3ª Feira

Há uma coisa que já referi várias vezes, ma à qual gostava de voltar, até porque o ministro Costa a trouxe de novo à conversa para demonstrar o quão boas têm sido as suas medidas. Já adivinharam, claro, que se trata da projecção da Pordata quanto ao número de alunos que corria o risco de ficar sem algum professor no arranque deste ano lectivo. Não é a questão dos números que me (pre)ocupa mais, porque há várias maneiras de os apresentar, retorcendo-os como aos pequeninos quando pequeninos.

O que gostava de voltar a salientar é que essa “previsão, que o ministro agora gosta de apresentar como se fosse uma espécie de lei física que ele contrariou, foi feita com dados cedidos pelo ME por uma anterior directora-geral dos serviços de estatística desse mesmo ME desde os primeiros tempos de Nuno Crato até aos finais de Tiago Brandão Rodrigues. Sendo que o serviço do ministério que dirigiu de 2012 até finais de 2019 “tem por missão garantir a produção e análise estatística da educação e ciência, apoiando tecnicamente a formulação de políticas e o planeamento estratégico e operacional, criar e assegurar o bom funcionamento do sistema integrado de informação do MEC, observar e avaliar globalmente os resultados obtidos pelos sistemas educativo e científico e tecnológico, em articulação com os demais serviços do MEC” (artigo 14º do decreto-lei 125/2011) seria para mim inexplicável porque é que não produziu tal “previsão” ou “estudo” em tempos mais útil do que aquele permitido com a sua entrada para a Pordata.

Porque, afinal, era na DGEEC que tinha já acesso aos dados e tinha como missão fazer aquilo que não fez então, fazendo-o só depois de sair de lá. E isso espantar-me-ia se não soubesse como cá se passam estas coisas e porque certos “estudos” só aparecem em certos momentos e quando certas “circunstâncias” aliam interesses. E até me espantaria pelo facto do ministro agora assumir com tanto entusiasmo os dados do estudo que, ao que parece, o ME nunca se interessou muito em elaborar, tendo mesmo esquecido recomendações com origem no CNE sobre o assunto no Estado da Educação 2017.Mas não me espanto, porque conheço o modo de vida na política deste pessoal que nos quer fazer passar por idiotas ou desmemoriados, como se há anos não existissem alertas a este respeito, sem que alguma coisa fosse feita

A Ler

Pior do que a facção “beata” do PS na Educação é a d@s bloquinh@s pespinetas, que eu não tenho alguns pruridos que o Nabais achou por bem subscrever. Eu afirmo sem problemas que a ignorância académica vai a par da arrogância política, não tendo idade. Pena é que logo em tenra idade se afirmem tantas certezas que, para além de idiotas, carecem de suficiente fundamentação e contextualização. No limite, esta postura woke tuga levaria ao apagamento dos programas de imensa parte dos conteúdos -a começar pela Filosofia, mas estendendo-se mesmo às Ciências – porque há 2500 ou 1500 ou 500 anos o “politicamente correcto” era outro.

Nada contra a “liberdade de expressão” e de “opinião”, tudo contra a patacoada atamancada em cima de preconceitos que, lá por serem agora dominantes não deixam de o ser. Há 100 anos, por exemplo, defender a “ditadura” como regime mais eficaz do que a democracia estava bastante na moda, mas não era por isso que a estratégia de reescrever a História ou truncar os factos era válida.

No caso da História, aguardo a investida para apagar todos os conteúdos anteriores ao nascimento de Karl Marx e à depuração dos que aconteceram entre 5 de Maio de 1818 e 24 de Março de 1999.

Da literatura à politiquice

Joacine, Parte II?

Desculpem, mas a piada quase se faz sozinha.

Gabriel Mithá Ribeiro, deputado eleito pelo Chega, declarou que vai cumprir o seu mandato na Assembleia da República “até ao fim, dentro ou fora do partido”, na sequência da sua demissão da vice-presidência.

Demissão Ao Empurrão

O Gabriel Mithá demitiu-se de vice do Chega porque foi tornado público o se afastamento da coordenação do “gabinete de estudos’ da agremiação. Não se percebe se foi apenas a publicidade da coisa a encrespá-lo, pois o afastamento deixou-o quieto e calado. Para quem me anunciou que ‘a guerra ainda agora começou’, é um pouco ridículo vê-lo como a primeira baixa. Embora fosse expectável, atendendo à cegueira que o acometeu à conta da vaidade.

Só Um Desabafo

De um tipo que apanhou o vício dos leilões online de alfarrábios e outras coisas livrescas. Chateia-me um bocado ver gente que recebe livros de borla para os promover em páginas de redes sociais e blogues “da especialidade”, a colocá-los depois à venda ao preço de qualquer promoção da fnac. Sei que a vidinha anda difícil, mas pelos vistos o decoro é o que mais anda em défice. Pelo menos, ficam a conhecer-se melhor certas figurinhas.

Secção “Polémicas De Verão”

Fundador da Prozis contra o aborto: Milhão tem “recursos ilimitados” e considera-se “meio burro”

“Se eu tivesse uma filha que fosse violada, ou a minha mulher fosse violada, eu tentaria falar com ela e cuidava dessa criança. Não consigo sacrificar um inocente pelos crimes de um criminoso. Já falei com a minha mulher sobre isso, mas não me lembro do que ela disse.”

Prozis organizava festas privadas com cabras anãs e Castelo Branco a rebolar na palha

Luciana Abreu e Carolina Patrocínio sofrem pressão por causa de polémica com CEO da Prozis

(…) também Joana Amaral Dias está a sofrer pressão por uma tomada de posição. Esta terça-feira, 28, a comentadora de televisão, fez uma publicidade à marca e houve quem não gostou. “Joaninha, tu que és tão defensora das causas e das mulheres, ainda estás em parceria com a Prozis!? Ou só defendes causas e direitos quando lhe convém!?”

Miguel Milhão: “Não preciso de Portugal e não preciso da Prozis”

Miguel Milhão esclareceu a sua posição sobre o aborto e assumiu ser “incancelável”, acusando ainda os influencers que estão a desistir das parcerias de hipocrisia.

Depois de se assumir contra o aborto, Miguel Milhão, o fundador da Prozis (uma das maiores marcas de nutrição desportiva da Europa), vê agora várias figuras publicas, que faziam publicidade aos seus produtos, abandonarem a marca. Entre elas estão Jessica Athayde, Marta Melro, Diana Monteiro ou Rita Belinha (repórter da RTP). “Acaba hoje [terça-feira] a minha colaboração com a Prozis. E continua hoje e sempre o meu posicionamento público ao lado das mulheres, dos seus direitos e da sua saúde. E todas as vozes vão ser necessárias neste momento tão grave em que o mundo regride à frente dos nossos olhos”, escreveu Jessica Athayde.

A Aplicação Da PACC Ajudou A Qualidade A Subir Quantos Pontos?

Andar a saltar de opinador para ministro para estudioso tem destas incoerências. E é difícil esquecer o “lastro” da obra feita. Já não estamos nos tempos do Plano Inclinado em que se queria acreditar que aquilo era a sério. Agora já sabemos que depende das conveniências e circunstâncias.

DN, 19 de Maio de 2022