Até Que Me Estava A Apetecer…

… escrever sobre a forma como são geridos certos créditos horários e a falta de critérios claros para a sua distribuição inclinada, mas já sei que, mesmo que o faça assim “em geral”, há pessoas amigas ou apenas conhecidas que pensarão que estou a pensar nelas, mas não é bem nelas que estou a pensar ou, em alternativa, não será apenas nelas que estou a pensar, mas em tanta outra gente que por aí anda com ar compenetrado de quem percebe da coisa, mas apenas parece. Como a ige deve estar com medo de contágios, este é ano de tripa ainda mais forra do que outros.

Seria tão bom que quem aponta o dedo aos alegados “privilégios” dos “velhos” tivesse verdadeira coragem de tocar e falasse de coisas que seriam mesmo a doer. Mas depois ainda tinham de se ver ao espelho e era uma grande chatice.

(e se calhar, ocasionalmente, até é verdade, mas agora não interessa nada…)

A Mim Levanta Imensas Dúvidas…

… esta segunda nota sobre o faseamento da recuperação das migalhas de tempo de serviço (2ªNotaInformativaSobre Recuperação 2_9_18) que encontrei no Arlindo, porque – para além de muito tardia – parece criar um anómalo regime de excepção, com o pretexto da pandemia, ao permitir recuperar classificação com mais de 10 anos, algo que foi explicitamente negado a outras pessoas, em circunstâncias similares, em situações anteriores.

Eu sei que há quem assim veja a vida facilitada, mas a verdade é que houve quem não tivesse este tipo de “compreensão” e não tenha podido “mobilizar” nada dos tempos da MLR e sucessores. Eu já percebi que a “lei” é algo abstracto que se retorce a gosto por despacho ou nota informativa, mas continuo a não entranhar.

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Coisas Que Me Parecem Claras E Óbvias

  • Um aluno do ensino público deve frequentar o seu currículo padrão que, no Ensino Básico, não contempla opções.
  • Um aluno do ensino público que se balda a uma disciplina e falta sistematicamente pode, em termos legais, ficar excluído por faltas se o faz sem justificação aceitável.
  • Um aluno do ensino público que tem boas notas a todas as disciplinas e tem excesso de faltas apenas numa, em regra, transita de ano por decisão do Conselho de Turma. Aliás, se não transitar, com “positiva” e de qualidade em tudo o resto, quase certamente uma decisão de retenção seria bloqueada em Conselho Pedagógico. Mais certo será passar com meia dúzia delas, com este ou aquele truque.

Dito isto:

  1. Eu não concordo muito com a posição daquele encarregado de educação que alegou objecção de consciência para impedir os seus educandos de frequentar a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento. É uma espécie de bloqueio ideológico a reagir ao que se entende ser uma deriva ideológica do currículo.
  2. Concordo ainda menos que o SE Costa, por despacho, desautorize a decisão de Conselhos de Turma que decidiram pela transição dos alunos. É, em meu entendimento, um abuso de poder, por motivos ideológicos, pois aposto que se a coisa tivesse acontecido com Ciências, História ou Inglês, ele não teria feito tal intervenção.

Pelo que acho:

  1. Perfeitamente razoável que o encarregado de educação recorra aos Tribunais, tendo eu quase a certeza que lhe darão razão, pelo menos na parte da transição.
  2. Perfeitamente inaceitável que, em tal disputa, se lixe um ano ou mais da vida dos alunos em causa.

JCosta1

O Faroeste Do Secundário

Os relatos que me chegam de muitos conselhos de turma desta semana são pavorosos, como se a situação de pandemia justificasse tudo e mais alguma coisa. A casta que já antes estava instalada, de gente que acha que sabe muito porque até fez esta ou aquela formação oficial em estudos bíblicos, tomou o gosto pelo poder e decide o que bem entende, atropelando qualquer critério ou procedimento em vigor, sempre “em nome do interesse dos alunos”. Quem antes não fazia nada passou a ter direito a 10 automático; quem pouco ou nada fez, apenas demonstrando existir passou a ter direito a 14, porque certas auto-proclamad@s madresteresas ou mandelas de agrupamento ou escola não agrupada passaram a ter poder de mando sobre quase tudo e não hesitam em atropelar o que lhes parece a mais ténue desconformidade em relação às suas crenças míopes e tantas vezes medíocres. Que conseguem fazer vencer na base de uma variante nada soft de bullying.

