Sim, A “Reabertura” Correu “Bem”

E muita coisa foi bem feita, mas muita outra nem tanto, o que dá duas “muitas” numa só frase que assim fica duplamente indefinida. Claro que depois da “reabertura” tem havido o “funcionamento” e sobre isso muito haveria a dizer, desde logo acerca dos riscos que uns correm mais do que outros e dos silêncios que funcionam como a almofada contra a “insegurança”, porque a “confiança” é muito importante.

Claro que faltam professores, os prometidos meios informáticos não chegaram e as salas de aula são uma espécie de “zonas francas” em relação às regras da DGS, mas o que interessa verdadeiramente isso, a não ser a gente sem uma visão “ampla” de tudo isto?

Sondagem: Só 17% acha que a reabertura das escolas correu mal

A partir dos mesmos dados, o Expresso parece-me ainda mais “positivo”:

Sondagem: 42% dos portugueses considera que reabertura das escolas “decorreu de forma positiva”

Infelizmente, São Mais De 20

A Renascença até tem um mapa interessante sobre a geografia dos casos de covid nas escolas, mas os dados são muito incompletos. Claro que há escolas que não reportam sequer o que se passa (ocorre-me um colégio daqueles do topo dos rankings que tem conseguido escapar às notícias, por dariam má publicidade) e outras cujas comunicações podem chegar com algum atraso (na zona do Grande Porto já me comunicaram muito mais casos do que aqueles que são ali apresentados). E a imprensa local vai dando conhecimento esporádico de outros.

Sim, não há “risco zero” e também entendo que existindo mais de 800 “unidades orgânicas”, o número é relativamente baixo e não alarmante, mas é penas que com tanta plataforma e reporte de dos para o ME, tal como com outros assuntos, os actuais ocupantes tenha da transparência um entendimento muito assimétrico.

Os Limites Do Pensamento Mágico Acerca Das “Bolhas”

No passado, num par de situações mais complicadas em que a minha intervenção no decorrer/resolver de uma situação não era possível, terei entrado pelo que uns chamam crença na sorte, esperança no acaso, Fé. Aquilo que podemos considerar “pensamento mágico”, ou seja, tudo vai acabar bem ou porque achamos que somos bons e não merecemos tão má sorte ou porque não temos maneira de controlar o que se passa e acreditamos que com a força de vontade a realidade poderá aceder aos nossos desejos. Tirando um caso (a confirmar junto do Vaticano ou da Autoridade Internacional para as Leis do Acaso) , a coisa nunca funcionou e duvido sempre que funcione.

E estamos a viver em cima de uma crença irracional em que tudo vai correr bem, porque se acha que até estamos a fazer as coisas da forma correcta e o melhor possível e que… “risco existe sempre”.

Não é bem assim.

Há muita coisa a ser mal feita, a começar pela inépcia de um discurso político que muda conforme os dias da semana, as horas do dia e o público-alvo, enquanto se vende “segurança” e se pretende “confiança”.

No concreto, conheço melhor o que se passa nas escolas, os tais espaços de alegado mínimo risco, no qual trajectos diferenciados irão assegurar que as “bolhas” se mantenham quase estanques e (quase) imunes a contágios. O problema maior, para além da impossibilidade do pensamento mágico funcionar a uma escala tão global, é que a teorias das “bolhas” é uma enorme mistificação e a sua fundamentação profundamente falacciosa. Todos os dias, cada “bolha” (de docentes, de pessoal não docente, de alunos) se reconstitui a partir de dezenas ou centenas de outras “bolhas” exteriores às escolas, sobre as quais pouco ou nada se sabe. E as “bolhas” também aumentam dia a dia, com a entrada de novos elementos (sim, as turmas começam a aproximar-se ou a ultrapassar os limites máximos “legais”, mesmo em contexto de pandemia). E cruzam-se em espaços que são comuns, por muito que digam que o não são, em particular em escolas onde continuam a existir muitos equipamentos partilhados por quase toda a gente.

Não pode ser de outra forma?

Em parte, talvez seja verdade, mas nem tudo tem sido devidamente prevenido ou, pelo menos, tem sido pensado olhando de cima e raramente do piso térreo do corredor ou do pátio das escolas. Há muita asneira mal disfarçada, muito equívoco “conceptual” (a começar pela “teoria das bolhas”) e muita crença em arco-íris resplandecentes. Tem sido feito “o melhor possível” e “sempre que possível”? Não chega. Já não está a chegar. Não vai chegar. Não ´é alarmismo. É apenas o conhecimento directo das coisas, tal como elas são. Tomara eu que não fosse assim. Mas está a ser.

Há quem esteja muito pior? Acredito, mas o argumento da mediocridade como benchmarking é muito débil.

E começo a ficar farto daqueles tapetes do ikea…

(e é tão interessante ver colégios “de topo” a ignorar por completo nos seus sites o que se passa, preferindo os “contactos pessoais”  – não presenciais, claro – para comunicar as ordens de marcha para casa…)

Universos Paralelos

Há o das escolas das reportagens televisivas que, num espírito de admirável cooperação como governo no sentido de uma mensagem de “confiança”, que assegure ao país que os espaços escolares são seguros, no qual aparecem salas bem iluminadas e arejadas, com carteiras individuais, bem espaçadas e grupos de 12-15 alunos e tudo o que parece próprio de um país do 1º mundo em tempos de pandemia e há o de muitas outras escolas que se debatem com problemas de gestão de espaço e condições ligeiramente menos próprias para a mensagem oficial nas parcerias Governo/SIC ou Governo /TVI.

