2ª Feira

O actual PM teve um ataque de coragem política de campanha. Deu uma de “animal feroz”. O que equivale a que fez voz grossa, mas actuará da forma mais fininha possível com a GALP. Ou porque se esquecerá do assunto daqui a uma semana ou porque o que mandar fazer, será a alguém com a ambição e trabalhar para a dita cuja empresa ou outra equivalente e fará por tomar uma medida com as esperadas falhas que permitirão a habitual escapatória ao prevaricador. Tudo isto costuma ser, realmente, “exemplar”.

Parece Que Já Não Dava Para Pedir Perícia Neurológica

Constitucional confirma que não há nada que “impeça o trânsito em julgado” da pena de prisão de Rendeiro nos próximos dias. Ex-líder do BPP viajou para Londres. O seu ex-n.º 2 vive no Brasil.

(ainda me lembro de quem andou a validar a imensa honestidade deste senhor… em letra impressa ou de viva voz…)

Talvez Fosse Estranho Em Outras Paragens

Dizer uma coisa e o seu contrário numa mesma decisão, documento ou argumentação, mas por cá parece regra. É o que acontece quanto se quer ficar de bem com Deus e o Diabo, abrindo a porta a todos os desfechos. Ou muito me engano ou tudo isto ainda acaba em indemnização por perdas e danos de quem poderá ter ficado com explicações por dar.

Tribunal da Relação invalida sentença de primeira instância por dizer uma coisa e o seu contrário, dando razão ao IAVE e ao Ministério Público.

Deixaram Os Miúdos A Tomar Conta Da Loja

Os “referenciais” do Escola 21|23 são um manancial imenso de materiais para nos rirmos do estado a que isto chegou em matéria de “operacionalização” dos sonhos delirantes de alguns governantes e respectivos cortesão. Quem se der ao trabalho de, a partir do outro post, descarregar os documentos e analisar as suas propriedades, descobrirá a sua autoria, pelo menos em termos da estrutura orgânica que os terá preparado. Indo ao site da dita “Equipa” e apreciando o perfil dos seus elementos poderá “aprender” muito acerca do modo como muita coisa tão velha como qualquer teoria construtivista da Educação, se apresenta como novidade.

Mas eu também já fui jovem e também já achei descobri coisas, só que ia tendo o cuidado de não pensar (defeito da formação histórica) que era o primeiro ou estava no grupo da fuga da frente que tinha descoberto a pólvora seca. Nunca fui a pessoa mais humilde do mundo, mas sempre me faltou esta forma de pesporrência que permite produzir documentos oficiais e “orientadores” do trabalho da rede de escolas públicas com imensas falhas, truncagens ou desactualização dos dados que se pretendem apresentar como modelos a seguir. Sei que haverá quem ache que são coisas menores, mas o amadorismo, o copy/paste, são demasiado evidentes para se deixarem passar em claro. Se fosse um qualquer trabalho de 2º ciclo de estudos bolonheses mereceria, mesmo em instituição de rigor mediano, forte puxão de orelhas aos autores.

Reparemos num exemplo quase ao acaso, pois foi o primeiro ficheiro que abri esta tarde, o “ROTEIRO – Promoção de abordagens curriculares interdisciplinares” que surge integrado na dimensão (ou será “eixo” ou “programa” ou qualquer outra coisa) “Aprender Integrando – 1.2.6.”.

Por mera diversão, em primeiro lugar, vou apontar uma incongruência relevante entre duas passagens do documento. Na página 2 declara-se que “neste modelo de organização pedagógica, os tempos de cada disciplina ou de cada componente que compõem a matriz curricular-base passam a ter um papel secundário.” O que nos levanta algumas dúvidas naturais sobre a forma de organizar os horários de alunos e docentes, não pela complexidade do modelo em si, mas pela obsessão na contagem ao minuto do tempo lectivo dos docentes. Mas mais adiante percebe-se que a promessa de +Autonomia tem limites e na página 3 pode ler-se que “o desenvolvimento do DAC não implica a alteração do horário semanal de cada uma das disciplinas envolvidas, no entanto as escolas potenciam este trabalho de diferentes modos”, seguindo-se umas propostas que quase conseguiria levar a sério, se não soubesse como se constituem certos “bancos de horas”.

