A Maldição Dos 2ºs Mandatos

O segundo mandato em maioria absoluta de Cavaco Silva, chegou ao fim, mas de modo penoso, marcado por uma degenerescência completa e culpou-se a maioria absoluta pelos abusos de poder e por todo os esquemas de compadrio que tomaram conta do Estado e da sociedade.

O segundo mandato, em maioria relativa quase absoluta, de António Guterres terminou com ele a fugir de um “pântano” (político e não só) de que em parte se responsabilizou a tal maioria quase absoluta que precisava de favores limianos para se aguentar.

O segundo mandato, em maioria relativa, de Sócrates foi o que nos encaminho decisivamente para a falência técnica e a troika e na altura as culpas foram espalhadas em muitas direcções, com ele a criticar a maioria relativa que permitia maiorias negativas de bloqueio.

O segundo mandato de Costa, em maioria relativa com muletas parlamentares (PAN, PCP, as novas “limianas” independentes), vai-se aguentando, encostada a Belém, tropeçando aqui e ali, para além dos vários tropeções do primeiro mandato que a geringonça protegeu, e culpa-se a “percepção”.

Isto agora a seguir é apenas uma especulação, um “suponhamos”, porque me dizem que sem ideias novas, as coisas estagnam, não avançam e encalham nas águas movediças da pasmaceira.

E que tal limitar-se a um mandato o exercício de cargos governamentais (podendo voltar um mandato mais tarde), a começar pelo de PM, mesmo que seja o mesmo partido ou coligação a vencer as eleições, com eventual extensão da sua duração para 5 anos? E quanto aos presidente poderia fazer-se algo como estender o mandato para sete anos e ficar-se também por um, por causa de tudo que acarreta de cálculos o desejo de se ser reeleito como todos os anteriores?

Não Me Espanta

A falta de “cólidade” de muita informação oficial começa a ser norma. DE a culpa não é sempre dos sistemas informáticos ou dos dados na origem, mas mesmo da lata de competência do factor humano, recrutado com base em critérios muito distantes da competência técnica. E o mesmo se diga (com maioria de razão) das próprias chefias.

Os dados de vigilância epidemiológica da Covid-19 cedidos pela Direção-Geral da Saúde aos cientistas contêm “dados com caráter provisório”, que “poderão ser ainda alvo de validação” e com erros graves – entre os quais falhas na proteção da identidade e “homens grávidos”.

A Direcção-Geral da Saúde cedeu aos cientistas dados incompletos e com erros sobre os doentes com Covid-19, revela esta sexta-feira o Observador. Segundo o jornal, há homens grávidos, falhas graves na proteção da identidade e artigos científicos com dados errados.

Segundo o Observador, o ficheiro recebido pelos investigadores a 4 de agosto tem os dados dos doentes com Covid-19, como idade, sexo, se teve de ser hospitalizado, que cuidados recebeu e se recuperou ou não da doença, até ao dia 30 de junho, mas a base de dados não protege a identidade dos doentes. Mais de 90% dos mortos são potencialmente identificáveis, acusam alguns dos investigadores.

Os investigadores apontam a existência de artigos científicos com dados errados ou com “caráter provisório, que poderão ser ainda alvo de validação e que podem não coincidir com aqueles reportados pelo boletim diário da DGS”, além de falhas graves nos dados, como é o caso de homens grávidos, entre os quais uma criança de 5 anos.

conta

6ª Feira

É sempre preciso ter em conta que não estamos a lidar com gente séria. Não é “populismo” ou “demagogia” denunciar a “elite” política, em particular a que governa de forma formal ou informal, por se ter tornado essencialmente desonesta. Hoje é dia de apresentar como uma espécie de dádiva o descongelamento de carreiras e as progressões que daí resultaram. O que o Tribunal Constitucional, embora de forma timorata, considerou ilegal e apenas admissível de forma temporária, parece ter sido interiorizado por alguma comunicação social como sendo algo “normal”. E a classe política cavalga isso para dar a entender que os professores terão progredido nos últimos anos graças à sua enorme generosidade.

Chegaram 6000 ao topo da carreira? Mas ganham menos, agora, em termos líquidos, no índice 370, do que há quinze no 340. E de acordo com as regras do ECD, legislado pela “reitora” que recusou fazer a sua add, muitos mais ficaram barrados de lá chegar. Progrediram 45.000? Acredito. Mas deveriam ter sido muito mais e, em vez de um ou dois escalões, deveriam ter progredido três ou quatro.

