E Se Fosses “Empacotar” Alguma Coisa?

Não é fácil ser mais balofo na argumentação do que o deputado Silva, Porfírio de sua graça, numa intervenção mediática, mas um tipo engomado de investigador em “economia da saúde”, de sua gracinha Mário Amorim Lopes estava a conseguir há pouco na SICN, ao dizer que uma paragem das aulas presenciais irá “impactar” por diversos anos na vida escolar dos alunos porque estamos numa era em que existe uma “economia do conhecimento”. Um tipo ouve isto e tem um imediato AVC – Acesso Veloz de Comichão.

(e o tipo está mesmo naquela faixa etária e social dos raposos e tavares… parece que engoliram todos o mesmo ficheiro…)

Um Artigo Muito Infeliz

É Natal, mas há coisas que caem muito mal, por muito que a relação pessoal com o autor até seja boa. Este artigo do Filinto Lima é uma deles. Não me vou alongar em comentários porque discordo de quase tudo o que está escrito e aquilo com que concordo está apresentado de um modo errado, porque dirigido aos interesses micro-corporativos de pouco mais de 800 ex-professores, alienando a grande maioria dos docentes que não vivam da cascata de nano-favorzinhos locais. Transcrevo alguns excertos significativos, enegrecendo as partes que acho sobremaneira infelizes, porque revelam lacunas claras na representação da realidade, mais parecendo um daqueles louvores no Diário da República, só que em causa muito própria.

É o momento oportuno para realçar o trabalho extraordinário dos diretores e das suas equipas diretivas, dos coordenadores de professores e do pessoal não docente, que se devotaram de alma e coração, mormente aos alunos, a maioria dos quais arredada do espaço escolar de 16 de março até ao início do ano letivo atual. Seis meses é muito tempo!

Os líderes das escolas públicas portuguesas constituem um órgão unipessoal, que faz uso da colegialidade de opiniões, em auscultações frequentes e participadas, quando da tomada de decisões; são eleitos por um órgão representativo – conselho geral – dos professores, do pessoal não docente, dos pais e encarregados de educação, dos alunos, do município e da comunidade local – inviabilizando a possibilidade da prática adversa dos jobs for the boys; o seu cargo é limitado a um máximo de 4 mandatos – de 4 anos cada – (…).

E, no entanto, os 812 diretores existentes no sistema educativo nacional dispõem de um modelo de avaliação injusto e que reclama uma alteração urgente, pedido que será concretizado no próximo ano civil, sejam os políticos sensíveis a tal desígnio. Invocam, ainda, maior apoio na sua ação, nomeadamente das serviços centrais do Ministério da Educação (…).

Os dirigentes máximos das escolas revelam-se decisivos, para além do mais, na obtenção dos resultados positivos na Educação, expressos recorrentemente nos últimos anos, quer interna quer externamente, mau grado a escassez de recursos humanos, profissionais imprescindíveis e potencializadores das melhorias mais acentuadas; na gestão extraordinária que realiza(ra)m em relação à pandemia, eixos de referência para o sucesso das medidas adotadas no primeiro período letivo; no modo insigne como gerem diariamente os estabelecimentos de ensino e que colhem a estima da generalidade das comunidades educativas que norteiam.

Por isso, neste final de ano, saúdo os nossos diretores, subdiretores, adjuntos e assessores, pelo trabalho louvável que têm efetuado na liderança das suas comunidades educativas, quantas vezes sem o sentido e merecido reconhecimento, legal e institucional.

Já De Férias Na 2ª Feira?

O Sr. Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, visitará o concelho de Caminha, amanhã, sexta-feira, dia 18 de dezembro, a partir das 10H30.
O Ministro estará às 10H30, na Escola Secundária Sidónio Pais, em Caminha, para se inteirar das obras de requalificação do estabelecimento de ensino no valor de 3,5 milhões de euros. O Governante seguirá para Vila Praia de Âncora onde decorrem as obras de “ampliação da Escola Básica e Secundária de Vila Praia de Âncora e Espaços de Integração para o Ensino Articulado”, no valor de 2 milhões de euros.
A vinda de Tiago Brandão Rodrigues ao concelho decorre também na sequência do final do 1º período escolar.

