Prémio “Nada Como Um Gestor De Marketing Em Cada Escola, Para Ficarmos Todos Embrutecidos, Desculpem, Enriquecidos”

A cruzada do Observador em matéria de Educação, faz-me lembrar um reflexo das políticas curriculares costistas, na sua dimensão “utilitarista” mais idiota. Uns querem filosofias ubuntus, andar de bicicleta e coisas muito mindfulness; os outros querem muita educação financeira e como preencher o irs. Todos querem coisas “práticas” e “úteis para a vida”. De um lado pedagogias patchouly, a ressumar anos 60 e 70; do outro uma variante de educação reaganomics, com todo aquele aroma à ganância típica anos 80-90. Hippies de um lado, yuppies do outro. Duas faces de uma mesma moeda brilhante por fora, mas sem valor para além do tempo passageiro. Desta vez, é um daqueles “gestores de marketing”, precocemente atacados por alopécia estética à hipster que nos vem com a sua “visão” para melhorar a Educação. Não sei onde é que o AHCristo descobre estes cromos, mas realmente é notável esta visionária vacuidade balofa:

Como é possível que não sejamos ensinados na escola sobre a forma como a sociedade funciona, nomeadamente capitalismo, que é, goste-se ou não, o sistema em que vivemos?

Não é plausível que tenhamos 12 anos seguidos de algumas disciplinas e que não tenhamos outras que nos preparariam noutras vertentes importantíssimas da vida, como o cultivo do espiríto [sic] crítico, o direito, a política ou a educação financeira.

Já A Fugir Com O Lombo À Seringa Ou Com O Rabo À Ripada

Não gosto de transcrever ou colocar notícias inteiras aqui no blogue, por razões que julgo óbvias. O trabalho é alheio e deve ser respeitado. Mas como não tenho isto “monetarizado”, abro umas excepções, como esta da notícia da Isabel Leiria no Expresso que demonstra como o agora ministro Costa se prepara para alijar responsabilidades – ou seja, delegar competências – nas matérias mais complicadas e menos populares da pasta.

Como me tenho repetido… não é tipo para assuntos que provoquem fricções na opinião pública ou suscitem mais polémica (só se for em coisas da sua filha curricular, a Cidadania e Desenvolvimento), faltando-lhe o que é indispensável a um político para ser levado a sério. Gosta muito de se armar em vítima, sempre que é criticado, levando para o plano pessoal qualquer desmontagem das suas fraquezas e inconsistências ou das suas questionáveis opções político-ideológicas para a Educação.

O atraso no conhecimento no nome do titular da Educação pode ter mesmo passado por aqui. Não conseguiu continuar como SE, encoberto, com um testa-de-ferro para arcar com as complicações?

Expresso, 25 de Março de 2022

Um Par De Coisas Que (Quase) Me Baralham

Afinal sempre era possível governar em duodécimos, mesmo com evidentes alterações na conjuntura económica. O que significa que, aprovado ou reprovado, parece que o OE22 não é essencial à vida da Nação.

Por outro lado, com todas as alterações que estamos a viver, aquela imagem do primeiro Costa de cópia do OE22 nas mãos no debate com o Rio, para além de todos os gozos gráficos da altura, tornou-se ainda mais anedótica, pois será forçoso um orçamento diferente.

Sábado

A situação pandémica trouxe-nos para o primeiro plano figuras que a maioria desconhecia. Uns com maior capacidade de comunicação e clareza na exposição das suas ideias, outros mais agarrados a modelos matemático e nem sempre com a capacidade de simplificar o discurso. Noves fora nada, quase nenhum acertou plenamente fosse no que fosse, mas a “imagem” transmitida parece ter trazido mais crédito a uns do que a outros, mesmo quando mudaram de posição acerca de estratégias, fazendo piruetas não completamente justificadas pelos factos.

Entre os que melhor transmitiram uma imagem de calma, com explicações que nos pareceram claras e ponderadas esteve Pedro Simas. O problema é que a humana tentação de fazer creditar a imagem é quase impossível, quando as ofertas aparecem. E o discurso vai-se moldando, nem sempre às circunstâncias da pandemia, mas às oportunidades e aos convites. E quem antes o metia no saco dos outros, agora já o endeusa porque é “positivo”, “optimista” e participa no anúncio da “endemia” (palavra que a maioria que a usa, a desconhecia ainda mais do que a pandemia) E não sei se a pessoa ganha arrogância, se ela sempre lá esteve, só que disfarçada com o ar de última batata frita do pacote, após uma ida ao ginásio e um banho em Paco Rabanne.

(Expresso, 28 de Janeiro de 2022, p. 12)

Em Bom Rigor, Embora Do Reino, O Sebastião José Foi Secretário De Estado, Incluindo Da Educação

Porque como secretário de Estado dos Negócios Interiores do Reino (o que incluía a Educação, como bem se destaca quando se tenta ensinar a sua acção reformadora no ensino) esteve quase 21 anos, de Maio de 1756 a Março de 1777. Já sei que dizem que era o equivalente a primeiro-ministro, mas a verdade é que não havia ainda ministro e primeiro era o D. José, não o Sebastião José.

Eu sei que esta coisa da História é chata, mas apresentar o SE Costa, na sua prosa e balanço auto-elogioso no JLetras, como “o secretário de Estado da Educação que permaneceu mais tempo no cargo em toda a história do País é daquelas coisas que pode levantar uma polémica superficial, até porque se vê a História minusculada naquela ortografia depilada que o dito SE tanto aprecia. Por outro lado, em matéria de extensão, parece que o velho António de Oliveira foi o que esteve mais tempo como Presidente do Conselho de Ministros e não é por isso que o vamos considerar uma excelência. Sim, sei que era ditadura e as eleições eram farsolas, mas ao SE costa também ninguém elegeu para o cargo.

Por acaso tinha ficado admirado por ter o ministro Tiago feito o seu auto-elogio o mês passado, nesse caso em forma de entrevista, como se fosse ele a governar a Educação em Portugal. Agora, ficou tudo claro quanto a quem teve direito à última palavra sobre o assunto.

(se estou a ser embirrento? leiam algumas passagens do auto-panegírico e perceberão que até estou a ser caridoso…)

4ª Feira

Em tempos antanhos havia o hábito de se fazerem debates “temáticos” com os especialistas de cada partido numa dada área da governação. Até existiam os chamados “ministros-sombra” ou porta-vozes dos principais partidos para este ou aquele tema. Agora são pequenos grandes líderes que são especialistas em tudo, pelo que não é de estranhar que por vezes cometam tantos erros (ou digam, pura e simplesmente, mentiras), nem sempre de forma voluntária.

Entretanto, ontem, ficámos a perceber que existe uma enorme variedade de opções para os eleitores chalupas. E que há quem faça parecer alguns outros praticamente razoáveis. Até tive pena da representante do MAS que, coitada, parecia cercada por matarruanos, não conseguindo deixar de sorrir.