Ainda O Alçada Baptista Em 1972

Isto de as pessoas valerem por dentro dá um certo conforto e uma certa leveza à própria vida. Porque isto de andarmos todos a fazer de sábios, distraídos e tudo, a fazer de intelectuais, de políticos, de banqueiros, de senhores, além de termos de estudar muito bem o nosso papel, dá muito trabalho a representar.

O Tempo nas palavras, p. 76

2ª Feira

Começa mais uma semana com a perfeita noção de que nenhum problema sério relativo à carreira docente e ao seu tão repetido “envelhecimento” tem perspectiva de resolução. Quanto àquela conversa da “transição digital”, a mesma coisa. Embora se saiba que mesmo que os contágios sejam galopantes, as escolas estarão proibidas de encerrar, nada chegou às escolas para as equipar para a eventualidade de períodos de ensino não-presencial para um número elevado de alunos. Estão a ver como as coisas evoluem, para os milhões ficarem na sua maioria pelo anúncio, esperando que como no ano passado sejam famílias e professores a avançar com o material. Realmente, nestas alturas percebe-se melhor o nível de fancaria com que somos obrigados a viver.

E, Ao Que Consta, Uma Turma de 3º Ano E Outra De 10º Em Casa, Por Causa Da Petizada Presente…

… só pelo concelho de Palmela, não sabendo eu do resto.

Noiva doente com Covid-19 após casamento com mais de 100 pessoas em Azeitão

Há registo de pelo menos 27 casos ativos entre os presentes na boda. Estão hospitalizados no Barreiro e Setúbal.

(e por Setúbal também se vão conhecendo cada vez mais casos… embora não por irem ao casamento acima…)

A Grande Qualidade De António Costa…

… é conseguir enfiar barretes em todos os quadrantes, convencendo o Bloco que sem eles não há OE, enquanto acerta com o PR e Rui Rio (embora chegue a ser penoso este a explicar a sua posição sobre o Tribunal de Contas, dizendo que concordou com aquilo de que discorda) os negócios maiores do regime e as nomeações para as “controlar”, embolsando as oposições à esquerda e direita (e com mais uns tostões embolsa o PAN). Ao menos, parece que o velho Jerónimo está a acordar do torpor em que caiu há uns anos, embora saiba que se bater muito o pé, as suas autarquias sofrerão.

O Ministro Tiago Ao Seu Nível Habitual (E Uma Boa Reprimenda)

Não li a entrevista toda do ministro Tiago à Visão de 5ª feira porque já estou cansado de redundâncias e chegam-me uma ou duas frases para confirmar que não aprendeu nada sobre o nosso sistema de ensino, mas aperfeiçoou aquela forma de estar bem no sistema de fidelidades neo-feudais em que vivemos. Muitos elogios para cima, muita desresponsabilização própria e lançamento de culpas para baixo na hierarquia. Apercebi-me hoje que se deu ao desplante de desancar a directora da Escola Dona Amélia por não ter pedido os professores a que “teria direito” ou expressão equivalente. Hoje tem a resposta da presidente do Conselho Geral da dita Escola que só peca por partir do princípio que Tiago Brandão Rodrigues (mas não é só ele) percebe de lealdade institucional ou que ele sequer percebe verdadeiramente do mecanismo de colocação de professores, pelo que terá sido apenas “negligente” nas palavras. Não, o senhor ministro não é negligente com as palavras, apenas é desajeitado com as ditas. E pouco preparado em matérias técnicas. Agora terá de andar o secretário Costa, com o seu falar doce, a tentar apagar este fogacho ocasional.

Há regras estúpidas que o ME impõe às escolas para preencher vagas que se sabem estar em aberto, como atestados de longa duração, por doença e tratamentos prolongados, que apenas podem ir a concurso depois de 1 de Setembro. E depois há, como já escrevi antes, aquela de andar a contar os tostões das horas lectivas e dos dias de serviço, desencorajando muita gente a concorrer a horários incompletos, devido aos encargos envolvidos.

