Ena, Pá! Desta Vez É Que É!

Ainda vou na página 65 e e já levei com uma “integração transversal” (a escoliose deu-me logo uma pontada), um “upgrade tecnológico” (em vez de Lenovo vão emprestar Mac’s?), uma digitalização ubíqua” (onde está, onde está?) e um “robustecimento da resiliência societal” (e aqui, até emudeci) que até fiquei a rodopiar de modernidade (também há “novos paradigmas”, no plural, que a gêntchi é ambiciosa) e ansiar por nova volta a Portugal do SE Costa e umas conferências do senhor da OCêDêÉ.

Finalmente, a componente C20 corporiza a resposta do PRR no domínio da educação, criando condições para a inovação educativa e pedagógica através do desenvolvimento de competências em tecnologias digitais, da sua integração transversal nas diferentes áreas curriculares e da modernização do sistema educativo português, bem como através da modernização do espaço escolar e da melhoria dos meios para a educação e capacitação digital.

(…)

Por sua vez, na componente C20, face à necessidade de adaptar os currículos e as formas de ensino aos novos paradigmas da sociedade do conhecimento e da informação e de corresponder às novas e futuras necessidades do mercado de trabalho, a Reforma para a Educação Digital prevista assenta na digitalização de conteúdos pedagógicos e avaliativos, competências digitais do pessoal docente e nas infraestruturas de educação e equipamentos didáticos e tecnológicos existentes. Esta componente enquadra-se também nas dimensões do Digital Economy and Society Index – DESI “capital humano”, e revela-se igualmente alinhada com os objetivos da Comunicação “Shaping Europe’s Digital Future”, em particular, com o objetivo “Tecnologia para as Pessoas”.

(…)

Por último, são de salientar os contributos do plano para a promoção de um upgrade tecnológico da comunidade educativa nacional (C6 e C20), independentemente da região, capaz de criar condições para a inovação educativa, pedagógica e científica, e com isso promover avanços concretos no caminho para uma sociedade mais bem preparada para um contexto de digitalização ubíqua e do ensino experimental das ciências e das técnicas. Este processo de educação e capacitação digital dos alunos, professores e instituições de ensino será da maior importância para o reforço da coesão social, para o robustecimento da resiliência societal e para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva, onde as condições socioeconómicas de partida não poderão condicionar as perspetivas de vida, pessoais e profissionais, das crianças e jovens. Requer um reforço continuado na promoção da cultura científica de toda a população, continuando a facilitar e a democratizar o acesso ao conhecimento.

2ª Feira – Dia 8

Num período marcado pela singularidade das circunstâncias, os decisores na área da Educação esforçam-se por fazer MAIS, se possível o mais parecido com o mesmo do costume. Parece que há um horror em fazer diferente e uma completa incapacidade em pensar no que será MELHOR.

Mudaram As Datas, Ficou O Paradigma

E sou eu e outros como eu que temos a fama de adorar a examocracia e esses chavões que gostam muito de usar os que criticam os exames como uma forma redutora de avaliar externamente as aprendizagens dos alunos e de regular o acesso ao Ensino Superior. Mas são esses críticos que estão no poder no Ministério da Educação há mais de 5 anos e falam muito, muito, mas, chegando a hora da verdade, nada fizeram de relevante, excepto acabar com o que gostaram de chamar “exame da 4ª classe” para criar provas no 2º ano de escolaridade.

São el@s que estão no poder e que, quase um ano depois da primeira vaga da pandemia, parecem renitentes em mudar o “paradigma” que tanto criticam e insistem em manter quase tudo na mesma, apenas adiando umas datas e pouco mais. Vá lá… decidiram que a realização das provas de aferição de 2º ano nas áreas da Expressão Artística e Educação Física seriam algo absolutamente irrelevante e inútil. Mas mantêm todo o resto, incluindo o essencial do “paradigma” que, mal pensem que nos esquecemos, aparecerão a criticar. Mas acerca do qual nada fizeram, quando a “oportunidade” apareceu e poderia legitimar que se repensassem as coisas. E nem se podem justificar com a falta de tempo ou pressa, como seria no ano passado. Tiveram bastante tampo mas preferiram ocupá-lo com outras coisas, certamente muito relevantes, mas que agora me escapam, pois também não terá sido a equipar escolas, alunos e professores para a segunda fase da pandemia.

Terão estado a fazer algo, certamente webinares flexíveis e inclusivas para os súbditos, com os cortesãos do costume a exibirem as vestes de honra e a arengar as parlapatices do costume, arrancadas às sebentas das profissionalizações do século XX. Ou a dialogar muito com “peritos”, nacionais e da estranja, se possível com chancela da OCDE e daquele senhor doutor que costumava cá vir, antes disto ficar um pardieiro infecto que talvez com o calor melhore. Há que definir prioridades na “acção política”.

Nova Calendarização Das Provas E Exames Até Dia 12 De Fevereiro

Para o que servem, as de aferição, em especial do 2º ano, deveriam ser eliminadas. Com o que se passou o ano passado e está a passar neste não fazem qualquer sentido. As de 5º e 8º também me parece que só servirão para fingir qualquer coisa.

