A Ler

(…) recorde-se o saudoso Eduardo Prado Coelho: “Uma ideologia é sempre um conjunto de interesses inconfessáveis.” Qualquer que seja o significado ou a concepção que se tenha de ideologia (historicamente inquestionável no desenvolvimento humano), o leque existente não tem escapado ao desfile de interesses inconfessáveis para comprometer os descomprometer quem governa ou quem se opõe. O país, as pessoas e a pandemia mereciam mais. 

2ª Feira – Dia 22

Atendendo ao atraso na publicação pelo Educare, fica aqui.

Testagem

Levei a passada semana a ouvir dizer que o desconfinamento irá começar pelas escolas, porque isso é essencial para que a economia se reanime e a sociedade retome uma certa “normalidade”. Existiram outros argumentos, mas vou deixá-los de parte, porque alguns são demasiado ridículos ou baseados em situações particulares que se querem fazer passar por “interesse geral”.

Ao mesmo tempo, pareceu-me encontrar um consenso alargado acerca da necessidade de proceder a uma testagem massiva de alunos, pessoal docente e não docente das escolas para que estas possam reabrir em segurança, não apenas para quem lá andará, mas de igual modo para as tais “bolhas” familiares que acabam por se cruzar de forma indirecta nos corredores e salas de aula.

Concordo, acho uma medida óbvia e sensata. Aliás, parece-me imprescindível agora, como me pareceu em Setembro ou em Janeiro, quando tiveram início o 1º e 2º períodos. Até porque durante o Verão se deu a conhecer publicamente que existiam centenas de milhar dos chamados “testes rápidos” disponíveis para o efeito.

Mas nada aconteceu.

Agora ficou mesmo feita uma promessa de que a testagem nas escolas iria a avançar.

Mas parece-me existir um problema logístico evidente. Se é para reiniciar aulas do pré-escolas ao 2º ciclo existem centenas de milhar de alunos e dezenas de milhar de educadores, professores e auxiliares para testar. E isso deve ser feito antes de recomeçarem as aulas presenciais e não durante. Não se podem reabrir as portas das escolas e salas e ir testando a ver no que dá. A testagem deve ser necessariamente prévia. E é aqui que eu tenho algumas dúvidas, a mesmo que o reinício seja mesmo, mas mesmo, faseado. Porque os meios humanos e técnicos para fazer perto de um milhão de testes não se ergue numa semana, mesmo entre nós, povo que de quando em vez gosta de se atribuir qualidades quase supernaturais de engenho e arte no desenrascanço.

O que fizeram outros países no contexto da reabertura das escolas? A Eslováquia, um dos países que também foi muito atingido pela segunda vaga pandémica logo em Outubro, testou em massa a sua população. A Áustria seguiu o seu exemplo. Na Alemanha, por exemplo, a testagem em massa nas escolas arrancou há três meses em algumas regiões. Em França, começou em Janeiro. A Irlanda publica semanalmente relatórios dos seus testes nas escolas.

O anúncio nacional da testagem generalizada, com promessa de governantes e tudo, não pode ser outro caso de mera propaganda como aconteceu em Abril com os meios que se iriam disponibilizar a partir de Setembro para o ensino à distância e depois veio “clarificar-se” que era desígnio para todo um mandato.

A testagem em massa é essencial para a segurança geral e não apenas de quem está nas escolas. E é muito importante para começarmos a abandonar a percepção de que há anúncios e promessas que se fazem apenas para efeitos de oportunismo político e mediático. O passado recente já demonstrou as consequências dramáticas dessa atitude.

Cansativo

O Expresso volta à carga e manda saber que “ninguém fecha tanto as escolas quanto Portugal”. E faz uma lista de países e tempos de encerramento, destacando os que nunca abandonaram o ensino presencial ou os que a ele já voltaram. De forma quase envergonhada, lá se confessa que fomos os que tivemos a maior incidência de covid no início de 2021, mas quase como se isso não fosse razão mais do que suficiente. O que fica também por analisar com detalhe? O que os outros países fizeram no contexto da reabertura das escolas. Na Alemanha, por exemplo, a testagem em massa arrancou há três meses em algumas regiões. Em França, a testagem em massa começou em Janeiro. A Eslováquia, um dos países que também foi muito atingido pela segunda vaga pandémica logo em Outubro, testou em massa a sua população. A Áustria seguiu o seu exemplo. A Irlanda publica semanalmente relatórios dos seus testes nas escolas. Há muito mais exemplos de boas práticas que não ficam apenas por proclamações políticas e pressões mediáticas.