Em segundo lugar, só para que se perceba até que ponto um documento criado em 9 de Julho está já desactualizado e terá sido copiado de qualquer coisa anterior, na última página (5) do documento explica-se no “Cenário #2” dos exemplos que “no âmbito do Projeto Piloto de Inovação Pedagógica e da flexibilidade curricular, o AE de Cristelo, organizou parte da sua atividade letiva em torno de 7 Referenciais de Integração Curricular (RIC) apostando numa forte dinâmica de investigação e interdisciplinaridade, com foco no trabalho colaborativo entre docentes e alunos, com grande desenvolvimento da autonomia. Para mais informação aceda aqui, para exemplos de planificações de RIC aceda aqui. Os links são fornecidos no documento e ao segui-los chegamos ao site do Agrupamento referido, podendo ler-se que ao longo dos últimos anos os RIC sofreram algumas alterações e são hoje 4, nomeadamente: RIC 1: ECO-Cozinha Pedagógica; RIC 2: Nós e a Europa; RIC 3: Entr’Artes e RIC 4: Jogos Olímpicos 2040″.

Não vou discutir a relevância destes 4 RIC (e algo se poderia dizer acerca de um par deles, muito em especial), mas percebe-se facilmente que nem existiu o cuidado de seguir os links fornecidos para verificar se o seu conteúdo não tinha sido entretanto modificado. Alguém deve ter recebido um ficheiro com os links e vai de os colar sem sequer confirmar o que lá está. Os referenciais foram alterados de 7 para 4, mas isso agora não interessa nada… o que interessa é o “paradigma”.

Já agora recomendo vivamente a consulta das grelhas produzidas para os “Planos de Trabalho para os RIC” que são um mimo em matéria de registo e monitorização das atividades. Resta saber se não haverá depois um por aluno. Para quem estiver com natural preguiça dominical deixo-vos um deles, assim como o respetivo “Cenário de Aprendizagem” que tem um cronograma que revela até que ponto tudo isto é “flexível” desde que caiba em quadradinhos.

(não quero com isto, em nenhum momento, menorizar o trabalho d@s colegas do Agrupamento de Escolas do Cristelo, muito em particular daquel@s a quem estas coisas são impostas a bem da imagem das lideranças)

O Que Uma Pessoa Diz E Faz Para Ganhar A Vidinha

Grande parte destas “entidades”, criadas com nome forsomethig fazem-me lembrar os vendedores de banha da cobra de outrora. São capazes de diagnosticar inundações no deserto e hiper-pilosidade em bolas de bilhar para justificarem o seu ansiado “nicho de mercado”. O pior é que há “jornalismo” que acha que isto merece títulos como se fossem a sério. A culpa da disseminação da estupidez é só das redes sociais?

Clementina Almeida, fundadora do ForBabiesBrain, primeiro spa clínico para bebés da Europa, diz que “no pré-escolar, a criança já pode trazer um gap com repercussão direta no seu sucesso escolar pelo menos até aos 10 anos.”

A Isto Chama-se Gozar Fortemente Com O Pessoal (Até Porque É Apenas Para Directores/Lideranças)

Tornar a Escola numa Organização (ainda mais) Feliz

O domínio do bem-estar pessoal e profissional docente, bem como o da felicidade organizacional, integram atualmente o leque das preocupações dos sistemas educativos na Europa e no mundo, tendo começado a ocupar alguma centralidade na investigação em educação a partir do momento em que se começaram a recolher evidências sobre o impacto da felicidade nas práticas dos docentes e no sucesso académico dos seus alunos (só para referir alguns exemplos).

Assim, pela sua atualidade e pertinência quis a DGAE, em parceria com a Universidade Atlântica, proporcionar aos diretores/lideranças das UOs públicas uma formação nesse âmbito, na modalidade de curso de formação, acreditada pelo CCPFC, com a designação “Ferramentas para construir uma “Happy School”: docentes, lideranças e organizações educativas”, dinamizada pelos Professores Doutores Jorge Humberto Dias, Tiago Pita e Georg Dutschke, especialistas na área da felicidade pessoal e organizacional.

São objetivos desta 1ª edição do curso:

  • Compreender o enquadramento da teoria da felicidade na formação ética do docente e sua intervenção em contexto educativo e escolar
  • Conhecer as experiências de outros sistemas educativos e organizações escolares pela análise da nova literatura/realidade sobre a importância da felicidade na administração escolar
  • Percecionar a utilidade e eficácia das ferramentas do trabalho felicitário na liderança das organizações educativas
  • Criar materiais de suporte a uma intervenção sustentável de felicidade nas organizações educativas dirigidas a resultados, como sejam, aumento de sentimento de pertença, comunicação, diminuição do absentismo, fixação do pessoal, entre outras.

Pela adesão e interesse demonstrados pelos participantes, prevê-se uma 2ª edição para o próximo ano letivo 2021/2022.

Acho Estranho, Mas Devo Ser Só Eu

Que o czar das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril continue com todas as avenças mediáticas bem activas. Parece que, para ele, aquela coisa de se desfiliar do PS é o zénite da ética republicana.

Não quero restringir os direitos de qualquer cidadão interventivo, mas parece-me que lhe deram já um grande palco para isso, bem pago, para precisar de ainda andar pelas capelinhas todas.