3ª Feira – Dia 12

E agora é ver todos os escribas que antes diziam não ser tempo para apurar responsabilidades e apontar culpados pela má preparação para a 2ª/3ª vaga da pandemia a ir atrás da vacinação fraudulenta de qualquer um@ que conheça o responsável “local” pela coisa. E eu até acho bem tamanha indignação, mas quer-me parecer que andamos muito preocupados no combate à dor de cabeça, deixando para “o momento ideal” o combate à infecção. Sim, veio ao de cima o que de pior existe em nós (e também em outros), quando existe a possibilidade de usar da bela “cunha” para passar á frente na fila, seja nas vacinas, seja no acesso a subsídios, seja no “concurso” para certos cargos, de administrativo na freguesia a procurador lá pelas Europas. A cunha familiar ou partidária está entre nós de plena saúde. Só me espanta que estejam a vir ao de cima tantos casos, porque o habitual é quem quer denunciar ser intimidado ou cooptado para a marosca.

Mas é emocionante ver tantos artigos de opinião a verberar as más práticas dos pequenitotes da Situação. Resta saber quando acharão que é o tempo certo para ir atrás, sem medo de perder tenças ou comendas, adquiridas ou por adquirir, dos grandotes. Dos que, na prática, permitiram que tudo se descontrolasse, com justificações do mais idiota. E nem vou falar na sucessão de disparates do ministro Tiago que é a prova provada que se pode ser “cientista” e não propriamente muito… muito… sei lá… adequado à função?

(entretanto, recomendo vivamente a leitura da caixa de comentários a este post do Rui Cardoso, com o o requerimento do Luís Braga, no blogue do Arlindo; fica-se com um quadro muito fiel do “país” e, de forma acessória, do que agora são muitas “salas de professores”)

Aguentei Pouco Mais de Um Minuto…

… a ver e ouvir o António Costa a retomar o seu lugar na agora Circulatura do Quadrado. Apanhei-o com ar sonso a dizer que não lhe competia analisar os resultados das presidenciais, mas que o resultado da Marisa Matias talvez fosse decorrente da atitude menos colaborativa do Bloco em relação ao governo e que o João Ferreira tinha consolidado (ou qualquer coisa assim) os resultados do partido que mais tem ajudado a solução “de esquerda” da governação. Esta última parte foi mais explícita do que a anterior, porque o homem para além de se baralhar muito nas concordâncias, tem o hábito de achar que consegue ser subtil e que aquele sorriso azeitoso é charme natural. Não vi o resto, porque até eu tenho limites para o que consigo aturar de auto-complacência e atentados ao pudor em público (até porque o Jerónimo me parece camarada recatado em tais matérias).

(entretanto, leio que “Costa defendeu o ministro da Educação dizendo que “ninguém proibiu” o ensino online” e não há realmente pachorra para tanta aldrabice)

6ª Feira – Dia 1 Do Re-Re-Confinamento

Há pessoas para todos os formatos e feitios. Umas gostam de tirar o adesivo devagarinho, para doer menos, mas durante mais tempo e as que gostam de tirar de repente, por muito que doa naquele instante. Nas aulas, há sempre aquel@ alun@ que decide desembrulhar um rebuçado com prata farfalhante, debaixo da mesa, como se o míope professor ouvisse com os olhos. Qualquer alun@ que me conheça sabe que, mais tarde ou cedo eu acabo a pedir encarecidamente para “descascar” a coisa à vista de todos e depressa, em vez de prolongar o martírio do resmalhar.

O mesmo com isto da pandemia. É para fazer faz-se ou não se faz. Se estão em cima, não é que tenha de ser “para Angola, rapidamente e em força”, mas por amor de todas santinhas, não fiquem a pensar demasiado se afinal, sim, não, talvez, quiçá. Em especial quando isso não se deve a dúvidas sobre o que existe, mas a cálculos acerca do bem ou mal que poderá parecer.

Isto vem a propósito do “cansaço da pandemia” que vem muito à conversa de pessoas que tentam explicar o que não passa de estupidez ou imbecilidade pessoal. E eu sei que ando a usar muito estes termos e nem é que os aprecie especialmente. Só que mesmo depois dos números dramáticos destas semanas, há quem prefira optar pelo chico-espertismo tuga, seja de trela com cão imaginário, seja desenterrando o fato de treino da última caminhada para justificar passeio sem máscara. Ontem, no trajecto de uns 50 metros entre o carro e o portão da escola cruzei-me com 3 criaturas, um casal a parecer um pouco mais velhos do que eu e um solitário, que tinham em comum uma farpela “desportiva”. O casal falava alegremente entre si de máscaras no queixo; o solitário passou pelo portão da escola e subia a rampa sem sinal sequer de máscara por perto, mas com telemóvel na mão, lutando com os fones que iam não estavam nos orelhames. O que eu aproveitei para o olhar e dirigir-lhe uma frase curta, sem palavrões (que só recentemente me passaram a surgie à ponta dos dedos, mas que lhe transmitiu tudo o que pensava daquela atitude, naquele lugar. Teve o decoro de baixar a cabeça e não me responder.

