O Outro Lado Das Notícias

Deu brado manso (o Relvas vai longe e o engenheiro ainda mais) que um secretário de Estado deste governo assumiu um mestrado que não completara.

Não acho que seja a forma certa de colocar as coisas. Afinal, o que me parece de espantar é que um tipo que chega a secretário de Estado nem consiga terminar um mestrado bolonhês em Ciência Política no ISCTE.

E ainda diz o Rangel que não há igualdade de oportunidades.

5ª Feira

Fernando Nobre há bastante tempo que revelava uma variante do complexo de Deus. Nos últimos dias, apenas se tornou mais manifesto que alguém que teve uma acção inegavelmente meritória e corajosa no passado, quiçá devido a isso e aos muitos elogios e homenagens que recebeu, passou para aquela fase do ranting que colhe aplausos agora em muita gente que outrora o criticou e causa choque à maioria dos seus seguidores e admiradores. Acontece.

Agora Já Quase Ninguém O Conhece

Levaram anos nas televisões e jornais a elogiar-lhe a obra, pois nada como ter deputados, (ex) governantes, autarcas e mesmo juízes ou futuros czares das comemorações de Abril como comentadores desportivos. Outros a pedir-lhe bilhetes e lugares vip. Pelos vistos, confirma-se que a nossa elite política é dos grupo mais mal informados da população.

A Vidinha, Acima De Tudo

O pragmatismo da real life é muito parecido ao que ficou conhecido como real politik. Os princípios cedem quando os interesses são por demais tentadores. Não adianta muito criticar a falta de coerência em termos de política (inter)nacional, entre o que se proclama e o que se pratica, quando à micro-escala se faz o mesmo ou equivalente. Fica para os anais da minha memória (mas com suporte documental) aquela declaração de um grande “lutador” (que chegou a candidato a líder do spgl) contra a add que, mal surgiu a oportunidade, se tornou avaliador e declarou ao Expresso que o tinha aceite por mais valia ser ele do que outra pessoa a desempenhar a função. O mesmo se pode dizer de quem, declarando-se acérrimo crítico deste ou aquele aspecto das políticas educativas em vigor, mal pode, aceita logo posição ou cargo na estrutura hierárquica de que tanto se criticaram os vícios. E não estou ainda a pensar no ex-contratado que foi para a dgae, porque dela até já saiu, mas de quem muito grita, mas rapidamente se “adapta” de acordo com a lógica do antes eu do que outr@. E que se lixe a tão amada democracia se a nomeação até dá jeito e é o único caminho para satisfazer esta ou aquela ambição.

E quem quiser que enfie a carapuça, que ela nem sequer está escondida. Já sei que vou para o Inferno, ao menos que vá de papo meio cheio e com alguma justificação.

(não, nem sequer esotu a falar da add, repito…)

O Medina Estava Com Cara De Caso

Na conferência de imprensa. Deu umas explicações aparentemente detalhadas (não sei quantas manifestações, não sei quantos processos, mais aquelas tantas comunicações), mas houve ali umas derrapagens cronológicas que passaram quase despercebidas. Parece que se vai lixar um mexilhão (o responsável pela aplicação do RGPD), a menos que seja apenas rearrumado em qualquer outro lado. E à imagem do SEF, extingue-se um serviço, para criar outro para tratar do mesmo.

Mas, pensando bem, ele deve(ria) estar mais preocupado com o galope dos contágios (será que têm havido festas do Sporting todas as semanas?), porque as verbas do turismo vão começar a faltar para tanta obra de mobilidade e outras coisas assim para o cosmopolita e para agradar às tertúlias dos amigos.

O Esperado Desconforto

Esperei para ver como o Governo Sombra iria tratar a questão da nomeação do pedro Adão e Silva para comissário do PS para as comemorações do 25 de Abril e a coisa correu de modo ainda mais curioso do que esperava.

Se o Carlos Vaz Marques é rapaz das minhas idades, os três comentadores são da geração do comissário PAS e fazem parte daquela tertúlia alargada de opinadores em vários espaços da “arena mediática” que partilha de uma série de elementos comuns, que não apenas a idade. Embora com três posturas com tonalidades diversas, a verdade é que desde o mais crítico (um João Miguel Tavares que se deve lembrar das críticas que mereceu por causa do 10 de Junho recente) ao mais complacente (um Ricardo Araújo Pereira com sérios problemas em articular um argumento minimamente consistente sobre o tema), todos decidiram confluir no acessório (e não estou a armar-me em JPPereira). Pu seja, que a questão só surgiu por causa do Porto Canal, do salário do comissário PAS e da dimensão a que pode chegar a equipa de apoio.