Ainda bem que sou “básico”.

E isto é já o futuro.

Shame

 

Isto É Mesmo Gozar Com Que Trabalha

ISTO É MESMO GOZAR COM QUEM TRABALHA!

RAP dixit. E bem! Mas isto não é somente o talk-show que nos faz rir aos domingos à noite.

Ele há Escolas que se julgam ainda na Idade Média. Porquê? Porque acham que o seu quintal é um feudo, e como tal, ninguém mais lá manda a não ser os seus donos. E as suas intelligenzias acham-se acima das leis.

Faz lembrar aqueles tempos socrático-rodriguistas, em que, numa deriva afetivo-socialista, nasce o conceito de escola inclusiva – politicamente corretíssimo! – mas que, paulatinamente, vai dando lugar a todo o tipo de abusos e oportunismos.

Lembra-nos os famosos EFA’s em que, em turmas de trinta alunos, alguns (muito) adultos, faziam o favor de ir à escola mostrar-se à razão de uma vez por mês, dizer de que país tinham vindo e para que é que precisavam do diploma de Dupla Certificação. E sem fazer rigorosamente nada, esperavam a dita aprovação para “dar como concluído” o curso Secundário e irem às suas vidas.

Mas atenção, como Sócrates & Rodrigues tinham 12.000 diplomas para distribuir para cumprir as metas europeias do sucesso escolar à força, os professores eram encostados à parede para compactuar com esta fraude. Senão, abria-se-lhes um inquérito, ora pois! Se alguém quisesse fazer um trabalho sério, ao inferno com ele!

Por causa de EFAs e CEFs desta natureza, e cuja intenção inicial era uma nobre ideia de recuperação educativa das franjas mais desfavorecidas da sociedade, oriundas de bairros mais ou menos marginais ou de PALOPS, muitos professores mudaram de escola, por não suportarem a pressão do faz-de-conta-sem-vergonha em que aquele ensino rapidamente se tornou.

Nesta fase, à sombra dos desaires familiares e anímicos dos nossos adolescentes, alguns que se acharam de férias, a partir daquela fatídica sexta-feira 13 em que lhes anunciaram o fecho das Escolas por tempo indeterminado por conta do COVID-19, vimos de novo surgir uma cassette dos bem-pensantes sobre a falta de equidade, que, na prática, lança alguns dos meninos para a total impunidade e desresponsabilização.

Inúmeros professores por este país fora andaram a fazer formações, às vezes até pagas, sem descanso na Páscoa, a construir recursos, a inventar novas estratégias para cativar as já tão facilmente dispersas mentes dos jovens, com a última palavra em tecnologias digitais, para cativar suas excelências, que, por natureza, vivem agarradas a tudo quanto é gadget e para quem “viver nas nuvens” é, não só literal, como indispensável.

Para garantir que as aprendizagens se continuariam a realizar de forma a não quebrar o vínculo com a escolaridade e manter o elo com os textos, livros, imagens, vídeos, power-points, filmes e tudo aquilo que pudesse cativar o seu apelo pelas novidades, muitos professores prescindiram de muitas noites e fins-de-semana, ficando a trabalhar incansavelmente, durante três meses consecutivos, para que os seus alunos aprendessem, sem olhar a meios, nem a gastos pessoais, nem a esforços.

Muitos já passaram a meia-idade e estão cansados. Mas sem o lamentar, fá-lo-iam de certeza de novo, pois nestas coisas, é a consciência profissional que os reconcilia com o travesseiro à noite.

O que nada faria prever é que agora levaram com a menina dos 5 olhos nas mãos, ao verem as suas notas votadas em Conselhos de Turmas cheios de tias e tios, inteligentes e conscienciosos, com um discurso do coitadismo-sindicalista, “ah e tal, a falta de equidade que o sistema pôs a nu…” Então, bora lá nivelar pelas benesses do 2º período! Como é que é???

