“Projectos”

É o que está a dar em muitas escolas. Agarra-se em 1) qualquer coisa que já se fazia e dá-se um nome qualquer giraço; 2) qualquer ideia que surja à mesa do café, mesmo sem qualquer relação com o conteúdos das disciplinas, o contexto ou os meios disponíveis e chama-se “projecto”. Arranja-se quem coordene (dá pontos suplementares na add em vários descritores, do “trabalho colaborativo” à “relação com a comunidade”, não esquecendo a parte da “flexibilidade” e/ou “inovação” desde que tenha uma qualquer tarefa numa plataforma online), uma “equipa” e uma “planificação” com ou sem cronograma claro e mete-se no micro-ondas a aquecer.

Acho que já por aqui escrevi que todos os dias tenho “projectos”, que passam por dar aulas sobre “temas” (se não lhes chamar conteúdos programáticos, é melhor), no sentido de desenvolver “competências”. A turma passa a chamar-se “equipa” e qualquer papel que eu dê para ser preenchido ou quizz para responder torna-se uma “estratégia inovadora” que provará a “diferenciação” se, por exemplo, aplicar com mais ou menos tempo, esta ou aquela pergunta ligeiramente diferente, a grupos diferentes de alunos. Se não chamar “diário de bordo” ao que já foi caderno, dá ainda mais pontos. Quanto à “monitorização” pode ser um qualquer registo feito com base na velha observação directa. Holística é a melhor, não classificar, mas avaliar no todo integral e sem glúten ou lactose. No meu caso, em turmas onde dou 2 ou 3 disciplinas, já tenho DAC garantido só com essas.

Ahhhh… é muito importante falar alto sobre o “projecto” em espaço público da escola, em ar casual, mas sério, anunciando a forma como está a decorrer tão bem e que os alunos estão a adoráre!

No fim, atiram-se foguetes, batem-se palmas, apanham-se as canas e assinala-se com cruzes e polegares ao alto na plataforma respectiva que a actividade foi um sucesso xalente.

Podia acrescentar mais uns detalhes, mas acho que fica a ideia. E pode sempre arranjar-se uma “formação” se alguma entidade formadora for amiga. Ou produzir um “guia” ou “manual de boa práticas” se o secretário ou um cortesão da primeira fila garantir o prefácio.

E ainda dizem que isto é complicado.

Gostava Que Usassem Um Padrão De Exigência Equivalente…

… ao que aplicaram ao virologista Pedro Simas a casos como os de cert@s cientistas da educação que andam a vender duas vezes gato por lebre em publicações feitas mesmo em cima do momento acerca das mais recentes novidades legislativas do ME. Todos os anos é uma onda parecida. Servem como consultores da coisa, formadores da coisa e depois vendedores de guiões sobre a coisa. Eu sei que nada é ilegal e que a vidinha está difícil, mas depois é um bocado chato virem armar-se em autoridades morais.

Não é o mesmo que publicidade enganosa? Pois não, em alguns casos é uso de informação privilegiada. E não é de agora, nem é coisa estranha, pois eu ainda me lembro de publicações dos tempos da TLEBS, do “novo” ECD de 2007, do regime de avaliação do desempenho, etc, etc, que apareciam sempre uma semana ou duas depois de aprovação dos normativos, não tendo havido sequer tempo para colocar o papel na máquina, quando mais para o imprimir.

Quem É Ele, Quem É?

A passagem pelo ME não foi muito longa (e quase desaparece de algumas referências curriculares), mas deu para um belo contrato no Dubai. Pista: em entrevista ao Expresso considerou, há uns bons anos, que os blogues produziam na altura muito ruído, dificultando a nobre missão do ME em matéria de avaliação do desempenho docente, por exemplo.

Bem me diziam que às vezes basta parecer ter sido algo.

Inveja? Um bocadinho, atendendo aos valores praticados lá em matéria de salários (a média é acima de 3000 euros e um professor ganha a meio da carreira qualquer coisa como 5000 euros mensais). Nem quero pensar o que um experto facturará.

O Que Uma Pessoa Diz E Faz Para Ganhar A Vidinha

Grande parte destas “entidades”, criadas com nome forsomethig fazem-me lembrar os vendedores de banha da cobra de outrora. São capazes de diagnosticar inundações no deserto e hiper-pilosidade em bolas de bilhar para justificarem o seu ansiado “nicho de mercado”. O pior é que há “jornalismo” que acha que isto merece títulos como se fossem a sério. A culpa da disseminação da estupidez é só das redes sociais?

