Ia Escrever Um Post Sobre “Unidade”…

depois de ler o António Duarte, no final do seu texto, a apresentá-la (mais a “luta”) como a solução milagrosa para a solução dos problemas dos docentes, mas depois decidi que ainda acabaria por aborrecê-lo, quando não é isso que pretendo. Afinal, ele não tem culpa de ser mais idealista do que eu. Ou de ter um modelo diferente do meu de detector de oportunismos. Se há algo que umas décadas disto nos ensinaram, foi a distinguir as diversas estirpes de “populismo”.

Tema-tabu, António, é quando nos dizem que não podemos discutir o que fazem os “senhores da luta” se não pagarmos para a agremiação. Ora… eu nunca paguei sequer quotas ao Sporting.

(pior mesmo, é apontar o dedo de forma clara à contradição entre o palreio público de uns e a sua prática nos corredores ou quando apanham um cadeirão à mão).

Memórias

À boleia de uma troca de mensagens com o Prudêncio sobre coisas de há mais de uma dúzia de anos.

Contra a avaliação dos docentes enquanto mistificação

Os subscritores desta declaração recusam participar numa mistificação e não vão entregar a sua ficha de auto-avaliação.

(…) Ana Mendes da Silva, Armanda Sousa, Fátima Freitas, Helena Bastos, Maria José Simas, Mário Machaqueiro, Maurício de Brito, Paulo Guinote, Paulo Prudêncio, Pedro Castro, Ricardo Silva, Rosa Medina de Sousa e Teodoro Manuel (professores)

Público, 13 de Junho de 2009

5ª Feira

Aguardo, com alguma paciência e muito desinteresse, pelos apelos intensos à “luta” por parte daqueles que a adormeceram meia dúzia de anos em troca de uns lugares para os camaradas em alguns nichos do Estado e mais uns méreis de mel mal coado. Chamem-me depois desertor da luta, se eu apresentar dúvidas ou críticas, que eu vou rir-me muito.

Pode Parecer Estranho…

… mas o “poder negocial” dos professores está praticamente resumido ao nosso “envelhecimento”. Ou seja, se não formos nós, quem há? Ou ainda de forma mais explícita, quem há que faça o que fazemos, mesmo se cada vez se exige menos em termos académicos e científicos aos professores e mais em termos administrativos e burrocráticos?

5ª Feira

A penúltima crónica do ano para o Educare

Com várias turmas em isolamento, a escola assumiu nestas duas últimas semanas aquele carácter de atl informal de que tanto se fala, meio em brincadeira, meio a sério, sobre alguns dos seus aspectos no resto do ano. Valha-nos, portanto, o “convívio” que ainda é o melhor que levamos de um ano em que se demonstrou que a aprendizagem dos decisores é lenta e raramente avança se existirem preconceitos e interesses bem instalados nas mentes e/ou gabinetes.

Isso Inclui Votar Contra Todas As Iniciativas Que Escapem Ao Controlo Certo?

Porque eu ainda me lembro de terem votado contra iniciativas legislativas, argumentando que não eram oportunas e que não sei o quê (o camarada Mário não tinha assinado e o Comité Central não tinha aprovado).

Acabaram-se os vouchers da Telepizza?

PCP defende medidas “efetivas” para “valorizar” carreira docente

Uma Petição A Subscrever

Não apenas pelos directamente interessados, mas por todos os que se preocupam com um mínimo de Justiça em todo este tenebroso processo de ADD, mesmo que tenham estado distraídos desde 2012 com o congelamento, que estejam já livres do ordálio ou que não percebam que, mesmo podendo estar agora “fora”, quando estiverem “dentro” passarão por este disparate.

