Não Percebo Porque Teve De Ser A Andaep A Contratualizar Isto

Cerca de um milhão de estudantes dos estabelecimentos públicos de ensino de todo o país vão ser testados ao longo do segundo período letivo, com o apoio da rede nacional de farmácias. Esta iniciativa de testagem COVID-19 arranca hoje, na sequência do protocolo assinado entre a Associação Nacional das Farmácias (ANF) e a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP). O objetivo é garantir a segurança dos alunos durante o novo período letivo.

Como?

Escolas fazem acordos com farmácias para testar alunos

As escolas públicas vão fazer acordos com as farmácias locais para realizar testes de despistagem à covid-19 aos seus alunos, revelou esta quinta-feira o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), seguindo assim o repto lançado no início da semana pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

(eu sei que sou um bocado lerdo de compreensão, mas… para quem tanto fala em municipalização… não deveriam ser então as autarquias que até já têm a tutela do 1º ciclo há muito tempo e dos outros ciclos em muitos sítios?)

Não Haveria A Malta De Ficar Traumatizada Com A Avaliação!

O problema é que os que andam por aí com muitas teorizações já não passaram por isto e outros ainda não tinham lá chegado, pelo que a malta com certificado de stress pós-traumático é quem levou com isto ali mesmo no meio da testa em petiz.

Como andei utilmente a arrumar velha papelada no último dia útil da pausa, dei com os meus registos de avaliação do Preparatório e do Unificado e nem me lembrava de como a coisa tinha sido diversificada, em especial no 1º ano do então ainda Ensino Preparatório, ano lectivo de 1975/76 de bela memória.

Então é assim… se bem me lembro as hostilidades começaram em Outubro como era mais ou menos usual e as primeiras “notas” chegaram antes do Natal. Olhando para a ficha que me chegou a casa pelo correio (tenho ainda o envelope e tudo), a tese dominante seria a da avaliação meramente “qualitativa” e do mínimo esforço possível, por boa memória que eu ainda tenha de alguns dos meus professores destes tempos, mesmo do dt que era professor de Ciências e nos atirava com o que calhasse à cabeça se nos lembrássemos de dizer “derreter” em vez de fundir.

Eu “satisfazia” a tudo, menos a Música e Educação Física, porque não havia professores e terá sido provavelmente por essas alturas que comecei a “perder aprendizagens” nessas matérias. Se repararem bem, o dt assinava pelo “Presidente da Comissão de Gestão” que era como então se chamava a CAP.

Algo de que me tinha esquecido por completo é que tivemos notas no Carnaval e nesse caso com a boa e velha escala de 0 a 20. Ou isso ou já existiam semestrais. Como se pode constatar eu já satisfazia de forma muito diferente, com a professora de Trabalhos Manuais a dar-me 10 por caridade marxista, que eu bem me lembro que era do MRPP.

Já havia professor de Música, mas decidiu que ainda não tinha elementos para dar classificação quantitativa e deu-me “Bom” por manifesta desatenção, que eu não percebia nada dos batimentos das mínimas, semínimas, colcheias e semicolcheias. Mas tinha ar atento e compenetrado, que era da miopia.

Chegados à Páscoa, adivinhem lá? A escala de avaliação mudou outra vez… e com ela a folha de registo, que passou a ser em formato A4 e já trazia espaço para a “situação do aluno”, que era uma espécie de avó da “síntese descritiva”. Em coerência, o professor de Música absteve-se de dar nota ou já se tinha ido embora. O professor Gromicho de Matemática mal faltou e o professor Artur de Estudos Sociais também, podendo radicar aí o meu posterior sucesso em Matemática (até chegar o raio das funções no 9º ano) e o gosto pela História. Da professora de Português não me lembro o nome, infelizmente. Educação Física, só mesmo jogar à bola durante os “furos” da dita.

E eis que chegamos ao fim do ano lectivo e, por uma vez, repete-se a escala de avaliação, a dos níveis de 1 a 5, em que se confirma a minha falta de jeito para as manualidades. De Música e Educação Física, nicles e eu deveria processar o Estado por tudo o que mais tarde se passou, ou seja, uma enorme falta de jeito para bater um compasso ou saltar o raio do cavalo. E note-se que a 5 de Junho já estava a petizada de férias até Outubro, sem que isso causasse problemas de saúde mental.

Portanto, quem passou por isto aos 10-11 anos acaba bááácinado para quase tudo.

Quem Escreveu Isto Em 1990 Deveria Ser Considerado o Pai Do Projecto MAIA

Olhem que não é assim tão difícil de adivinhar, para quem fez as profissionalizações nesta altura. Se é que leram a bibliografia essencial da cartilha de então (e de agora). Só que os que agora estão não lhe estão a reconhecer o devido mérito 😀 .

(agradeço ao Henrique Faria o envio do pdf, mesmo se tenho por aí um exemplar em papel, pois comprei muita coisa, em especial quando ficou tudo em saldo, talvez adivinhando no eterno retorno das modas)

6ª Feira

Eu bem posso responder que tudo conta para a nota, que a avaliação é um processo, que o envolvimento e empenho deles é mais importante, que me são dirigidos olhares duvidosos de quem acha que não é bem assim. Aliás, lá em casa, não é raro que a grande preocupação seja a da “nota” e não tanto se o “processo” decorreu melhor ou pior. E fazem-se médias e por muito que se apresentem “ponderações” específicas para cada “instrumento”, nem sempre isso é encarado como se fosse mesmo a sério.

5ª Feira

Haverá quem ache que chega “ser bom menino” para se ter boa classificação num trabalho escolar; eu mesmo, confesso que acho “querida” a expressão que saiu a rapaz matulão perante a evidente incompreensão da professora. Mas há qualquer coisa de profundamente errado, desculpem, errado não se diz, direi antes desadequado em tudo isto. Talvez seja eu que estou a ver mal as coisas, a não encarar estas problemáticas pela perspectiva certa. Mas, não sou capaz de aceitar sem protesto todo o processo de infantilização que se instalou, mansamente, na nossa “educação de sucesso”.

Na 6ª Feira…

… vou tentar responder a algumas das questões que já chegaram à organização do “evento” e dar a minha opinião, que alguns acham pouco consensual, acerca da ficção que vivemos em termos de avaliação de alunos e professores. Assim haja tempo para tudo e para dialogarmos.

Alunos e Professores, o que andamos a avaliar?

De Regresso A Alcácer

Há coisas em que só me meto em nome das boas memórias e da amizade. Porque entre Fevereiro de 1989 e Maio de 1990 andei por lá e fiz amigos, mesmo se já tinha um feitio complicado, como poderá confirmar quem andou pelos Salemas ao mesmo tempo.

Que ninguém vá ao engano… não vou revisitar teorias da avaliação, dar “dicas” ou recomendar grelhas. Vou apenas partilhar o meu olhar, muito crítico, sobre o que anda por aí a acontecer, em geral e em particular. E prefiro o diálogo à exposição sem contraditório ou debate.

Alunos e Professores, o que andamos a avaliar?

2ª Feira

Existe uma estranha deriva, que nem é recente, no sentido de tornar “objectiva” a avaliação em Educação. Embora essa pretensa “objectividade” tenha variantes muito diversas conforme se trate de alunos ou professores, existe uma obsessão com a “quantificação” do desempenho. E nunca me canso de repetir que esta obsessão é especialmente contraditória em quem leva imenso tempo a dissertar sobre o carácter formativo da avaliação.