Caminha Município

Domingo

Há assuntos que o são apenas porque é paupérrimo o cenário noticioso por estas bandas. É por isso que me espanta que Pacheco Pereira – que tanto gosta de criticar epifenómenos mediáticos fabricados – se (pre)ocupe tanto com o livro em que Cristina Ferreira se queixa das ofensas que lhe são dirigidas nas redes sociais, apresentando-o como acto de coragem por replicar nas suas páginas essas mesmas ofensas. O livro não é extenso e isso até ajuda a preenchê-lo. Quanto à “covardia” que PP identifica nos ofensores anónimos nas redes sociais, nada a a dizer, apenas acrescentando que é equivalente à de outros que, de modo anónimo, a partir de gabinetes oficiais fizeram e fazem espalhar frequentemente para as redacções da comunicação social “séria” insinuações mais ou menos difamatórias, quartos de verdades truncadas e outras habilidades assim para desacreditar quem lhes desagrada. Por vezes, a partir do recurso a informações a que só de forma muito peculiar teriam acesso. Nada disso parou com a saída do engenheiro, o desfalecer dos “corporativos” ou outros avençados ou apenas “amigos”. Já por aqui escrevi que quanto a identidades falsas há as que existem a partir de meios oficiais a lançarem isco. Não falo do assunto por ouvir dizer. Quanto á Cristina Ferreira, infelizmente, é o mundo que temos e não é apenas em quem surge todas as semanas na capa de 2 ou 3 revistas e nem sempre contra a sua estratégia de comunicação e promoção.

Já o assunto da presença de Ljubomir Stanisic naquela greve da fome dos representantes da restauração diante do Parlamento em que o autarca Medina serviu de intermediário com o Governo, apenas acho curioso o facto de ter ouvido a gente que se diz da esquerda tolerante e multicultural coisas como “isto aqui não é a Bósnia”. O que me parece uma variante do “e se voltasses para a Guiné”. Independentemente de o homem ter sido mais ou menos bruto com o Chicão que agora já é um símbolo da democracia depois de lhe terem chamado de forma mais ou menos explícita fascista.

Outra Esperança Inútil

Mesmo discordando dos reais objectivos da Iniciativa Liberal em termos político-económicos, quando passaram a liderança para o actual deputado Cotrim de Figueiredo tive alguma esperança que se ganhasse algo em termos de sofisticação na argumentação, já que quanto ao líder fundador estávamos mais do que falados. Até por ter pouco tempo de antena, no parlamento e fora dele, esperava que surgisse com algo que, à imagem dos cartazes, “refrescasse” o léxico no bom sentido. Repito, mesmo discordando, gosto de quem realmente traz algo de novo ao debate, na forma ou no conteúdo.

Mas foi esperança vã. Hoje, ao sair da reunião com os “especialistas” sobre a pandemia, o melhor que arranjou como soundbite foi um “não se morre da doença, morre-se da cura”, o que é algo que até o Tino de Rans conseguiria dizer sem um esforço enorme. Aliás, o termo que me lembro de se usar em tempos para este tipo de sabedoria popularucha era “sediço”, que é como quem diz serôdio de outro modo.

Que pena tamanho desperdício de boas camisas brancas, meticulosa e estrategicamente desabotoadas.

4ª Feira

Um das vítimas maiores da pandemia corre o risco de ser a informação de qualidade e rigor, já de si escassa, quando fica dependente de subsídios destes (públicos) ou aqueles (privados). Claro que pode ser tudo um acaso, mas o actual PM multiplicou-se nas últimas semanas em entrevistas a jornais e televisões, sempre em contextos controlados e com as perguntas tidas por adequadas e raramente inesperadas ou com follow up de respostas ao lado, exigindo esclarecimentos. Por exemplo, na mais do que amena cavaqueira de compinchas tida há uns dias com o “entrevistador” MST na TVI, António Costa foi muito detalhado a explicar como o Estado pode aceder aos rendimentos de toda a gente, lucros, etc, etc. Se fosse outro alguém a dizer parecido sobre limites de peças de caça, lucros de empresas promotoras de touradas ou de importação de charutos, aposto que o “entrevistador” esmifraria quem de forma tão “cândida” expôs a que ponto a máquina político-fiscal vai no controlo dos cidadãos. E a verdade é que mais ninguém pegou sequer no assunto. Que é grave na forma como foi apresentado. Porque se é possível à máquina fiscal detalhar a facturação de bicas e pastéis de bacalhau no boteco da esquina, porque deixa escapar coisas bem maiores? E tanta outra coisa que aquelas afirmações poderiam suscitar e nem sequer parecem ter ocorrido a estoutro “animal feroz” que é de amoques e de amigâncias, mas que como “entrevistador” se resume ao tipo que faz as perguntas acordadas de antemão com a mão que dá o milhão.