Os Meninos À Volta Da Fogueira

Parece que o Conselho de Ministros vai reunir de emergência amanhã, por causa do fracasso do pseudo-confinamento que foram ELES a decretar. Mas aposto que as culpas vão ser atiradas para “os portugueses que não seguiram as regras” e tiraram partido das múltiplas excepções (52 que, ao contrário do que a ministra da Saúde disse hoje não são as mesmas de Março). Parece que o problema é o grande problema é das “vendas ao postigo” de bebidas, veja-se lá! Ou dos cafézinhos. Quando um bando de galinhas se desorienta é complicado voltarem a ir ao lugar. O desnorte tem origem bem clara e não vale a pena virem com aquela conversa do “preço de sermos humanos”, porque o valor de centenas de vidas não se mede pela idiotice de alguns, lá porque se acham grande coisa.

O que vão fazer? Aumentar coimas? Impedir umas lojas de abrir e permitir a outras que estejam a atender filas de gente nas zonas comuns dos centros comerciais? Fechar teatros, mas manter abertas as secções de ciclismo das lojas de artigos desportivos? Abrir os atl para justificar escolas abertas? Será que não entenderam ainda que perderam quase toda a credibilidade de tanto quererem agradar a uns e outros, mais amiguinhos, chamando “essencial” ao acessório e insistindo num modelo de confinamento que se via à distância que era uma treta? E que vai assim continuar a ser, pelo que se vai percebendo?

A culpa é do “povo”?

Não, a culpa é de governantes bons para festas e eventos, camarotes e carros à disposição, visitas vip e um crescente descolamento da realidade. Até porque só houve 58 contra-ordenações este fim de semana.

O perigo vem do oportunista Ventura?

Não, o perigo (e mede-se em centenas de vidas) vem de vocelências, impantes em toda a vossa enorme vacuidade. Vocelências é que, em toda a vossa inépcia e cedência a interesses “esquisitos”, acabam por lhe dar força.

A Shora Directora-Geral Graça Freitas Acha Que Os Professores Não Devem Ser Prioritários Na Vacinação

Foi no Parlamento, ou melhor, em vídeo-conferência segura. É a mesma shora doutora que teve estes desempenhos, reveladores de fina perspicácia.

(julgavam que ela se tinha esquecido do sacrifício que foi ter as netinhas em quarentena não sancionada pela vóvó?)

E Se Fosses “Empacotar” Alguma Coisa?

Não é fácil ser mais balofo na argumentação do que o deputado Silva, Porfírio de sua graça, numa intervenção mediática, mas um tipo engomado de investigador em “economia da saúde”, de sua gracinha Mário Amorim Lopes estava a conseguir há pouco na SICN, ao dizer que uma paragem das aulas presenciais irá “impactar” por diversos anos na vida escolar dos alunos porque estamos numa era em que existe uma “economia do conhecimento”. Um tipo ouve isto e tem um imediato AVC – Acesso Veloz de Comichão.

(e o tipo está mesmo naquela faixa etária e social dos raposos e tavares… parece que engoliram todos o mesmo ficheiro…)

O Senhor Sub-Director Geral César Israel Mendes de Sousa Paulo Não Tem Vergonha Na Cara?

É que nem é a questão do indeferimento, mais do que esperado, mas a “fundamentação” jurídica (???) que é usada e que é perfeitamente ridícula e nula, excepto nos serviços do ME, que se tornaram mero braço operacional do poder político e perderam qualquer autonomia (e dignidade) técnica.

Mas vamos por partes. A resposta incorpora o texto do meu pedido de escusa colocado na plataforma SIGRHE. Destaco a parte porque individualizo o aparelhista César Paulo neste post (a quem eviarei o link para que ele aprecie o que acho da sua excelente ação na melhoria do funcionamento da DGAE).

Exmo(a) Sr.(a) Prof.(a),

Notifica-se V. Exa. Paulo Jorge Alves Guinote, do despacho de INDEFERIMENTO, datado de 2020-12-09 , conforme despacho do Sr. Subdiretor-Geral, do pedido de escusa da função de avaliador externo, com a seguinte fundamentação:

1. Este pedido de escusa tem fundamentações de carácter geral e outras mais específicas que se passam a enumerar, esperando que sejam analisadas na sua substância e não objeto de resposta automática e com remissão para legislação que não se aplica ao caso concreto.

2. De acordo com o artigo 35º, alíneas j) e l) do Estatuto da Carreira Docente (decreto-lei 41/2012), o conteúdo funcional da docência contempla “Participar nas actividades de avaliação da escola;” e “l) Orientar a prática pedagógica supervisionada a nível da escola;”, mas não atividades de avaliação ou supervisão fora da escola do docente.

