Tendências E Curiosidades

Usando a metodologia mais básica do Google Trends, o que obtemos quando se comparam as pesquisas feitas sobre António Costa e Rui Rio.

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O que percebe é que o interesse em ambos aumentou em tempo de campanha (natural), mas que Rio conseguiu, apenas pela segunda vez, suplantar Costa.

Um detalhe interessante é verificar os temas mais pesquisados em associação a ambos.

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No caso de Costa, para além das pesquisas associadas ao debate com Rui Rio destacam-se as pesquisas sobre familiares seus (irmão, mulher). No caso de Rio, aparece a busca do seu twitter e as suas posições sobre a questão dos professores. Algo em tudo isto voz parece estranho. A mim, nem por isso. Claro que desagregando o último ano por meses os dados serão mais curiosos. Ou por semanas, ficando aqui os dados dos últimos 7 dias, em que as consultas sobre Costa dispararam desde a acusação do caso de Tancos e se equilibrou a distribuição geográfica das pesquisas dos internautas.

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Em termos globais, nos últimos 12 meses, o interesse em Rio só em algumas zonas do interior e nos Açores é que atingiu níveis próximos dos de Costa.

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Já Agora, O Que Se Pode Encontrar no Relatório da OCDE Sobre As Vantagens de Estender a Escolaridade em Termos de Emprego?

Há lá muita coisa e algo é adquirido… quem consegue mesmo emprego compatível com as suas habilitações ganha mais do que quem tiver menos anos de escolaridade. O problema é outro e relaciona-se muito com a incapacidade da própria economia absorver mão-de-obra qualificada, pelo que a probabilidade de emprego é praticamente a mesma tendo feito apenas o 12º ano ou um primeiro ciclo de estudos bolonheses (bacharelato, já que a licenciatura nem aparece).

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Reparem que o nível de emprego de quem fez apenas o 9º ano ou menos é dez pontos acima da média europeia (68% contra 58%) e treze acima dos 22 países europeus da OCDE (média de 55%), mantendo-se mais alta do que a média também para quem concluiu o 12º ano. Depois, começa a descer e fica em cima da média para quem fez estudos universitários.

Quanto à evolução entre 2007 e 2017 do nível de emprego, verifica-se que subiu 4 pontos para quem não seguiu estudos universitários (de 78% para 82%), mas apenas um ponto para quem os fez (de 85% para 86%). O que significa um fenómeno parcialmente paradoxal.

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Tudo isto se relaciona ainda com as vantagens relativas de se seguirem estudos universitários em Portugal, por comparação a ficar apenas com o 12º ano.

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Nada disto levantou o mínimo interesse à comunicação social, embora esteja no mesmo relatório que traz os salários dos professores. Só que não aparecia no resumo. O resumo é que foi uma selecção “criteriosa” do que interessava à “actualidade”. Claro que aborsar outros temas pode levar a uma visão muito negativa para uma economia que dá escassas oportunidades aos trabalhadores qualificados que ou saem do país ou se submetem a salários comparativamente inferiores aos praticados em outras economias, para terem a mesma possibilidade de não ficarem no desemprego do que quem não seguiu estudos superiores. Temos um mercado de trabalho que privilegia mão-de-obra com baixas qualificações e salários baixos.

Mas sobre isto os daniéisbestas e outros “empreendedores” não escrevem. Porque não convém.

As Rendas que Pagam a Festa da Outra

Com a mudança de instalações para o n.º 2 da Avenida Infante Santo, em Lisboa, em Fevereiro, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e os seus três secretários de Estado (dois da área educativa e um do desporto) passaram a ser inquilinos da empresa pública Parque Escolar (PE), que comprou aquele imóvel em 2013.

O Ministério da Educação (ME) não divulgou qual o valor global da renda que paga à Parque Escolar pela ocupação parcial do edifício da Infante Santo (em parte deste edifício funciona também a sede central daquela empresa). Em resposta ao PÚBLICO, indicou apenas que “será paga uma renda mensal no montante de seis euros por metro quadrado”.

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(na Infante Santo as concentrações dão muito menos jeito do que na 5 de Outubro…)