2ª Feira

Hoje, ao fim da manhã, em alterosas declarações à TSF, reencontrei uma velha conhecida: a sindicalista Ana Avoila, desaparecida misteriosamente durante quatro anos, ao longo dos quais fez fantasmáticas e ocasionais aparições que provaram estar viva, mas com a alma amarrada. Hoje, com muita força pá luta, já parecia capaz de levantar montanhas e pousá-las no mesmo sítio onde estavam.

fantasma

Já Algum Governante Ameaçou Demitir-se? Ou Mandou Vir Pizzas?

Greve de professores em Chicago põe em causa o sistema político

(…)

A greve denuncia a atuação dos dois partidos políticos nos Estados Unidos e mostra como nos últimos anos tornaram a educação num negócio e como o tratamento negligente do setor escolar em Chicago obedeceu a um projeto para “refazer” o sistema educativo, para criar cidadãos dóceis que aceitem as condições de trabalho das grandes corporações financeiras.

Os professores pedem mais e melhores condições, especialmente para alunos com grandes dificuldades sociais, tal como acontece com as comunidades afro-americana e hispânica. Querem menos alunos por turma, que o número de testes seja reduzido, que os professores mais experientes tenham um salário maior. Pedem também trabalhadores da Segurança Social nas escolas e mais profissionais que ajudem os alunos com necessidades especiais, um enfermeiro e um bibliotecário por cada escola.

A ler:

As the Strike Approached in Chicago, Teachers Taught Labor

“I asked the kids, ‘Do you want to know what we’re fighting about?’” said one teacher. They did.

Teacher strikes are changing. The Chicago walkout proves it.

They’re about much more than pay raises.

LIVE UPDATES: Protesters seek to take over Lake Shore Drive, but police push back

sindicatooo

Treinaram Com Os Professores E Enfermeiros…

… e na altura não me lembro do Manuel Carvalho ter-se preocupado. Será que agora é porque a greve é no sector privado?

Nunca como hoje o Governo, os partidos da esquerda, os partidos da direita, a imprensa e até o Presidente de República se colocaram de forma tão clara e deliberada do mesmo lado da barricada. Nunca um sindicato, uma luta laboral e uma classe profissional foram tão ostensivamente isolados e censurados como nesta greve.

brainstorm

A Lei Da Greve Até Pode Continuar A Existir Formalmente…

… mas na prática morreu. Como naqueles regimes em que existem formalmente eleições, mas em que os resultados calham sempre à casa, neste momento só existirão greves, no sector público ou privado, quando não perturbar quem manda nos cordelinhos dos serviços máximos e da requisição civil (ou dos militares). E tudo no turno das “esquerdas”. Fosse isto no Brasil do Bolsonaro (ou na França ou Itália) e já haveria aí alminhas a gritar contra o regresso do fascismo. Por cá, até há sindicalistas a aplaudir, de forma mais ou menos encoberta. Ou artigos disparatados (tipo bssantos há dias) contra uma anémica extrema-direita que dificilmente faria pior do que isto.

À meia noite eram três governantes (incluindo aquele do ambiente que nem se percebe se foi o que estava mais à mão), em directo ou diferido nas televisões a lavar-nos mais branco o fim de um dos princípios da liberdade.

Wall

 

2ª Feira

Após uma derrota clara, há várias maneiras de lidar com as suas consequências, desde negá-la ou dizer que se perdeu agora, mas se ganhará num futuro radioso (ou nos Céus 🙂 ) até à dispersão de tentativas para encontrar um caminho alternativo de “luta”, o mais depressa possível, para continuar a dar uma aparência de movimento e assim mitigar a tal sensação de perda e o desânimo consequente. Observo e leio diversas “estratégias”, a maior parte delas repetidas de outros momentos parecidos, e quase nenhuma tem a mínima hipótese de mobilizar mais do que minorias de activismo de consumo rápido. Entendo a urgência de dizer que não existiu rendição, mas seria melhor fazer uma pausa e analisar as condições que levaram a que as coisas se tivessem passado como passaram. Sem duas coisas: sem os “líderes” culparem as “massas” a a “classe docente que temos”, porque se assim é, talvez fosse mais indicado irem liderar os mineiros da Inglaterra nos anos 80; e, já agora, sem arranjarem explicações retroactivas que desculpabilizam sempre os mesmos ou os que têm o cartão ou camisola certa.

Por fim, estou cansado de vendedores de ilusões ou de gente que acha que tem a passada maior do que a perna. Cada um@ de nós deve ter a noção do que é capaz, ou não, de fazer ou de estar disposto a sacrificar, não esperando sempre que sejam os outros a tratar do problema e depois logo se vê. Este não é um problema da classe docente, é da natureza humana.

keepcalm