Querem a reabertura das escolas? Dois conselhos: passem à acção (governantes) e informem melhor (certo jornalismo mais opinativo do que outra coisa).

5ª Feira – Dia 18

De acordo com uma sondagem conhecida ontem, mais de 80% dos inquiridos concorda com o fecho das escolas e que elas assim se mantenham nas próximas semanas. Este resultado entra em claro conflito com a atitude de grande parte da opinião publicada e mediatizada. Porque se lermos ou ouvirmos muito do que surge nos jornais ou nos canais televisivos de notícias, ficamos convictos que a maioria dos portugueses está contra o encerramento das escolas e as quer abertas o mais depressa possível.

Eu Entendo, Nós Entendemos, A Maioria Dos Portugueses Entende, Mas Há Uma “Bolha” De Notáveis Que Desentende

Abrir as escolas com um Rt de 0,98 “ é mais do que imprudência, é quase procurar problemas sérios”

E é bom que se perceba que o “faseamento” ou desconfinamento “por concelhos” deve ter em atenção fenómenos de proximidade e mobilidade intermunicipal. Porque aqui em casa ninguém trabalha no concelho de residência.

O Povo Tem Os Seus Momentos

Raramente coincidindo com certas “bolhas” de notáveis, que gostam de se apresentar como falando em nome do “bem comum”, até porque a vida não é a mesma. Só falta aparecerem, como o outro tipo que teve de se demitir da vacinaçáo, a dizer que quem assim pensa é tudo malta que vota no Chega.

Esmagadora maioria dos portugueses quer manter escolas fechadas

No Público Online

Eu podia ficar calado, mas não seria a mesma coisa.

Li com natural interesse e atenção a carta aberta que amanheceu esta terça-feira na comunicação social. Embora no momento em que a li já tivesse mais de duas centenas de subscritores, só o currículo conjugado da centena inicial deixa qualquer pessoa subjugada e com receio de levantar a mínima reserva ao saber, que assim fica por demais evidenciado. Só lamento que, nos casos aplicáveis, quase todos tivessem deixado de fora a qualidade que partilham comigo e que é a de também serem mães, pais e, portanto, encarregados de educação.

Apesar de intimidado, alguma destemperança natural faz-me questionar alguns dos pressupostos e propostas que se fazem em tal documento, por considerar que carecem de um necessário bom senso, que nem toda a formação académica do mundo consegue prover.

Quem? Eu?

E com um artigo que por aí há-de aparecer, vou ficar de forma irrevogável na lista negra dos cartistas e demais “istas”, para usar a terminologia do Carneiro Jacinto no mesmo programa.

Tem vídeo e tudo, que é para o registo ficar para a posteridade digital. Porque a SIC lhe está a dar este destaque é assunto que fica para estudo aprofundado.

A reação de Paulo Guinote a uma carta que pede a reabertura urgente das escolas ao primeiro-ministro, restantes membros do Governo e ao Presidente da República.

Sim, A “Reabertura” Correu “Bem”

E muita coisa foi bem feita, mas muita outra nem tanto, o que dá duas “muitas” numa só frase que assim fica duplamente indefinida. Claro que depois da “reabertura” tem havido o “funcionamento” e sobre isso muito haveria a dizer, desde logo acerca dos riscos que uns correm mais do que outros e dos silêncios que funcionam como a almofada contra a “insegurança”, porque a “confiança” é muito importante.

Claro que faltam professores, os prometidos meios informáticos não chegaram e as salas de aula são uma espécie de “zonas francas” em relação às regras da DGS, mas o que interessa verdadeiramente isso, a não ser a gente sem uma visão “ampla” de tudo isto?

Sondagem: Só 17% acha que a reabertura das escolas correu mal

A partir dos mesmos dados, o Expresso parece-me ainda mais “positivo”:

Sondagem: 42% dos portugueses considera que reabertura das escolas “decorreu de forma positiva”