Pedrógão, Um Mês Depois

Tudo normal e de acordo com os nossos costumes.

  • Muita conversa sobre o tema e horas de emissão televisiva a propósito.
  • Nada de concreto ou definitivo sobre as causas do sucedido.
  • Nada de concreto ou definitivo em relação a responsabilidades a apurar.
  • Dinheiro e apoios para os necessitados estacionados algures no trajecto (a ver se ainda não acaba tudo num qualquer montepio).

(e parece que o siresp já patinou hoje mais uma vez por Alijó…)

fire

Imunidades

Existem demasiadas, não apenas as diplomáticas. Rimam com impunidades. Em todo o lamentável caso de Ponte de Sor, julgo perceber o que se tenha passado, mesmo sem recolhas periciais. Até acredito que os iraquianos tivessem razões para se sentir incomodados com eventuais parvoeiras racistas de 3º escalão de frequentadores noctívagos, quase imberbes, de bares de província (ou de cidade).

Agora o que é inaceitável é que queiram fazer passar por “legítima defesa” um acto premeditado de agressão, em que vão buscar um carro para se poderem vingar de um dos elementos do grupo que os terá assediado. A “legítima defesa” corresponde a um defesa, no momento, perante uma agressão. Não a ir buscar, depois das ocorrências, os meios para se vingarem. Tratou-se claramente de uma “vingança”. Mais valia estarem calados se era para nos fazerem passar por estúpidos. Embora seja verdade que, talvez por viverem cá há algum tempo, terem achado que é assim que os “imunes” e impunes actuam por cá.

Alcatrao2

Incêndios

Alguns é praticamente impossível evitar com estas temperaturas, mas a maioria poderia ser contida se “a floresta” não fosse um conceito completamente alheio à acção política central e local. Assim como há gente profundamente doente do ponto de vista mental a quem deveriam arder os fundilhos quando ateiam fogos por aí, à beira da estrada, cada vez mais junto de habitações, só para verem o alarido.

Mas o essencial é que há um quase completo desinteresse activo por parte da generalidade da classe política, da câmara aos ministérios, passando pela assembleia da república cheia de urbanitos de 1^ou 2ª geração, pela cobertura vegetal do nosso país, confundindo meia dúzia de arbustos raquíticos numa praceta ou rotunda com gosto pela Natureza. Curiosamente, não dei por nenhuma iniciativa legislativa relevante do PAN nestas matérias, pois parece que só lhes interesam uns quantos bichinhos de quatro patas, enquanto os ecossistemas essenciais para uma existência sustentável continuam em acelerada destruição.

fire

Deve Ser do Calor

Ou da implosão de alguns serviços. Ou apenas de gente que anda a pensar em outras coisas. Nos últimos dias, cá por casa, têm acontecido coisas meio surreais. Ou melhor, têm-nos acontecido coisas meio parvas, justificadas com explicações ainda mais parvas.

Vou poupar os detalhes específicos sobre o Centro de Formação que, depois de levar sete meses para produzir o raio de um certificado de presença numa acção de curta duração, após repetidos contactos, responde em dias diferentes de forma completamente diversa, acabando a última criatura por, de forma explícita, culpar @ formand@ por não ter recebido o dito cujo certificado, apesar das provas materiais em como todos os elementos tinham sido enviados por correio e mail para o dito CFAE. A rudeza de certos mangas de alpaca só tem equivalência na arrogância a que se elevam normalmente algumas nulidades administrativas protegidas pelos poderes locais.

Adiante.

Quanto à truncagem de metade da minha comunicação num seminário do CNE, a explicação (ou o que se quer passar por isso), é que metade do texto desapareceu na conversão de ficheiros, de doc para o pdf (já estão disponíveis as 13 páginas em falta num processo que nem deverei comentar mais, de tão lamentável a vários níveis). Não vou dizer que não foi isso que se passou. Só terei é que dizer que, nesse caso, muito mal andam os serviços de revisão de actas (nem sequer em papel) das publicações do CNE, tendo sido um azar dos Távoras que tamanho acidente só tenha ocorrido exactamente neste caso particular, depois de eu muito ter chateado sobre o atraso desta publicação. Teoria da conspiração? Nada disso, apenas verificação dos factos.

Repito que não é a extrema e insubstituível qualidade da minha comunicação que está em causa (o conteúdo está longe de superlativo, embora me orgulhe do que disse e perante quem), é mesmo a forma inexplicável como são apresentadas estas actas, no seu conjunto, como se fossem uma manta de retalhos.

Haddock