E No Meio Disto Tudo, Até Me Escapou A Abertura Do Concurso

Concurso Externo/Contratação Inicial e Reserva de Recrutamento

Aplicação eletrónica disponível entre o dia 26 de março e as 18:00 horas de 3 de abril de 2020 (hora de Portugal continental) para efetuar candidatura ao Concurso Externo/Contratação Inicial e Reserva de Recrutamento, destinados a Educadores de Infância e a Professores dos Ensinos Básico e Secundário.

Finger

A Ler Ou… Como Certas Rebeldias Não Passam De Preconceitos Neo-Conformistas

Why age is the new dividing line in politics

(…)

Old people are stereotyped as backward and ignorant. They have been cast in the role of narrow-minded bigots who possess archaic prejudices. Their attitude and behaviour are unfavourably contrasted with the enlightened, cosmopolitan and caring outlook of the young. This positive representation of young people is promoted by the authors of Cultural Backlash, who insist that enlightened and socially liberal values are gaining greater and greater traction among the young. These young people are supposedly digging the graves of the nasty, authoritarian, xenophobic politics of their elders.

Numerous commentators appear to believe that the political behaviour of young people constitutes an important act of rebellion against the values of the older generations. Such commentaries often suggest that the young have become more and more politically engaged, politicised, and even radicalised. But what defines the voting behaviour of young people is not so much radicalism as the politics of conformism.

Young people’s politics are strongly influenced by the values and attitudes that they have internalised through the dominant institutions of culture – such as the media, schools and universities. The current pattern of socialisation has relegated the role of the family to a secondary, supporting role. A shift away from the family socialising young people to schools and universities socialising young people has encouraged generational estrangement.

(…)

It is not that university-educated people think they are smarter than the rest of the electorate, and that in voting for Labour they are demonstrating their superiority. Rather, they have internalised the anti-traditionalist and anti-conservative values to which they were exposed on campus. Unlike student radicals of the past, who often rebelled against university authorities, the recent cohorts of undergraduates have internalised and conformed to the prevailing ethos. It is also difficult for students seriously to question this ethos, and most of them feel they have no choice but to adopt it.

The so-called post-materialist and anti-traditional values upheld by many young voters is sometimes portrayed as a form of radical defiance. It is nothing of the sort. The conformist script that many young people have internalised was written by a small section of their elders, those within the cultural elite. Like the children led by their teachers to join a school strike for the planet, many young people vote against their elders because that is what they have been taught to do.

Velho

Eu Já Fui Novo

E consultar o meu registo biográfico é um exercício quase doloroso quando se percebe que nos primeiros quatro anos em que concorri, sem profissionalização, ao 10º A, (actual 400) nem consegui acumular um ano de serviço para efeitos de concurso. Tudo contadinho ao dia consegui 286 dias em substituições. Infelizmente, agora a situação é semelhante e não tenho muita dificuldade em compreender o que se passa porque já passei por isso e gostava muito que as coisas tivessem melhorado. Pelo meio, um ano em que fiz a cruzinha para ter apenas horário nocturno (para ir às aulas de mestrado de Descobrimentos de dia, mas lixei-me e não fiquei colocado) e quinze meses de serviço numa câmara que lá contarão para a aposentação (espero).

O primeiro ano em que concorri ao 1º grupo (actual 200) estive desde 9 de Outubro com 21 horas e nunca me completaram o horário. No ano seguinte, fui colocado apenas em Novembro com 18 horas, que mantive até final do ano, pois a colega substituída renovava mensalmente o atestado e só o dizia ao Conselho Directivo mesmo na véspera (foi onde conheci o “velho” comentador “motta” dos tempos do Umbigo), pelo que nos primeiros meses as duas colegas do CD (o presidente limitava-se a sorrir por trás da farfalhuda barba) me chamavam com um ar muito compungido como se me fossem mandar embora, para depois dizerem que ficava mais um mês. A meio dos anos 90 lá a coisa estabilizou. Mas cada um deve aguentar com as consequências das suas decisões e eu aproveitava para ir de Fiat 127 até à Nova ter aulas ou à Biblioteca Nacional da parte da tarde acabar as pesquisas para o mestrado (nesta altura, já trocara os séculos XV e XVI pelo século XX).

Se por passar por isto, gostaria que outros passassem pelo mesmo? Nem por sombras. Lamento muito que as coisas se tenham revertido no pior sentido. E também não invejo quem tem a folha limpinha sempre com 365/366 e quem, tendo começado depois de mim, me tenha ultrapassado em pouco tempo. Foram opções. Não quis estrear o Ramo de Formação Educacional à saída da licenciatura, não tenho de apontar o dedo a ninguém, agora que sou praticamente um matusalém no 6º escalão,

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A Ler

Agradeço a referência deste artigo à Ana P. Serve como demonstração de que a pólvora seca e a roda quadrada já foram inventadas há muito.

