Assim Sendo, Como Fica A Semestralização?

Desculpem lá, mas há coisas que necessitam de mais do que uma reacção epidérmica. No casos das escolas que optaram pela semestralização… as classificações finais são as de Janeiro? Ou em quatro semanas de aulas (o Carnaval meteu-se pelo meio) justifica-se uma alteração?

E as disciplinas semestrais? As do 2º semestre, adeus! A juntar às que já vinham sem nota por falta de professores há turmas com 20-25% do currículo por avaliar.

Não é que avaliação seja a minha maior prioridade (ou sequer chegue ao top 3), no contexto educativo que vivemos, mas há que começar a ter uma visão mais ampla e de conjunto – quase diria holística – disto tudo.

Lamento se estou a colocar dúvidas em tempo útil, em vez de me congratular por, ao fim de três dias de emergência, ainda ter água a correr nos canos e luz nas lâmpadas, como se isso tivesse deixado de acontecer na Itália ou Espanha, que estão a atravessar uma fase bem pior do que a nossa.

Nutty

 

O Pior Erro… (E Umas Sugestões)

… é não tomar ou atrasar medidas só porque não saíram em primeiro lugar das cabecinhas “certas”. Assim como também é errada a precipitação baseada na tentação de apresentar serviço o mais depressa possível, para demonstrar que se está a trabalhar e não a mandriar.

Vamos lá tentar olhar para as coisas com a objectividade possível e com parágrafos curtos, à moda do “leitor rápido” do século XXI. Desculpem se só meto bonecos no fim.

  • De acordo com os modelos mais credíveis e mesmo “oficiais”, os riscos de contágio pelo SARS-CoV-2 e de desenvolvimento da CoVid-19 serão muito elevados até final de Abril ou mesmo início de Maio.
  • Perante este cenário, este ano lectivo nunca poderá ser vagamente “normal” e terá de ser pensada a melhor forma de encarar o que deve ser feito nos próximos meses, reservando o essencial e deixando cair o acessório. Combinando as questões pedagógicas com as sanitárias.
  • Sendo um confesso adepto da existência de provas de avaliação externa, admito que parte delas é, neste momento, algo perfeitamente acessório, pelo que poderão ser adiadas ou pura e simplesmente eliminadas, até para não prolongar desnecessários fenómenos de ansiedade.
  • Considero muito mais importante que se mantenha algum contacto dos alunos com actividades que permitam continuar a desenvolver algumas aprendizagens do que estar obcecado com a sua avaliação. E, repito, eu nem sou adepto das teorias holísticas e coisas assim.
  • Desta forma, as provas de aferição calendarizadas para o início de Maio (Educação Artística, Educação Física para o 2º ano, entre 4 e 12 de Maio), deveriam ser eliminadas, o mesmo podendo acontecer à de Componente de produção e interação orais de Inglês para o 5º ano, entre 18 e 27 de Maio).
  • Em boa verdade, todas as provas de aferição do 2º ao 8º ano, por não terem qualquer reflexo no percurso escolar dos alunos, poderiam desaparecer sem especiais perdas seja para quem for.
  • As provas finais do Ensino Básico (9º ano) deveriam ser repensadas, pois ao nível dos conteúdos poderão não estar ajustadas ao novo contexto. O calendário da sua realização deveria ser reavaliado ou, em alternativa, considerar-se uma situação de excepcionalidade para a conclusão do 9º ano (o que até deveria ser do agrado dos críticos dos “exames”, entre os quais não me incluo).
  • Os exames nacionais do Secundário que se iniciam a 16 de Junho também deveriam ver o seu calendário reavaliado, com destaque para os de 11º ano que não se reflectem de forma imediata no acesso à Universidade em 2020-21. Adiá-los para Setembro não me parece nada chocante ou inviável. Afinal, nem sou eu quem afirma que não podemos “estar reféns dos exames”.
  • Quanto aos do 12º ano, é importante aferir até que ponto as provas que foram feitas estão adaptadas às circunstâncias em que vão decorrer (ou não) as actividades nos próximos meses. O recurso a ferramentas de ensino à distância não substitui o valor das aulas presenciais e muito menos fazer-nos acreditar que solucionam o problema existente em relação às aprendizagens. Num contexto de excepcionalidade, após avaliação da situação durante Abril, talvez fosse mesmo mais prudente adiar os exames para o início de Setembro, mesmo se isso acarreta adiar o acesso à Universidade.

