A Minha Mensagem Para O Ministro

Na peça do Educare com os votos de algumas figuras para Tiago Brandão Rodrigues em 2020. Há alguns particularmente divertidos, mas penso que de forma involuntária. Mas recomendo a leitura para que se percebam melhor certas cartografias do poder.

Desejo ao ministro que acelere a sua curva de aprendizagem em Educação de forma proporcional ao abandono dos lugares-comuns e chavões dos talking points que lhe são servidos para consumo público. Como prenda, dar-lhe-ia a História do ensino em Portugal do professor Rómulo de Carvalho, clássica mas sempre instrutiva.

TimeTiago

(não me pediram votos para o resto da equipa do ME, o que é pena, tinha aqui a recomendação de um livro muito giro sobre competências e conhecimentos para o senhor secretário…)

 

Enganei-me Em Toda A Escala, Confesso!

Esperava que pelo menos um d@s secretários de Estado da área da Educação (aquilo do Desporto é um feudo quase inexpugnável com o qual não me meto com previsões) viesse do eixo Gaia-Porto-Braga. Na volta continua a bússola educativa muito sulista. Num dos casos, tenho desculpa, pois a secretária nova é daqueles nomes que nem escavacando todo o baú dos nomes possíveis me ocorreria (mas já deveria estar prevenido com a que saiu). Quanto ao velho secretário que fica, sempre pensei que quereria poisos mais distantes. É verdade que ali no fim da campanha, espreitando alguns murais do fbook, se via uma espécie de “ondinha” por parte de quem receia que o que foi “conquistado” possa vir a ser “perdido” ou “desbaratado”. Ficando o pai do reformismo flexibilizador está garantido que a corte continuará mais ou menos imutável e que é desta que entramos com tudo na pedagogia dos anos 70 e 80 do século XX. Quanto ao resto, nada devemos esperar do que se desejava em matéria de administração escolar. A municipalização atropelará toda e qualquer pretensão de autonomia e as negociatas com consultores e grupos de estudos continuarão com nulo controle e muita “oferta de formação” para o 54, 55 e coisas assim que metam grelhas e monitorização pelos ímpares. Há quem goste… pois tem algo a ganhar com a manutenção do modelo hierárquico de gestão. E quanto a preocupações, há com tudo menos com a destruição da carreira docente. As “lideranças” tornaram-se numa década correias de transmissão, na generalidade dos casos. Com as indicações da dgae, quem está tem mais mandato e meio para fazer a festa antes de sair e, depois, a nova geração já virá formatada para o novo modelo.

Resta saber se – com o apoio do Bloco e do PCP – o Secundário se tornará um prolongamento patusco do Básico, sem exames e, quiçá, com provas de aferição para a malta se rir muito e depois as Universidades ficarem com as mãos livres para fazerem uma selecção com muito menos regulação externa do que agora.

Paz às nossas almas!

RIP

(logo eu que cresci em terra de videntes e cartomantes que deu, por exemplo, o mais famoso oráculo de belline nacional, rapaz que se pode dizer da minha geração)

As Implicações Dos Números Da UTAO Deveriam Ser Óbvias…

… as “salvaguardas financeiras” de PSD/CDS são excessivas e, no limite, deveriam ser “mitigadas” para evitar que uma solução seja chumbada, à esquerda, com base em falsos pretextos.

Com os dados da UTAO é possível uma solução de consenso, não apressada, podendo ser remetida para a próxima semana, pois o Governo fica sem qualquer sustentação para a sua chantagem. Costa e Centeno de Harvard y Eurogrupo foram desmascarados. A Catarina Martins pode fazer pausa no seu júbilo por se ter ultrapassado a “agitação política” (é sempre deprimente ver radicais a querer levar as coisas nas calmas) e o tio Jerónimo só ganha em controlar os paroxismos de ortodoxia anti-crise.

Sim, eu sei que o mais certo é todos fingirem que está tudo na mesma. Uns serão mentirosos por acção, outros por omissão e alguns ainda por demissão cívica. A vida dá muitas voltas e a política ainda mais. Se optarem por agir com base na mentira, não se admirem se isso vos for relembrado e cobrado.

manguito

Exclusivo Cósmico – A Transcrição De Uma Hipotética Reunião De Um Gabinete De Inexistente Emergência/Crise – Parte 1

Aqui o Quintal, através de poderosas ferramentas de espionagem rural, conseguiu aceder à gravação em banda magnética analógica (cassetes basf das boas, com caixa prateada e tudo) da reunião ocorrida ontem por esta hora no Palácio do Santo Benzido, com a presença do primeiro dos ministro António de Costas (AC), do seu desconhecido chefe de gabinete (FA), do ministro do Eurogrupo, Mário das Centenas (MC), do ministro da Inegurança Social, José António Vieiras e Silvas (VS) e sua filha Maria Ana (MVS), do ministro de qualquer coisa política, Pedrinho Nuno e Santos da Casa (PNS), do ministro da Propaganda e Negócios Estrangeiros, Augustíssimo Santos e Silva (SS), do ministro virtual da Educação, Tiago com Brazão dos Rodrigues (TBR), do ministro da Economia, o outro Siza Vieira (SV) e ainda de um secretário de Estado para levar o guarda-chuva do PM, Tiago Antunesinho (TA) e de uma senhora com um cargo importante no PS por impedimento do esposo, Ana Catarina Mentes.

