Hoje Vai Ser O Dia Do Anúncio…

… de uma série de medidas, das quais 30% não sairão do papel, 30% não serão implementadas na sua totalidade ou sequer perto disso, 30% terão a ver com a necessidade de fazer estudos para assegurar que serão bem implementadas, 30% para monitorizar a forma como estão a ser implementadas, 30% para avaliar como foram implementadas e 30% vão sair à casa, que é sempre onde fica uma boa parte disto tudo.

Quem acha que tudo isto soma mais de 10% é porque ainda não percebeu nada da Matemática para o Sucesso ou de Finanças Públicas para o Bolso Sempre dos Mesmos.

Sábado

Ontem, pela noitinha, o ministro Costa apareceu nos ecrãs a dizer algo como serem necessários apenas “ligeiros ajustamentos” sobre o arranque do ano lectivo e o preenchimento dos horários dos professores, com ar de aparente tranquilidade, pois segundo ele apenas existem problemas na região de Lisboa e vale do Tejo e e em alguns grupos disciplinares, voltando a repetir a questão de T.I.C.

Infelizmente, os factos e as suas próprias acções desmentem-no de forma evidente.

Em breve, será possível verificar que a atribuição de horários a pessoas com evidente incapacidade para leccionar, em alguns casos por estarem com baixa médica de longa duração e outras com atribuição dos chamados “serviços moderados” por Juntas Médias de Medicina do Trabalho (e não na sequência de atestados médicos que se gosta de dar a insinuar que serão discutíveis, mas depois diz-se que serão poucos, mas deixa-se no ar o cheio a podre…), implica um conjunto de substituições ainda em Setembro que rapidamente esgotarão @s candidt@s disponíveis ou interessados, nomeadamente quando se tratarem de horários incompletos. A isso acrescerão outras situações conhecidas, previsíveis, mas que o ME decidiu ignorar na sua demagógica investida propagandística. Isto é a pontinha da ponta do icebergue que está a chegar.

Mas, por outro lado, se é verdade que existe escassez em poucos grupos disciplinares, com destaque para TIC, qual a urgência em negociar uma alteração das habilitações para a docência em TODOS os grupos disciplinares e não apenas nos que se considerem de intervenção prioritária? Porque existe tanta pressão para publicar um despacho que, como disse, revê em baixa as habilitações exigidas para leccionar, se o ministro diz que quase só faltam professores de TIC?

Tiques de sonsice?

(desculpem-me a a curiosidade, mas quem é o emplastro?)

Municipalização E Propaganda

Enviaram-me este exemplo, mas acredito que existirão muito mais pelo país. Não é que ache mal a solenidade do arranque do ano lectivo e muito menos o acolhimento dos professores, em especial dos novos, mas ainda vai andar por aí a escorrer muito dinheirinho. A principal vantagem é que não irá para uma rotunda…

Será Que Vão Ter De Fechar Mais Urgências?

Ou é tudo gente aposentada? É que a 3 profes por Junta Médica dá muito médico ocupado. Não se esqueçam ainda que os atestados “médicos” são passados por… médicos.

O Ministério da Educação vai avançar com 7.500 juntas médicas para avaliar os professores no âmbito da mobilidade por doença.

(sim, eu sei que na prática são muito menos, pois cada uma vê dezenas ou mesmo centenas de professores e que é apenas mais uma manobra mediática do hábil ministro Costa, prontamente amplificada pela comunicação social de serviço)

O Primeiro Passo

O Conselho de Escolas “recomenda” algumas coisas sensatas, como a realização de exames no Secundário apenas nas disciplinas ligadas ao acesso Ensino Superior. O resto, em especial quanto ao Ensino Básico, oscila entre alguma sensatez e a abertura da porta para o fim das provas de avaliação externa com algum impacto na progressão dos alunos. Porque as provas de aferição, como existem, são apenas um pretexto para manter algumas equipas de trabalho no IAVÉ. Se tanta gente aparece por aí a dizer que está tudo “normal”, que as escolas estavam preparadas para isto, aquilo e aqueloutro, que lógica tem eliminar as provas finais de 9º ano? Será que é apenas um véu para acabar com os rankings que tanto incomodam certas sumidades?

Pena que não tenha ainda tudo tempo para recomendar nada acerca da situação da escassez de docentes. Afinal, os professores não passam de auxiliares dos directores na implementação dos normativos centrais, certo? Sem provas finais ou qualquer outra avaliação externa, ainda se torna mais fácil produzir sucesso até aos 103,2%.

