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O número de provas de elevada aferição que deverei codificar (certo?) enquanto decorrem reuniões de avaliação, matrículas, vigilâncias, relatórios de final de ano, balanços de conteúdos e etc. Claro que teoricamente estamos dispensados da componente não lectiva, mas nem sempre é bem assim. Uma colega dizia-me hoje que no seu agrupamento quase com vista para o Tejo a senhora directora disse que todo o serviço é obrigatório, apesar de estamos a aferir/codificar.

Mas o despacho deste ano já existe: Despacho Dispensa Serviço Classificadores.

No meu caso codificarei em devido tempo e com o adequado rigor, porque a petizada não tem culpa das inutilidades alheias que as obrigam a fazer e de cujo “resultado” ou “(in)conseguimentos” tomarão conhecimento (?) daqui por uns meses. Mas confesso a minha animosidade em relação a tudo isto que não passa de um simulacro de “monitorização das aprendizagens”. Pelo menos esta prova de HGP de 5ºano foi, em termos técnico-científicos”, bem melhor do que a de há dois anos. Quanto à do 8º, foi uma espécie de sorteio de conteúdos pois em 90 minutos não se afere nada relevante relativo a dois anos de escolaridade de duas disciplinas.

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5ª Feira, A Da Aferição Boa

Melhor pergunta de jovem de 5º ano, ontem, quando lhes expliquei que ia vigiar a prova de Matemática/Ciências, que eram 90 minutos, que tinham de manter aquele comportamento que consideram anti-natural e lhes disse mais ou menos a extensão da dita cuja: “Professor, e o que posso trazer para me distrair quando acabar?”.

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Há Pouquíssimas Coisas Mais Inúteis…

… na nossa Educação do que as provas de aferição em anos intermédios e disciplinas sortidas. Até poderia ser uma boa ideia, caso a implementação não tivesse sido de forma a torná-las umas desnecessária excrescência (sim, o pleonasmo é intencional). Nem vou falar nas de EF para não ser mal interpretado e bombardeado de novo pelo clube dos seus promotores e defensores da sua inigualável qualidade e relevância para o melhoramento do nosso sistema educativo. Nem no caso do 2º ano, porque é de pequenino que se exibe o jeitinho. Falo mesmo da outras, daquelas que, como as do 5º e 8º ano, não serve para praticamente nada, excepto para o poder que está transmitir aos incautos ou verdadeiramente ignorantes a sensação de se estar a fazer uma qualquer monitorização das aprendizagens, com umas provas que incluem um sortido de questões de diversas disciplinas como meter Matemática e Ciências na mesma prova de 5º ano e História e Geografia na de 8º. Se fossem os professores desses anos a marcar dois testes no mesmo dia, com matérias teoricamente globais de dois anos (como no 8º) eu queria ver por aí gente a arrepelar cabelos e acusá-los de torturadores de jovens. É verdade que em provas anteriores as perguntas de uma das disciplinas são do mais reduzido e elementar possível, mas isso só prova que não servem para aferir seja o que for. Tudo isto é um simulacro, um fingimento, que nem sequer procura disfarçar muito bem que não é para levar a sério, pois fazem-se provas sem coordenação entre ciclos, por forma a analisar o desempenho dos alunos da mesma coorte, nas mesmas matérias, ao longo dos ciclos.

Este ano estou com curiosidade para ver as provas de HGP (5º) e H/G (8º) para ver se melhorou ligeiramente a qualidade em relação à que foi feita em 2016-17 em HGP. Já agora… se isto servisse para alguma coisa, deveria ser a geração do 5º ano em 2016/17 a fazer prova de H/G quando chegasse ao 8º. Mas esses só lá chegam para o ano… E os que fizeram a prova de Estudo do Meio este ano ainda estão apenas no 5º, pelo que a prova do 5º também é feita à medida de nada.

Mas ocupa-se tempo, destacam-se milhares de professores para horas de vigilância ridícula, gasta-se papel (enquanto não é tudo online) e encena-se qualquer coisa. Porque isto é apenas uma representação. Nem sequer muito divertida. E de qualidade muito duvidosa.

Circo2

 

 

Na Secretaria De Estado, Um Retórico Habilidoso

O SE Costa tem uma certa habilidade com as palavras. Diz coisas que parecem quase irrefutáveis quando não passam de falácias. Repare-se no exemplo seguinte:

Sobre a existência de material necessário para a sua realização nas escolas, a propósito de notícias recentes como a do jornal “Público”, que referia o uso de paredes como espaldares em Educação Física, por exemplo, João Costa defendeu que “o mais interessante não é perceber se a escola tem o material para a prova, é perceber como é que as escolas cumpriam o currículo sem o material”

A uma primeira vista, o homem parece ter razão. Mas não é bem assim e a coisa é bem mais grave do que a espécie de trocadilho que ele faz, certamente popular na sua corte erguida com muita laca e madeixas.

Vejamos:

  • O “currículo” foi definido quando e atendendo às condições das escolas? As “metas” definidas no seu mandato consideraram as condições em que iriam ser aplicadas? Eu posso definir um currículo de “Engenharia Aero-Espacial” e mandar aplicá-lo sem estudar se existem condições?
  • Se as escolas do 1º ciclo estão na dependência das autarquias, nomeadamente quanto ao seu equipamento, de quem é a responsabilidade da falta de material? Não será daqueles a quem João Costa quer entregar a gestão de TODO o parque escolar (excepto das escolas de 1ª da Parque Escolar)?
  • Estas provas de aferição são uma forma de amesquinhar as escolas e os professores por não cumprirem o “currículo” (que no caso de outras disciplinas é considerado “enciclopédico, incentivando-se o seu não cumprimento) ou têm mais algum objectivo do que darem mais horas ao grupo disciplinar de Educação Física?
  • Já agora, e numa de ir mesmo às canelas, porque será que existem escolas, mesmo Secundárias, que continuam sem condições mínimas adequadas ao cumprimento do “currículo” de uma disciplina que agora passa a contar para o acesso à Universidade? Eu percebo que a alguns isso passe ao lado, porque os seus educandos livraram-se desse azar, mas há quem tenha de lidar com essa realidade e a alguma consequente arrogância. E entre falta de condições para fazer umas provas de aferição (como as do 2º ano) destinadas quase em exclusivo a satisfazer um lobby de amigos e a falta de equipamentos e espaços para cumprir uma disciplina do Secundário vai uma diferença que habilidades retóricas não podem esconder.

Pinocchio

 

Recomendo Vivamente A Leitura

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Não sei se anseie muito pela criação deste Português Novo, algo imbecilizado, mas atlético.

As “informações complementares” têm pouco mais de uma semana e acredito que existirá uma corrida às sportzones e decathlons que existem pelo país.