5ª Feira – Dia 39

Não é a primeira vez que os alunos me dizem que têm saudades de voltar à escola. O ano passado foi o mesmo, ao fim de 3-4 semanas de aulas à distância. Voltar à escola para estar com os amigos, socializar, mas também para estar nas aulas. Pelo menos, a maioria tem essa atitude, mesmo se há um punhado que tem aproveitado muito bem o tempo para uma pós-graduação em consolas e chegadas com mais atraso às aulas em casa do que na escola.

Uma Conclusão Interessante

Parece que 2 a 4 semanas sem aulas presenciais com os professores, que têm sido obrigadas a seguir um modelo bem tradicional (as interacções em sala de aula, actividades colaborativas entre alunos e outras “diferenciações” estão fortemente desaconselhadas), destruiriam as aprendizagens de forma “irremediável” e conduziriam a uma “geração deslassada” (a tentativa de Manuel Carvalho fazer de Vicente Jorge Silva e cunhar uma expressão para a posteridade).

Ou seja, aquilo não terá sido conseguido por anos e anos de políticas disparatadas, em zigues e zagues, com uma acumulação de burocracias para atrapalhar o trabalho dos professores e políticas cada vez mais ridículas de avaliação dessas aprendizagens.

Realmente, a presença física dos professores é mesmo “impactante” para os alunos, ao contrário de uns 30 anos a dizerem que os alunos podem construir o seu conhecimento, em auto-descoberta, com os docentes ali apenas a “faclitar” (o que poderia ser feito à distância, certo?). Ou que as tecnologias tornariam quase irrelevante o papel do humano na Educação. Os professores foram sendo crismados de “inúteis”, “egoístas”, “corporativos”, “velhos”, “arcaicos” e tudo o que ocorreu a uma clique de burgessos, nem sempre exteriores ao sector da Educação, só que alguns de forma mais envernizada, mas não menos insidiosa. Afinal são “essenciais”.

(será altura de lembrar que há 6 anos, 4 meses e 2 dias de tempo de serviço apagado da carreira, que causou danos “irremediáveis” e marcou várias “gerações” de professores, que agora deveriam cobrir os deputados porfírios e os comentadores situacionisttavares e baldaias as com toda a vergonha que lhes falta?)

Será que essas criaturas que há tanto tempo nos bombardeiam com essas teorias, terão a decência de se desviar da frente e deixarem de atrapalhar? Porque as vossas teses parecem estar claramente erradas. Afinal, umas semanas sem professores em osso e carne (muita, no meu caso), as perdas são “irreparáveis” e podemos “perder uma geração”. Porque eu vou guardando todos estes malabarismos para, em devido tempo, sugerir que os freiristas e/ou futuristas de aviário se encham de alcatrão e penas quando voltarem a meter a cabecinha de fora, em nova vaga de parlapatice, sancionada pelo secretário costa e os seus apóstolos.

É Uma Lista Em Construção

Tenho mais um punhado de concelhos para a troca, ou para acumular à lista do STOP. Aveiras, Barreiro, Lamego… em Lisboa e no Porto são mais, em especial Secundárias. Resta saber se alguém no ME se interessa vagamente por isto ou se apenas lhes interessa que seja gente da sua cor ou que flexibilize muito. E em alguns casos, a ordem para calar vem de gente muito democrata, tolerante, anti-Chega e antifascista e tal.

«Escolas em concelhos de risco extremamente elevado não cumprem orientações da DGS», alerta sindicato

Phosga-se – Série “As Presenciais” – 4

Pela Madeira:

Apesar da secretaria da educação ter uma certa autonomia em relação ao ME, aqui também temos as regras a cumprir nas escolas, eu como educadora e as ajudantes tivemos de fazer o teste antes de começar a trabalhar com as crianças no mês de junho e os meus colegas  do primeiro ciclo e todo o pessoal não docente fizeram o teste em setembro. Todos usamos máscara excepto as crianças do pré escolar e no edifício onde só estão os dois grupos da pré os horários estão feitos de forma que  as rotinas diárias sejam diferentes (recreio/alimentação).
Passando para as reuniões-temos todas as semanas uma presencial de 2 horas com os colegas dos 2 edifícios -sendo 15 ao todo numa sala. A reunião de avaliação também vai ser presencial, com todos e à tarde vamos receber na sala os pais que quiserem ver a avaliação dos filhos, 17 ao todo, divididos por 3h e meia para não haver encontro entre eles. Isto tudo para dizer que aqui a única diferença é que usamos máscara e no dia da avaliação os pais têm minutos contados…

Phosga-se – Série “As Presenciais” – 3

Uma boa síntese do “processo democrático” do debate em muitas escolas.

