No Creo En Brujas, Pero…

O jornalista Miguel Sousa Tavares vai ser o responsável máximo pela linha editorial de uma das edições do Jornal das 8 por semana, em princípio a emissão de segunda-feira, apurou o PÚBLICO. E deverá ser já a partir da próxima semana.

Bruxa

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Ainda as Juntas Médicas

Estão a ser mandad@s de volta para as escolas pessoas que até um cego veria que não estão em condições mínimas para leccionar. Mas os 30 dias que regressam fazem com que quem @s substitui seja mandado embora e depois, até se conseguir nova substituição são pelo menos 2 semanas ou mais, até porque há grupos em que já existe dificuldade em encontrar gente disponível nas RR. Poupa-se 1-2 meses de salário de um@ professor@ contratad@, obviamente em defesa do “interesse dos alunos” e da “qualidade da escola pública”. Se falarem com alguém do ME, dirá que é tudo culpa dos procedimentos legais, sendo que antes dos tempos dos computadores e das regras “centralistas”, era chegar à lista ordenada e fazer um telefonema, só seguindo carta para formalizar as coisas.

Isto não é um assunto de Direita/Esquerda mas apenas de uma enorme subserviência ao binómio Défice/Estupidez.

Mad doctor

Pesquise-se!

Políticos no activo a presidir a órgãos “técnicos” que fazem a análise das suas próprias políticas? Sendo que antes de entrarem em cargos executivos ninguém lhes conhecia tal “capacidade” técnica? A OCDE funciona mesmo assim? Ou depende dos sectores? É mais complicado de perceber do que parece.

A notícia é do Sol de hoje:

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O desmentido chegou célere, pelo facebook:

O Sol dá-me hoje destaque com uma notícia pejada de dados falsos e insinuações e que me tenta associar aos dados do Education at a Glance que geraram polémica esta semana a propósito da remuneração dos professores.
Impõem-se os esclarecimentos, todos eles prestados ao Sol, que deliberadamente os ignorou.

1. Não sou diretor de nada na OCDE.
2. Não presido a qualquer gabinete da OCDE.
3. Presido ao órgão que junta os decisores políticos e técnicos do TALIS – Teacher and Learning International Survey. Este órgão é constituído por representantes dos ministérios de 45 países. Tal como outros órgãos colegiais, o Presidente é nomeado e eleito entre os pares. Este e outros órgãos internacionais são presididos por ministros, vice-ministros, secretários de estado ou membros em sua representação.
4. O TALIS não é um relatório sobre carreiras e salários.
5. O TALIS é um inquérito respondido diretamente por professores e diretores sobre condições para o exercício da profissão docente: desenvolvimento profissional, ambiente, condições de trabalho, liderança, gestão, carreiras, etc.
6. O Education at a Glance é um relatório anual que não é produzido pelo TALIS, pelo que a tentativa de me associar a este estudo não tem qualquer fundo de verdade.

Não vou sublinhar alguns paradoxos do desmentido, nem o truque terminológico usado nos seus 3 primeiros pontos. Apenas referir que seria interessante encontrar a lista dos anteriores directores do TALIS, algo mais difícil do que parece, pois as apresentações dos relatórios aparecem sempre assinadas por directores da OCDE de um nível mais elevado (Barbara Ischinger, Ángel Gurria, Andreas Schleicher), do Directorate of Education and Skills ou da própria OCDE.

Pessoalmente, conhecia a situação desde o Verão passado, pois recebia a newsletter da FCSH por ser investigador de uma das suas unidades (se calhar não será “unidade” e provavelmente e eu seria mais “colaborador”, pelo que talvez me tenha de desmentir a mim próprio). No site da FCSH ainda conta a seguinte nota:

João Costa, diretor da NOVA FCSH entre 2013 e 2015, foi eleito presidente do Conselho de Direção do Teacher and Learning International Survey (TALIS), um dos órgãos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Atualmente a desempenhar funções como Secretário de Estado da Educação no governo português, o docente do departamento de Linguística ocupará o cargo durante três anos. O TALIS é o primeiro inquérito internacional que permite dar voz aos professores e diretores dos estabelecimentos escolares.

Através do preenchimento de questionários sobre desenvolvimento profissional, práticas de ensino ou impacto do trabalho docente, o TALIS tem como missão produzir informação que permita melhorar, de forma concertada, as políticas de educação a nível internacional.

De acordo com a OCDE, o TALIS é o segundo instrumento mais influente desta organização para a definição de políticas educativas, a par do PISA (Programme for International Student Assessment).

Entre nós temos casos de polític@s que descobriram a sua imensa inclinação académica para o estudo da Educação depois de serem ministras (MLR) ou que a desenvolveram em teses depois de exercerem o cargo e acederem em primeira mão a muita informação, por exemplo, da OCDE (Valter Lemos),

Parece que ainda não tinha acontecido esta coincidência de se estar no activo cá e a avaliar políticas lá fora. Há sempre uma primeira vez. Ou, se calhar, já aconteceu, nós é que nem sabemos.

Causalidades

Leio artigos que procuram explicar a causalidade de certos fenómenos sociais ou educativos com base na coincidência no tempo de outros fenómenos, escolhidos de forma tão conveniente quanto aleatória. Não vou apontar dedos, nomear nomes, fazer ligações desconfortáveis. Dá mais gozo exemplificar o disparate… imaginemos que sempre que a tia Ifigénia vai à janela vê carros a passar na rua. Ora, não é por causa dela ir à janela que os carros passam. É uma coincidência no tempo, apenas. Não há uma relação causal. Mas, infelizmente, em Educação o nível da explicação técnico-política do “(in)sucesso” e outras coisas anda neste patamar de sofisticação. À macro e micro-escala.

AI