4ª Feira

Depois de tudo o que se vai sabendo – e será apenas o levantar da ponta do véu – sobre o desastre do sector bancário privado, as tropelias dos políticos para manterem benesses, a permanente erosão das condições de funcionamento do SNS ou a rede de influências na Justiça Quando até um vitalino serve para o Tribunal Constitucional(), ainda há alguém com um pingo de vergonha na cara diga que a Educação (desconto, com naturalidade, os mst’s e derivados ou aquela malta os queirozzezzezzz) é que está em crise ou é a razão do “atraso nacional”?

Não será o único sector que, e não é de agora mas sim de há uns 25 anos a esta parte, apresenta os únicos indicadores de progresso sustentado?

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São Remendos Curriculares Muito Bem Pensados

Embora confesse que a aritmética dos horários me esteja a escapar… como é que de 38 se chega aos 200.

Em finais de janeiro deste ano, quatro meses depois do início das aulas, havia ainda 38 horários por preencher, o correspondente a 200 professores de Informática em falta nas escolas. Para resolver o problema, o Ministério da Educação decidiu que as escolas podiam contratar quem tenha participado numa ação de formação na área das tecnologias.

Porque isto anda tudo ao contrário…

As regiões mais afetadas pela falta de professores são Lisboa e o Algarve. A questão da Informática é a mais preocupante, mas há já falta de professores também noutras disciplinas como o Português, Geografia e Inglês.

Perante este cenário, o ministério da educação diz à Renascençque está a estudar com detalhe as necessidades da falta de professores, estando a ser criado um grupo de trabalho com as universidades para verificar quais são as necessidades de formação procurando aumentar a atratividade da profissão.

Ora bem:

  1. Introduzem-se disciplinas no plano curricular sem estudo prévio da viabilidade em termos de meios humanos (nem falemos das condições técnicas em algumas escolas).
  2. Quando dá asneira, é que se vão verificar as “necessidades de formação” que, a serem cumpridas devidamente, só terão efeitos a 5 anos.
  3. Não se percebe bem com quem (e em que termos) se vai discutir o aumento da “atratividade da profissão”.

Já agora… não se acanhem que há outros grupos que estão também em pré-ruptura.

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E Agora, Um Cérebro Mitigado Em Todo O Seu Esplendor Natural

Este homem é governante e é, cumulativamente, um avançado mental que tem uma visão inovadora da fauna do estuário do Tejo.

Vejamos a passagem mais antológica de todas e que eu acho ao nível do mais sublime que a “Ciência Política” produziu entre nós.

Não há aeroportos sem impactos. Os caranguejos podem ser lentos, mas não estão em extinção. É um impacto não mitigável. Mas os pássaros não são estúpidos e é provável que se adaptem. E este postulado arriscado é tão cientificamente sólido como o seu contrário: o de que eles não vão encontrar outras rotas migratórias, outras paragens estalajadeiras, como no Mouchão. Ciência sem dados comprovados não é ciência.

E onde alcançou tamanha sabedoria científica contrafactual o senhor secretário de um Estado que se devia envergonhar de lhe dar emprego?

É só escolher, porque a sua vida é uma corropio de lugares ligados à investigação científica e, quiçá, à epistemologia do conhecimento.

Fica um naco significativo do seu aviário, desculpem, currículo:

É licenciado em Direito (pré-Bolonha) pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (Ciências Jurídico-Económicas) em 1981.

Pós-graduado em Direito Europeu pela ULB – Universidade Livre de Bruxelas (1983).

Pós-graduado em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa (1985).

Mestre em Ciências Jurídicas (Pré-Bolonha) – Direito Europeu, pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa (1993).

Integrou a direção dos assuntos jurídicos da Caixa Geral de Depósitos entre 1984 e 1991.

Integrou o Departamento jurídico do Banco Europeu de Investimento de 1991 a 1998.

Foi Presidente da Câmara Municipal de Aveiro entre 1998 e 2005, tendo ainda presidido ao consórcio «Aveiro-Cidade Digital» e à AMRIA – Associação de Municípios da Ria entre 1998 e 2001 e integrado o Conselho de Administração da «Aveiro Pólis, SA», entre 2001 e 2005.

Foi vice-presidente da ANACOM – Autoridade Nacional das Comunicações entre 2006 e 2012.

Foi «Data Protection Officer» do Banco Europeu de Investimento entre 2012 e 2017.