Amigo, o diretor começou o pedagógico a dizer que ia ser assim. Um colega perguntou se já estava decidido pois o CP é um órgão consultivo, como bem sabes; antes de ele responder eu pedi para falar e lembrei o aumento de casos diários e acumulados, bem como as indicações
da DGS. Estivemos mais de 1 hora [a discutir, mas] como ele já tinha decidido, decidido ficou.
Opinião final: neste modelo de gestão o Reitor é soberano.

Outro caso, não muito diferente, mas pelo menos com votação, que parece ter sido ganha por quem não terá assim muitas turmas.

 Durante este ano letivo, temos tido reuniões online, mas também presenciais. As reuniões de avaliação serão presenciais. Não tivemos, ou não há explicação. Houve quem tenha pedido esclarecimentos à Direção e foi chamado à atenção. A decisão foi tomada em Conselho Pedagógico e só um Coordenador votou a favor de serem online.

(como nas duas localidades em causa, até há Sé Catedral, dá sempre para fazer uma forte benzedura antes da ida para as reuniões)

Amanhã Há Mais

Espero apenas autorização para transcrever algumas “fundamentações” (que me chegaram em guinote3@gmail.com, para o caso de haver mais que possa enviar-me detalhes), em especial daquelas em que a decisão é d@ director@ e não há mais explicações ou discute-se em CP mas manda quem manda, que se lixe o que diz mesmo a lei em matéria de competências dos órgãos, e ponto final. Os casos não me parecem residuais, mesmo se a maioria optou pela via do bom senso, até por ser apenas o 1º período. E nota-se que em muitos sítios, a par dos lambe-botas há quem tenha natural receio pelo que aí possa vir, Pelo menos num caso, as queixas de um colega para a IGEC sobre os actos de gestão acabaram em processo disciplinar contra ele. Os tempos andam agrestes. Mas há quem continue com aquele ar de sonsice.

Phosga-se – Série “As Presenciais” – 2

Confesso que há situações que me fazem pensar que há quem não entenda mesmo nada disto da “Transição Digital”, nem que é possível o preenchimento de documentos online, sem ser necessário ficar tudo para o DT. Alguém informe quem de direito, mas infoexcluíd@, que mesmo durante a reunião, por exemplo com o Teams, cada participante pode editar documentos que estejam na plataforma. Ou podem preencher com antecedência. É fabuloso que existam situações do tipo:

“No Agrupamento de Escolas (…) as reuniões serão presenciais. Não sei exatamente qual é a fundamentação, mas acho que se prende com a quantidade de documentos a produzir na reunião que, no caso desta ser online, ficariam apenas a cargo do DT…

Já de outra natureza são as decisões em que sai convocatória e nem se explica o porque sim ou porque não. É assim e mai’nada. Dois exemplos, um a norte, outro a sul.

Tendo em conta que o concelho de (…) e os concelhos limítrofes, devido ao número elevado de casos covid, estão categorizados como de risco muito ou extremamente elevado, não me parece minimamente razoável a marcação de reuniões presenciais, colocando desnecessariamente em risco os professores. Até ao momento não houve qualquer justificação para as reuniões seres presenciais.

No Agrupamento (…), TODAS, as reuniões são presenciais. Sem fundamento conhecido. Saiu convocatória, ponto final.

Sábado

A questão das reuniões presenciais não é uma embirração que me tenha dado só porque sim. A questão é mais séria do que algumas opiniões simplistas (para não as chamar mesmo simplórias) podem fazer acreditar. Mas então eu não posso ir almoçar com meia dúzia de colegas a um restaurante, a menos que fiquemos em mesas separadas, mas já se podem reunir 12 ou 15 pessoas numa mesma sala durante duas horas, passando papéis entre si e tudo o mais? Que regras de distanciamento podem ser respeitadas numa situação destas, que não é comparável com uma aula, mesmo que não acreditemos em bolhas.

Vamos lá ser um bocadinho sérios e menos folclóricos (ahhhh… nada substitui uma reunião presencial!): o meu Conselho de Turma (5º ano) tem 6 professores (e não aqueles 9 ou 10 da mitologia de algumas mentes que falam no choque da transição entre ciclos) e até se poderia fazer a reunião sem riscos enormes. Mas uma reunião do 3º ciclo já pode ter uma dúzia ou mais e professores, a menos que seja daquelas em que ainda não docente de Português, Inglês e Geografia e então poderão ser só uns 8-10. E uma do Secundário, em que se juntam duas turmas em algumas disciplinas pode ir acima das 15 pessoas numa sala, sendo que essas pessoas até podem nem conviver com regularidade e muito menos fazer parte de qualquer “bolha” comum. Num período que ainda se considera de risco muito elevado de contágio, promover reuniões deste tipo, com pessoal que anda em regra acima dos 50 anos, em rotação pela escola e a passarem papelada de mão em mão é profundamente idiota.