Pessoalmente, já me livrei deste processo, mas continuo a achar que é vergonhoso um sistema que produz iniquidade sobre iniquidade e que fica tantas vezes nas mãos de gente que nem aulas dá ou que aproveita a ocasião para vinganças pessoais. Ou que, resultado de torcicolos formais indecorosos e sem qualquer pingo de legalidade, coloca gente sem qualquer competência especial a decidir do futuro alheio, como secções de add com membros com posições na carreira abaixo daqueles que avaliam ou acerca de quem decidem “desempates”. E não me digam que não é assim, porque os casos concretos tenho-os vindo a conhecer (de novo) nas últimas semanas numa sucessão de horrores formais ou informais. De recomendações telefónicas a avaliadores para sunbstituirem, descendo, as classificações dos avaliados depois de já preenchidas a completos acordos de bastidores sobre quem deve ser lixado com um grande PH na avaliação interna, passando por disparidades enormes entre as práticas e critérios de agrupamentos diferentes.

Mas chega… assinem a justíssima petição criada pelo Arlindo em cuja ideia outros se penduraram por artes do espírito santo de orelha e deixem-se de tretas, como as das araras que polvilham certos grupos de “professores” onde há de tudo um pouco, sem desprimor para outras profissões. Ou professores que mais valia serem capachos à entrada do ministério ou de um outro qualquer gabinete, não esquecendo certos “lutadores” da boca para fora, que só por lá andam para “bufar” o que lêem e a quem. E quem não gostar do que escrevi, que “desenfie” o barrete.

Pelo fim das vagas no acesso ao 5.º e 7.º escalão da Carreira Docente

Pós-Realismo

Os tempos são outros. A ditadura hoje é muito mais maquiavélica porque não se apresenta como tal. Vivemos todos convencidos de que somos livres, e todos os dias nos impõem mais uma coisa contra nós, que não sabemos como rejeitar. Não é contra ti nem contra o teu vizinho: é contra todos, e todos são objecto de um roubo que vem de fora, mas que é executado como se fosse uma coisa natural, explicada com argumentos que até parecem lógicos, e que deixam um sabor amargo na vida que não sabes de onde vem.

E pensei: estas mudanças deixam-me melancólico. Dantes, a revolução fazia-se com metralhadoras, com bombas, hoje de nada serviria. Os exércitos que nos ocupam são invisíveis, não têm quartéis.

(…) A diferença é que a morte já não é imediata nem violenta, mas as assinaturas que eles põem nos seus decretos continuam a ter o mesmo efeito, pode ser ainda a mais longo termo, pode não ter o efeito doloroso que o outro método tinha, mas é da extinção dos povos que se trata, reduzi-los à miséria, à mendicidade. E é mais difícil reagir contra funcionários, contra burocratas, sobretudo quando se ficou sem nada, quando tudo o que conta é a salvação individual, e a vida perdeu todo o sentido. É isso que torna a revolução impossível, quando os pobres não têm a capacidade das antigas massas para derrubarem os governos.

Nuno Júdice, Implosão, 2013, pp. 33, 35.

Quanto Custa Um Orçamento?

Pouco. Apenas uma leitura extremamente literal da lei, ao contrário de interpretações criativas em outras situações. Fazendo as contas, ficou na folga das cativações.

(não sei se notam o desvio à direita da imagem… se calhar fui demasiado subtil e precisei desta legenda que a malta anda mesmo mal em termos de literacia sarcástica)

Obrigado, Fenprof!

Eu sei que há quem por aí desconfie da minha atitude, mas há momentos de sintonia. Um deles é este, embora aquele parágrafo final me deixe insatisfeito, porque “aceitar reunir” é uma coisa, negociar a sério é outra.

Por último, a greve abrange todas as atividades atribuídas aos avaliadores externos (formação, preparação, deslocação, observação, elaboração de registos e reuniões), no âmbito da avaliação de desempenho dos professores, sempre que lhes sejam impostas para além das horas de componente não letiva de estabelecimento, ainda que remuneradas como serviço extraordinário, ou, ainda que integrem aquela componente, quando obriguem a alterações na organização da componente letiva, como a realização de permutas ou a marcação de aulas para tempos diferentes dos previstos no horário estabelecido. 

O disposto nos parágrafos anteriores aplicar-se-á independentemente de o serviço em causa, letivo ou não letivo, dever ocorrer presencialmente ou a distância. 

Esta greve será suspensa a partir do momento em que o Ministério da Educação aceite reunir, com vista à eliminação de todos os abusos e ilegalidades que atingem os horários de trabalho dos docentes garantindo, dessa forma, o respeito pela lei.