20.000 Euros (x2) Em Direitos Parciais De Autor, Mais Uns Milhares Para Conferências E Seminários?

E que tal 3.450 euros para “Aquisição de Serviços de Oradores/Dinamizadores para vários seminários”, neste caso apenas para uma colaboradora residente desde Fevereiro até final de Maio. Para a Faculdade de Educação e Psicologia da Católica vão mais de 6000 euros para o mesmo efeito ´(durante um mês) num dos contratos. Para o Instituto de Educação vão 3.658,53 euros por 38 dias de serviços.

Acho bem que Roma pague aos seus colaboradores.

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Insultuosas E Inadmissíveis!

É como a senhora ministra da Cultura considerava há bocado, em excerto televisivo, as declarações do comendador José Berardo que todos trataram por Joe durante décadas como se ele fosse José em Boston ou Nova York.

Ora bem… acredito que sim, embora também ache que ele foi o que esteve mais perto de nos dizer com clareza, não fosse o chato do advogado, como Portugal funciona quando e onde há dinheiro.

  • Alguém dá uma aparência de riqueza, não interessando a origem.
  • Pede dinheiro aos muitos milhões e são-lhe concedidos sem especial análise de risco, porque ele é amigo de amigos e parece ser pessoa rica.
  • Esse alguém faz o necessário para colocar os seus bem longe de qualquer hipótese de penhora, enquanto gasta de forma pródiga o dinheiro que recebeu.
  • Começa-se a perceber que está falido em termos empresariais, mas rico em termos pessoais, embora nada esteja em seu nome.
  • Ninguém questiona onde gastou o dinheiro, nem quando chega a altura de quererem recuperar os milhões. E gostaria de sublinhar o facto de ninguém, neste contexto, questionar onde sumiu o dinheiro.

Ora muito bem… depois de analisar num segundo momento a prestação do comendador José Berardo na Comissão Parlamentar Que Não Vai Servir Para Nada Nº 349, acho que ele prestou um evidente serviço público ao povo português revelando parte – rai’s parta o tal advogado – como temos sido desgovernados e como se atingiu uma situação de buraco financeiro para o qual é preciso remendos à conta do orçamento e muitas taxas e taxinhas, públicas e privadas, para por utentes e contribuintes.

José Berardo foi mais verdadeiro que muito comentador e analista do dia seguinte. Disse como as coisas são e riu-se de quem ou é ignorante ou se fez de ignorante na dita Comissão. Até porque há muito que há quem diga que as coisas são assim, que as cardonas&varas só andaram na banca para servir de facilitadores e há gestores e governantes que não passa(ra)m de elos de ligação para distribuição dos fluxos financeiros disponíveis. Sempre que ouviram falar em milhões de investimento nisto ou aquilo, provavelmente estavam a falar apenas no escoamento de fundos europeus ou activos bancários para a vida regalada de alguns.

O mais triste é que as coisas não mudaram, apenas terão mudado para uma escala menos obscena e com procedimentos menos evidentes. Mas daqui a uns 15 anos, quando todos estes casos estiverem quase esquecidos e prescritos, acabaremos por descobrir outros que…

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Contratos

Dois contratos (este e este) de quase 20.000 euros por 141 dias de trabalho para “desenvolver as atividades específicas do Centro Qualifica do CEFPI – Centro de Educação e Formação Profissional Integrada”?

Por Sintra, por cerca de dois anos, são 264.000 euros para “Aquisição de serviços de formação e capacitação de pessoal não docente, no âmbito do Plano Inovador de Combate ao Insucesso Escolar, a desenvolver no Concelho de Sintra, até final de 2020”. A entidade adjudicatária é a “Associação de Professores de Sintra”.

Em qualquer dos casos, a pegada digital dos adjudicatários inexiste.

E entre muita outra coisa, encontram-se 40.000 euros contratualizados para “viagens e estudo” de acordo com um contrato (com uma data com quase um ano de diferença em relação ao registo que aparece na base de dados) que não se encontra o anexo com o caderno de encargos.

