Avaliar Não É Classificar (E Outras Coisas Parecidas)

Não será, mas não sei se é melhor para o aluno. De acordo com o significado mais comum (pode googlar-se, mas também se pode ir ao volume que ocupa espaço na estante), avaliar é “estabelecer a valia, o valor ou o preço de” (Aurélio), é “Determinar o valor de” (Priberam) ou definições equivalentes. “Classificar” é colocar numa determinada classe ou grupo. 

No meu escasso entendimento, a segunda pode decorrer da primeira, mas não a precede. Eu sempre avaliei, dando o valor a algo que foi feito, a um desempenho, mesmo quando isso vem com o nome de “classificação”. E confesso que certas distinções semânticas me deixam indiferente, quando o que interessa é o processo que leva a uma determinada avaliação e o que se faz a partir daí.

Se não deve usar-se uma escala numérica? Se deve fazer-se uma abordagem meramente qualitativa? Se devemos ver o aluno “como um todo”? Todas essas e muitas mais são formulações que pouco dizem sobre o porquê e para quê. E a verdade é que a “avaliação” ou “classificação” existem porque acabam por cumprir funções necessárias ao sistema educativo e não só. Basta reparar como tanta gente que gosta de entrar pela exegese destas coisas se rendeu à lógica da “avaliação a sério” e da realização dos exames, nem que seja em pavilhões no actual contexto.

Quando tiveram uma oportunidade para pressionar a mudança das práticas, ficaram-se pela cosmética das “metodologias” e das “ferramentas”, mas o essencial do modelo manteve-se intocado, mais semana, menos semana.

Ciclista Ape dhuez

Nota Informativa Da DGAE Com 11 Páginas Sobre Avaliação Do Desempenho E A Formação Contínua

Parece-me estranho que seja preciso repetir matérias por demais legisladas, mesmo se esquecidas por muita gente. Acho interessante, por outro lado, o espaço ocupado pela questão dos recursos para o Conselho Geral (há uns anos, a DGAE não se dignava sequer em esclarecer estas matérias) e aquela espécie de apostilha final sobre a formação contínua.

Fica por aqui a dita cuja: nota-informativa-add-e-formacao, que nas propriedades tem umas informações divertidas. É mais um daqueles documentos feitos em cima de outros (neste caso um de 2016/17???).

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Um Desabafo

(…)

Acabei de ter um CT do 9ºAno, e que quis deixar a mensagem abaixo transcrita, para salvaguardar tod@s os/as professores(as) dos hipotéticos recursos no Conselho Pedagógico ou na DGAE, mas a DT desse 9ºAno, mais o secretário da reunião e outra professora, fizeram muita pressão, para que a não deixasse a minha opinião registada em ata. Alegavam que só vão para a Ata opiniões gerais. Relembrei que estamos em democracia, e que a Constituição garante-me expressar a minha opinião. Os compadrios instalados entre pares e quem está mais afeiçoado à Direção e ao CP, até porque há que garantir boas turmas, bons horários, boas classificações para a subida de escalão!
 
Desculpe os desabafos. se ainda tiver energia, continue até ao fim,…

Deixei na Ata de um  9ºAno o seguinte:

O professor de História: “Na minha modesta opinião, se o Conselho Pedagógico não definiu com absoluto rigor, como vai ser a avaliação/classificação deste Terceiro Período, no quadro do Ensino à Distância, como vai analisar com todo o rigor, justiça, equidade, os hipotéticos recursos interpostos pelos encarregados de educação?

Alunos que no 8º e 9º Ano (até ao 2º Período) tiveram nível 3, e agora, nas tarefas que resolvem no Teams ou noutras plataformas/ferramentas, tiram 95% ou 99%? Quando os alunos comunicam em chats, WhatsApp, et cetera, e obtêm excelentes resultados, quem nos vai defender nos Conselhos Pedagógicos?

Nós, os professores, somos os elos mais fracos e estamos a preparar o caminho para sermos humilhados pelos próprios pares (sim, aqueles colegas que nos nossos Agrupamentos/Escolas não gostam de nós) e que em teoria, até podem incentivar outros encarregados de educação de quem são amigos, a interpor recurso(s), para deixar o colega mal visto!

A exigir reflexão/ação urgente!

(…)

Maqescrever2

 

Dia 65 – S@D (Sucesso A Distância)

(…)

De garantir o “sucesso”, não com qualquer reformulação dos métodos de avaliação (como outro governante deu a entender em recomendações recentes, tiradas directamente de um manual de avaliação formativa de há 30 anos), mas sim de fazer uma série de avisos aos professores para a necessidade de atenderem às circunstâncias anómalas que se vivem.