Clementina Almeida, fundadora do ForBabiesBrain, primeiro spa clínico para bebés da Europa, diz que “no pré-escolar, a criança já pode trazer um gap com repercussão direta no seu sucesso escolar pelo menos até aos 10 anos.”

A Vidinha, Acima De Tudo

O pragmatismo da real life é muito parecido ao que ficou conhecido como real politik. Os princípios cedem quando os interesses são por demais tentadores. Não adianta muito criticar a falta de coerência em termos de política (inter)nacional, entre o que se proclama e o que se pratica, quando à micro-escala se faz o mesmo ou equivalente. Fica para os anais da minha memória (mas com suporte documental) aquela declaração de um grande “lutador” (que chegou a candidato a líder do spgl) contra a add que, mal surgiu a oportunidade, se tornou avaliador e declarou ao Expresso que o tinha aceite por mais valia ser ele do que outra pessoa a desempenhar a função. O mesmo se pode dizer de quem, declarando-se acérrimo crítico deste ou aquele aspecto das políticas educativas em vigor, mal pode, aceita logo posição ou cargo na estrutura hierárquica de que tanto se criticaram os vícios. E não estou ainda a pensar no ex-contratado que foi para a dgae, porque dela até já saiu, mas de quem muito grita, mas rapidamente se “adapta” de acordo com a lógica do antes eu do que outr@. E que se lixe a tão amada democracia se a nomeação até dá jeito e é o único caminho para satisfazer esta ou aquela ambição.

E quem quiser que enfie a carapuça, que ela nem sequer está escondida. Já sei que vou para o Inferno, ao menos que vá de papo meio cheio e com alguma justificação.

(não, nem sequer esotu a falar da add, repito…)

Agora Imagine, Senhor Presidente, Que Era Um Cidadão Comum Uma Semana À Espera De Ser Testado (E Só Uma Vez)

Ou imagine que casos semelhantes são tratados de forma completamente diferente em concelhos contíguos ou mesmo em escolas quase vizinhas.

É “aguentar”, como dizia aquele seu amigo Ulrico.

Marcelo “irritado” com informações “contraditórias” das autoridades de Saúde, sai de Belém para debate por videoconferência

Estou Cansado De Títulos De Livros Sobre Auschwitz…

… sem praticamente nenhum fundamento ou razão que não seja ganhar dinheiro à conta da desgraça alheia, com recurso a dotes de “imaginação” que vão pouco além das variações do título. Por maioria de razão, abomino quem consegue ser oportunista em duplicado com Auschwitz-Birkenau. Porque ultrapassa a fronteira para uma certa obscenidade “literária”.

Entretanto, O PCP…

… tornou-se um pilar do “arco da governabilidade” e abstém-se de forma “responsável” na votação do OE na generalidade (garantindo, como se esperaria, que na especialidade vai fazer conquistas mil), à espera do que cai da mesa. Parece não ter percebido (e a lição dos Açores fica lá distante) que por cada aljube que cativa para os seus quadros “jovens” perde umas centenas ou milhares de votos. E cada ano de colaboracionismo sem contrapartidas compreensíveis, custa-lhe um par de câmaras. Um destes dias, até @s pet shop boys and girls lhes passam a perna e outro morde-lhes os calcanhares (ok, esgotei os trocadilhos parvos por hoje). Não admira que até os alemães tenham passado a adorar o nosso governo sustentado na nossa velha esquerda “radical”.

No Dia Do Professor…

… não deveria ver anúncios a formações a 160 euros a cabeça por quem se diz de muitos ideais e amores pelos professores (phosga-se… eu comprei parte dos livros, não preciso de pagar para que mos expliquem) ou ler um certo incitamento à revolta contra os normativos por quem vende formação a explicar como se aplicam ou devem aplicar. Isto é apenas um pouco do meu mau feitio, já passa, mas se não me saísse do sistema agora era capaz de sair mais tarde direito à testa dos visados e aquilo do ad hominem é uma chatice e prontossss ……… já desabafei.

(porque todos temos de ganhar a nossa vidinha e isso eu entendo, o que me custa é depois armarem-se em anjinhos… ou santos de pés debruados a “vil” metal, enquanto lhes saem arco-íris e borboletas da pena registadora)