A favor de reuniões presenciais tenho dado com dois argumentos principais e alguns secundários: o autoritário e o comunitário. O primeiro resulta de decisões do topo em modo de imposição; o segundo de uma espécie de saudades de reuniões com toda a gente a falar e a “partilhar” as suas experiências. O primeiro desperta-me uma aversão natural, em especial quando parte de quem não tem de fazer o que manda fazer. O segundo faz-me pensar em alguma infantilidade a esta altura do campeonato; caramba, é o 1º período, ainda há uma ano fizemos todos reuniões presenciais, está já assim tanta gente nostálgica? Não podem ir partilhar afectos, amizades e conversas para um café ou restaurante por questões de segurança sanitária, mas já o podem fazer na escola? Eu gosto muito de reuniões com café, chá, bolinhos e um ocasional moscatel entre adultos, mas neste momento isso é secundário. Como são secundários aqueles argumentos que parecem encarar este momento de avaliação com uma gravidade que estranho bastante e tanto mais em colegas que são tod@s pelas flexibilizações e que relativizam muito a importância da avaliação formal e até são contra os “exames”, mas depois querem tudo grelhado em papel e assinado ali presencialmente que é para ninguém pensar que isto é uma brincadeira.

Sei perfeitamente que estou a atingir uma boa quantidade de gente com o que antes escrevi, mas desculpem-me a opinião, mas há momentos em que uma idiotice não deve passar em claro. è mais amigo o que vos diz que estão a fazer mal quando o estão a fazer, do que quem evita, para não ter chatices, e a posteriori é que vem dizer “ah pois é, mas não se podia saber…” ou algo parecido. As videoconferências são incómodas, a net em casa falha (aqui a minha parece código morse a certas horas do dia), não há aquele contacto “humano” de que se parece ter tantas saudades? Pois, mas já não se lembram porquê?

Não podem assinar-se actas em Janeiro? As pautas não saem dos programas com o nome do DT já impresso? É mesmo preciso – em tempos tão digitais – andar a mexer em tudo o que é excrescência burocrática? Brincamos?

Phosga-se, pá!

(faltou o argumento meio escondido do “se a direcção tem de cá estar, devem estar todos” porque a esse eu teria de responder de forma muito rude… e estamos em época natalícia e tal…)

Phosga-se – Série “As Presenciais”

Vou recebendo respostas, reservando a identificação dos locais para outra ocasião, preferindo por agora seleccionar apenas algumas das situações descritas, destacando aquelas que acontecem em zonas de risco extremo ou muito elevado de acordo com a lista oficial em vigor à data de hoje. E chamo a atenção para os casos em que se realizam por pressão de colegas que acham que nada como fingir normalidade.

Caso 1 (concelho com risco extremo) – Então e a Transição Digital?

“No agrupamento(…) as reuniões estavam inicialmente marcadas para serem online, contudo, houve um levantamento considerável contra as reuniões online, por vários motivos, a internet em casa é lenta, o computador é velho, se o computador avariar não tem tempo para arranjar, não se sentem confiantes com a reunião online, não percebem nada de transição digital, etc,etc… Resumindo, todas as reuniões do pré ao 9 ano serão presenciais.

Caso 2 (concelho com risco muito elevado) – Tau-tau n@s menin@s rabin@s!

“Vamos ter reuniões presenciais porque, durante as intercalares, tivemos colegas a fazer as vídeoconferências a partir dos telemóveis, durante as viagens de regresso a casa. Reuniões de avaliação presenciais são o puxão de orelhas da nossa diretora! Relembro que estamos a falar (…), que está há semanas no risco muito elevado!”

Caso 3 (concelho com risco “apenas” elevado) – As meninas e meninos queriam ficar à roda da fogueira!

“(…) na minha escola (…) finalmente decidiram fazer as reuniões on-line. Sempre propus isso mas nunca acontecia. O que mais me espantou foi que vários colegas ficaram muito contrariados porque, já que damos aulas no meio dos alunos todos… e o melhor : as reuniões presenciais são muito mais “solidárias “ e “ coletivas”, porque os “os papéis vão passando entre todos”…enfim, envio- lhe esta curiosidade.”

Caso 4 (concelho com risco muito elevado) – Dizem que é ilegal!

“Na Escola Secundária (…), os conselhos de turma de final de período (como todas as reuniões na escola, desde junho) serão presenciais. A Diretora segue à risca o que a tutela sugeriu, porque a convenceram de que é ilegal convocar reuniões ‘on-line’ (justificação dada em Conselho Pedagógico aos conselheiros que sugeriram reuniões por videoconferência).