A Clarificação Dos “Campos” E Lealdades

O último ano de greves, da dos professores à dos camionistas, foi muito útil para se ir além das coreografias e simulacros, porque existiram momentos em que existiu a necessidade claramente de tomar partido ou combater determinada causa. Ou ficar em silêncio. Percebeu-se, ao finalizar o mandato, que o PS de Costa agregou em seu torno o essencial do de Sócrates, com esta ou aquela excepção, e ainda fez algumas aquisições, seja pela forma como certas personalidades mais à “esquerda” surgiram em sua defesa contra professores, enfermeiros e motoristas (e a algumas criaturas mediáticas que apareceram a capitalizar uma tardia “rebeldia” ou independência eu não compraria um carro em segunda mão), colaborando nas mais descabeladas campanhas negras que desenvolvidas desde os tempos das avenças do engenheiro aos “corporativos” e que tais, como outras à “direita” pareceram confortáveis com o modo “firme” como Costa reagiu nas várias situações, sem problemas em esticar os limites da legalidade a partir dos mecanismos de poder do Estado.

Para isso contribuíram, à esquerda, a forma desastrada ou demasiado táctica como PCP e Bloco reagiram às diversas situações, entre a ortodoxia do frentismo da sindical (ou és da cgtp ou levas) e a indefinição entre abraçar causas ou um lugar numa geringonça2 (o bloco ou só avançou quando sabia que isso não tinha consequências ou desapareceu de vista, em praias incertas), e à direita a completa inépcia de um Rui Rio completamente perdido em si mesmo (apareceu tardíssimo, sem que se perceba o que faria de diferente se fosse PM, quando já tudo estava decidido) e a crescente irrelevância de um cds a reagir em piloto automático, não percebendo que a lei da greve não protege nada que um governo sem oposição credível e uma comunicação social domesticada não queira ultrapassar a seu belo prazer.

Se isto a que chamo “clarificação” é ujm cenário muito desanimador e parece deixar-nos sem “alternativas” reconhecíveis (o Aliança é o cadáver ambulante de um mítico psd/ppd que a Iniciativa Liberal não consegue fazer reviver, enquanto do outro lado o Livre é uma espécie de qualquer coisa europeísta), que não sejam meramente folclóricas (PAN), periféricas ao sistema político (MRPP, PNR, MAS, PURP, PTP) ou quase unipessoais (Chega/Basta, Nós, Cidadãos, PDR).

Sim Outubro está quase aí e começa a ser tarde para que se notem diferenças que tragam mais motivação do que evitar uma eventual trágica maioria absoluta.

centro-politico

(em tudo o que foi escrito sobre a greve dos motoristas, reterei no futuro dois ou três textos de uma Ana Sá Lopes que tarde parece ter percebido a deriva trauliteira do PS e o mais recente (“ver para descrer”) do Pedro Santos Guerreiro, o ex-director do Expresso que teve em tempo útil de dar lugar a alguém mais prestável)

 

Domingo

Um dia interessante até ao momento, porque o fbook está em manutenção e ainda não fui ao mail verificar se mais alguma criatura inútil decidiu bolsar traumas profundos acerca dos professores e das suas férias, remunerações, etc. Por criatura inútil entrnda-se um qualquer “assessor de comunicação” contratado na base do cartão partidário ou fidelidade invertebrada ao clientelismo local ou “consultor”, outra subespécie que muito pouco falta faz à sociedade fora dos circuitos em que se cobra por serviços que, em regra, qualquer um deveria conseguir tratar não os tornassem tão labirínticos que se tornasse quase uma necessidade contratar exegetas nas matérias.

Back in the days… quando eu me dava ao trabalho de ser chateado por tipos do insurgente e do 31 , raro era aquele que criticava os professores por serem funcionários pagos pelo Estado que não vivesse de “consultorias” ou “assessorias” junto desse mesmo Estado ou de outros poderes públicos lá fora, com preferência para estados ditatoriais africanos ou petroarábicos. Quando se chamava a atenção para o paradoxo, a contradição, disfarçavam e diziam que era outra coisa. Mais recentemente, apareceu-me no fbook mais um ou outro desses “indignados” subsidiodependentes que acham que receber remuneração por ensinar nas escolas públicas é menos digno do que receber subsídios por “projectos” de utilidade e interesse, no mínimo, questionável. Ou seja, se os dinheiros públicos (nacionais, europeus ou outros) lhes forem concedidos ou ajustados, está tudo certo, é dinamismo pessoal e “empreendedorismo”, mas se for em forma salário por um desempenho profissional quotidiano já é “conformismo”, “comodismo” e outras coisas assim.

Prometi a mim mesmo, a bem de os ler a enterrarem-se em contorcionismos retóricos, não os mandar logo para aquela substância defecante que calcularão. Mas a paciência, mesmo sendo o calor “abaixo dos valores médios para a estação”, por vezes fica curta.

smile

(o pior mesmo é quando se sabe que já foram professores ou justificam mesmo as baboseiras com esse argumento… sim sabemos porque deixaram de o ser, não precisam explicar…)