Quanto a provas finais e exames é curioso falarem tanto em “mudança de paradigma” e não terem aproveitado para serem coerentes com a teoria. É assim que se percebe a verdadeira profundeza de certas convicções para parlapateio público.

Domingo

Quando vou rever materiais que decidi guardar, então para uma “memória futura” que agora é passada, divirto-me sempre um pouco mais quando ouço ou leio as conversas sobre os novos “paradigmas” (confesso, é um assunto a que regresso com frequência), em especial os que remetem para a transformação da docência por vias das “novas tecnologias”. Em meu tempo de alunos e professor, já passei por não sei quantos “paradigmas” a que eu chamaria antes “micro-paradigmas” ou qualquer coisa menos pomposa porque, no fundo, são apenas evoluções, no sentido da rapidez e capacidade de armazenar informação, dos materiais de suporte. Em meados dos anos 90, a grande novidade (que saudades do Windows 95) eram as disquetes de apoio aos manuais, com fichas de actividades editáveis. Ainda os cds estavam em processo de generalização (ainda devo ter a caixa de uma das primeiras versões da Diciopédia), as cassetes VHS ainda eram um recurso normal, dvds nem vê-los antes da viragem para o século XXI. Em 25 anos passámos das velhas disquetes em que nem uma foto de telemóvel com câmara de média gama caberia para suportes virtuais com uma capacidade imensa.

Aumentámos exponencialmente a capacidade de armazenas dados e a rapidez de a eles aceder, mas o essencial mudou pouco e a “democratização” da informação que resultou desse processo teve mais implicações na forma de a seleccionar e organizar para os alunos do que propriamente em outras áreas da docência. Com os meios adequados, facilitou muito a forma de “mostrar” aos alunos o que eu, como aluno, apenas via a preto e branco, em escassas imagens, nuns livrinhos de apoio (os de História do Unificado eram de capa azul) da Secretaria de Estado da Orientação Pedagógica do então MEIC. Mas não transformou propriamente o papel do professor em mero “facilitador” das aprendizagens como tanto por aí se afirma, porque a massa de informação disponível tornou muito mais importante a função de ensinar a escolhê-la de forma crítica.

Tudo isto, à conta de umas disquetes que trazem memórias, muitas memórias, de quando as escolas eram efectivamente espaços de partilha e em que o convívio não tinha sido tingido por tantas nódoas, em especial as que nos foram trazidas por este século XXI.

O “Novo Paradigma”?

As coisas fazem sentido, na sua lógica própria. Do governante de +proximidade que acha que para ensinar basta estar cara a cara e ter um “dispositivo” à directora pedagógica exemplar que dá aulas de leitura sem gostar de ler. As coisas encaixam. O “professor” passou a ser uma designação com um conteúdo funcional muito diferente do que foi e não é o do “transbordamento” de funções.No século XXI é o do total esvaziamento de um saber próprio ou, sequer, de um  interesse especial pelo que se ensina. É um simulacro que clica para que o google ensine. Que tudo venha enroupado pela ideologia-MEM é apenas um detalhe operacional que nem chega a ser paradoxal, porque o que interessa é o Poder. A Educação é um mero pretexto para o acesso. Nem que seja ao círculo exterior.

vazio

Vou De Joelhos Até Ali À Serra Do Louro, Por Entre As Vinhas Em Crescimento, Se Me Disserem Quem Lhe Abriu A Cabeça E Meteu Lá Bom Senso

Porque esta é que é uma bela inversão de discurso em relação a um passado não muito distante. Ou então deu-lhe ali uma claridade. Quando é para se elogiar, elogie-se. Uma webinar que sempre serviu para alguma coisa.

Pronto, estou de acordo com o SE Costa e estou quase a implorar-lhe para ser meu bff, porque me parece que há quem goste muito.

“Não pensemos que o que aconteceu neste terceiro período, e está a acontecer, é uma mudança paradigmática na educação. É um remendo para poder levar este ano letivo até ao fim e agora interessa-nos estarmos num trabalho de preparação para o próximo ano letivo”, afirmou João Costa.

O secretário de Estado participou num ‘webinar’ sobre os desafios e oportunidades para a educação do futuro, organizado pela Câmara de Comércio e Indústria, e falou sobre os constrangimentos colocados pelo modelo que substituiu as atividades presenciais, suspensas devido à pandemia da covid-19, e sobre as lições para o futuro.

stop-the-press

 

Material Escrito Para Reflexão

Se é que queremos mesmo discutir métodos de ensino e aprendizagem ou uma Pedagogia para o século XXI que descole das teses do século XX. Há muito mais, mas hoje parece ser dia de lazer e praia, pelo que ficam aqui apenas umas pistas para futuras discussões. Entre nós, George Siemens é ainda um quase completo desconhecido.

Rapidamente: a favor, o facto de ser mesmo uma forma diferente de encarar a aprendizagem no século XXI; contra, a necessidade de termos uma sociedade com um nível de desigualdade baixo no acesso às “conexões”, se queremos mesmo o tal “novo paradigma”.

Special Issue – Connectivism: Design and Delivery of Social Networked Learning

Conectivismo: Uma teoria da aprendizagem para a era digital

Connectivism as a Digital Age Learning Theory

Conectivismo Pedagógico: novas formas de ensinar e aprender no século XXI

revolucao-digital-720x375