2ª Feira

Após uma derrota clara, há várias maneiras de lidar com as suas consequências, desde negá-la ou dizer que se perdeu agora, mas se ganhará num futuro radioso (ou nos Céus 🙂 ) até à dispersão de tentativas para encontrar um caminho alternativo de “luta”, o mais depressa possível, para continuar a dar uma aparência de movimento e assim mitigar a tal sensação de perda e o desânimo consequente. Observo e leio diversas “estratégias”, a maior parte delas repetidas de outros momentos parecidos, e quase nenhuma tem a mínima hipótese de mobilizar mais do que minorias de activismo de consumo rápido. Entendo a urgência de dizer que não existiu rendição, mas seria melhor fazer uma pausa e analisar as condições que levaram a que as coisas se tivessem passado como passaram. Sem duas coisas: sem os “líderes” culparem as “massas” a a “classe docente que temos”, porque se assim é, talvez fosse mais indicado irem liderar os mineiros da Inglaterra nos anos 80; e, já agora, sem arranjarem explicações retroactivas que desculpabilizam sempre os mesmos ou os que têm o cartão ou camisola certa.

Por fim, estou cansado de vendedores de ilusões ou de gente que acha que tem a passada maior do que a perna. Cada um@ de nós deve ter a noção do que é capaz, ou não, de fazer ou de estar disposto a sacrificar, não esperando sempre que sejam os outros a tratar do problema e depois logo se vê. Este não é um problema da classe docente, é da natureza humana.

keepcalm

É Pouco

Há que desejar mais do que esse plafond que é escasso, Acreditem que os honorários de bons advogados em Direito Administrativo (não confundir com alguns que se armam em tal), mais as custas implicam muitos milhares de euros. Sei do que falo, não apenas por causa de pareceres que foram pagos pelo fundo do Umbigo mas também do apoio dado a um processo levantado contra o ME, quando o SPGL deixou de financiar a causa.

Professores abrem conta para levar Estado aos tribunais europeus

Objectivo é juntar 8000 euros para interpor acções contestando forma de recuperação do tempo de serviço. Processo tem que passar primeiro pelos tribunais nacionais.

Conselho adicional: cuidado com a divulgação de nib’s que podem ser usados para algumas pessoas de muito má índole irem a um atm e colocarem lá a pagamento as suas contas. Sei do que falo, pois levei anos a caminho do banco a anular operações de criaturas sem vergonha, uma das quais meteu a pagamento uma assinatura da DECO, enquanto outra todos os meses testava contas da MEO, etc, até eu ter de encerrar mesmo qualquer possibilidade de movimentos da conta. Aprendi até que ponto a desonestidade e o ódio visceral de alguns operacionais ortodoxos podem ir.

Divulgo, mas com a ressalva referida:

Fundo Judicial

O Meu Depoimento Para O Público De Hoje (Incluindo As Partes Que Me Podem Dar Nova Denúncia Por Parte De Virgens Ofendid@s)

– Para que escalão progrediu em 2018 com o descongelamento das carreiras? Na prática, em que é que se traduziu essa progressão (vencimento)?

Em 2018 progredi para o 6º escalão da carreira docente Índice salarial 245) legislada em 2007. No mês em que essa progressão teve efeito, recebi 25% do valor, o que correspondeu então a 9,67 euros.

– Em que escalão estaria se as carreiras não tivessem sido congeladas?

Quando as carreiras foram congeladas pela primeira vez em 2005, eu estava no 7º escalão (índice 218) da estrutura então em vigor, a menos de um ano de mudar para o 8º. Por essas regras eu já estaria no antigo 10º escalão (índice 340).
Pelas regras posteriores a 2007 (com escalões de 4 anos em vez de 3), sem congelamento, atendendo a que tive uma bonificação de 6 meses por ter concluído doutoramento em 2007 (com aplicação retroactiva da lei), deveria estar a meio do actual 8º escalão (índice 299).
.
– Com o diploma do Governo só beneficiará do tempo de serviço daqui a quanto tempo? E pelo caminho tem ideia por quantos será ultrapassado?
.
Com a proposta actual, tendo passado ao 6º escalão em Março de 2018, só poderei beneficiar da “bonificação” quando voltar a mudar de escalão, em Março de 2022, com efeitos remuneratórios em Abril desse ano.

Não faço ideia de quantos colegas me ultrapassarão entretanto, mas certamente todos aqueles que acedam ao 6º escalão nos anos de 2019 e 2020 que, desta forma, acederão ao 7º escalão antes de mim, com a correspondente compensação salarial.

– Que expectativas ainda tem quanto à sua carreira?

Muito poucas, porque verifiquei que nos últimos 15 anos as políticas desenvolvidas procuraram, por diversas vias, retardar a progressão dos docentes, mesmo os que obtiveram habilitações adicionais, retirando a toda uma geração a perspectiva da chegada ao topo antes de uma aposentação aos 70 anos. A desmotivação e o desânimo associam-se a uma natural fúria contra quem consegue, apesar dos actos concretos que se conhecem, ter a falta de pudor em falar na “revalorização da profissão docente”.

– Vai estar na manifestação de dia 23? Se sim, porquê? Se não, porquê.

Não estarei porque, depois de um pequeno período de benefício da dúvida há uma década e de mais recentemente ter aderido às greves às avaliações de 2013 e 2018, considero que o sindicalismo docente parou no tempo, perdeu lucidez e insiste em estratégias que, com a actual fórmula política que apoia o governo, são completamente controladas pelos directórios partidários. Para além disso, não me sinto representado por pessoas que não partilham o quotidiano da maioria dos docentes há décadas, não passando de sindicalistas profissionais por opção.

– Que idade tem, quando começou a dar aulas e quando ingressou na carreira

Tenho 53 anos, a dias dos 54, tendo começado a dar aulas em Março de 1987, quando ainda tinha 21. Ingressei em quadro de zona pedagógica em 1998/99, sendo posicionado na carreira, depois de concluir a profissionalização, em Junho de 2000; entrei em quadro de agrupamento em 2005/06.

PG Ler Jun18 (2)