Ou seja, entraram pelas questões que se poderão caracterizar, pelos defensores de PAS (papel desempenhado em boa parte pelo RAP e em menor escala pelo Pedro Mexia), como as relativas à “inveja”, não faltando a referência às mal amadas “redes sociais”. Só o JMT recordou o currículo político de PAS, em especial do seu proselitismo socratista, deixando de lado a assessoria a Paulo Pedroso no ministério da Segurança Social. RAP até disse que era interessante terem nomeado alguém nascido em 1974 (o próprio RAP nasce um pouco depois do 25 de Abril, pelo que percebo a afinidade). Com um ataque de amnésia oportuno, parece ter-se esquecido de tudo o que PAS escreveu durante muito tempo, mesmo em períodos recentes, de acordo com a cartilha do PS governamental, mesmo se isso significava mentir sem pudor acerca de vários temas (e ocorre-me um, bem em particular).

Estranhamente, ninguém falou – ou fez isso muito, muito de raspão – na adequação das competências do comissário PAS ao cargo. Porque o trajecto académico de PAS – em especial das reveladas na sua tese sobre o impacto económico do surf ou na de doutoramento sobre políticas públicas europeias. Parece que PAS é simpático, conhece muita gente e almoça com quase tudo o que mexe, tendo estabelecido uma rede de cumplicidades que amarra algumas línguas, tão viperinas quando se trata de nomeações de gente menos dada ao convívio social, aos petiscos e aos comentários futebolísticos.

Ora, a minha crítica não nasceu do salário ou equipa de apoio (acho que a ocasião justifica que quem fique com a função seja bem pago e apoiado) ou de ver uma reportagem no Porto Canal (que não vi, porque é canal que me passa ao lado, como qualquer um ligado a clubes, incluindo o do Sporting), mas sim de achar que Pedro Adão e Silva não tem o perfil mínimo para tal função, excepção feita a, pelo que foi dito, almoçar e jantar com muita gente e ser um tipo simpático. Vamos lá deixar-nos de tibiezas: PAS vai ser um comissário político para as comemorações e não adianta vir dizer que já houve outros no passado (até foram à Comissão de Descobrimentos para “limpar” a actual nomeação); vai ter boa imprensa, porque ele aparece em quase todo o lado e tem lugar residente um pouco em todos os sítios; quem levantar reservas é porque tem inveja do salário e das mordomias ou é do FCPorto. O cenário está montado e faz lembrar outros tempos de intoxicação mediática.

Eu não sou dos que acha que deveria ser um “historiador com vasta obra reconhecida” sobre o tema ou parecido. Sou dos que abominaria tanto um Fernando Rosas como um Rui Ramos na função, porque são líderes de facção. Mas não me chocaria um mais discreto António Costa Pinto, por exemplo, já que não temos entre nós um Medeiros Ferreira. Alguém que, mesmo conhecendo-se as afinidades e inclinações, não tivesse um passado conhecido de deturpação consciente dos factos e de tentativa de construção de uma memória falsa de alguns acontecimentos. Isso é que é importante. Se recebe 4500 euros por mês é o que menos me chateia e se querem que vos diga até acho muito pouco, se compararmos com o balúrdio que vão pagar à esposa do ministro Cabrita por coisa de muito menor relevo. Se vai ter um gabinete de 14 pessoas a apoiá-lo? Desde que não sejam mini-PAS, sempre de cabecinha a dar a dar durante muitos anos perante as piores tropelias, tudo bem. O problema é se são apenas um bando de cartilheiros ou “abrantinos” a quem é preciso recompensar serviços prestados.

Voltando ao Governo Sombra. Percebi onde estão as linhas vermelhas ou as linhas de desconforto. É que o desconforto foi tal que nem uma tirada com piada conseguiram produzir acerca do tema. Quer dizer… eu ri-me com aquela de PAS já ter almoçado com quase toda a gente. Qual gente?

A Renovação Da República

  • João Miguel Tavares no 10 de Junho.
  • Rita Rato no Aljube.
  • Pedro Adão e Silva no 25 de Abril.

Escalas muito diferentes e mordomias bem diversas, mas a mesma lógica.

Costa e Marcelo numa luta comum pela construção de uma memória do regime que lhes seja confortável. Mais do que as nomeações, impressionam-me as “aceitações”. Podia acrescentar outras, até de gente de que conheço melhor o trajecto, pelo que talvez não me espante tanto a Ânsia. Há umas semanas, em conversa com um antigo colega meu dos tempos da Faculdade, a respeito de outra colocação menos visível, confrontávamos perspetivas acerca do que explicará tais “aceitações” ou “candidaturas”. Será que estamos tão mal, que acreditam mesmo que não se arranja melhor, para não dizer muito melhor?

E depois há esta arte de ir colocando peças de diferentes cores no tabuleiro, para evitar grandes oposições. E o que dizer das cumplicidades mediáticas, em que o que ontem se criticava a outros, agora se cala porque se trata de gente “amiga”?

E quem não salta de alegria, em pulinhos de entusiasmo incontido, ou não se cala é porque tem inveja?

“Deixe-me Dizer-lhe De Forma Muito Clara”

Já sabemos que a seguir a isto vem quase sempre treta da grande. Hoje foi o Medina, naquele espaço avençado pela TVI24, um especialista em tornar opaca a água da fonte mais cristalina. acerca dos desmandos da malta do sporting parece que a culpa foi do fim dos governos civis. Poderia ter sido da Mumadona Dias, que escapou por um triz.