o Pollock aprenderam a desenhar antes de revolucionarem a arte contemporânea.

MEC, Circa 55 Anos (Que é Quase A Minha Idade)

Textos ali de 2010-11 para refrescar as leituras, Já não é o MEC urgente, mas sim o paciente. Já não busca novidades, mas os confortos conhecidos. Envelheceu como todos nós, mas não optou pela lycra e prefere aquela cabeleira à tia inglesa do que o polimento da careca que alguns pensam tirar 20 anos.

Excertos preciosos das páginas 168-169 sobre como mobiliar uma casa.