O que um tipo encontra quando lhe sobram 10 minutos.

Surprise

Ler Toda Esta Notícia Deprime-me A Vários Níveis

Selecciono apenas uma parte. O resto é demasiado mau, mas não inesperado, em quem defende e promove a descentralização de competências em Educação para dela colher os frutos financeiros. O texto da notícia merece leitura extensa em todos os ziguezagues. A vereadora em causa, que também surge como deputada na presente legislatura, no seu “registo de interesses” parece ter-se esquecido de declarar que é vereadora com pelouro (logo, deverá ser com alguma remuneração, certo?).

Já agora, no base.gov não encontro registo de nenhum contrato celebrado pela CMMaia desde Maio de 2009.

«Não há relatório final, eu acabei de entregar agora o relatório que pode funcionar como relatório final que é precisamente municiar o plano que estão a desenvolver e a carta educativa, com uma caracterização das escolas e dos alunos». Após alguma insistência, disse que ainda teria uma nova reunião e que se lhe pedissem um novo relatório que o mesmo seria feito.

‘Se você me diz, agradeço-lhe muito’

Confrontado com o texto do contrato que assinara, o antigo ministro da Educação rematou: «Se está previsto eu faço. Eles nunca me pediram um relatório final, mas se você me está a dizer isso, e ainda bem, olhe fico-lhe muito agradecido porque assim vou ver o contrato e vou ver em que termos é que está posto o relatório final e faço-o, porque não me custa nada fazer isso».

Money

(informalmente, o que se sabe deste tipo de contratos e estudos entregues por ajuste directo a outras figuras e centros de estudos que apoiaram a “descentralização de competências” por parte de autarquias de diferentes cores permitiu-me uma “métrica” para a hipocrisia e oportunismo de muita gente que, como é natural, não gosta que se saiba deste tipo de coisas)

 

Espanto, Admiração e Sincera Incredulidade

Mas a grande “festa” da ministra preferida de Sócrates foi “contaminada”? Não posso acreditar… se tivesse sido assim, não posso crer que alguém tão atento à sua área de governação não desse por nada e não denunciasse coisas que cedo algumas más-línguas pérfidas andaram por aí a insinuar.

Recuso-me terminantemente a aceitar que tal se tenha passado e se alguma vez escrevi algo em contrário é porque estava sob a influência de excesso de fumo de barba de milho com oregãos. Porque acho impossível qualquer das alternativas, ou seja, nem posso crer que a ministra maravilha desconhecesse algo tão relevante e que movimentava tanto dinheiro numa altura em que ela se mostrava tão preocupada em ajustar a despesa, nem que, se desconfiava de algo, tenha ficado caladinha só para manter o lugar e garantir a posterior ascensão.

A Polícia Judiciária está a investigar suspeitas de subornos na Parque Escolar. O “Correio da Manhã” explica esta quarta-feira que em causa estão alegados pagamentos de empreiteiros a altos funcionários da empresa pública, criada em 2007 pelo então primeiro-ministro José Sócrates e cujo objetivo era a requalificação de 332 escolas em todo o país.

O esquema passava, refere o jornal diário, por viciar as regras da contração pública. Aos envolvidos rendia milhões, enquanto as restantes construtoras concorrentes e o Estado saíam lesados.

Na terça-feira, várias pessoas foram constituídas arguidas na sequência de dezenas de buscas realizadas pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção a empresas e casas particulares de atuais e antigos responsáveis da Parque Escolar e de coordenadores das empresas de construção civil. Em causa estão os crimes de corrupção passiva, no caso dos decisores públicos, e de corrupção ativa, no caso dos empreiteiros.

SocMLR

(e, sim, estendo a minha incredulidade a outros governantes da altura, políticos experientes que teriam certamente detectado se algo assim se tivesse passado…)