A Desconfiança

Já escrevi várias vezes sobre a importância da credibilidade e da necessidade de confiança em quem governa ou em que surge publicamente a prestar “informações” ou a fazer “recomendações”. Seja na questão pandémica, seja nas suas ramificações, por exemplo, nas escolas.

A confiança perde-se quando as cabeças falantes dizem agora uma coisa e depois outra, sem explicarem claramente o porquê ou admitirem que antes erraram ou divulgaram conselhos que já então sabiam não ser os mais ajustados. Ou quando nos estão a tentar convencer que aquilo que estamos a ver não é o que estamos a ver. Ou que só sabemos o que nos rodeia e eles é que sabem tudo. Os últimos meses foram de comunicação política eficaz no curto prazo, mas algo desastrosa numa perspectiva menos míope.

Não é de espantar que os indicadores de confiança na resposta à pandemia estejam em acelerada erosão. Da senhora da DGS ao PR, passando por todo um leque de personagens mais ou menos secundárias, já tudo foi dito e o seu contrário também, mais umas posições intermédias. Se em alguns casos isso resultou do avanço dos nossos conhecimentos, em muitos outros dá para perceber que foram apenas umas mangueiradas para tentar apagar fogos que, percebia-se, mais tarde ou mais cedo reacenderia.

Lamentável é que muita gente ainda reaja a estas coisas com base na cor da camisola, como a sondagem revela. Porque há mesmo quem tenha abdicado de pensar por si mesmo, preferindo ser encaminhado pelos pastores do rebanho a que aderiram há muito, como se fosse traição imensa o que apenas revela alguma inteligência, ou seja, perceber que sobre a pandemia tem predominado a “comunicação política”. Muita dela desastrada, incoerente e, principalmente, desajustada, por pensar apenas no prazo curto. A verdade é que se está a perceber que a abordagem casuística não chega. Que apelar nuns dias à precaução, enquanto nos outros se trata como se fosse cobardia quem se quer precaver ou se tomam medidas que dificultam qualquer precaução mínima, é meio caminho andado para se perder a credibilidade e, mais grave, deixar grande parte da população desorientada ou mal orientada.

Vamos atravessar um período pior do que o vivido entre Março e Maio. Não adianta muito lançar às 2ªs, 4ªs e 6ªs apelos à “responsabilidade” e agir nos restantes dias de forma irresponsável. Ou tentar ocultar ou manipular informação. Ou estarem mais preocupados na forma como se vão alambazar com os milhares de milhões da bazuca do que no que podem fazer de útil com eles, para além de estudos de opinião, consultorias ou campanhas de comunicação.

É muito dinheiro, mais uma vez, para ser encaminhado para as escápulas do costume. Tudo se parece encaminhar para mais uma festança à tripa-forra dos cortesãos ou eminências pardas do regime, enquanto se minguam os “gastos” com despesas mais do que justificáveis. Ou se atrasam pagamentos com base em procedimentos que o povinho tem muita dificuldade em seguir sem ter quem “interceder”, cobrando avultada comissão. Se o dinheiro é para responder aos efeitos da pandemia, não é para meter nos bolsos, novamente, de escritórios de advogados, consultoras ou empresas criadas de propósito para o efeito, com as conexões certas e o recrutamento adequado do pessoal a ser pago.

É que já vimos este filme muitas vezes. O que admira é que ainda reste alguma confiança, sem ser nos que já estão com a conta aberta para as transferências, enquanto a maioria está de mão estendida.

A Gazeta Da Corte – 2

Professores arcaicos e insubmissos, sem cartão da cor certa, temei, que os cortesãos alpinistas começam a ver os serviços reconhecidos.

Diplomas para Publicação em Diário da República:

(…)

tacho

(podia ser hipócrita, mas não me apetece… acho mesmo que depois destes anos de aparelhismo, o CIP tem o “perfil” adequado para este tipo de cargos)

Por Que Razão Ainda Há Quem Se Interesse Pelas Opiniões do Homem Que Discursou, Orgulhoso, No Doutoramento Honoris Causa Do Grande “Mago” Salgado?

Sim, claro que todos nos podemos enganar. Mas uma coisa é trocar os temperos na salada, o horário dos comboios ou mesmo as peúgas matinais… outra é elogiar até aos píncaros um tipo que, já então, estava a enterrar-nos num dos maiores buracos das últimas décadas. E quem diz “décadas” está a ser caridoso.