Entendamo-nos no seguinte: alguém duvidava da falta de equidade nas nossas escolas? Mesmo no regime normal e sem pandemias, temos lado-a-lado nas nossas turmas o menino-filhinho do Sôtor-Juíz, que se dá ao luxo de ter 3 telemóveis de 700 Euros cada, (um para os pais, outro para a namorada e outro para os amigos dos chats) e o miúdo do bairro de lata, que até foi para aquela Escola porque a mãe é mulher-a-dias daquela senhora que a autorizou a dar a sua morada para ele lá entrar.

Todos sabemos disto. Ou não sabemos? Isto é novidade para alguém? Isto não apareceu com o COVID!

Não sabíamos já que os alunos que trazem melhores trabalhos e fazem apresentações com mais qualidade são aqueles cujo background cultural em casa assim o propicia? Não conhecemos os alunos que nos enviam trabalhos de um MAC, editados a partir de programas avançados como o Latex, que têm uma qualidade gráfica que se distingue a léguas logo pelas imagens de capa?

Estes miúdos não vivem na Boavista nem nas Galinheiras, mas nas Torres de Lisboa ou por aí. Não choca os tios e tias que se classifiquem alunos destes com 18 ou 19 valores, antes ou depois da pandemia.

Durante este período, atípico é certo, muitos souberam aproveitar o tempo para desenvolver e aperfeiçoar competências nas áreas que mais gostavam. Todos esses merecem notas altas e aqui não ousaram discordar ao ponto de exigir votação da nota.

Mas choca os corações sensíveis das tias dos CTs que se dê 8 ou 9 a quem se baldou persistentemente, ficando “fora da rede” sempre que isso lhe dava jeito, mas não para os grupos de Whatsapp ou para manter contacto com os YouTubers da sua predileção.

Estes jovens alegavam nunca ter cobertura de rede quando era preciso, sempre em casa dos avós ou nos confins lá da terra, para efeitos de enviarem um email de 15 em 15 dias com uma tarefa atribuída, ou sequer dar resposta a um simples convite da Classroom, para o qual basta ter um endereço do gmail.

A compaixão tomou conta dos corações sensíveis, que se acharam no direito de proteger essas criancinhas desvalidas, que, coitadinhas, ficaram em situação atípica e desigual, embora com tudo o que é aplicativo instalado nos seus smartphones de última geração. Isto depois de esses anjinhos terem confessado à frente da turma, no regresso ao regime presencial, que “se acharam de férias desde Março e então deixaram andar, sem fazer nenhuma das tarefas solicitadas” confessando “preguiça e desleixo”… E assim se dá um estímulo ao oportunismo e à impunidade para os futuros adultos. Que belo exemplo!

É ajudar a crescer, isto? É criar cidadãos responsáveis? É contribuir para um percurso escolar de maior qualidade? Não, não é! E quando as atitudes excessivamente protecionistas e paternalistas vão ao arrepio das propaladas exigências de manter um padrão de excelência e prestígio da instituição, alguma coisa aqui não bate certo.

Podemos então perguntar-nos porquê e para quê andámos a ter tanto trabalho para facilitar a consolidação das aprendizagens e, em muitos casos, facultar novas aprendizagens, se depois não são passíveis de uma avaliação consequente?

Alguns Grupos Disciplinares e Departamentos que mais parecem Senhores Feudais, Schoguns da pós-pós-modernidade, resolveram, ao arrepio do Decreto-Lei nº 14-G/2020 de 13 de Abril, não dar cumprimento às avaliações sumativas e meramente repetir as classificações do 2º período.

Só podemos concluir que trabalharam para o boneco os professores que se esfalfaram a ver trabalhos e enviar as correções dos mesmos e foram desrespeitados na sua profissionalidade; e foram injustiçados os alunos que cumpriram, trabalharam e deram um feedback sistemático do seu empenhamento.

Que nos perdoem os respeitabilíssimos doutores Eduardo Sá e Daniel Sampaio, mas isto é gozar com quem trabalha, senhores! Mesmo!

Lisboa, 29 de Junho de 2020

(Docente do Ensino Secundário)

exclama

E Mais Um Desabafo

Os casos vão chegando. Uns publicáveis, outros nem por isso. Mas, para que conste, o maravilhoso mundo das oportunidades pandémicas começa a assumir, à aproximação da recta final, a sua faceta menos transparente.