Ok… noticiam-se “factos”. Pena que se transmita a sensação de isto serem “benesses” ou mesmo “conquistas” quando não passa da tentativa de legitimar os danos causados e as graves perdas verificadas.

Pura e simples bullshit.

Turd

Sábado

Durante muitos anos era o dia de sair para ir buscar o Expresso e saber das últimas, mesmo dando o desconto a algumas coisas plantadas a preceito pelos zeinais, granadeiros e outros que tais que agora se descobre terem sido meninos maus. De há uns tempos, não tão recentes assim, é o dia de lhe fugir e de primeiras páginas feitas por encomenda. E garanto que não sou teorizador da conspiração em relação a jornais e imprensa em geral, bastando para isso ver os anos e anos de papelada comprada e acumulada.

ardina

E O Meu Caro, Excelentíssimo Henrique Monteiro, O Que Fez A Esse Respeito?

Afinal, é um senador da comunicação social do regime, com espaço privilegiado e fixo para denunciar todas estas coisas… o que fez? Sim, sabíamos de onde Berardo vinha, mas há uma assimetria imensa entre o acesso de uns e outros ao espaço mediático para o dar a conhecer. Com tanta oportunidade podia ter feito alguma coisa, mas o que fez, caro comendador fictício das cartas a tentar a pilhéria?

Toda a gente se indignou com o modo de estar, a fanfarronice, o desbragamento de Joe Berardo no Parlamento. Não sou exceção. Há, no entanto, uma diferença substancial entre as indignações que se ouvem: aquelas de quem nada podia fazer e aquelas de quem podia ter feito alguma coisa. A estes, recomendo que se interroguem como foi possível alguém cujo passado era de todos conhecido, chegar ao ponto a que chegou.

Vanishing

 

Questões De Domingo (Com Resposta Fácil)

Onde andavam muitos dos que agora tanto se indignam com eventuais fake news quando o Câmara Corporativa publicava diariamente isso mesmo nos tempos do engenheiro, quase sempre com fonte oficiosa ou oficial disfarçada? Onde estavam certos articulistas permanentes em órgãos de “referência” que agora se encrespam contra as falsidades nessa altura? A resposta é simples: muitos del@s alimentavam o CC ou dele alimentavam as suas crónicas e então.

Quem considera que a greve dos enfermeiros é uma atentado ao SNS, manipulado por interesses privados, já foi espreitar as administrações ou conselhos consultivos dos grupos privados, com destaque para a área da Saúde (ou fundações e outras organizações periféricas) nas últimas décadas para ver se lá andam antigos ou actuais enfermeiros? Não sei se foram, mas se tivessem ido, provavelmente encontrariam políticos (da direita à esquerda próxima do actual poder) ex-ministr@s e outros ex-governantes que tanto bateram no peito publicamente em defesa do SNS mas mal puderam foram para a concorrência, sem período de nojo.

Quem se preocupa na comunicação social tanto com o anonimato do crowdfunding no apoio a uma greve não deveria ter feito alguma coisa para que se soubesse quem eram afinal os profissionais da informação (coloquemos as coisas assim) que apareciam em avenças nos Panamá Papers para ser saber quem lhes pagava o quê? Deveria, mas não fez nada, ou melhor, ocultou com argumentos, digamos assim, “assimétricos”.

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(já agora, o cronista semanal que anda quase sempre a carpir que lhe foi atribuída uma frase falsa há uma década, alguma vez se retratou das “inverdades”que escreve com uma regularidade assinalável no seu espesso tijolo de texto?)

E Que Pena Que O Jornalismo Económico Da Altura Parecesse Não Dar Por Nada E Alguns Dos Responsáveis Pela Caixa Nesse Período Ainda Aparecerem Nas TêVês Como Grandes Especialistas

Houve muito mais na CGD do que você imagina

CGD perdeu 1200 milhões em empréstimos de risco

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(agora todos se dizem chocados… por onde andaram durante esses anos? foram apenas incompetentes?)

Conversas em Família

Sérgio Figueiredo contrata Miguel Sousa Tavares para comentar na TVI, Como cereja é-lhe oferecida a condução do jornal das 8 às 2ªs feiras. Na primeira emissão, a comentar o OE para 2019 MST convida Sérgio Figueiredo para comentar com ele o tema. Ambos acham que um orçamento com 0,2% de défice previsto é “imprudente” (SF) e que beneficia pensionistas e funcionários públicos (em coro).

Mas, claro, ele não podia deixar os professores sem a dose de bílis que o faz mover.

stop-the-press