A “Normalidade”

“Ó Paulo, mas é ilegal? Já não andarás aí com um complexo de perseguição ao homem?”

Ó meuze amigozezeze (como diria o Diácono Remédios), é claro que não é ilegal um governante em exercício ver um livro seu inscrito no PNL, mesmo tendo sido escrito quando em exercício para justificar opções políticas e medidas tomadas.

Mas parece-me… desconfortável, mesmo se pelo meio da lista da categoria “Cultura e Sociedade” também aparece um livro de um ex-ministro (David Justino). Só que esse é sobre História do século XIX e não sobre o seu desempenho como governante, que deixou de ser há mais de 15 anos.

“Ó Paulo, mas o homem não tem qualquer poder sobre a definição dos livros na lista… não é competência dele:”

Sim, acredito, como acredito em tanta outra coisa que acontece sem que alguém pareceça ter influência sobre seja o que for. Foi um zelota do regime, mais zeloso que o próprio zelo? Menos prudente do que um mínimo de bom senso aconselharia? Sim, acredito, mas não deixa de ser algo indecoroso que este tipo de coisa aconteça.

“Ó Paulo, mas não podes deixar de chatear o homem? Já sabes que ele diz que é perseguido por mentiras e difamações!”

À segunda pergunta, respondo que sei que sim, o SE Costa é pessoa que gosta muito de se vitimizar, mesmo se faz, desculpem, há quem faça por ele trabalhos piores nessa matéria, em ofe do recorde. À primeira direi que não posso, porque é um imperativo que devolva, mesmo que em moeda de menor valor, o que contra mim, como professor, tem sido feito, com a sua sonsa complacência de quem gosta sempre de culpar outros pelas malfeitorias que é impossível negar. Em boa verdade, ele nunca é responsável seja pelo que for, excepto pelo nascer do sol, pelo aroma das flores e o oxigénio na atmosfera.

Por fim… mandaria o decoro que o SE Costa tomasse uma atitude em relação a isto, em vez de fingir que nada aconteceu ou que tudo foi decidido de forma “autónoma”, sem qualquer responsabilidade sua, como é seu hábito.

É verdade que as listas do PNL se tornaram uma espécie de albergue espanhol, onde o mais importante é o selo que as editoras colocam nos livros. Mas há limites (haverá?) para o que se pode considerar aceitável ou “normal”.

Avestruz

(para terem uma ideia, por comparação, o prefaciador de tão ditosa obra, António Sampaio da Nóvoa, não tem qualquer livro recomendado pelo PNL…)

Um Fino Verniz E Nada Mais

Ganhou notoriedade por ser a primeira professora a aparecer na “nova Telescola” e aproveitou a oportunidade para elaborar alguns depoimentos e prosas acerca do seu amor pelo ensino e tal. Adepta do MEM, directora pedagógica de um “colégio” do concelho onde lecciono, apresenta uma atitude muito positiva acerca do ensino, o que lhe mereceu uma página inteira de vacuidades no JL/Educação desta semana, que degluti com o proveito  do algodão liofilizado numa salada de frutas.

Agora teve direito a entrevista no Expresso e…

Diz-se professora de Português ou algo assim – ou diz que dá aulas – mas não gosta de ler. Gosta de ter livros na sua “pequena biblioteca”. Está no seu direito. Eu gosto de ler e de investigar em História e dou aulas da disciplina, mas sou um “modelo antigo”. Não sou formado em Línguas, mas adoro ler e não apenas ter livros. Tenho muitos, ao ponto actual do desespero para os mudar e arrumar de forma mais funcional, mas tenho uma mentalidade oitocentista, nada progressista tipo-MEM.

Eu acho que a colega directora pedagógica está bem, porque tem uma carreira de sucesso, com a chancela da escolha pela tutela, nomeadamente pelo nosso vizir da Educação que, talvez pela formação académica, perceba melhor esta forma inovadora de abordar o ensino daquilo de que não se gosta. É o predomínio da técnica sobre a substância, tão típica do século XXI. Desagrada-me um pouco aquele ar meio mal disfarçado de alguma superioridade pedagógico-táctica em quem vai tentar ler um livro, nem especialmente extenso ou complexo, durante todo o Verão. Ela vai tentar ler; é uma ousada desbravadora de territórios e arrisca-se a muito. Se calhar, até é mesmo o livro físico, que terá de agarrar e esfolhar com riscos evidentes para o seu bem estar físico. O que vale é que tem pouco mais de 150 páginas. E há passagens que até lhe poderão perturbar a sensibilidade. Não sei se repetirá. Eu, se fosse a ela, nem Paulo Coelho leria. Mas compraria uns livros dos tops e colocaria na estante da sala.