3. De acordo com o artigo 2º do despacho normativo 24/2012 de 26 de outubro, podem ser avaliadores os docentes que “reúnam cumulativamente os seguintes requisitos: a) Estar integrado no 4.º escalão ou superior da carreira docente; b) Ser titular do grau de doutor ou mestre em avaliação do desempenho docente ou supervisão pedagógica ou deter formação especializada naquelas áreas ou possuir experiência profissional no exercício de funções de supervisão pedagógica que integrem observação de aulas”, o que manifestamente não se verifica no caso presente, visto não cumprir nenhum dos aspetos referidos na alínea b), pois nunca foi avaliador (interno ou externo), nunca fez qualquer formação em tal área, o mesmo se aplicando ao seu mestrado e doutoramento, respectivamente em História Contemporânea e História da Educação.

4. Desta situação informou o órgão de gestão do seu agrupamento que o inseriu na Bolsa de Avaliadores de forma irregular.

5. Em nenhum momento assinou documento em que lhe fosse comunicada a sua condição de avaliador externo, na qual assinalasse a sua concordância, pelo que também lhe foi impossível manifestar a sua discordância formal.

6. De acordo com o seu horário para o ano lectivo de 2020/2021 não estão assinaladas quaisquer horas para a função de supervisão pedagógica ou avaliação. Nem sequer esse tipo de função surge entre as que lhe foram atribuídas, ao abrigo ou não da redução resultante do artigo 79º do ECD em vigor, nomeadamente as de director de turma e representante de disciplina.

7. Acresce a estes factos que, no atual contexto de pandemia e de acordo com os protocolos em vigor, o avaliador está impedido de sequer se deslocar a outras escolas do seu agrupamento por razões de segurança sanitária, pelo que ainda é mais inadequada e potenciador de risco para a sua saúde e de terceiros a sua deslocação a uma escola a que não pertence e a sua entrada em salas de aula com turmas que não as suas.

8. Por todas estas razões, considera-se que está devidamente fundamentado e deve ser aceite este pedido de escusa que ora se apresenta.

Pede deferimento,

Baixa da Banheira, 10 de novembro de 2020.

Agora apreciemos a resposta:

O exercício das funções de avaliador externo impõe-se nos termos da alínea g) do n.º 2 do artigo 10.º e alínea j) do n.º 3 do artigo 35.º do Estatuto da Carreira Docente, não se verificando circunstância pela qual possa razoavelmente suspeitar-se da isenção ou da retidão da conduta de V. Exa, o que garante o cumprimento do princípio da imparcialidade da atuação administrativa, com consagração no artigo 266.º, n.º 2, da Constituição da República Portuguesa e reafirmação no artigo 9.º do Código do Procedimento Administrativo.

Com os melhores cumprimentos,

Diretora de Serviços de Gestão Recursos Humanos e Formação

Maria João Ferreira

Esta resposta é ridícula a vários níveis. Começando pelo fim: em que parte é que eu refiro a minha eventual falta de isenção ou rectidão no meu pedido? Resposta chapa 5?

Mas a parte “jurídica” é que é mais divertida, embora se desculpe por ser assinada por alguém que não tem qualquer formação em Direito (o mesmo se aplica ao aparelhista César Paulo).

O que se afirma na “alínea g) do n.º 2 do artigo 10.º e alínea j) do n.º 3 do artigo 35.º do Estatuto da Carreira Docente“:

Ora bem:

Alínea d do nº 2 do artigo 10º: “g) Desenvolver a reflexão sobre a sua prática pedagógica, proceder à auto-avaliação e participar nas actividades de avaliação da escola;“. Mas o que tem isto a ver com ser avaliador externo? O que é que vocês andam a beber ou fumar? È assim que se safam?

E a alínea j) do nº 3 do artigo 35º: “j) Participar nas actividades de avaliação da escola;”.

Em qualquer dos casos refere-se “da escola”. Da minha escola. Artigo definido. Não é indefinido. Não é de uma escola qualquer. Não é da escola do concelho ao lado ou do outro lado da estrada.

Acham que é assim que se safam? Em que tribunal? Pena que existam organizações que ainda não tenham usado os seus departamentos jurídicos para torpedear isto de uma vez por todas. Assim, terá de ser um interessante exercício individual.

Claro que na DGAE sabem que isto é de uma absoluta falta de vergonha na cara. Mas acham que se safam. E têm-se safado.

Ainda se lembram do “jovem” César Paulo a pedir para lhe publicarmos os textos contra a a ADD?

Já teria o cartão milagroso?

(mesmo sabendo que é chover no molhado e que o despudor é a regra desta malta, claro que seguirão as reclamações e recursos que tenha o engenho de descobrir…)

Quero O Meu Milhão

Para além de razoavelmente bronco (ainda me lembro de no Verão criticar o comportamento do pessoal do sul em relação à pandemia), está desmemoriado, ‘tadinho. Se precisar mando-lhe o meu NIB, rapidinho, rapidinho.

