Aposentações E Primeiras Páginas

O Correio da Manhã, com recurso ao trabalho do Arlindo, faz primeira página com o número de docentes aposentados este ano, que será o maior número desde 2013 e eu ainda acho que são poucos atendendo à conjugação do aumento da idade, o aproveitamento do minguado tempo recuperado e o ambiente de pandemia.

Saem cerca de 1650 educador@s e professor@s e acredito que quando se acabarem as parcelas de recuperação do tempo roubado, sairá muito mais gente e sem ser sequer pelo limite de idade. Na peça, em nome da Fenprof diz-se que a solução para substituir quem ai é fazer regressar quem desistiu de ser contratado a vida inteira. O problema é que as condições não mudaram desde que saíram e dificilmente se poderá dizer que existe razão para voltarem. Aliás, o que foi tirado aos mais velhos não foi para dar aos mais novos. Todos perderam, seja em termos salariais, seja em perspetivas de carreira ou condições de trabalho. Ir agora atrás de quem com 40 ou mais anos desistiu, acenando-lhe com mais precariedade (porque as vinculações “extraordinárias” são daquelas coisas em que entram uns quantos para disfarçar que há meia dúzia que precisa de “vínculo” para ascender a outros voos), parece-me completamente irrealista. Aliás, basta passar por certos chats e conversas em blogues e redes sociais para se perceber a desorientação e falta de informação reinantes em muit@s colegas que andam a dar os primeiros passos na docência e para perceber que nas escolas o velho espírito de integrar quem chegava já não é o que era e que cada um@ à sua maneira apenas pretende sobreviver… uns até se verem livres do fardo, outros a ver se aparece uma oportunidade que não seja distribuída por 3 escolas para fazer um salário decente.

Claro que perante isto, o Tiago e o João assobiam para o lado e dizem que não é nada com eles, que a sua responsabilidade é mais casamentos e baptizados por vídeoconferência.

Até porque andam por aí a falar em bazucas, mas eles só nos guardaram uns morteiros de Tancos.

Do you believe in magic?

E Não É Que Acertei?

O vencimento bruto no 9º escalão é de c. 3100 euros, pelo que os 750 são um pouco menos dos 25% que eu tinha (numa de meio gozo, meio a sério), ao fim de, em média, mais de 30 anos de serviço.

Professores que optem pela pré-reforma aos 55 anos com pensão de 750 euros

Docente de 55 anos que esteja no 9º escalão e que opte pela pré-reforma pode ficar com 750 euros por mês.

Agora imaginem quem com 55 anos está vários escalões abaixo do 9º, porque isto só quase quem começou aos 18 anos a dar aulas é que está por ali. Ou quem conseguiu escapar à tira ao pior do ECD da nossa MIlu querida. Haveria quem ficasse com 500 a 600 euros. Eu tenho os ditos 55 e acabei de chegar ao 7º (embora ainda não tenha visto nada no recibo) e há quem vá chegar à minha idade no gargalo do 4º escalão.

9º escalão aos 55 anos? Só se for com bonificação por bom comportamento.

E 750 euros por mês é o que recebe de “adicional” (25 euros vezes 30 dias) o Tiaguito só por morar longe da capital, o coitado! E foi logo ao fim de 4 anos no cargo.

Se acham que isto é vagamente susceptível de atrair quem não esteja mesmo em estado de desespero total é porque são mesmo idiotas (lamento, mas ia escrever coisa pior). Porque uma proposta destas é indigma de servir, sequer, como base de discussão, excepto para quem adora amesendações negociais.

Desta forma, o que conseguem é manter as coisas como estão, com tendência para piorar em matéria de baixas por razões médicas e ainda não percebi bem o que se ganha com isso em termos de gestão financeira de recursos humanos. Fica mais barato pagar uma “baixa” e o salário do professor substituto? Como esperam “rejuvenescer” a classe docente desta forma? Só a partir de meados de Outubro de cada ano?

Phosga-se! – Série “CGA”

Ao que parece as aposentações demoram e demoram, porque as secretarias dos agrupamentos são inundadas com pedidos de informação que, em termos teóricos, seriam consultáveis nas bases detalhadas que o ME já tem sobre os docentes, mas parece que não dá. E, com os agrupamentos, a “fusão” de arquivos nem sempre é a que permite ter toda a informação detalhadas sobre os idos de 80 ou 70.

Enquanto espero por um mail mais explícito, atente-se no seguinte:

Aposentação e Reforma <cga.instrucaodeprocessos@cgd.pt>

Exmos Senhores

Para instrução do processo de MARIA XXXXXXXX XXXXXXXX XXXXXXXX, solicita-se declaração de efetividade, onde constem:

 – Datas de início e fim de todos os períodos de serviço prestado, em cada ano;

 – Se no(s) período(s) indicado tinha horário completo e, em caso negativo, qual o número de horas de serviço semanal que lhe estava distribuído;

– Se prestou serviço ininterruptamente e, em caso negativo, qual o nú­mero de fal­tas dadas, com perda total da respetiva remuneração;

– Vencimento ou salário ilíquido no fim de funções, com indicação do escalão, índice e respetivo regi­me;

– Cópia do boletim de inscrição;

– Cópia do registo biográfico.

