Webinar 1

O tema geral era “Da emergência a uma nova realidade”. Estiveram perto de 120 participantes , professores na zona de Sintra (algumas caras conhecidas de outros tempos) e lá zoomei pela primeira vez. Tirando a ligação ir abaixo, durante um par de minutos, já perto do fim, parece que correu bem, em especial juntando as participações em vídeo e áudio com as do chat.

Ocorrem-me, como “consolidação”, um par de notas específicas e um punhado mais gerais.

Mais específicas:

  1. Nunca esperem de mim um discurso muito contentinho com tudo, sempre a puxar por tudo o que corre bem e a varrer o que correu mal para debaixo da alcatifa. É pouco higiénico e mais tarde ou mais cedo dá-se pelo truque.
  2. O que significa que eu serei sempre (ou quase) o tipo que tenta perceber quais os potenciais bugs do programa, para ver se os conseguimos prevenir, em vez de metermos uma versão beta muito raw para o pessoal ir dando cabeçadas e aperfeiçoando. Não me interessa se me chamam “problemático”.

Agora mais gerais:

  1. O E@D carece de uma avaliação independente e descontraída, sem a pressão de querer agradar a este ou aquele, mas apenas com a preocupação de perceber o que se passou, o que correu bem e pode ser replicado e o que deve ser liminarmente evitado.
  2. As pessoas devem ter a coragem e a liberdade de não recearem consequências se disserem o que acham mesmo e o que sentem, pois só assim teremos um quadro relativamente fiel do que se passou e está a passar. Não é admitir qualquer nódoa profissional, confessar-se o que nos tem desanimado nestes meses.
  3. O número daquel@s que se colocam num plano se superioridade profissional e quiçá ética, incapazes de aceitar que existiram falhas graves como se isso fosse admitir quase um fracasso de tipo pessoal são, apesar de fazerem muito barulho e chatearem ainda mais, uma minoria que não deve ter o poder para intimidar a maioria.
  4. Ninguém faz a mínima ideia de como vai ser o próximo ano lectivo e quem disser o contrário faz parte de uma outra maioria… a dos que não têm dúvidas e têm sempre soluções, a que não admitem contraditório. Mas seria bom que se aprendesse alguma coisa de relevante com o que não correu bem desde Março.
  5. Não há chuva de computadores e de licenças da microsoft, google ou qualquer outra plataforma nacional ou global que resolva o evidente problema de literacia dos alunos em ambientes digitais de aprendizagem (importante não confundir com os de diversão), em especial no Ensino Básico, mas não só.
  6. O futuro maravilhoso da democracia educativa digital vem muito longe, em especial num país de fortíssimas assimetrias sociais e económicas. E dificilmente pode ser preparado com concepções ancoradas em visões prisioneiras de preconceitos ideológicos muito fortes.

PG 4

 

Muito Pelo Contrário

Havia quem dissesse que, com o passar do tempo e a habituação às plataformas, os alunos começariam a realizar as tarefas de forma mais regular e com maior qualidade. Nada de mais errado. Cada vez as coisas chegam mais atrasadas ou nem chegam e grande parte do que chega tem o aspecto de “deixa lá despachar isto com o menor esforço possível”. Não encerro tarefas, pelo que ainda me aparecem coisas com 26 ou 35 dias de atraso. Mas, ao menos, essas ainda aparecem. E estou a referir-me a quem até tem alguns meios para responder.

Quanto às aulas presenciais, amanhã começa nova semana e também por aí tenho relatos (dois deles em primeira mão) de uma redução das presenças dos 80-90% iniciais para os 60-70%.

O remendo não tapou o buraco. Finge-se que.

Remendo

 

 

 

Confirma-se!

Nada que desde o início não se percebesse, mas há quem diga que tinha de ser mesmo assim ou não haveria nada. Pois… é como aqueles alunos que perguntam se mais vale deixar a resposta em branco ou escrever qualquer coisa, mesmo que esteja quase certamente mal e nós acabamos por dizer para escreverem qualquer coisa.

The Results Are In for Remote Learning: It Didn’t Work

This spring, America took an involuntary crash course in remote learning. With the school year now winding down, the grade from students, teachers, parents and administrators is already in: It was a failure.

