6ª Feira

Eu bem posso responder que tudo conta para a nota, que a avaliação é um processo, que o envolvimento e empenho deles é mais importante, que me são dirigidos olhares duvidosos de quem acha que não é bem assim. Aliás, lá em casa, não é raro que a grande preocupação seja a da “nota” e não tanto se o “processo” decorreu melhor ou pior. E fazem-se médias e por muito que se apresentem “ponderações” específicas para cada “instrumento”, nem sempre isso é encarado como se fosse mesmo a sério.

5ª Feira

Haverá quem ache que chega “ser bom menino” para se ter boa classificação num trabalho escolar; eu mesmo, confesso que acho “querida” a expressão que saiu a rapaz matulão perante a evidente incompreensão da professora. Mas há qualquer coisa de profundamente errado, desculpem, errado não se diz, direi antes desadequado em tudo isto. Talvez seja eu que estou a ver mal as coisas, a não encarar estas problemáticas pela perspectiva certa. Mas, não sou capaz de aceitar sem protesto todo o processo de infantilização que se instalou, mansamente, na nossa “educação de sucesso”.

Na 6ª Feira…

… vou tentar responder a algumas das questões que já chegaram à organização do “evento” e dar a minha opinião, que alguns acham pouco consensual, acerca da ficção que vivemos em termos de avaliação de alunos e professores. Assim haja tempo para tudo e para dialogarmos.

Alunos e Professores, o que andamos a avaliar?

De Regresso A Alcácer

Há coisas em que só me meto em nome das boas memórias e da amizade. Porque entre Fevereiro de 1989 e Maio de 1990 andei por lá e fiz amigos, mesmo se já tinha um feitio complicado, como poderá confirmar quem andou pelos Salemas ao mesmo tempo.

Que ninguém vá ao engano… não vou revisitar teorias da avaliação, dar “dicas” ou recomendar grelhas. Vou apenas partilhar o meu olhar, muito crítico, sobre o que anda por aí a acontecer, em geral e em particular. E prefiro o diálogo à exposição sem contraditório ou debate.

Alunos e Professores, o que andamos a avaliar?

2ª Feira

Existe uma estranha deriva, que nem é recente, no sentido de tornar “objectiva” a avaliação em Educação. Embora essa pretensa “objectividade” tenha variantes muito diversas conforme se trate de alunos ou professores, existe uma obsessão com a “quantificação” do desempenho. E nunca me canso de repetir que esta obsessão é especialmente contraditória em quem leva imenso tempo a dissertar sobre o carácter formativo da avaliação.

3ª Feira

Se alguém tem “potencial” é porque consegue ir mais além do que está a ir, porque consegue fazer mais e melhor, pelo que é um erro baixar a fasquia ou mudar as linhas do campo para maior conveniência ou capacidade de atracção. Se alguém tem potencial, a atitude correcta, em meu entendimento, é fazer com @ alun@ supere as suas eventuais inadequações (sociais, emocionais, culturais) e se envolva nesse processo. Indo mais longe, não ficando mais perto.

5ª Feira – Dia 67

É gratificante quando se tem alunos que gostam de ir além do que são os conteúdos curriculares, que questionam, que querem saber mais. Que não hesitam em perguntar ou em informar-se sobre assuntos que os interessam ou acerca dos quais sentem curiosidade. Que vão contra os lugares-comuns que afirmam que os jovens de hoje só querem saber do presente, das tecnologias. Alunos que não acham chatos os tais saberes “enciclopédicos” e que querem que o professor os guie na pesquisa ou que discuta com eles aspectos que vão muito além do previsto nos documentos oficiais.

4ª Feira – Dia 45

A recta final de qualquer período é marcada por todo o aparato que agora rodeia a avaliação dos alunos. O que a tecnologia poderia facilitar, a mentalidade burocrática faz por dificultar, criando múltiplos mecanismos de controlo do trabalho dos professores, de quem parece normal desconfiar-se.

4ª Feira – Dia 38

O que lamento é que esta “autonomia”, este nível de liberdade dado às escolas em matéria tão sensível só aconteça numa situação de emergência, não ficando completamente afastada a sensação de que é uma estratégia do ministério para afastar de si qualquer responsabilidade pela resolução de uma situação complicada que ajudou pouco a minorar. Se as coisas correrem bem, foi uma óptima decisão; se correrem mal, foi porque “as escolas” não souberam usar bem tão generosa concessão de poder pela tutela. De qualquer das maneiras, na dúvida, prefiro ter mesmo algum grau de “autonomia”, mesmo que passageiro do que nenhum.