Haveria de Concordar

Com o Alexandre Homem Cristo (sim, eu não estou contra tudo o que ele ou outros escrevem, basta que escrevam coisas coerentes e com lógica não ditada por interesses). Estas provas de aferição, criando um corte com o que era passível de comparação a médio prazo, não explicam nada de relevante antes de alguma acumulação de dados ao longo do tempo. Em si mesmo são a tal “fotografia” que capta um momento, sem sequência e com critérios altamente discutíveis, do desempenho dos alunos. Mas como as provas das mesmas disciplinas só acontecerão de quando em vez, dificilmente será possível constituir uma série de dados que sirva mais do que agendas políticas de circunstância. Por exemplo, este ano os resultados foram “maus”, pelo que justificarão a intervenção em curso na gestão do currículo. Para o ano, prognostico melhores resultados (num outro pacote de provas) que, a um ano de eleições, permitirão “provar” a justeza de tal intervenção (tal como os resultados dos PISA 2015 justificaram a priori tal justeza).

correlation

Anúncios

(Des)Coincidências

Embora no site oficial do IAVÉ ainda nada esteja, foi escolhido o dia de ontem para divulgar o relatório das provas de aferição do ano lectivo anterior, quase um mês depois do início das aulas e muito mais tempo depois da definição das planificações pelos professores e escolas para este ano.

O resultado foi que hoje – Dia Mundial do Professor – a consequência foi o anúncio de uma espécie de catástrofe nos resultados (cf. PúblicoRTP,  TVI24, etc) e, obviamente, a necessidade de tomar medidas. O interessante é que a realização destas provas de aferição, apresentadas como uma forma soft de avaliar os alunos, sem pressão sobre as escolas e apenas como ferramenta de monitorização das aprendizagens a meio do ciclo, está a transformar-se rapidamente no inverso e num pretexto para o SE Costa aparecer a forçar mais alterações na gestão do currículo e para dar a entender que a culpa é dos professores que precisam de mais “formação”.

Claro que tudo isto podem ser coincidências, notadas apenas por um teórico da conspiração. Mas… a forma e o timing da divulgação, bem como a retórica utilizada. Não deixa de ser curioso que a mesma equipa ministerial que reclamou o sucesso dos resultados dos alunos portugueses no PISA (“Recomendações do PISA estão plasmadas no programa do atual Governo”), agora apareça a legitimar o discurso catastrofista.

“Ninguém pode ficar tranquilo quando se tem um conjunto tão alargado de alunos que não está a aprender com qualidade”, comentou o secretário de Estado da Educação, João Costa, na apresentação dos resultados à comunicação social, acrescentando que estes dados mostram que o ministério teve razão quando antecipou a realização das provas de aferição para anos mais precoces, de modo a permitir “que as intervenções se façam atempadamente”.

Sinceramente, por um momento, sinto saudades de quem escreveu o seguinte sobre a desconformidade entre os resultados das avaliações feitas pelo IAVÉ e pelas entidades internacionais:

Os resultados contraditórios devem alimentar reflexão sobre se se estão a avaliar as mesmas dimensões e sobre a robustez dos diferentes instrumentos. Para referir apenas um exemplo, quando vemos que há uma progressão consistente dos resultados do PISA, mas os alunos portugueses não exibem o mesmo nível de progressão nos exames nacionais de 9-º e 12.º ano, devemos questionar as razões para esta assimetria e até avaliar os nossos próprios instrumentos de avaliação externa – um desafio para o Conselho Científico do IAVE.

E que tal fazer-se um estudo sobre o nível de empenho e preocupação da generalidade dos alunos com estas provas, que a maioria percebia serem de nulas consequências para o seu trajecto escolar? Ou esperar por ter dados suficientes para tirar conclusões, em especial por parte de quem tantas vezes afirmou que um “exame” ou prova num dado dia é apenas um elemento secundário na avaliação do trabalho dos alunos? Não será que apenas mudarem o pretexto para malhar nos do costume?

blue contact

Vão Chegando

Vá lá que eu marquei a reunião com os EE só para dia 26. Mas lá que dava jeito terem chegado quando se está a planificar o ano, isso dava, porque estes relatórios parecem menos incipientes e descritivos do que os outros. Porque eu posso criticar esta nova forma de “aferição” mas não deito fora tudo com a água do banho. O Arlindo tem o calendário da chegada dos REPA.

Os REPA Estão Aí

Epistolografia

Isto Tem a Sua Graça (ou Não e Nem Vale a Pena Pensar Nisso)

Estive a “analisar” os “resultados” da prova de aferição de HGP da minha DT (não me perguntem como, é um processo sofisticado que implica pensamento “criativo”, porque do “crítico” eu já tenho de sobra). Aquilo está dividido de uma forma que deixa o que se podem considerar “conteúdos” de um lado e as “competências transversais” de outro. Pela conversa que temos lido e lido, estas últimas são “superiores” aos meros “conhecimentos enciclopédicos” e deduz-se que serão uma fase mais avançada que os alunos só alcançarão com maior dificuldade.

Rai’s parta os miúdos a quem não explicaram isso. Quase todos, incluindo os próprios alunos com nee, apresentam um desempenho melhor nas transversalidades do que nas coisas enciclopédicas mesmo sem terem levado com o “empurrão” do pafismo educacional do SE Costa. Ou então somos nós que por aqui somos muito bons (para quem conste não fui eu o professor de HGP deles no 5º ano) e “treinámo-los” muito bem nas barras assimétricas.

(não sei se isto é geral, mas pela parte que me tmetooca, a teoria das “competências superiores” levou um pontapé na cabeça…)

Porque me dei ao trabalho (também fiz algo parecido para a prova da Matemática/Ciências, mas aí não isolaram “transversalidades”, parece que são coisas só das Humanidades) de perder uma hora ou duas a fazer este tipo de “análise”? Porque, afinal, os encarregados de educação merecem que alguém descodifique a treta descritiva dos RIPA.

transversal

 

Se Isto Fosse Para Levar a Sério…

… juntamente com as provas de aferição do 5º ano (por exemplo), deveriam chegar os resultados ou perfis de desempenho dos alunos e turmas (os REPA, em particular) para que, ao constituírem-se as turmas para 2017-18, pudessem ter-se em consideração as competências ou domínios a necessitar de maior intervenção quando isso justificasse acertos na definição dos grupos-turma. Ou mesmo na própria distribuição de serviço aos professores, pois cada muitos docentes têm áreas que têm uma maior apetência por leccionar ou dificuldades que gostam mais de superar com os alunos. E isso seria importante, nomeadamente, na área da Matemática e Ciências, na qual houve prova este ano.

Mas não. Parece que apesar de toda a informatização que gera aqueles códigos giros, só lá para daqui a uns tempos é que as coisas chegam, perdendo-se tempo precioso se é que querem mesmo que aquilo sirva para algo.

lampadinha21

Insisto

Sei que dificilmente com efeitos. As equipas que produzem as provas e exames do IAVE deveriam ser públicas, pois na opacidade tudo passa impune (desamigar é fácil nas redes sociais, mas difícil em sistemas de amiguismo enraízado). Não são admissíveis erros deste tipo (nem falo das alegadas fugas) ou que critérios de classificação/codificação de provas sejam alterados a menos de 48 horas da entrega das provas, como anda a acontecer por aí, para desespero de quem tem de alterar grelhas sucessivamente.

fog