Isto É Para Quê?

Falo das  provas de aferição de Educação Musical em regime de “está tudo bem, não se mudam os horários, há aulas para todos à mesma e fazemos de conta que isto é a sério”.

Se acham que isto é uma maneira de dignificar ou valorizar as Expressões, temos realmente concepções muito diferentes do que é algo a sério e o que é uma palhaçada prás massas.

 

Clown

(em turmas de 26-28 alunos, a aplicação da prova é um suplício digno de Sísifo)

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Delírios da Aferição “Artística” – 3

Para compreender melhor este post, convém ler a contextualização feita no anterior. Embora, mesmo sem isso, seja perceptível o enorme paradoxo dos defensores de uma pedagogia “moderna”, “inovadora”, “criativa” e a forma como depois pretendem proceder ao registo exaustivo do desempenho (ou será das competências) dos alunos de 7-8 anos numa prova de “Expressão Artística”. As grelhas, antes de mais, são um quebra-cabeças para quem tem de as preencher. Mas têm um sentido mais profundo… quando se percebe que isto é a “aferição boa” que certas almas defendem para levar o nosso ensino para o século XXI.

Para que é de pequenino que se grelha o pepino.

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Delírios da Aferição “Artística” – 2

Acho que é importante contextualizar-se a realização destas provas de aferição para o 2º ano de escolaridade, para efeitos de análise da coerência dos conceitos e das metodologias.

Relembremos: uma prova final de 4º ano com um peso de 30% na avaliação era má, afunilava o ensino para o treino para as provas, traumatizava crianças ainda muito jovens com o seu formalismo e, não estou a exagerar, era uma espécie de resquício do “fascismo” e do “exame da 4ª classe”. É importante termos isto em mente e mais umas coisas sobre a importância da libertação do ensino das amarras de uma pedagogia muito directiva e obcecada com o desempenho, os conhecimentos, o tempo para fazer algo mais lúdico.

Observemos agora o que se pretende que alunos com 7-8 anos façam durante 90 minutos mais 45, mantendo a sua atenção numa prova profundamente palavrosa e com um enunciado que seria excessivo numa tarefa curricular de leitura criativa, seguida de dramatização.

Até pode ser “giro”, mas para alunos do 2º ano é esta a forma correcta de se avaliar/aferir seja o que for numa área como as expressões “artísticas”? Qual o “paradigma” conceptual que permite avaliar/aferir o desempenho “artístico” de uma criança nesta altura? Sim, conheço alguns referenciais para se fazerem diagnósticos individuais, mas não com provas “universais”.

 

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Delírios da Aferição “Artística”

Ainda não coloquei as mãos em todo o guião do aplicador da provas de aferição “expressões artísticas” do 2º ano. Mas já me chegaram algumas imagens que demonstram até que ponto quem faz estas coisas desconhece em absoluto os miúdos com esta idade. Há nacos de instruções completamente disparatados, seja em extensão, seja em multiplicidade de indicações.

Perdoai-lhes, senhor@s, porque não sabem o que fazem!


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Consta Que…

… as provas de aferição do 2º ano têm sido assim a modos que… confusas, claramente desadequadas às condições e idade dos alunos e mais outras coisas que não valerá a pena desenvolver sobre caixotes. E mobilizam-se dezenas de professores para secretariar, aplicar, vigiar, observar, verificar, registar e infernizar. Mas como há quem diga que estas são as provas “boas”, tudo passará como se alguma coisa de relevante se tenha passado, observado e aferido neste país de fingimentos nunca cansado.

MagrittePipe

 

6ª Feira

Chegou. A próxima semana e a seguinte serão mais curtas, felizmente. Mas a 2 de Maio começa a romaria das provas de aferição. No caso da de 5º ano de EV/ET (são duas disciplinas, mas apenas uma prova a lembrar que isto já foi uma disciplina), para além do material requerido oficialmente, parece que as escolas também devem fornecer caixas (vazias) de ovos (em papelão? em plástico) e pacotes de cereais (alguma preferida? pode ser marca branca) para a realização da prova.

Sinto uma enorme vontade de comentar, mas ainda acabo a escrever coisas desagradáveis e, como disse, já é 6ª feira e cai a tarde no horizonte, com chuvinha e tal e coiso e é melhor ficar por aqui. E estas são as provas boas, as que aferem. Em 90 minutos que, em circunstâncias normais, é tempo para dois pedidos para ir ao dabliucê.

Peris

(e nem é bom falar que o IAvé se esqueceu que há disciplinas que em algumas escolas têm apenas um ou dois elementos e tal… enfim… o habitual conhecimento do terreno em enorme detalhe… sempre eu gostando de saber se aqueles conselhos consultivos com associações de professores disto e daquilo servem para alguma coisa)

Haveria de Concordar

Com o Alexandre Homem Cristo (sim, eu não estou contra tudo o que ele ou outros escrevem, basta que escrevam coisas coerentes e com lógica não ditada por interesses). Estas provas de aferição, criando um corte com o que era passível de comparação a médio prazo, não explicam nada de relevante antes de alguma acumulação de dados ao longo do tempo. Em si mesmo são a tal “fotografia” que capta um momento, sem sequência e com critérios altamente discutíveis, do desempenho dos alunos. Mas como as provas das mesmas disciplinas só acontecerão de quando em vez, dificilmente será possível constituir uma série de dados que sirva mais do que agendas políticas de circunstância. Por exemplo, este ano os resultados foram “maus”, pelo que justificarão a intervenção em curso na gestão do currículo. Para o ano, prognostico melhores resultados (num outro pacote de provas) que, a um ano de eleições, permitirão “provar” a justeza de tal intervenção (tal como os resultados dos PISA 2015 justificaram a priori tal justeza).

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