Foi vogal não executivo do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, presidente da Comissão de Governo da Caixa Geral de Depósitos, membro da Comissão de Auditoria e Controlo Interno da Caixa Geral de Depósitos, membro da Comissão de Nomeações, Avaliações e Remunerações da Caixa Geral de Depósitos, presidente do Conselho de Administração da Fundiestamo e administrador sem funções executivas da Fundação Eng. António Pascoal até fevereiro de 2019.

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Tudo Aquilo Que Não Sabia Sobre História Da Educação E Não Perdia Nada Com Isso

Há momentos em que se percebe que alguém leu um livro (e não foi da Margaret Archer). Ou um artigo (e não foi do John Boli e do Francisco Ramirez). E descobriu a pólvora feita de farinha amparo.

Segundo a minha visão, a digitalização da Educação vem por um lado, abrir a Academia e, por outro, libertar o ser humano. O mesmo é dizer que será o princípio do fim da Escola enquanto veículo da “industrialização do conhecimento”.

Para entendermos o atual Modelo de Educação temos que recuar 300 anos pois, historicamente, este tem as suas bases assentes na expansão do Império Britânico pelo mundo.

Na altura, para promover o sucesso da sua campanha militar, os ingleses criaram aquilo a que chamaram de Máquina Burocrática Administrativa. Esta “máquina” era composta por pessoas, tantas quanto possível, todas elas iguais, ou seja, com o mesmo tipo e nível de conhecimento. Por outras palavras, significa que estas pessoas tinham que assegurar tarefas simples mas de extrema relevância, como por exemplo, a correta leitura de relatórios de guerra, o cálculo de trajetórias balísticas, o devido aprovisionamento do batalhão, entre outros.

Para tornar isto possível, foi criada uma outra “máquina” a que chamaram Escola, onde dotavam estas pessoas das habilidades necessárias. Foi deste modo que os britânicos conseguiram assegurar o sucesso e a sustentabilidade do seu sistema e investidas militares. No entanto, esta infraestrutura escolar montada por eles era tão forte que sobreviveu ao passar dos tempos, foi replicada, escalada e ainda continua a gerar pessoas, todas elas iguais, para uma “máquina” que já não existe.

E como aprendeu tudo isto, esta especialista instantânea em Educação (já agora, a propósito, ler este curto post do A. Duarte)?

A jogar futsal. Nada cá de coisas enciclopédicas.

Eu era pivot, tinha que marcar golos e dar golos a marcar durante os sete anos em que pratiquei futsal feminino. Foi nesta etapa que desenvolvi noções estratégicas e tácticas, coletivas e individuais, que se viriam a revelar fundamentais dentro e fora de campo, pela vida fora.

Numa modalidade extremamente rápida onde a execução acontece em frações de segundos, a lição verdadeiramente educativa foi o saber ocupar o meu lugar. Se a minha posição falha, se a tua posição falha, o nosso jogo falha; somos a peça que tanto pode bloquear como impulsionar a equipa, jogar e fazer jogar. Já a aprendizagem mais difícil foi levantar a cabeça e formular visão de jogo, mas a partir do momento em que o consegui passei também a jogar sem bola e isso fez-me mais completa. Recepção, intercepção, antecipação, desmarcação, compensação e marcação, num 4×0 ou num 3×1 eu era eficaz na disrupção que gerava em um para um, a finalização era sempre o foco na ponta dos meus pés (…).

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Domingo

O camarada Arménio não quer ser medalhado individualmente pelo presidente Marcelo. O presidente Marcelo, lá da Índia, diz que tudo bem, que medalha a CGTP, até porque já se fartou de medalhar organizações. Acho bem que o establishment se recompense e aos serviços prestados em nome da estabilidade.

Entretanto, descobrimos uma camarada Camarinha que, mantendo-se a tradição, estará ali pela Avenida da Liberdade à primeira oportunidade ou no Terreiro do Paço em pleno palanque mesmo se, no que diz respeito aos professores que merecem a inveja de estar na carreira há umas décadas, nada de novo se ganhou, nem nos anos das lutas sanguinolentas de outrora, nem nos anos da colaboração com a geringonça, vai acima, vai abaixo.

As Medalhas do General2

2ª Feira

Um dia como outro qualquer quando se lêem as notícias de fim de semana. Do governante que decide com base em séries de televisão ao avençado académico do engenheiro que avalia candidatos a juízes, não esquecendo uma das eminências pardas do regime que surge em investigações internacionais de opacidades financeiras. Como qualquer bolada numa janela de sala de aula no 1º andar pela manhã, é tudo “normal”.

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