As Linhas Vermelhas

Não podem desaparecer.

Se um@ alun@ não fez nada de especial até 13 de Março e conseguiu ter 6, 7, 8 níveis abaixo de três e no regime E@D nada fez, o normal é manter as classificações anteriores. Não é uma questão de descer seja o que for, apenas é impossível subir qualquer coisa, em especial quando a explicação d@ EE é “o telemóvel estragou-se”, após ter respondido no inquérito E@D que tinha meios tecnológicos e acesso a banda larga. E nunca mais dar sinal, apenas voltando a mostrar preocupação oportuna na altura da matrícula.

Há limites para a admissibilidade de “justificações”.

Eminem

 

 

Confesso Que Merece Leitura…

… porque acho que como “alternativa” é interessante, mas como fórmula-padrão desperta-me um imenso sorriso.

Meet the school with no classes, no classrooms and no curriculum

(…)

Rob describes Agora as a blend of a university (where you have knowledge), a Buddhist monastery (where you can think), a theme park (where you can play) and a communal marketplace (where you can trade and swap things). And it’s this last one, Agora, and borrowed from Ancient Greek, that gives the school its name. Each day starts with dagstart, where students spend a few minutes outlining their challenges for the day, what they hope to achieve and what help they might need. It’s also a chance for other students to suggest things, offer advice or join in.

Algodao

(agora sem pés… agora sem mãos… agora sem dentes…)

Uma Escala Como Outra Qualquer Que Me Descreveram Um Dia

Dás 5 para distinguir alguém que faz mais do que aqueles a quem deste 4 para os diferenciar dos que tiveram 3 para que não se confundissem com quem teve 2 para que não ficassem desmoralizados por terem 1 como quem não nada fez ou mal apareceu nas aulas. A percentagem dos testes e fichas e coisas assim é um detalhe acessório. Se te perguntarem alguma coisa sobre o método usado diz que fizeste uma abordagem holística dos alunos e os situaste em cinco quadrantes cósmicos assim como quem vem de Cassiopeia e faz uma paragem em Andrómeda para reabastecer.

Mad-Hatter

4ª Feira

Dia de abordar a avaliação dos instrumentos elaborados para a avaliação dos alunos numa perspectiva de visão holística, não de uma forma hierarquizadora do desempenho, mas desde que seja possível produzir uma grelha com elementos passíveis de mensurabilidade com vista a qualquer coisa que é igual ao que era mas agora tem um verniz inovador.

Maqescrever2

Imparidades

A maior parte de quem aqui passa terá a noção de que muito do que é falado em off entre colegas, de vários pontos do país, por mail ou outras mensagens, não chega a letra de post por razões mais ou menos naturais. Mas há sempre formas de codificar certas situações em abstracto, coisas que nos revoltam, embora tenhamos de as aguentar no nosso quotidiano. Nem vou falar da relação inversamente proporcional entre competência e disponibilidade para aconselhamento não solicitado. Isso é velho. Como é de antanho aquela coisa de dar a uns barras de ferro e a outros pranchas de pinho da flandres e depois fazerem o bem intencionado reparo de que os barcos que aqueles fazem flutuam um pouco pior do que os destes. Novo, ou talvez não, é garantirem que as barras de ferro flutuam na perfeição e a falha é da forma como as usamos.

pluto-scratching

Inclusão E Sucesso Percentualizad@s Ao Milionésimo Com Alínea, Adenda, Etc e O Que Mais Aprouver A Quem Interessar

Só quem não @s conhecesse de outros carnavais poderia pensar que as coisas terminariam de outra forma. Realmente, como disse algures um governante em tripe pelo país, os decretos 54 e 55 são gémeos na sua concepção e na forma como criam a armadilha perfeita para quem acha que pode ter realmente alguma autonomia e flexibilidade pedagógica ou profissional. Neste momento, com o avançar das “ferramentas” de registo e monitorização, a liberdade é a mesma de um prisioneiro numa cela de um metro quadrado.