Não é que sejamos todos munta bons. Não somos é todos munta maus e preguiçosos. Há de tudo, como na drogaria. Ou no aviário. Pelo menos alguns de nós ainda lêem umas cenas giras e tal. O que parece cair mal e até poder ser motivo para acusação de demasiado tempo livre.

Older teachers are brilliant. So let’s call out ageism

Experienced teachers are valued by pupils, parents and NQTs. It’s just headteachers who are unconvinced, says Jo Brighouse.

(…)

Being on the upper pay scale hung around your neck like an albatross. Every single thing you did was measured and recorded, your data plotted against impossible targets and invariably found wanting.  

Younger (and cheaper) teachers were singled out for public praise, given the largest classrooms, called upon and listened to in staff meetings. 

If the goal was to get rid of all older teachers, it worked. Within three years, nearly 90 per cent of all original staff had cleared out.

Danca

O Texto Integral Do JL/Educação Da Semana Passada

A pedido de várias famílias.

O professor como um canivete suíço?

Há uns anos pedi a uma aluna com recorrentes problemas de pontualidade e com frequente falta do material mais básico para as actividades (era comum chegar sem nada, pedir uma caneta a uma colega e uma folha de papel a outra) para ficar no final da aula e falarmos acerca da sua atitude. Do diálogo estabelecido, mais longo e complexo em termos emocionais para ambos, por diferentes razões, ficou-me a passagem em que ela disse algo como “professor, já vi tanta coisa na minha vida que me sinto vazia, sem alma e sem vontade para nada”.

Foi um daqueles momentos para que nenhuma formação (inicial, contínua ou fabricada) nos prepara, pois esmurra-nos como pessoas e não como professores. Não existem fórmulas para lidar com situações destas, se queremos enfrentá-las, procurar ajudar quem confiou em nós para desabafar, e ser mais do que a pessoa que passa o problema a outro, alegando que não é essa a função de um professor regular, mesmo que director de turma. E esta é aquela parte do trabalho do professor que escapa a muita gente, desde o comentador mediático, certificado e diplomado, que acha que sabe tudo sobre Educação porque até é encarregado de educação e se calhar deu umas aulas no passado, até ao comentador de esplanada que, por entre umas “bocas” sobre futebol e a corrupção na política lançadas com a jactância das certezas, gosta de zurzir naqueles professores “que nada fazem, que querem todos os direitos e nem sequer percebem que o país está como está por causa de quem como eles”. Esta é a parte do trabalho do professor que nem é assim tão incomum, porque dos seus dias de trabalho fazem parte centenas ou milhares de interacções, com dezenas de alunos, hora a hora minuto a minuto, e é necessário tomar decisões, processar a informação e optar pelo que se considera, quantas vezes em breves momentos, qual a atitude certa a tomar.

Como quando, há não tanto tempo assim, uma aluna que desconhecia me entrou pela sala dentro quanto estava numa tutoria com três alunos, sem pedir ou sequer se dirigir a mim e deu duas palmadas em colegas sentados, enquanto continuava calmamente com o telemóvel na mão e quando a inquiri o que se passava me respondeu que não era nada comigo e que quando insisti e lhe perguntei se percebia com quem estava a falar, replicou que “estou a falar com um professor, e depois?” E é necessário decidir o que fazer, até porque, nos tempos que corremos, este é aquele tipo de ocorrência que as entidades que definem o que é a indisciplina a nível macro e quem a gere a nível micro, consideram de pequena gravidade mas que, quando tolerada, pode ter efeitos graves na imagem de um professor perante uma turma ou grupo de alunos. É necessário combinar firmeza e ponderação, buscar o equilíbrio racional perante provocações que, por si só, parecem menores a quem não as enfrenta com regularidade. E nem sempre se acerta, porque não há fórmulas mágicas para gerir relações humanas ao segundo, com personalidades muito diferentes, muitas delas em formação sem referenciais cívicos mínimos ou estáveis no seu meio de origem e em que a afirmação se faz na base do confronto, da provocação, da agressão. Não nego que reagi e que ainda tive de me irritar após, ao sair da sala ouvir um “vou-me embora, mas é porque eu quero!” com aquela certeza (errada? correcta?) de que nada de grave lhe poderia acontecer e, talvez, até pudesse vir a beneficiar da benévola compreensão de quem gosta de “contextualizar” e de “privilegiar os afectos”, comprazendo-se no vazio de pretensas boas intenções.