O registo, pela sua natureza, tem muito ruído que pode ter causado erros de transcrição e eventuais omissões do que possa ter sido dito em voz baixa ou transmitido por bilhetinhos ou por mensagem em suporte moderno, dito digital para os leigos.

Início da primeira cassete. Hora: 10.45. 

(ruído de papéis, cadeira a arrastar, disparos rápidos de máquina fotográfica).

AC: Vamos lá a começar, tomem as vossas posições para as fotos, pá. Temos de dar uma imagem de unidade, firmeza, trabalho e força. Vá lá, sentem-se, ponham um ar de seriedade e de quem tem uma crise séria para debelar. Pensem na Síria, pensem na Venezuela, pensem em Winterfell antes da grande batalha.

PNS: Senhor PM, eu vi o episódio, quer que faça ar de John Snow?

AC: Do que é que está a falar? Senta-te, pá. A única coisa que te mandei fazer, que era acalmar as tipas do Bloco, tu não conseguiste. Senta-te direito e cala-te quando eu não falar contigo, que já me desiludiste o suficiente.

MC: Senhor PM, eu tenho aqui as minhas contas… com quadros e tudo.

AC: Mete-as à vista, aí em cima da mesa.

Várias vozes: já estamos sentados, senhor primeiro dos ministros, e agora?

AC: Agora deixem-me ver se apanho o Augustíssimo que nunca mais aparece, ele é que percebe bem destas coisas, nunca mais me esqueci de quando ele em 2008 disse que os professores nem sabiam distinguir o Salazar dos democratas. Grande homem, ele é que nos vai esclarecer sobre o rumo a ter. Eu é mais cataplanas.

SV: Senhor primeiro dos ministros, amigo, o que estou eu aqui a fazer? Eu sou da Economia, que já me custa a perceber…

AC: Cala-te, pá. Estás aqui porque eu precisava de ter gente suficiente à volta mesa para as fotos do Instagram. Os baldaias e os tipos do jornal do meu irmão não me largam a pedir uma imagem para colocar online. Queriam que ficasse aqui com meia dúzia de gatos pingados? Não pode! Senta-te direito, olha para mim com ar compenetrado e podes ficar sem falar nada como o Pedrinho. Ó Vieiras, tu que meteste os gajos na ordem em 2008, o que é que me dizes enquanto não chega o Augustíssimo? Arranjas-me aí para uma frase para os achetagues do Insta?

VS: Mmmmrrrffff…. ahrum, ahrum…  (sons de bocejo), o quê, o que se passa?

MVS: Paizinho, acorda, já começámos, olha o António…

VS: Hã…? O quê? O Carvalho das Silvas já chegou? E o das Nogueiras? Tenho sono…

AC: Rais parta isto que ninguém leva esta crise a sério e o Augustíssimo que não me aparece.

MC: Eu tenho aqui as minhas contas…

AC: Já sei, já sei, 250+600 igual a 800 e tal… só não percebo porque não chegaste aos mil milhões, era bem mais fácil.

MC: Posso tentar, rmrmrmrm, vou ver se faço aqui mais umas contas.

ACM: Posso dizer alguma coisa, em termos de coordenação política?

AC: Hmmmm? Olha-me outra! Fica aí sossegada que é preciso outra foto e dá jeito colocar alguma igualdade de género no topo da mesa. Não é para sorrires, isto é sério, faz a cara que fizeste para o Espesso. Assusta qualquer um.

(som de porta a bater, passos)

AC: Ahhh… finalmente! Augustíssimo. Nunca mais chegavas…

SS: Então, camaradas, tudo bem? António, estava aqui com o Pater Cesare ao telefone que diz que isto das demissões lhe está assustar uns quantos primos e enteados de amigos e pergunta se isto é mesmo a sério porque ele tinha umas ideias para mais umas quantas associações cívicas…

AC: E a sério, é a sério. Tem de parecer, temos de meter estes ingratos no lugar, pregar-lhes um susto. Querem lugares nas câmaras ou verbas para projectos? Vou já avisar o Merdinas que acabam os tachos à discrição. Acaba-se já isso. Temos de ser firmes e mostrar que defendemos a Escola Pública e não interesses corporativos de uma gentinha sem nível armada em doutores. Lá porque tiraram um curso já acham que podem ganhar acima de um dos meus motoristas.