Só que a coisa não é localizada. Hoje, enquanto ia à papelaria para comprar o Público e o volume desta quinzena da bd Rio, lá me cruzei com um punhado de pessoas, só uma delas com máscara. Justificação? Não faço ideia, desta vez nem sequer lhes disse nada, pois ia no carro (calma, o trajecto foi curto e fui motorizado exactamente para não ter a oportunidade de me irritar). Apenas percebo que esta malta anda muito “cansada da pandemia”. Às vezes penso se preferirão o repouso eterno. Dos outros, claro, que eles são santos.

E O Prémio “A Primeira Criatura A Chegar-se À Frente Para Uma Comenda – Versão Pandemia” Vai Para…

Margarida Marrucho Mota Amador, coach e ex-directora do Colégio do Sagrado Coração de Maria e do Externato O Beiral com a seguinte argumentação de cariz profundamente humanista e claramente centrada no interesse maior do país e das crianças. Deve ter batido o JMTavares ou o Baldaia por umas horas.

Além de possibilitar a actividade económica de todos os seus fornecedores, e são muitos, desde o sector alimentar, aos produtos de limpeza e higiene, permite que as famílias que se encontram em teletrabalho, desenvolvam a sua actividade profissional a horas de expediente e com a devida concentração.

Quem Diz Que Não Há “Cientistas” Idiotas?

A notícia original está aqui, mas eu não sou assinante. Fica o resumo. Reparem que é o Tiaguito a opor-se ao fecho. Taqlvez porque saiba tudo o que não fez durante estes meses. Em vez de andar em inaugurações pelo seu santo torrão, talvez pudesse ter-se preocupado um bocadinho mais – só um bocadinho – em fazer chegar computadores às escolas, a alunos e professores.

Repito… não me importo de ir à escola para assegurar o ensino remoto (enquanto o empregador insistir em não me fornecer os meios para o tele-trabalho), agora ter cerca de dois milhões de alunos e encarregados de educação por aí só pode ser um confinamento a brincar. Parece que os cientistas que não optaram pela carreira de yesboys concordam.

Os ministros da Educação e da Saúde estão a medir forças no conselho de ministros quanto à possibilidade de encerramento das escolas no próximo período do estado de emergência, em que irá vigorar um novo confinamento geral do país.

Escreve o CM esta segunda-feira, 11 de janeiro, que, além do primeiro-ministro, que já defendeu a hipótese de manter abertas as escolas, ao lado de Tiago Brandão Rodrigues estão ainda os ministros da Economia, Pedro Siza Vieira, e da Presidência, Mariana Vieira da Silva.

Por outro lado, a ministra da Saúde, Marta Temido, é uma das vozes do Executivo socialista que defende o encerramento dos estabelecimentos de ensino devido ao aumento dos casos de covid-19. A decisão será tomada esta quarta-feira, um dia depois de serem ouvidos os especialistas na habitual reunião na sede do Infarmed, em Lisboa.

E Se Fosses “Empacotar” Alguma Coisa?

Não é fácil ser mais balofo na argumentação do que o deputado Silva, Porfírio de sua graça, numa intervenção mediática, mas um tipo engomado de investigador em “economia da saúde”, de sua gracinha Mário Amorim Lopes estava a conseguir há pouco na SICN, ao dizer que uma paragem das aulas presenciais irá “impactar” por diversos anos na vida escolar dos alunos porque estamos numa era em que existe uma “economia do conhecimento”. Um tipo ouve isto e tem um imediato AVC – Acesso Veloz de Comichão.

(e o tipo está mesmo naquela faixa etária e social dos raposos e tavares… parece que engoliram todos o mesmo ficheiro…)

Um Concurso À Portuguesa

Isto desperta-me memórias de idos dos anos 90, ainda a década ia na sua primeira metade. Há muitos, mas mesmo muitos anos, entrei num “concurso” para um lugar numa instituição pública (fiquemo-nos assim) em que se passou exactamente isto. Fiquei em 2º lugar, depois dos “critérios” serem “ajustados” (e ainda há pouco tempo me lembrei da pseudo-entrevista feita aos vários candidatos) e comunicados só depois de apresentadas as candidaturas. O concurso acabou anulado, porque outras pessoas não alinharam na palhaçada. No meu caso, se não me querem num dado lugar, não insisto e vou dar uma volta. Até porque sei que acabam quase sempre por arranjar um subterfúgio para meter a pessoa “certa” no lugar destinado.

Júri nacional de procurador europeu decidiu valor dos critérios depois de saber quem eram os candidatos

(será que o “escolhido” terá a falta de vergonha de aceitar a nomeação feita desta forma? é bem verdade que os tempos andam para todo o tipo de gente assim… ou melhor… nada mudou excepto o facto do PCP ter deixado de pedir a demissão seja de quem for…)