Eu acho que gente arcaica como eu, que gosta mesmo de ler e de aprender mais do que umas pinceladas mal amanhadas de teorias de complexidade nível 1 ou 2 (numa escala de 10) que depois se debitam como se fosse a apresentação de um trabalho de uma licenciatura em ensino do tempo em que ela andava no 1º ciclo (ou de quando eu andava na Primária, que foi muito antes), é que estamos errados. A vida seria muito mais fácil e pipilante se abraçássemos sem preconceitos o vazio como convicção, se nos limitássemos a replicar o que se ouviu (porque ler chateia) e se não tivéssemos a pretensão de avançar para algo diferente, em vez de envernizar o que está velho e bichado.

Já me tinham passado à frente umas personalidades deste tipo – lembro-me em especial do ar abismado daquele director que nem percebia a relevância de um par de filósofos para a Educação – mas penso que nunca com esta combinação de inconsciência e pretensão.

A sério, leiam a entrevista no Expresso e o depoimento no JL/Educação (onde se fica a saber que até está numa pós-graduação na Católica…) e terão o retrato dos professores “jovens” (atenção… não são todos os professores “jovens”, mas sim aqueles que têm o carimbo de qualidade da 5 de Outubro) que se pretende que venham a erguer uma “Educação para o século XXI”.

Já sei… eu não deveria ser assim tão crítico da colega (que até directora pedagógica e tudo, de um colégio de sucesso e tudo) e ser tolerante com as suas opções. Eu sei. Eu podia ser diferente mas, se o fosse, não seria a mesma coisa e para que serviria lerem-me. Para papagaios, há outros.

Exp18Jul20

(imagem sacada no mural da Isabel Cluny)

As “Migalhas”

Ontem, já fora de tempo útil para publicações, tomei conhecimento por diversas pessoas, curiosamente, a maioria de “esquerda”, deste texto do Malomil sobre a nomeação de Rita Rato para directora do Museu do Aljube.

A nomeação não me espanta, como não me espantaria qualquer outra, mais ou menos disparatada, porque sei há muito tempo como estas coisas funcionam.

A diferença é que, até há algum tempo, as cliques e clientelas ainda procuravam disfarçar um pouco este tipo de tachos (não há outra forma de colocar as coisas) com uma aparência de adequação ao cargo. Claro que há muitos exemplos, mais ou menos pretéritos, de casos absolutamente escandalosos, mesmo se na área da História as coisas sempre mantiveram algum decoro. Sabe-se que a pessoa foi nomeada por pertencer a este ou aquele grupo maioritário ou “alternativo”, ter dado esta ou aquela queca em dada altura da “carreira” ou ser apenas @ idiota certa no lugar adequado para servir de porta de entrada para todo o resto.

No caso de um museu, é a porta para quem organiza e comissaria exposições, para quem desenvolve lá actividades como formações para professores (é o caso do Aljube), quem coordena e participa em ciclos de conferências. As coisas são assim há muito tempo e  duvido que alguma vez tenham sido de outro modo.

Mas havia uma aparência de decoro. Conheço nomeações políticas e clientelares puras e duras, mas as pessoas em causa ainda tinham algum currículo. Agora já não existe tal tentativa de encobrir as coisas e só recuam em casos extremos. Vitalino Canas no Constitucional? Foi travado, mas duvido que Assis seja parado para o Conselho Económico e Social, pois o PSD e o CDS adoram aquele tipo de banha política com escassa forma. Sim, eu lembro-me de Armando Vara e Celeste Cardona na CGD, mas não eram entidades de regulação, coordenação ou supervisão do estado.

A nomeação de Rita Rato é uma das compensações para que o PCOP se oponha quando não há perigo de complicação e se abstenha quando há. Ou vote a favor. Há outras,e m outros quadrantes, não é qualquer novidade, excepto no facto de muitas posições estratégicas relacionadas com a preservação da Memória Histórica estarem a ser entregues a gente que lá está com o papel de a distorcer e truncar. Não por ignorância ou falta de qualquer competência (e é aqui que divirjo do António Araújo), mas porque é esse o seu papel.

Não tenho qualquer dúvida que existirão no Aljube imensas iniciativas interessantes a partir de agora. Como também tenho a certeza que existirão tantas outras que nunca poderão acontecer. Porque iriam contra a pseudo-verdade histórica que Rita Rato subscreve naquelas declarações em que declara não conhecer situações como os gulag ou os atropelos aos Direitos Humanos na China.

Alguém acredita que com Rita Rato possa existir uma exposição ou ciclo de conferências plural sobre os totalitarismos no século XX?

Repito… nada disto é novo.

Mas disfarçavam-se melhor as dádivas e tenças. Os quid pro quo do regime. Agora é às escancaras.

Mind

(escrevi isto há quase 15 anos... mantém-se, assim como isto sobre os “constritores da memória”)

Homem, Calado Ainda Podes Passar Por Cientista!

No semanário do regime costista-marcelista, o ministro Tiago explica que tudo aquilo que pensavam que ia existir no próximo ano lectivo, em boa verdade, não vai. Mas o melhor é ele a explicar que a mitigação da propagação do vírus não se limita ao distanciamento. Sim, é como dizer que as pessoas não morrem apenas por serem atropeladas ou terem doenças terminais. Também podem ser atingidas por um raio na testa.