Não havia necessidade. Nós sabemos.

(…)

diario

Mas Se Os Exames Vão Contar (A) 100% (Como Provas Específicas) Para O Acesso (À Universidade)…

(agora com corrigenda no título, que se poderia prestar a interpretações erróneas)

… qual a enorme preocupação com as classificações internas? Estou mais preocupado com a conjugação das regras do ano passado com as deste ano e depois com o próximo.

Inspecção vai auditar avaliações de alunos para travar inflação de notas

A ordem é para reforçar acções que visam detectar inflação artificial de notas. O ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues garante que haverá processos disciplinares sempre que se justifique. Em breve seguem instruções para as escolas a explicar como funcionarão os exames, com perguntas opcionais para garantir que alunos podem não ser avaliados a matérias menos consolidadas.

Beaker-Bunsen

O SE Costa Ensina-nos A Avaliar (À Distância)

O que me aterroriza é a clara percepção dos enormes preconceitos que ele tem acerca do que deve achar uma péssima prática por parte dos professores em matéria de avaliação. E a opinião, para além de muito enraizada numa visão pessoal ou de grupo, será sobre um grande número de docentes, caso contrário não seria necessária tanta conversa sobre o tema, tantas recomendações e aclaramentos sobre o tema da avaliação. Para não falar nas “trianagulações”. Claro que tudo isto pode ser desmontado e, qual lego, ser “reconfigurado” às avessas do que ele assina, demonstrando que já existe e se pratica e que seria bom que não se passasse a ideia de que é excepção o que já é norma.

E é isso que chateia no SE Costa, o dar a entender que o que ele e alguns seus próximos descobriram é algo parecido à pólvora, uma inovação imensa, que os outros desconhecem, embora tenham aprendido e praticado muito antes dele nos aparecer com tanta peneira teórica. Eu percebo que há sebentas marcaram as pessoas e cartilhas que acham por bem espalhar mas, c’um raio, já saí dos anos 90 do século XX há muito.

Daria vontade de rir, se isto não fosse distribuído em cascata pelas escolas como se fosse a chave do euromilhões.

Coloco os documentos na sua versão original para que possa ser dado mérito a quem os elaborou, da subdirectora da DGE à vogal da ANQ.

Anexos: ImportânciaAvaliação_Ensino@Distância, Roteiro_Avaliação_Ensino@Distância.

Mad doctor

 

Dia 57 – O Ónus Da Prova

(…)

Já sabemos que é sobre os docentes que recai quase em exclusivo o ónus da prova de qualquer decisão sobre a progressão ou retenção dos alunos. Há momentos em que sentimos que o desempenho dos alunos é acessório e que o dos professores é que está em causa em cada pauta. Há alturas em que ficamos exaustos com tão exaustiva forma de exaustivamente quererem que fundamentemos exaustivamente as nossas decisões. Em especial quando tamanha exaustividade é praticada por quem não avalia alunos há tanto tempo que nem sei se ainda saberia como o fazer de forma exaustivamente fundamentada para além do alinhamento de chavões redundantes, mesmo que ribombantes.

Por favor, a menos que queiram alumiar o caminho com a vela do exemplo prático, deixem-nos trabalhar, como dizia o outro que gostava de comer bolo-rei com a boca toda.

diario

Não Quero Acreditar, Mas…

… o mais certo é ser verdade o que acabei de ouvir sobre a avaliação d@s senhor@s director@s no passado ano, em particular dos que estavam no 4º e 6º escalão e não teriam quota para o Muito Bom/Excelente. Vou recolher mais informação, mas parece que (sem nada escrito) foi uma espécie de bodo aos afortunados e todos os que reclamaram (por não chegarem ao patamar dos 9,750), tiveram um raro deferimento. Até parece que (em período pré-eleitoral) as ameaças de demissão funcionaram.

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O Shôr Primeiro-Ministro É Um Pândego!

“O ano lectivo não acabou”, avisou, no entanto, o primeiro-ministro. A última fase do ano lectivo vai decorrer na íntegra e terminar “com avaliação”. “Mesmo à distância, a avaliação vai existir e os docentes vão ter em conta o conjunto do percurso educativo dos alunos”, garante António Costa. E podem continuar a chumbar.

Se é para levar a sério, vai haver chumbadela da grossa, porque a uns ainda apanhávamos nos corredores. Agora vai ser o estouro da passarada. Não haverá teams que @s agarrem. Ou classrooms que os cativem.

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