No documento que ontem publiquei existem cerca de 80 medidas previstas (gora as “outras” em cada domínio) para potencial aplicação a cada aluno, a preencher por cada disciplina. Aplicar isso a uma turma de 25 ou 28 alunos não é um exercício destinado à inclusão, mas à pura destruição de qualquer verdadeira noção de pedagogia e de abordagem do aluno “como um todo”, como é dito por quem defende o modelo. As coisas começam a entrar num nível de disparate imenso, um pouco por todo o país, com incidência em zonas em que os órgãos de gestão entraram na onda ou onde foram feitas “formações” ou “visitas vip”. Não posso identificar as escolas ou mostrar alguns documentos, mas posso, pelo menos, descrever os efeitos devastadores da mentalidade medíocre que preside à lógica grelhadora para classificação das capacidades ou competências dos alunos. É absolutamente ridículo que se produza legislação que se afirma contra a “catalogação” dos alunos, mas depois os seus apóstolos desatem a produzir bíblias imensas que fazem lembrar os maiores desvarios que li em penitenciais medievais no que se tratava de identificar categorias e subcategorias de pecados. Acreditem… havia malta naquela altura que andava muito à frente de qualquer redtube em matéria de imaginação.

Há documentos em que se pretende classificar com ponderações de 1-2% no valor final atitudes como empenho ou responsabilidade.Quem ache normal percentualizar a criatividade ou a autonomia. Quem, para o 1º ciclo, ache adequado classificar com 20 parâmetros o desenho de uma árvore de Natal com prendas (a sério, não estou a inventar nada…). Há mesmo o regresso – sob a geringonça – de matrizes para avaliar a rapidez e fluência da leitura num dado período de tempo, aquilo que com Crato era (e e era mesmo) tido como um autêntico disparate.

Acreditem, os alunos não são o centro das preocupações deste tipo de diarreias mentais. O que está em causa é a vitória de uma “tese”, de uma corrente ideológica e a criação dos mecanismos destinados a acorrentar os professores e desiludi-los de qualquer liberdade sem consequências problemáticas.

O que se está a despejar sobre os professores por estas semanas, um pouco ou muito por todo o país é o regresso do pior de dois mundos… a exigência do sucesso numa perspectiva holística aliada ao esmagamento burocrático com uma parafernália de grelhas que fazem mirrar-se de embaraço as dos tempos áureos da add da “reitora” não avaliada.

Como resistir, quando ainda há quem ache que falta ali uma 83ª variável na ponderação parametrizada? Quem perca a maior parte do tempo a registar o que se passa numa aula, perdendo assim metade do tempo útil que poderia aplicar a tentar ensinar qualquer coisa. Quem tenha encarnado a “lógica”, quem argumente de forma agitada com a “flexibilidade” contra quem ouse contestar a pseudo-prática “inclusiva”. Quem tenha acabado por se deixar possuir pelo vírus e veja quem esteja imunizado como se fosse a fonte do mal?

funny-quotes-stupid-people

 

É O Delírio Das Cruzinhas

Isto (FINAL Mobilidade de Medidas 2º 3º ciclo e Sec) é uma espécie de orgasmo inclusivo. Anda a ser partilhado por aí como sendo algo a aplicar. Para operacionalizar estas explicações, igualmente orgásmicas: FINAL AVALIACAO Alunos NecAprend. Que parecem querer “ajudar” a aplicar o 54/2018.

Cruzes, credo. Embora sinta a falta de umas alíneas explicativas adicionais. Numa perspectiva holística, claro. Desde que desmontemos tudo em quadradinhos e grelhas. E depois eu é que sou má-língua, David!

Cruzes

 

Continuo A Interrogar-me

Não por ignorar a saída do paradoxo, mas porque observo diariamente (não necessariamente em proximidade, ok? quietem-se os que buscam pistas na evaporação do éter) quem diga promover a diversidade mas só usa abordagens e ferramentas formatadas há décadas e quem defenda muito a inovação e criatividade, desde que não se lhe conteste a fórmula. Abstenho-me – ou quase – de referir – a avaliação da tais competências para o século XXI com muitas cruzinhas e quantificações parametrizadas. Quem queira abordagens holísticas, desde que percentualizadas as partes.

Sei que me repito, mas é um maravilhamento que insiste em não me abandonar.

Mirror