Muito, Muito Bom

Não apenas em termos de qualidade absoluta, mas como bálsamo para a cabritice retórica de um ser que se elogia como o ministro que ocupou a sua pasta mais tempo desde o 25 de Abril.

Quando a generalidade das soluções de continuação de séries dos “bons velhos tempos” da bd franco-belga tem optado pelo respeito mais (sendo os casos mais notáveis os de Blake e Mortimer e Astérix, Mas também de Bruno Brazil, Bob Morane, Michel Vaillant, Corto Maltese até agora) ou um pouco menos (Ric Hochet) evidente pelo original, até agora só com o Lucky Luke e com o Spirou se tinham aventurado soluções um pouco diversas, nos álbuns mais recentes.

Neste caso, é uma experiência completamente nova em termos gráficos e cronológicos (a história passa-se em 2001), mas ao mesmo tempo o mais reconfortante encontro com o “velho” Corto. Até agora, olhava-se, reconhecia-se, mas não se entranhava.

Este é, de longe, o melhor álbum de bd que li este ano, sendo que a “colheita” de 2021 tem sido de “grande reserva”.

Uma Certa Desilusão

A exposição sobre Hergé na Gulbenkian. Muito espaço, mas pouca uva, mesmo antes de espremida. Algumas coisas interessantes, mas reforce-se o “algumas”. Nem sei bem se serve de introdução a quem o desconhece, porque a quem conhece autor e obra, fica a saber a pouco, mesmo a muito pouco. Salve-se o catálogo a preço decente, em especial devido ao encarte original com a presença de Hergé em publicações portuguesas.

Valham-nos outras coias, como este vídeo engraçado com a geografia das aventuras de Tintin.

O Gajo Nunca Me Enganou

(adenda, afinal é “novo”, porque é filho do velho… mas mantenho o post porque me divertem estas parvoíces)

Nada de avanços concretamente visíveis com a Lois Lane, visão extra especial e parava na roupa interior das garinas, aquela lycra muito coladinha aos glúteos e genitalia e sempre a despir-se em cabines públicas. Estava mais que visto. Depois daquela relação meio dúbia do Batman e Robin, eis que o Super Homem se revela não binário e ao mesmo tempo bi. Confuso, nada disso. Esperemos por revelações acerca da Mulher Maravilha, Homem de Ferro e Demolidor (esse pode sempre dizer que é cego…).

Em outros tempos… um super-beijo nem se via.

Uderzo (1927-2020)

Ontem não tive tempo para assinalar o desaparecimento desenhador do Astérix, série de culto, mesmo depois da morte de Goscinny, o autor dos mais brilhantes argumentos da série. Comprei sempre os álbuns, quando passei a ter dinheiro para isso, mesmo quando a qualidade do desenho se mantinha muito acima das histórias, progressivamente mais desinspiradas. Pode ser que agora se liberte um pouco da figura tutelar. Os meus favoritos serão sempre Astérix e os Normandos (por causa da aprendizagem do medo) e A Zaragata (graças ao Caius Detritus), mas a cada um@ o seu paladar.

Mas… em nome dos tempos da infância e adolescência (ainda se aguenta muito bem O Grande Fosso), fica aqui a referência.

uderzo-goscinny