Bolhas! não, desculpem… Bolas!

E é perceptível a incredulidade de quem pergunta.

Exp4Jul20

Expresso, 4 de Julho de 2020 (imagem sacada no fbook à Helena Bastos)

É isto um cientista?

 

Aquilo Que O Ricardo Costa Parece Incapaz de Entender (Mas Não É Só Ele)

A seguir ao ministro Tiago, veio dizer que Portugal fez mal em não abrir as escolas todas mais cedo, pois – diz ele – “temos agora o exemplo vivo” [sic… duplamente] de que não se deram casos de transmissão dentro das escolas. E começou a dizer que praticamente todos os países europeus tinham aberto as escolas, o que é rematadamente falso.

Ora bem… para além disso em primeiro lugar, não sei se é bem assim, essa do “exe,plo vivo” (faz-me lembrar a retórica do “dever cívico”). A propaganda vale o que vale. É como com os lares de idosos… se somarmos tudo o que se sabe aqui e e ali, excede largamente os números oficiais, mas parece que não. Enfim.

Em segundo lugar e mais importante… o problema em si não é a transmissão “dentro das escolas”, mas tudo o que envolve o regresso às aulas e pode ser levado para casa. Se o pessoal urbanito da geração do Ricardo Costa (se repararem, os grandes críticos da não abertura das aulas andam quase todos pela mesma idade e é gente com “responsabilidades” e pouco tempo para “perder” com petizada sem aulas ) não entende isso, nada a fazer. É como com a manutenção de centenas de novos casos positivos em Portugal, dando a entender-se que é problema apenas de uns bairros. Quem defendeu o desconfinamento e logo se via, nem fala disso ou fala como se fosse tudo natural e nada de mais.

O Boris Johnson era mais ou menos assim até ter levado com a coisa na sua própria testa.

cansaco-mental

O “Professor” Marcelo A Dar Um Empurrãozinho Ao Ministro Tiago

Pelo menos num canal noticioso, falava-se em “cerimónia de encerramento do ano lectivo”. A sério?

Visita à Escola Secundária de Fontes Pereira de Melo com o Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, no dia em que termina o ano letivo 2019/2020

Não poderiam ter ido a uma escola de Loures ou da Amadora?

bullshit-detector

Os Pândegos

Lia há pouco um texto que me enviaram contra a redução do número de alunos por turma que, entre outros “argumentos”, usava a escassez de espaço para um “terço suplementar de aulas”. Logo agora, depois de tanto se escrever sobre a diminuição do número de alunos no sistema de ensino, em especial no Ensino Básico, dá vontade de rir. E nem se fala no encerramento de escolas. E não há professores? Se for em horários completos, desde o início do ano, verão como aparecem.

Realmente, há malta que deveria ter um pouco de senso quando tenta “argumentar” em modelo cortesão, não é, David?

muppets-rir

 

Pode Fazer Sol, Mas Também Pode Estar Nublado

Chover ou estar nevoeiro. Ou granizo.

Ninguém sabe. Ponto final. E aquilo de um computador por aluno foi, como diria um cortesão costista, apenas uma boutade para ninguém levar muito a sério.

Ministério da Educação quer aulas presenciais em setembro mas admite outros cenários

Vamos ser claros: não fazem a mínima ideia e apenas esperam que as coisas evoluam favoravelmente, mas nada indica que assim seja. E para quem acha que isto tem sido um “inferno” com as escolas fechadas e a petizada em casa, se calhar será melhor pensarem no nível de risco que estão dispostos a aceitar para que as coisas finjam alguma normalidade.

DGS mantém escolas abertas mesmo com casos de covid-19

Regras da DGS preveem que alunos identificados como contactos de risco fiquem em casa. Mas o isolamento profilático não se aplica aos pais e irmãos dessas crianças.

Escola secundária em Faro põe fim às aulas presencias após novos casos de covid-19

Caso de infeção na Escola Domingos Saraiva em Mem Martins

Covid-19: quatro alunos infetados em escola de Massamá

Catavento

Há Que Achar Qualquer Tença Ou Recompensa…

… porque até eu acho que há cortesã(o)s do regime costista que, de tanto se esforçarem e dobrarem as vértebras todinhas, merecem levar qualquer coisa para casa, antes do fim disto tudo. Não sei se cargos de “representação” lá fora, se qualquer coisa cá dentro. Não sei quando a drª Brederode dos Santos tem data de saída, mas a presidência do CNE seria uma opção “de prestígio”, porque conselheir@s há muit@s. É que tamanho empenho em defender, explicar, interpretar, decompor nas partes e recompor no todo, de qualquer asnice dita pelo poder que está não pode passar sem que se reconheça o mérito a tão público ass kissing (em português, lambe-botismo) de figuras com idade para terem decoro em tanto mostrar o ypsilóne. Não há comenda que compense.

duck