A opinião pública está habituada, infelizmente com uma frequência cada vez maior, a serem-lhe servidas notícias de casos bem mais dramáticos de agressões de diverso tipo nas escolas (nos hospitais, até nos tribunais), entre alunos, de encarregados de educação para professores e mesmo de professores para com alunos. Mas essas são situações extremas que, mesmo em crescimento real (não acreditem nas estatísticas extirpadas do que possa prejudicar a “imagem” disto ou daquilo), ainda são excepcionais, uma fuga à regra. As escolas ainda são espaços seguros, mesmo se é perceptível a erosão do respeito para com a instituição escolar e os seus profissionais. Mas são, e não paradoxalmente, lugares onde existe muita violência verbal, fenómenos de pequena indisciplina, um rumorejar de agitação que alguns consideram “normal da idade”, mas que não é compatível com espaços e tempos de aprendizagens significativas desde logo de regras basilares de convivência social e respeito mútuo.

A Cidadania começa aqui, nas pequenas coisas. Aquelas que os professores tentam fazer respeitar, mas tantas vezes não conseguem de forma plena, até porque não se sentem apoiados nessa missão. Se falham uma decisão em cem, haverá logo quem lhes aponte o dedo porque “não sabem gerir a sala de aula”, porque “precisam de formação em gestão de conflitos”, ignorando as outras noventa e nove acertadas ou, no mínimo, não problemáticas. Mesmo se os casos de maior gravidade são traumáticos, não devemos ignorar o quão desmoralizador é alguém tentar fazer o seu melhor e saber que acabará por falhar, mais cedo ou mais tarde, porque as probabilidades são o que são e ninguém lhes escapa. E há quem esteja à espreita…

Mas voltemos ao professor que, por um acaso que tem pouco de coincidência, recebe os testes de uma turma e não dá logo atenção a uma pequena anotação na primeira página de um deles. E que, ao finalizar a aula ao colocá-los por ordem, percebe que na anotação, em letra delicada e discreta, se pode ler “não aguento viver aqui… esse mundo é um inferno… eu não queria ter nascido… já não aguento mais… não quero nascer de novo aqui…” e um pouco mais ao lado “Suicide”. E vai em busca d@ alun@ para perceber se é “apenas” uma chamada de atenção ou uma declaração de desespero com uma situação de potencial risco iminente. Porque aos 11 anos o dramatismo ou o mimetismo do que se vê ou lê algures nem sempre é fácil de caracterizar e nas escolas o “rácio” dos “recursos” especializados para estes casos é ele próprio dramático. E descobre-se que @ alun@ que chegou este ano de longe, chegou porque havia violência no seu quotidiano familiar, que o medo se transformou numa tristeza que é ainda possível afastar com pequenas gentilezas, com a amizade d@s colegas que ousam aproximar-se de quem se recolhe num casulo que não se pretende verdadeiramente fechado. De quem, afinal, deixou ali a ponta do fio que quer que desenrolemos. Mas o desenrolar é todo um outro processo. Complexo. Longo.

Em termos humanos, tudo isto é desgastante e está nos antípodas da imagem dos professores que só se preocupam em “despejar matéria”, em “mandar montes de trabalhos de casa”, que “só se preocupam com os escalões e anos de carreira”. Aquele discurso simplista e demagógico a que se recorre sem se parecer ter consciência dos danos causados e que incita encarregados de educação a entrar pelo espaço escolar e a coagir professores, a exigir-lhes que sejam tudo e mais um pouco quando isso é necessário e dá jeito, mas dando uma pedra sem sopa em troca. Falo dos adultos, porque a petizada, em regra, devolve desde que tenhamos disponibilidade para o apreciar, se não tivermos já tantas cicatrizes ou feridas mal saradas que a reacção automática seja a de erguer um muro de defesa, de indiferença. Porque isso também acontece e é desnecessário ocultá-lo. Há quem só assim consiga sobreviver e, embora não seja a atitude mais desejável, é compreensível. Se devemos “contextualizar” as “rebeldias próprias da idade” também deveremos ser capazes de o fazer com as consequências das mágoas acumuladas ao longo de anos de incompreensão e crescente sensação de isolamento.

A empatia é essencial no processo educativo, mas é um “recurso” relativamente escasso e que tem uma resistência variável à erosão. E não a devemos confundir com outras aparências em forma de fingimento, mais ou menos sorridente. Muito menos com retóricas postiças (em quem as emite) e assumindo a credulidade imbecil (daqueles a que se dirigem). Mesmo se a maioria da petizada, ainda pouco filtrada e com receptores pouco corrompidos pela hipocrisia, é um óptimo detector de encenações.

Tudo o que fica relatado pode ser real, relato fiel dos factos ou pode ser um mero exercício de quase ficção, o recurso a uma efabulação, destinada a captar a atenção do leitor, a fim de demonstrar uma tese. O enorme problema é que, para quem vive o quotidiano escolar em modo acordado, a linha que separa a realidade da imaginação é ela mesma uma quase abstracção.

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