Ideia

 

 

 

Como Avaliar Alunos No Município Da Maia?

Domingos Fernandes, a eminência parda disto tudo, e Eusébio André Machado explicam tudo sobre avaliação formativa, sumativa e feedback tal e qual como se aprendia nas profissionalizações dos anos 90 do século XX.

Fica o material de trabalho do “Projeto” Maia e do seu “Projeto de Monitorização, Acompanhamento e Investigação em Avaliação Pedagógica: Projecto Maia Avaliação. É material de velhas sebentas para gente que esteja esquecida e sempre “recicla” materiais de arquivo dos autores.

Maia

(ainda não consegui descobrir no base.gov quanto é que custou o que se encontra em dezenas de publicações de há 25 anos…)

Num Município De Educação Municipalizada Perto De Si

Há muitas formas de o poder local exercer a sua influência sobre o modo como o pessoal docente é gerido e avaliado. Podem dizer que não querem fazer os concursos, mas querem fazer muitas outras coisas. Mas, como acontece tantas vezes, fazem-no com recurso a concepções que me fazem lembrar a pré-história de algumas profissionalizações dos anos 90. Porque encalharam por ali e os “conceitos” cristalizaram.

Eis as instruções para a observação de aulas num agrupamento à beira-Tejo, ali mais como quem sobe da lezíria. Claro que o senhor Presidente da Câmara já foi, algures no passado, professor,

Orientações para o processo de Observação  Mútua  de Aulas

Na sequência da experiência realizada nos anos letivos anteriores e contribuindo para o objetivo definido no Projeto Educativo Municipal (Eixo 1, Meta A 1.2),  a observação mútua de aulas no presente ano letivo decorrerá, uma vez mais,  numa perspetiva de trabalho colaborativo; assim,  pelo menos 40% dos docentes de cada departamento procederá à observação mútua de duas aulas em dias diferentes.

Dado que o processo de observação de aulas pode ser um contributo relevante para o desenvolvimento profissional de todos nós, envio um documento para orientação da  tarefa da observação de aulas, fornecendo  alguns exemplos de focos de observação tais como as atividades / estratégias implementadas, as formas de comunicação, o discurso do professor, os materiais utilizados, a interação na sala de aula e o controlo da disciplina. Serve também de base à recolha de informação durante todo o processo. O professor observado e o professor observador podem selecionar, por mútuo acordo,  os focos de observação que entenderem ser mais pertinentes. Não é obrigatório que selecionem todos os focos mencionados.

No encontro pós-observação de aulas entre os dois docentes devem fazer uma reflexão com base nos registos efetuados e fazer um balanço do processo.

O doc. enviado em anexo, depois de preenchido,  ficará apenas na posse do par de professores intervenientes na observação mútua e o seu conteúdo é sigiloso.

Cada par:
– deverá, para cada um dos elementos, agendar entre si duas aulas a serem observadas até final do mês de maio (por exemplo uma observação no 2.º e outra no 3.º Período) numa aula de 90 minutos ou de 45 minutos de acordo com o estipulado pelo par pedagógico. Esta calendarização não pode implicar perda de aulas para as turmas dos professores envolvidos.

– deverá informar a coordenadora de departamento do calendário estabelecido para as aulas observadas, através de e-mail, até ao final de fevereiro.

– poderá solicitar na direção formas de compensação do tempo ocupado na observação de aulas.

Concluído o processo de observação mútua, os colegas deverão fazer um balanço da atividade de observação, identificando: – os “ganhos” para o seu desenvolvimento profissional, as dificuldades sentidas e sugestões de melhoria do processo de observação de aulas no futuro. Estas apreciações não deverão incidir sobre as práticas pedagógicas observadas em concreto mas sim sobre a experiência vivenciada.