Para quem não tiver registo e quiser um resumo, está aqui.

Recuperando uma peça anterior:

Coronavirus lockdowns heighten income inequities of school-from-home

Agora já quase todos concordam com o que alguns disseram desde o primeiro dias, mas foram tratados como “problemáticos”.

Já os entusiasmadinhos com a “solução”, agora que se revelou de fraca qualidade, certamente aparecerão na primeira linha do entusiasmo com qualquer outra nova solução.

Queda

No Blogue Da FFMS

UMA SEMANA POUCO SANTA

(…)

Prudência, insegurança e, claro, o medo são superiores a qualquer preocupação com exames ou calculismos políticos alheios. Teria sido mais adequado deixar a data dos exames em suspenso e não surgir, como aconteceu com o ministro da Educação num programa matinal da TVI, a afirmar que, se for necessário, se realizarão os referidos exames em pavilhões ou espaços abertos, sem ser como piada de fraco gosto. Porque demonstra pouca sensibilidade e escasso senso em quem fez parte da sua carreira como cientista.

Como encarregado de educação, senti-me desrespeitado, e como professor algo embaraçado. Em termos humanos, foi uma declaração desastrada, mas que não me espantou muito depois de o ver estender a mão e cumprimentar o primeiro-ministro após a conferência de imprensa de 5ª feira.

(…)

pg

E Agora O “Semanário”

Depois do “diário” para o Educare, o vício de escrever resulta também em crónicas semanais para o blogue da FFMS. Calma… sobra tempo para eventuais tele-aulas.

AS TRÊS PRIMEIRAS SEMANAS

(…)

Que fique claro, até pelo conhecimento mais ou menos directo do que passa quem está na linha de fronteira entre a vida e a morte, que este é apenas o retrato de como vive em confinamento quem se viu na necessidade de mudar todas as suas rotinas e metodologias de trabalho no primeiro sector a parar (e muito bem) por causa do novo coronavírus. São, felizmente, retratos de vida e não de vida e morte.

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2019 – Balanço (Ficção – 2: Em Língua Materna)

Pois, não comprei nenhum Chico Buarque, nem Lobo Antunes. Dos expostos, gosto muito de quase tudo, excepção ao João Tordo, que me parece demasiado não sei quê a querer demonstrar que é mesmo literatura muito séria e pouco divertimento. Li, mas custou. Pelo contrário, o Rentes de Carvalho parece um miúdo alegre por contar as suas histórias.

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2019 – Balanço (Ficção – 1: Traduções)

Aplica-se o que já escrevi. Nem tudo foi necessariamente comprado este ano, mas foi o ano de leitura. Da mesma forma, há o que tenha sido comprado, mas tenha sido lido até à fase em que deixou de ser, porque outras coisas apareceram e estava a demorar (A Cidade em Chamas). E há a certeza de que há alguns (thrillers, em especial) que terão de fazer parte doutro post, porque andam algures. Maior surpresa? As Quinze Vidas de Harry August. Compra automática para ter a séria completa, mas sem entusiasmo, tipo Astérix? O 6º volume da série Millenium, que continua a anos-luz dos três originais.

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2019 – Balanço (Não Ficção, Inglês)

Já expliquei que a opção pela compra regular das edições em paperback alia a poupança na carteira à do espaço nas estantes, mesmo se ameaça a longevidade do cartapácio.  Fica aqui o melhor do que fui acumulando este ano em matéria de leituras, não necessariamente comprados ou publicados este ano, como é fácil constatar, nem sempre lidos na totalidade (casos do The Spy and the Traitor ou do Homo Deus), porque há momentos em que apetece “saltar” para outros. Neste aspecto, gosto de seguir em parte a lógica do Nick Hornby na sua coluna no The Believer. Há coisas que se compram e vão ficando à espera para serem lidas.

Entre todos, recomendo o 24/7 de que existe edição nacional da Antígona (descontando uma parte do final, que se torna irrelevante para a tese nuclear), o Everybody Lies (que permite umas inesperadas boas gargalhadas à custa dos dados sobre as pesquisas no google) e o The Establishment.

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