6ª Feira

É sempre preciso ter em conta que não estamos a lidar com gente séria. Não é “populismo” ou “demagogia” denunciar a “elite” política, em particular a que governa de forma formal ou informal, por se ter tornado essencialmente desonesta. Hoje é dia de apresentar como uma espécie de dádiva o descongelamento de carreiras e as progressões que daí resultaram. O que o Tribunal Constitucional, embora de forma timorata, considerou ilegal e apenas admissível de forma temporária, parece ter sido interiorizado por alguma comunicação social como sendo algo “normal”. E a classe política cavalga isso para dar a entender que os professores terão progredido nos últimos anos graças à sua enorme generosidade.

Chegaram 6000 ao topo da carreira? Mas ganham menos, agora, em termos líquidos, no índice 370, do que há quinze no 340. E de acordo com as regras do ECD, legislado pela “reitora” que recusou fazer a sua add, muitos mais ficaram barrados de lá chegar. Progrediram 45.000? Acredito. Mas deveriam ter sido muito mais e, em vez de um ou dois escalões, deveriam ter progredido três ou quatro.

Ok… noticiam-se “factos”. Pena que se transmita a sensação de isto serem “benesses” ou mesmo “conquistas” quando não passa da tentativa de legitimar os danos causados e as graves perdas verificadas.

Pura e simples bullshit.

Turd

Sábado

Durante muitos anos era o dia de sair para ir buscar o Expresso e saber das últimas, mesmo dando o desconto a algumas coisas plantadas a preceito pelos zeinais, granadeiros e outros que tais que agora se descobre terem sido meninos maus. De há uns tempos, não tão recentes assim, é o dia de lhe fugir e de primeiras páginas feitas por encomenda. E garanto que não sou teorizador da conspiração em relação a jornais e imprensa em geral, bastando para isso ver os anos e anos de papelada comprada e acumulada.

ardina

E O Meu Caro, Excelentíssimo Henrique Monteiro, O Que Fez A Esse Respeito?

Afinal, é um senador da comunicação social do regime, com espaço privilegiado e fixo para denunciar todas estas coisas… o que fez? Sim, sabíamos de onde Berardo vinha, mas há uma assimetria imensa entre o acesso de uns e outros ao espaço mediático para o dar a conhecer. Com tanta oportunidade podia ter feito alguma coisa, mas o que fez, caro comendador fictício das cartas a tentar a pilhéria?

Toda a gente se indignou com o modo de estar, a fanfarronice, o desbragamento de Joe Berardo no Parlamento. Não sou exceção. Há, no entanto, uma diferença substancial entre as indignações que se ouvem: aquelas de quem nada podia fazer e aquelas de quem podia ter feito alguma coisa. A estes, recomendo que se interroguem como foi possível alguém cujo passado era de todos conhecido, chegar ao ponto a que chegou.

Vanishing

 

Questões De Domingo (Com Resposta Fácil)

Onde andavam muitos dos que agora tanto se indignam com eventuais fake news quando o Câmara Corporativa publicava diariamente isso mesmo nos tempos do engenheiro, quase sempre com fonte oficiosa ou oficial disfarçada? Onde estavam certos articulistas permanentes em órgãos de “referência” que agora se encrespam contra as falsidades nessa altura? A resposta é simples: muitos del@s alimentavam o CC ou dele alimentavam as suas crónicas e então.

Quem considera que a greve dos enfermeiros é uma atentado ao SNS, manipulado por interesses privados, já foi espreitar as administrações ou conselhos consultivos dos grupos privados, com destaque para a área da Saúde (ou fundações e outras organizações periféricas) nas últimas décadas para ver se lá andam antigos ou actuais enfermeiros? Não sei se foram, mas se tivessem ido, provavelmente encontrariam políticos (da direita à esquerda próxima do actual poder) ex-ministr@s e outros ex-governantes que tanto bateram no peito publicamente em defesa do SNS mas mal puderam foram para a concorrência, sem período de nojo.

Quem se preocupa na comunicação social tanto com o anonimato do crowdfunding no apoio a uma greve não deveria ter feito alguma coisa para que se soubesse quem eram afinal os profissionais da informação (coloquemos as coisas assim) que apareciam em avenças nos Panamá Papers para ser saber quem lhes pagava o quê? Deveria, mas não fez nada, ou melhor, ocultou com argumentos, digamos assim, “assimétricos”.

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(já agora, o cronista semanal que anda quase sempre a carpir que lhe foi atribuída uma frase falsa há uma década, alguma vez se retratou das “inverdades”que escreve com uma regularidade assinalável no seu espesso tijolo de texto?)

E Que Pena Que O Jornalismo Económico Da Altura Parecesse Não Dar Por Nada E Alguns Dos Responsáveis Pela Caixa Nesse Período Ainda Aparecerem Nas TêVês Como Grandes Especialistas

Houve muito mais na CGD do que você imagina

CGD perdeu 1200 milhões em empréstimos de risco

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(agora todos se dizem chocados… por onde andaram durante esses anos? foram apenas incompetentes?)

Conversas em Família

Sérgio Figueiredo contrata Miguel Sousa Tavares para comentar na TVI, Como cereja é-lhe oferecida a condução do jornal das 8 às 2ªs feiras. Na primeira emissão, a comentar o OE para 2019 MST convida Sérgio Figueiredo para comentar com ele o tema. Ambos acham que um orçamento com 0,2% de défice previsto é “imprudente” (SF) e que beneficia pensionistas e funcionários públicos (em coro).

Mas, claro, ele não podia deixar os professores sem a dose de bílis que o faz mover.

stop-the-press