TBR: Ouvi falar em Eshcola Pública? Exchelentchimo shor primeiro dos ministros, eu tenho aqui umas ideias muito boas para emagrecer já os shenhores profeshores, tirando as amigas lá de casa que já eshtão pró velhote como a shodona Maria do Céu, coitada. Mete umas bishicletas e uns patins para quem quiger progredir…

AC (som abafado): Mas que raio fiz eu em convidar este tipo. (em tom alto) Ó Tiago, pá, tu és outro que só me desiludiu, então não era suposto controlares o das Nogueiras? Não tinhas autorização para gastares em mais do que água e bolachinhas de água e sal para as reuniões?

TBR: Shor primeiro, eu bem que tentei, mas ele disse que era mais bitoques ali na esquina e que tem saudades de uns copos no metro e meio e eu estou a ver se emagreço. E shempre o tratei por shor professor das Nogueiras, que é dos tempos das amigas lá de casa por quem tenho o mais reshpeito. E ele diche quage sempre muito bem de mim nas entrevishtas…

(ouve-se o som de olhos a revirar de forma repetida, claramente de AC e SS)

Fim da primeira cassete. Hora: 11.30. 

(continua…)

Animalfarm

 

 

 

 

O Ódio É Humano (E Ancestral)

Infelizmente ou não. Agora parece querer dar-se a entender que a internet é a promotora de um “discurso do ódio”, quando ele tem origem humana, sempre existiu e, infelizmente, em épocas bem mais arcaicas conduziu a um número de mortes incomparavelmente maior em populações mais reduzidas. A tentativa de sacudir as responsabilidades por um fenómeno que só tem de novo o meio e a rapidez de multiplicação, paralela à própria aceleração do tempo que vivemos e ao aumento da população e das zonas (geográficas, políticas, religiosas, emocionais) de fricção, deixa-me sem perceber se quem assim age o faz por ignorância do passado ou deslumbramento com o presente. Sim, os boatos espalhavam-se de forma mais lenta no passado, com um impacto meramente local ou regional durante dias, semanas, talvez meses. Mas a ignorância era bem maior e o nível de fanatismo dificilmente seria menor no tempo das Cruzadas do que é agora. Ou durante as guerras da religião na Europa. Ou durante o sangrento século XX pré-internet.

O “discurso do ódio” está longe de ser a novidade. Apenas se deslocou para o meio de comunicação mais específico deste tempo. O “ódio” em si é humano, não é tecnológico. Sem a internet, o ódio racial seria menor? No Ruanda dos anos 90 do século XX havia banda larga? O Goebbels usava o whatsapp? A Inquisição espalhava a sua mensagem pelo twitter? Os gulags foram uma criação de que versão do facebook? O racismo e a xenofobia nasceram com os smartphones?

O ódio é humano. Gostemos ou não. Infelizmente. Tomara que se fique por palavras mal escritas em disputas idiotas nas “redes sociais”. O problema é quando a intolerância se torna acção e a violência salta para o mundo real. A baboseira digital é apenas isso e só se torna verdadeiramente perigosa quando quem a promove já era perigoso. Enquanto tecla não dispara, não esfaqueia. Enquanto vomita ofensas à distância estamos bem. O problema é quando nos cruzamos em carne e osso com ele. Quando o ódio é mais do que verbo mal conjugado. O bom e velho ódio que massacrou milhões de pessoas em qualquer época à escolha nos últimos século. Milénios. Ódio ao mais alto nível, quantas vezes de pessoas com esmerada educação e belas maneiras à mesa.

O mundo seria melhor sem as “redes sociais”? Depende. Seria certamente melhor sem gente estúpida e mentirosa. Ao mais alto nível. Mas parece que a sua proporção no total global insiste em não descer. Ao mais alto nível.

A internet não estupidifica. Apenas demonstra a estupidez que já existia.

keepcalm

(ainda há tão pouco tempo se elogiavam as “primaveras” possíveis graças a essas mesmas redes sociais e se acreditava que poderiam trazer uma renovação à democracia...)

O Ministro Que Nada Sabe, Nada Leu, Nada Viu, A Menos Que Lhe Metam Pelos Olhos Dentro!

Irra, pá! Acorda!!!

Tiago Brandão Rodrigues reagia à notícia publicada pelo semanário Expresso, segundo a qual em muitas escolas há este ano menos aulas de História e Geografia, em função da introdução da nova disciplina de Cidadania e Desenvolvimento e também da reforma da flexibilidade curricular. “Não quero acreditar que diminuam ou menosprezem estas áreas curriculares uma vez que elas são absolutamente centrais e nós temos trabalhado para que elas possam ser centrais”, declarou.

orelhasburro01