(…)

Sou professora e mãe de uma aluna do 11° ano que frequentou a primeira semana de aulas presenciais e a seguir desistiu, até por conselho do médico que a acompanha, pois tem problemas de ansiedade. Podia ter colocado atestado, mas não, por opção meti a declaração de desistência devido às situação de pandemia.

As aulas de FQA estão a ser transmitidas online e claro achei que [ela] poderia continuar a assistir. Qual não é o meu espanto quando a DT e a professora lhe disseram que não podia continuar a assistir às aulas, ordens da direção, pois estava impedida, pela lei, de continuar a ter acompanhamento às aulas presenciais.

Fiquei furiosa e disse que a minha filha ia continuar a assistir até que o diretor da escola me informasse e justificasse o porquê desta medida. Na manhã de sexta-feira recebi um e-mail do diretor a informar que não podia assistir e anexa o doc sobre a legislação existente.

Vivo em [entre o Douro e o Minho]; fiquei furiosa, porque apenas pedi para que continuasse a assistir às aulas dadas online pela professora, que está em casa, não pedi apoio a mais nenhuma disciplina. E sei que a professora em causa teria todo o gosto em que minha filha assistisse às aulas.

Liguei para a DGESTE, norte; depois de várias tentativas lá consegui falar com alguém, uma pessoa muito receptiva e que achou que eu tinha razão. Queria que eu ligasse para a escola a falar pessoalmente com o diretor, disse que não, uma vez que este foi recém-colocado, e havia dedo de outras pessoas, subdiretora, uma pessoa muito arrogante. Disse.me que conhecia a situação da escola, e que sabia das questões pela qual passava.

Ficou ela de falar com o diretor a ver se resolve a questão. Eu disse lhe que a lei era omissa [e] que dizia que os alunos não podiam assistir presencialmente a umas disciplinas e a outras não, mas neste caso trata se apenas de aceder a um link que tem instalado no computador para aceder à aula. Disse-lhe também, que na próxima aula iria entrar e que queria ver o que é que a escola ia fazer! Perguntei se a iam bloquear!!

Enfim, ficou espantada, tal como eu; a minha filha é uma boa aluna, desistiu porque foi o melhor para ela e agora parece que se estão a vingar. Este artigo, desta mãe, que acabaste de publicar, veio dar ainda mais sentido a todo este processo de reclamação que iniciei, esta colega coloca a questão de uma forma bem mais exigente, e muito bem! Afinal estão a querer, deliberadamente, marginalizar estes alunos.

(…)

exclama

A Ler

 

The World Is Experiencing a New Form of Autocracy

Today’s authoritarians use legal measures to subvert constitutional constraints on their power.

mafalda etica-moral-2

(já agora, na reportagem da SICN sobre, entre outros assuntos, os desmandos de uma chefe de divisão que tem andado aqui pela margem sul, apareceu o sociólogo Rui Brites a explicar de forma muito simples porque os poderes adoram rodear-se de idiotas, que os não contestam e até funcionam como guarda pretoriana… acontece da escala global à local)

Indeferimentos By Default?

Recorrer ao ao artigo 266º da CRP (ou o artigo 9º do CPA) para indeferir pedidos de escusa de avaliador externo é risível porque, assim sendo, mais vale dizerem que qualquer funcionário pode fazer qualquer coisa e o deferimento de qualquer pedido é impossível. Ora… a mim parece claro que isto configura um abuso de poder, com evidente falta de proporcionalidade na aplicação da lei e uma grosseira distorção do seu espírito. A menos que aceitem, então, que o artigo 21º possa ser invocado a este respeito.

Bulldozer1

Quem Se Mete Com O PS…

… se não leva é “dissolvido”. A ameaça passa dos corpos sociais da Ordem dos Enfermeiros para o sindicato dos motoristas que mantém greves. Que ameaça terá sido feita a outros para meterem a viola no saco? Que os mandariam de volta para as escolas cumprir a missão que tanto dizem adorar?

E ainda há inteligentes que dizem que o exercício do direito à greve não está em risco.

Ministério Público pede dissolução do sindicato de matérias perigosas por causa de Pardal Henriques

censura

(porque isto das leis serem interpretadas literalmente ou não depende muito de quem tem os cordelinhos da forca na mão…)