Auto-Avaliação

A Equipa Técnica da Autonomia e Flexibilidade Curricular produziu um relatório em que avalia muito bem a sua própria actividade.

Merece claramente um Excelente, sem necessidade de aulas observadas.

Ao longo do processo de acompanhamento e monitorização das escolas, continua a verificar-se a concretização da Autonomia e Flexibilidade Curricular a nível nacional, conduzindo à ambicionada Escola autónoma que gera uma Educação de qualidade para os seus alunos, conhecedora da confiança depositada em si, com a assunção da responsabilidade inerente à sua missão. O reforço da autonomia da escola e dos seus profissionais relativamente ao desenvolvimento curricular colocam-na como detentora de instrumentos que possibilitam a gestão do currículo, de forma a integrar estratégias promotoras de melhores aprendizagens, em contextos específicos e perante as necessidades de diferentes alunos, assim como estabelecendo prioridades na sua apropriação e assumindo a diversidade nas opções que melhor se adequam aos desafios do seu projeto educativo.
Continuamos a percorrer um caminho para uma Escola inclusiva, que respeita a heterogeneidade dos alunos, elimina obstáculos no acesso às aprendizagens, contemplando a diversidade e garantindo a aquisição de múltiplas literacias necessárias ao cidadão do Século XXI, na sua formação integral ao mesmo tempo que valoriza os alunos, lhes dá voz e possibilita a construção do seu projeto de vida, ao traçar um percurso formativo próprio.

Ou Não!

Os professores e funcionários das escolas vão ser testados ao vírus SARS-CoV-2 no início do 2.º período, de acordo com informação divulgada pelo Ministério da Educação que antecipa que o processo esteja concluído até ao final da segunda semana de aulas.

Isto faz lembrar aquelas obras que são anunciadas… depois anuncia-se o concurso… depois lança-se o concurso… depois anunciam-se os resutados do concurso… depois lança.se a primeira pedra… depois…

Pelas minhas bandas ainda só soubemos do anúncio, portanto… lá para o Carnaval levaremos com a pedra.

Propaganda (De)Formativa

Só me apareceu hoje este post feicebuquiano do SE Costa, que um amigo meu partilhou para justamente discordar desta forma de instrumentalizar a formação contínua, afunilando-a ao serviço dos feudos dos amigos. Como os serviços centrais do ME, os CFAE levam palmadinhas nas costas se forem extensões acríticas da direcção política, com uma autonomia mínima.

Hoje, em Fátima, reunimos os diretores dos Centros de Formação, para apresentar os próximos passos na formação contínua:

Continuidade do projeto MAIA, sob coordenação científica do Prof. Domingos Fernandes.

– Continuidade do programa de capacitação digital dos docentes, integrado no plano de transição digital na educação.

Matemática do Ensino Básico, sob coordenação da Professora Leonor Santos, para capacitação científico-pedagógica para as aprendizagens essenciais da disciplina, que integram novas áreas como o Pensamento Computacional.

Educação Inclusiva, sob coordenação científica do Prof. David Rodrigues, para a capacitação das escolas a nível organizacional e para práticas concretas de inclusão.

– Aprendizagens Essenciais, para atualização científico-pedagógica dos docentes nas suas áreas específicas.

Os CFAE têm desenvolvido uma atividade intensa em muitas frentes, permitindo que as medidas curriculares sejam debatidas, monitorizadas e divulgadas.

Muito obrigado pelo trabalho de todos!

3ª Feira

Haveria que distinguir com clareza o que é formação de professores do que são, em maior ou menor escala, acções de propaganda governamental. Se é para irem ler o que foi legislado, sem qualquer valor acrescentado ou crítica, é pouco mais do que conferência de imprensa, sem sequer dar direito a perguntas em tempo real.

Um Livro Que Transpira (Mesmo Alegando Que É Democracia) É Um Dos Raríssimos Casos Em Que Sou Capaz De Dispensar O Manuseio E Exploração

Caro colega Paulo Jorge Alves Guinote

É com enorme satisfação que anunciamos a publicação de Metodologias, Métodos e Situações de Aprendizagem, uma obra que pretende ajudá-lo a organizar a sua ação pedagógica de forma mais diversificada e desafiante.

Este é um livro que transpira democracia na forma como entende as crianças e os jovens, protagonistas do processo de ensinar, de aprender e de avaliar. (…)