O ministro Tiago será o ministro da Educação mais tempo no cargo desde o 25 de Abril e isto diz muito acerca da governação nesta área, feita cada vez mais nas sombras e com base naquelas redes de amizades desenvolvidas em torno de dois ou três grupos de gente amiga, colaborante ou, no limite, que se cala e faz o que lhe mandam.

Talvez por isso, mas não só, o texto da Isabel Le Gué seja de saudar, porque a maioria preferiria calar-se e deixar passar, esperando pelo contacto reconfortante do secretário e de alguma desculpa oficiosa pelo dislate do ministro. E porque há pelo menos uma presidente de Conselho Geral que assume o cargo e toma posições. O que a maioria não faz desde a pandemia, se já antes não primava pela inacção. Conhecendo eu boa gente que leva o cargo a sério e as dificuldades que isso acarreta, também sei que nos últimos meses os Conselhos Gerais se tornaram, em regra, ainda mais inúteis do que antes, assinando de cruz ou nem sequer tomando posição sobre uma série de decisões e documentos que teriam de ser por si analisados e aprovados, a começar pelos Planos de Contingência e mudanças de critérios dos horários dos alunos.

Quando ao ministro, enfim, há que acreditar que lá para a frente, o túnel tenha uma saída.

A Ler

Para quem tiver assinatura. Eu vou racionando os artigos disponíveis, embora colabore lá há mais de uma dúzia de anos.

Quanto ao tema, sou dos que há muito constatou que as “elites” muitas vezes auto-definidas, se baseiam mais numa posição económica e nas suas conexões do que no seu esclarecimento. Basta ver que o movimento anti-vacinação parte do topo e até tem muitos “legitimadores” entre a “classe médica” e “especialistas”. Lá fora e por cá.

A elite e os pais radicais (2)

As Duas Faces Do Pensamento Mágico

Há quem ache que uma aula por semana (por vezes apenas num semestre) de Educação para a Cidadania é a solução para um mundo mais justo e que essa será a chave para contrariar as restantes 167 horas da semana em muitas vidas. E há quem ache que essa mesma hora conseguirá destruir toda a belíssima educação familiar construída no recato do lar, em sã convivência com os valores mais tradicionais.

Como é óbvio, não sinto qualquer identificação com estas “tribos”, que andam a hiperbolizar argumentos e a cavar trincheiras, como se nada de mais interessante existisse para fazer ou em que pensar.

Vou leccionar a disciplina a duas turmas e vamos divertir-nos e tratar assuntos interessantes, esperando passar ao lado de qualquer salpico da parte idiota desta polémica que está a ter cada vez contornos mais caricatos e entrincheiramentos argumentativos com palavras e expressões como “quem tem medo” e “em defesa da liberdade” que até faz pensar que estamos perante mais do que 45-50 minutos semanais de uma criação curricular à medida de alguns, é certo, mas longe de ser uma qualquer pileca a anunciar o Apocalipse Social.

Deixem-se de tretas… a Civilização não está em risco por causa disto e nenhuma das claques a está verdadeiramente a defender, dando antes tristes exemplos de enorme intolerância cívica perante qualquer contraditório ou contrariedade. E querem ser estes adultos a dar exemplos à petizada, na escola ou em casa?

Mas O Que É Que Este Marmelo Percebe Do Assunto?

O Costa2 é daqueles que parece saber tudo sobre tudo, desde que se siga o guião do Largo do Rato. Vai chegar longe, porque se farta de dar tenças a tudo o que mexe pela órbita de uma encapotada geringonça lisboeta. Porque há muitos aljubes sob a sua alçada.

“Crianças não são um poderoso elemento de transmissão da covid-19”

Comentário de Fernando de Medina, esta segunda-feira, sobre a reabertura das escolas.

(já ele é um poderoso veículo de desinformação…)

Um Ministro Para Todas As Festividades

O mesmo ministro que andou pelo estádio da Luz a ver a final da Champions com o PM não foi capaz de fazer chegar às escolas um manual de instruções quanto aos procedimentos a ter neste início de ano lectivo. Chega dia 7. Chega a tempo, dirão os do costume. Será que era preciso autorização do secretário de Estado?