E Agora, As Coisas Que Me Incomodam a Sério

Já viram a componente de Matemática da prova de aferição para o 2º ano? Sendo que a prova final do 4º ano era má e cripto-fascista, o que poderemos dizer desta para petizada de 7 anos?

O que se pretende demonstrar? A última questão é similar a algumas que já vi em provas de 6º ano.

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Confirmem-me, Por Favor

Para alunos de 5º ano, na frase “Começou o outono”, que função sintática é desempenhada por “o Outono”?

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2ª Feira e Provas de Aferição (Boas)

A maioria já se sente em férias, mesmo os que aproveitam para fazer um segundo feriado na semana, faltando alegremente às inconsequentes provas de aferição do 8º ano.

E a “inconsequentes” eu acrescentaria mais alguns adjectivos mas almocei bem. E porque adjectivaria – adivinha-se que de forma depreciativa – eu estas “boas” provas de aferição?

Porque era suposto o seu calendário permitir que, ao longo dos anos, fosse possível “aferir” a progressão do desempenho dos alunos nas áreas/competências/etc nas quais revelassem maiores dificuldades.

Exemplifico: os alunos que fizeram prova de HGP o ano passado deveriam ser aferidos três anos depois, quando chegassem ao 8º ano. E o mesmo seria de supor que se fizesse com o Estudo do Meio do 2º ano em relação ao 5º. Ainda cheguei eu a acreditar que poderia ser feita assim uma aferição minimamente decente.

Mas não. Para o ano, no 8º ano será feita uma prova de História, mas não apanhará os alunos que fizeram a de HGP no 5º ano mas sim os que estavam no 6º ano, o que inviabiliza qualquer tratamento minimamente consequente da informação, já de si questionável, colhida nos RIPA.

Ora… se há momentos de sobreposição relativa de conteúdos é entre uma parte da História do 5º ano e a do 8º (nomeadamente ao nível do período da Expansão Portuguesa/Europeia, exploração do Atlântico e alargamento dos horizontes geográficos da Europa Ocidental. Mas não só… se a prova incluir conteúdos do 7º ano, há diversos que também coincidem parcialmente com os do 5º ano. E poderia ser feita – isto é um tipo realmente idiota a pensar que no IAVÉ pensam nisto – uma análise comparativa do desempenho dos alunos em – pronto! – competências equivalentes, mesmo se com um eventual grau de complexidade maior.

Mas não. Parece que estas provas são mesmo para fazer e deitar fora, pelo menos na perspectiva do trabalho com os alunos numa perspectiva de média duração. Claro que acredito que as “equipas” que fazem terão interesse no “processo”, até acrescentarão algo ao currículo, o IAVÉ justificará em parte a sua existência e a equipa do ME sublinhará que faz provas “boas” de aferição no 5º e 8º anos que substituem as “más” de avaliação do 4º e 6º anos.

(e fazem tudo para que esqueçamos a aberração das do 2º ano…)

Que tudo em boa verdade é uma palhaçada, é algo que à 2ª feira se repara com menor bonomia do que em outros dias, mais próximos de uma pausa qualquer recuperada à austeridade da troika (estão a ver como também sou capaz de inserir críticas à “direita” num post de crítica às políticas de avaliação educacional das “esquerdas”?)

E a modos que é assim. Hoje é dia de prova de Educação Visual do 8º ano que de pouco ou nada serve exactamente seja para o que for.

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(a parte mais gira das provas de aferição de agora é aquela meia hora a que os alunos devem chegar à porta das salas antes da prova, sem que exista interrupção nas aulas das salas mais próximas… é só rir…)

Isto É Para Quê?

Falo das  provas de aferição de Educação Musical em regime de “está tudo bem, não se mudam os horários, há aulas para todos à mesma e fazemos de conta que isto é a sério”.

Se acham que isto é uma maneira de dignificar ou valorizar as Expressões, temos realmente concepções muito diferentes do que é algo a sério e o que é uma palhaçada prás massas.

 

Clown

(em turmas de 26-28 alunos, a aplicação da prova é um suplício digno de Sísifo)

Delírios da Aferição “Artística” – 3

Para compreender melhor este post, convém ler a contextualização feita no anterior. Embora, mesmo sem isso, seja perceptível o enorme paradoxo dos defensores de uma pedagogia “moderna”, “inovadora”, “criativa” e a forma como depois pretendem proceder ao registo exaustivo do desempenho (ou será das competências) dos alunos de 7-8 anos numa prova de “Expressão Artística”. As grelhas, antes de mais, são um quebra-cabeças para quem tem de as preencher. Mas têm um sentido mais profundo… quando se percebe que isto é a “aferição boa” que certas almas defendem para levar o nosso ensino para o século XXI.

Para que é de pequenino que se grelha o pepino.

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Delírios da Aferição “Artística” – 2

Acho que é importante contextualizar-se a realização destas provas de aferição para o 2º ano de escolaridade, para efeitos de análise da coerência dos conceitos e das metodologias.

Relembremos: uma prova final de 4º ano com um peso de 30% na avaliação era má, afunilava o ensino para o treino para as provas, traumatizava crianças ainda muito jovens com o seu formalismo e, não estou a exagerar, era uma espécie de resquício do “fascismo” e do “exame da 4ª classe”. É importante termos isto em mente e mais umas coisas sobre a importância da libertação do ensino das amarras de uma pedagogia muito directiva e obcecada com o desempenho, os conhecimentos, o tempo para fazer algo mais lúdico.

Observemos agora o que se pretende que alunos com 7-8 anos façam durante 90 minutos mais 45, mantendo a sua atenção numa prova profundamente palavrosa e com um enunciado que seria excessivo numa tarefa curricular de leitura criativa, seguida de dramatização.

Até pode ser “giro”, mas para alunos do 2º ano é esta a forma correcta de se avaliar/aferir seja o que for numa área como as expressões “artísticas”? Qual o “paradigma” conceptual que permite avaliar/aferir o desempenho “artístico” de uma criança nesta altura? Sim, conheço alguns referenciais para se fazerem diagnósticos individuais, mas não com provas “universais”.

 

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