Ainda Bem Que O Negociador-Mor A Acha “Afável”…

… conforme declarações relativamente recentes ao Expresso. Uns anos antes tinha-o lido a elogiar o ministro que depois “desamigou”. No caso da ministra Leitão, parece que o a História só se pode reescrever se não for na totalidade. Não pode ser “completamente”. Apaga-se, por exemplo, o máriojamé  ou o paulodoscampos, mas ainda se ia deixando ficar o vitalino e o engenheiro não se deixa rescrever.

“É impossível reescrever completamente a história”, disse esta terça-feira a governante aos deputados, em audição pública. “Recuperar dez anos de perda de poder de compra é algo que não sei se é sequer possível”, considerou quando questionada sobre que propostas de compensação para os funcionários públicos o governo estará disposto a ponderar num ano em que o aumento para a generalidade dos trabalhadores fica limitado a 0,3%, com referência à inflação do ano passado.

Por 10 anos, subentende-se que 6 são de governos PS, certo?

Leitão

4ª Feira

Enquanto no Parlamento desfilam “empreendedores”, certamente muito “liberais” e “inovadores” a quem durante anos a fio a Caixa (e não só) emprestou dinheiro a fundo perdido, a polícia vai cobrar dívidas fiscais para a auto-estrada e o Hospital de São João trabalha com uma máquina de radioterapia com 20 anos que já nem é produzida, porque a outra está sempre a avariar e atrasa os tratamento de doentes oncológicos em meses. Parecendo que não a história (em crescendo) dos nossos últimos 30 anos explica tudo isto e muito mais incluindo o Centeno de Harvard Y Eurogrupo com o seu majestoso défice zero. À custa de quem? Do Berardo e sucedâneos, não, que se riem e certamente arranjariam tratamento onde quisesse, fosse qual fosse o custo. Porque são gente de maior qualidade a quem só perguntam como arranjaram o dinheiro dos bancos mas nunca onde o enterraram exactamente.

Shame

(claro que a culpa ainda é em 2019, depois de tanta reversão, da troika e dos professores…)

São Estes O Tempo E O Modo Do PCP?

Agora imaginemos que se estava com um governo de “Direita” e era feita uma proposta destas, com tamanha responsabilidade orçamental e preocupação com a sustentabilidade?

Mas quando é para pagar as dívidas da banca só fazem que barafustam mas nada propõem de alternativo?

Em 2025 quantos docentes já terão saído da carreira sem nunca verem justiça ser feita?

Já agora, em 2019 quantos professores recuperam os 1027 dias?

PCP propõe repor mais tempo de serviço aos professores entre 2020 e 2025

Comunistas vão propor a reposição de 2.384 dias do tempo de serviço congelado aos professores ao longo de seis anos, entre 2020 e 2025, além da devolução de 1.027 dias já decidida pelo Governo para 2019.

Frade

(PCP nacional = PSD madeirense?)

6ª Feira

Há paradoxos matinais que não espantam quem conhece as múltiplas faces do nosso sindicalismo. O facto de existirem mais avisos de greve em 50 dias do que num ano de Passos nem é difícil de explicar. Com a troika por cá e a Direita no poder uma parte do nosso sindicalismo alinhou de alma e coração (no caso dos professores a FNE parecia uma direcção-geral do ME) e a outra amochou, porque sabia que não tinha margem nenhuma de manobra (voltando ao caso dos professores, a greve às avaliações de 2013 foi o toque de finados de uma contestação que Crato meteu no bolso). Agora, depois de quase três anos a comer e a calar, alinhando na conversa da reversão que é uma ilusão quando chega a factura fiscal mais ou menos directa, chegou a altura de fazer “prova de vida” e fingir que todos estes Orçamentos não foram viabilizados pelos partidos que suportam a solução governativa e que são inocentes em tudo isto.

Como paradoxo menor, basta ver como um líder sindical de radicalismo vitalício para consumo público afirma, num dia, que um determinado conflito precisa de estar resolvido entre Março e Abril, porque depois é uma sucessão de campanhas eleitorais, para dias mais tarde anunciar que é possível a existência de greves e coisas assim em Maio, Junho, Julho e o que mais houver de ano.

Cansei-me de esperar coerência, linha de rumo, defesa dos interesses concretos da minha classe profissional sem receio de acusações de “corporativismo”. Que não faça passar “os professores” por intransigentes, quando o que na verdade existe é um tacticismo circunstancial de cúpulas político-sindicais herdado de lutas de outros tempos, que se exibem como duvidosas medalhas de mérito. Quem paga quotas que faça as contas ao que se tem passado. Há gente que ainda vive com o léxico dos avós e só defensa a entrada no século XXI para justificar o regresso ao século XX.

door