Treinador do FC Porto diz nunca ter criticado “um colega por jogar com 10 jogadores atrás da linha da bola”

Claro que dirá que falou em “equipas”.

“Sinceramente, como treinador, nunca, nunca permitia” que fosse feito a algumas equipas “aquilo que já vi, neste ano e pouco que estou no FC Porto”, para “levar água ao seu moinho e conseguir um pontinho”, defendeu o treinador dos “dragões”.

O antijogo foi precisamente a causa da expulsão de Sérgio Conceição no último jogo do FC Porto em competições nacionais, por ter-se queixado da postura do Desportivo de Chaves no encontro a contar para a Taça da Liga.

Um Dia

Foi apenas um dia em que as aulas pararam desde o início do ano lectivo. Ontem. E com a repetição da “ponte” na próxima semana serão dois. Nada de especialmente grave ou complicado e duvido muito que há dois meses se pensasse ser possível tal façanha. Mas isso não impede que só por causa de um dia se tenham de ler ou ouvir disparates vários, os mais graves deles saídos do teclado (ui, que as redes sociais servem para tanta proclamação de profissionalismo pela rama) ou boca (felizmente, menos por causa do distanciamento e semi-confinamento) de colegas que aspiram por certo ao prémio de “missionário do ano”, “sonso do ano” “capacho do ano” ou qualquer coisa assim do género, que os prémios a sério deste ano, que até trazem honrarias e cheques, já foram entregues. Há momentos em que sinto embaraço por pertencer ao mesmo grupo profissional de gente com tão elevados valores éticos e cívicos que me fazem lembrar logo do mexia. Bem que me dizem que há quem ache que destoo no actual ambiente de boas vontades e abundantes crendices.

(aos do costume, aqueles escribas que recebem ao metro, eu já nem ligo…)

Admira-me Tamanha Admiração

Foi preciso MSTavares entrevistar o André Ventura para muita gente constatar que ele tem do jornalismo uma memória distante e que como entrevistador é uma lástima completa, servindo-se do tempo que lhe dão para atropelar os entrevistados de quem não gosta ou estender o tapete aos que são da sua simpatia? A entrevista de António Costa não parecia um derriço à moda antiga, cheio de olhares e cumplicidades, mas sem proximidade física relevante? Antes disso, já não se tinha visto o “entrevistador” a interromper a despropósito os convidados para fazer as suas declarações pessoais sobre este ou aquele tema da sua estimação? E depois desata a culpar as “redes sociais” por tudo e nada, nunca tendo um pingo de auto-crítica ou de admissão dos erros grosseiros que comete?

Se um entrevistador não está obrigado a ser neutro, também não deve ter sempre a mania de que ele é que sabe tudo (e a verdade é que cada vez ele sabe menos do mundo que o rodeia) e os outros são idiotas (em especial por terem aceite o convite). Em outras paragens há entrevistadores durinhos, também com alguns tiques de “diva”, mas os seus programas têm uma componente de entretenimento assumido. É o caso de Bill Maher, que faz poucos prisioneiros quando leva gente de que não gosta, mas ao menos sabe do que fala.

Mas se a TVI paga ao presidente da CMLisboa para ter um espaço de “opinião”/propaganda, pouco me espanta que ache que vale a pena apresentar o nosso opinador-mor do reino do faz-de-conta como se fosse uma cristina ferreira da informação ou algo mais do que um tipo com uma arrogância só equivalente à sua ignorância funcional e aos preconceitos que se foram agarrando à pele e ele confunde com “frontalidade”. Não, é apenas um envelhecido petiz mimado e malcriado. E não espanta nada que deteste professores.

Phosga-se – Série “Não Há (Quase) Palavras”

Tenho observado publicações cada vez mais do domínio da pura paranóia destes grupos “pela verdade”. Tenho evitado a divulgação, pelo efeito amplificador, mas a bem da “verdade” é preciso que se tome consciência deste pessoal que se distingue, em algumas situações quotidianas, pelo ar de alucinada agressividade. A filiação ideológica é mais do que evidente naquela corrente que nos E.U.A. é alimentada pelo Alex Jones do Infowars e cinicamente alimentada no plano internacional por figuras como o Steve Bannon. Por cá, enfim, é uma coligação muito beta de gente que parece bastante desocupada a vários níveis e que gosta de exibir um tom intimidatório e umas pseudo-pulsões para o martírio cívico (do género “que me levem pres@”, mas depois nem arriscam um tusto em conformidade).

Estranhamente, tirando uma peça da TVI, a comunicação social tem deixado estes grupos no limbo, como se não existissem. O problema é se passarem mesmo a algo mais do que diatribes descabeladas nas redes sociais.