Assim, cada par deverá elaborar um pequeno relatório em que sejam mencionados os aspetos positivos e negativos do processo para que seja feito o balanço do mesmo no Conselho Pedagógico. O documento deverá ser enviado por correio eletrónico à coordenadora até final do mês de junho.

Em anexo envio, também, um powerpoint apresentado pela professora Maria do Céu Roldão numa sessão de formação sobre Observação Mútua de Aulas que decorreu no nosso Agrupamento .

Sobre o powerpoint penso que não é preciso sublinhar o quanto me faz saltar uns 20-25 anos para o passado. Tem a data de 2016, mas poderia ser a de 1996: SUPERVISÃO- MCR.

E a grelha grita por todos os lados “século XX”. Se isto é uma consequência da “autonomia” e da “inovação”, lamento, mas cheira a mofo.

Grelha ObservAulas

Na ADD, Vale Tudo…

… para que a coisa pareça que funciona.

De: DGAE <dgae@dgae.mec.pt>
Date: quarta, 8/01/2020 à(s) **.**
Subject: Bolsa de Avaliadores Externos – disponibilização da aplicação
To:

Exmo(a). Sr(a). Diretor(a) de Agrupamento de Escolas/Escolas não Agrupadas

O Despacho n.º 24/2012, de 26 de outubro, regulamenta o processo de constituição e funcionamento da bolsa de avaliadores externos, com vista à avaliação externa da dimensão científica e pedagógica prevista no Decreto Regulamentar n.º 26/2012, de 21 de fevereiro.

Com o objetivo de otimizar e agilizar o processo de seleção/atualização/distribuição dos avaliadores externos, assim como os pedidos de escusa efetuados pelos docentes, a Direção-Geral da Administração Escolar disponibiliza no SIGRHE, a partir do dia 7 de janeiro, a aplicação eletrónica “Bolsa de Avaliadores Externos”.

Para esse efeito solicita-se aos senhores  diretores de AE/ENA a validação, até ao dia 31 de janeiro de 2020,  dos dados dos docentes que reúnem cumulativamente os requisitos previstos no n.º 2 do artigo 2.º do citado despacho para que estes possam efetuar os pedidos de escusa, a partir do dia 03.02.2019.

Os senhores diretores dos centros de formação passam a ter a bolsa de avaliadores externos atualizada a partir da data em que termina a validação dos dados dos docentes pelos AE/ENA (31.01.2020).

Os procedimentos inerentes encontram-se explicitados no Manual do Utilizador (em anexo a este email).

Com os melhores cumprimentos,

A Diretora-Geral da Administração Escolar

Susana Castanheira Lopes

Na aplicação, a interpretação de “experiência em supervisão pedagógica” – que surge como exigência no despacho normativo 24/2012 de 26 de outubro, artigo 5º, alínea e) – passa a ser feita da forma mais extensiva possível, incluindo ter-se sido delegado de grupo há umas décadas ou representante de disciplina no “novo” regime.

add-avaliadores-2020b.png

Como custa a ler, eu vou tentar ampliar as “instruções”:

ADD Avaliadores 2020c

E agora o pedido de escusa também tem de ser formatado à medida da aplicação, conforme o Manual de Utilização da plataforma SIGRHE. Mas como nos dão a inesperada liberdade de 5000 caracteres (!!!), podemos fazer um ensaio fundamentado sobre a treta disto tudo e a nossa incapacidade intrínseca para a “operacionalizar”, mesmo se o indeferimento parece ser a resposta automática. A menos que…

add-escusa.png

(eu sei que está pequenino, mas são 5000…)

 

Pelo Público

O triunfo da demagogia na Educação

Tal como o mandato de 2015 começou com a eliminação demagógica das provas finais de 4.º e 6.º ano, o mandato de 2019 começa com a promessa demagógica de um plano de não-retenções que só fará sentido se, como culminar do processo, forem eliminadas as provas finais do 9.º ano.

PG PB