Solicitamos urgência na resposta.

Com os melhores cumprimentos,

A parte que destaquei a vermelho tem um “ligeiro” problema… as faltas com perda total da remuneração podem corresponder, por exemplo, a dias de greve. Ora… parece que essa inquirição, pelo que me foi dito, surge de forma explícita em outras solicitações.

Scream

 

Abandonai Qualquer Esperança…

… vós que ainda acreditais em anúncios de potenciais pré-reformas com condições vagamente dignas. Porque, exactamente por causa do envelhecimento da classe docente, verifica-se uma (ainda há um punhado de anos inesperada) evidente impossibilidade de substituir toda a gente que sairia da profissão se isso fosse possível sem os cortes grotescos em vigor.

Se por acaso aquela coisas dos 55 anos (ou mesmo 60) fosse para levar a sério, haveria um verdadeiro “estoiro” de saídas, porque há quem esteja pronto a desaparecer de vista por mil euros mensais líquidos, pois não há preço para a sanidade mental. E o sistema colapsaria, mesmo se começassem a recrutar pessoal ainda a acabar os cursos, sem qualificação profissional, como começam a aparecer por aí, relembrando os anos 80 do século passado.

Com a agravante de, na época, haver gente já com experiência e ainda com a disponibilidade para ir integrando e ambientando os novos, num espírito pacífico de transição geracional e agora estar em quase completa erosão esse tipo de capacidade, por esgotamento da larga maioria de quem está.

Por isso, não vale a pena acreditar que existirá qualquer proposta séria para aposentações dignas ou mesmo um regime com pés e cabeça de trabalho parcial. Há coisas que são apenas feitas para fazer capas de jornais, alimentando ilusões a uns e acirrando outros contra moinhos de privilégios.

Inferno1

(é como aquilo dos 800 milhões para a Saúde em regime “plurianual” para combater uma “crónica suborçamentação” que prolongaram quatro anos… )

O Factor De Sustentabilidade Está De Boa Saúde E O Centeno Recomenda-o

Um tipo com 60 anos que se reforme leva uma cacetada superior a 50% do salário, mesmo que tenha trabalhado 35 anos.

Quem no próximo ano se reformar antes do tempo enfrenta um corte na pensão na ordem dos 15,2%, a acrescer aos 0,5% por cada mês que falte para chegar à idade legal da reforma. É o resultado do aumento da esperança média de vida, um indicador que esta manhã foi tornado público pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

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Decreto-Lei nº 108/2019 de 13 de Agosto

Altera o Estatuto da Aposentação e o Estatuto das Pensões de Sobrevivência e cria o novo regime de aposentação antecipada.

(…)

«Artigo 37.º
[…]

2 — A aposentação pode ainda verificar -se quando o subscritor atingir a idade pessoal de acesso à pensão de velhice, sendo esta a que resulta da redução, por relação à idade normal de acesso à pensão de velhice em vigor, de quatro meses por cada ano civil que exceda os 40 anos de serviço efetivo à data da aposentação, não podendo a redução resultar no acesso à pensão antes dos 60 anos de idade.

(…)

Artigo 37.º -A
[…]
1 — Podem requerer a aposentação antecipada, independentemente de submissão a junta médica e sem prejuízo da aplicação do regime de pensão unificada, os subscritores que tenham, pelo menos, 60 anos de idade e que, enquanto tiverem essa idade, tenham completado, pelo menos, 40 anos de exercício efetivo de funções.
(…)
3 — A taxa global de redução é o produto do número de meses de antecipação em relação à idade normal de acesso à pensão de velhice que sucessivamente estiver estabelecida no sistema previdencial do regime geral de segurança social ou à idade pessoal de acesso à pensão de velhice pela taxa mensal de 0,5 %.

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O PCP Quer 7 Anos, O Bloco Apenas 5 E Agora O CDS Quer Aposentações Antecipadas?

Não teria sido mais bonito conversarem sobre o assunto e arranjarem uma proposta única com pés e cabeça? Assim, cada um quer apresentar a “sua” proposta e acabam a bloquear-se entre si… com o PSD a não se saber se alinha com a Madeira…

CDS admite “aposentação mais vantajosa” de professores para resolver conflito com Governo

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Já Agora…

Professor: aceita trocar tempo congelado por reforma antecipada?

Pergunta será colocada, num inquérito online, pelas dez organizações sindicais de professores que convocaram a atual greve às avaliações. Governo já foi questionado sobre este cenário no passado. Mas mostrou pouca abertura.

Acrescento agora eu:

  • Vantagem: sair mais cedo do manicómio.
  • Contra: sair com uma aposentação muito mais baixa.

Já acrescento sondagem em post acima.

 

cabecinha_pensadora