Hoje, uma turma já com 27 alunos (apareceram 25, mais uma que não sabia onde estava e acabou por ir em busca da turma certa), em mesas duplas, numa sala que até é das maiores da escola, mas no máximo consegue ter 30 lugares. Se algum “vizinho” recusar mais transferências ou alguém chegar de fora, já sei que ficarei a caminho dos 30, mesmo com 1 PEI à mistura e mais tudo aquilo que vou agora descobrindo. Com a chuva e ventania matinal, janelas quase todas fechadas… porta aberta para corredor interior de passagem para outras salas.

Ora bem… eu até lido com isto com a “resignação”/compreensão mínima indispensável, mas o que dirão os encarregados de educação que vêem na televisão uma coisa e os seus educandos lhe descrevem outra completamente diferente? A culpa é das “escolas”, dos “professores”, que não se souberam “organizar” devidamente com tanta “autonomia” que lhes foi dada? Pois… quase se entende essa tentação.

Como também sou encarregado de educação e a turma da petiza vai em 29, até posso pensar que é um complot. Para mais porque a DT da cara-metade vai em 27, também em circunstâncias físicas similares. Que me enviaram para o “planeta mau”, tipo bes falido, e que os outros estão todos no universo goldman sachcs do durão.

Era bom que a “informação” fosse menos propaganda oficial mal disfarçada, porque algum jornalismo desacredita-se a si mesmo ao apresentar campos floridos quando há quem olhe em redor e muito além e só veja poeira no ar.

E não me venham com a necessidade de ser “positivo”, de a encarar tudo como uma oportunidade, porque ainda lhes digo que, nesse caso, falecer é uma belíssima oportunidade de fugir ao fisco.

Uma Enorme “Positividade”

Globalmente, o prémio terá de ser dividido entre o Filinto Lima e o ministro da Educação.

O primeiro porque, com um discurso que até conseguiu fugir à total demagogia de outros, se multiplicou em declarações para tranquilizar a opinião pública quanto à segurança dos espaços escolares (mesmo se já se tentou explicar que o maior problema não é esse); foi curioso o encontro de amigos junto à sua escola-sede com o João Dias da Silva (que até disse que os alunos que vamos receber esta semana não são os mesmos que deixámos em Março, como se ele tivesse deixado alguns ou fosse receber seja quais foram) e o pai Ascenção da Confap.

.O segundo porque em mini-entrevista à TVI, numa bem escolhida sala com carteiras individuais para os alunos, parecia uma picareta falante, a despejar todo o guião a cada pergunta, mesmo quando respondia completamente ao lado da pergunta, como quando disse que tinham uma lista ordenada de professores para assegurar substituições. Sim, homem, tens uma lista. E se a lista não tiver gente suficiente ou se a maior parte de declarar indisponível para passear pelo país nas actuais condições? Por outro lado, a máscara pareceu melhorar-lhe o discurso e não pisca-piscou tanto como é habitual. Já agora, o “regime excepcional” de protecção com que encheu tanto a boca é aquele que ao 31º dia deixa de pagar salário aos trabalhadores de risco, certo?

O prémio “estou aqui, mas não queria” vai para o SE Costa que, na generalidade dos instantâneos televisivos, apareceu ali mais na linha de fundo, fora de grandes ajuntamentos, não vá o bichinho tecê-las.

Por fim, quanto ao PM, realmente o lugar dele é mesmo a tirar fotos na final da Champions no camarote dourado da Luz, porque cada vez é mais difícil ouvi-lo sem um enorme enfado com aquele ar de quem sabe que está garantido no lugar, enquanto garantirem que o psd está reduzido a minions e a esquerda espera por aljubes e outras coutadas.

Assincronias

Via num canal noticioso, escolas já com turmas em aula, com 10 a 15 alunos por sala. Mas há outras em que os alunos nem sabem ainda os horários. Sim, claro que devemos olhar para o copo meio cheio. Mas há quem ande com sede e isso provoque natural ansiedade. Sim, tudo isto é muito difícil, mas há quem, em certas alturas, queira os “prémios”, mas correndo devagarinho.

Mais Informação Credível, Por Favor

Reopening schools during COVID-19

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Coronavirus disease 2019 (COVID-19) is upending education. Operating schools during the pandemic entails balancing health risks against the consequences of disrupting in-person learning. In the United States, plans differ among states as schools have already reopened or plan to reopen. Scientific understanding of severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 (SARS-CoV-2, the cause of COVID-19) should inform how schools reopen.

Although school children and adolescents (ages 3 to 18 years) can develop COVID-19, most remain asymptomatic or experience mild illness. These youngsters may be less susceptible to infection than older individuals but probably spread the infection at similar rates. SARS-CoV-2 infections in children and adolescents are rising faster than in other age groups as restrictions have been eased. Infections have been imported into schools from the community. But further transmission within schools has been rare when rigorous measures have been implemented to reduce the risk of person-to-person spread. Larger school outbreaks are associated with increased community transmission, insufficient physical distancing, poor ventilation, and lack of masking. Schools that implemented transmission mitigation measures (including in European countries) seem not to have substantially contributed to increased circulation of the virus among local communities.

(…)