A SEDES, presidida por João Duque, alerta os partidos neste período de campanha eleitoral para as consequências “negativas” da continuação da política do BCE. “Estamos a cavar o buraco onde já estamos metidos”, diz, prevendo instabilidade na próxima legislatura.

Insultuosas E Inadmissíveis!

É como a senhora ministra da Cultura considerava há bocado, em excerto televisivo, as declarações do comendador José Berardo que todos trataram por Joe durante décadas como se ele fosse José em Boston ou Nova York.

Ora bem… acredito que sim, embora também ache que ele foi o que esteve mais perto de nos dizer com clareza, não fosse o chato do advogado, como Portugal funciona quando e onde há dinheiro.

  • Alguém dá uma aparência de riqueza, não interessando a origem.
  • Pede dinheiro aos muitos milhões e são-lhe concedidos sem especial análise de risco, porque ele é amigo de amigos e parece ser pessoa rica.
  • Esse alguém faz o necessário para colocar os seus bem longe de qualquer hipótese de penhora, enquanto gasta de forma pródiga o dinheiro que recebeu.
  • Começa-se a perceber que está falido em termos empresariais, mas rico em termos pessoais, embora nada esteja em seu nome.
  • Ninguém questiona onde gastou o dinheiro, nem quando chega a altura de quererem recuperar os milhões. E gostaria de sublinhar o facto de ninguém, neste contexto, questionar onde sumiu o dinheiro.

Ora muito bem… depois de analisar num segundo momento a prestação do comendador José Berardo na Comissão Parlamentar Que Não Vai Servir Para Nada Nº 349, acho que ele prestou um evidente serviço público ao povo português revelando parte – rai’s parta o tal advogado – como temos sido desgovernados e como se atingiu uma situação de buraco financeiro para o qual é preciso remendos à conta do orçamento e muitas taxas e taxinhas, públicas e privadas, para por utentes e contribuintes.

José Berardo foi mais verdadeiro que muito comentador e analista do dia seguinte. Disse como as coisas são e riu-se de quem ou é ignorante ou se fez de ignorante na dita Comissão. Até porque há muito que há quem diga que as coisas são assim, que as cardonas&varas só andaram na banca para servir de facilitadores e há gestores e governantes que não passa(ra)m de elos de ligação para distribuição dos fluxos financeiros disponíveis. Sempre que ouviram falar em milhões de investimento nisto ou aquilo, provavelmente estavam a falar apenas no escoamento de fundos europeus ou activos bancários para a vida regalada de alguns.

O mais triste é que as coisas não mudaram, apenas terão mudado para uma escala menos obscena e com procedimentos menos evidentes. Mas daqui a uns 15 anos, quando todos estes casos estiverem quase esquecidos e prescritos, acabaremos por descobrir outros que…

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Não Há Circo, Sem Ursos (Por Muito Que Custe Ao PAN)

Agradeço ao Livresco o envio destes e muito mais links com reacções, análises e comentários sobre a trapalhada a que assistimos na última semana e meia, que acresce  meses e anos de palhaçada contínua. Na generalidade dos casos nem vale a pena tecer qualquer tipo de consideração sobre o que é dito ou escrito (nem sequer sobre aquele vídeo do JMFernandes, de que felizmente não acho o link, a quem umas bengaladas retóricas até fariam bem, para ver se atina com o que significa “justiça”). Fica apenas o registo, assim a modos que actualização “informativa”.

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Uma Petição Para Dar A Aparência De Algo

Estando a ILC admitida a votação em plenário e podendo os partidos apresentar propostas alternativas, caso considerem que deve ser uma reposição integral mas faseada do tempo de serviço docente, para que serve esta petição da Fenprof? Para ajudar a confundir e baralhar? Porque a petição não tem qualquer poder vinculativo e nada adianta ao que já está em discussão.

Como é habitual, a Fenprof que tanto criticou a ILC e os seus promotores (de forma indirecta ou por mensageiros em redes sociais e centrais de comunicação) vai de arrasto e apresenta algo que falta a coragem que outros tiveram. Enfim, as palhaçadas do costume pelos actores-bufos vitalícios que nos habituaram aos ziguezagues tácticos de prognóstico no final do jogo e que anda de vitória em vitória até à derrota final de que nunca assumem qualquer quota-parte da responsabilidade.

Alcatrão e penas seria pouco. Se isto é um discurso anti-sindical que tira força ao “poder negocial” dos sindicatos? Nada disso. Basta ver que neste mandato nunca o tiveram, o que se tem demonstrado de forma gritante, pelo menos para os professores que estão na carreira e andam a aguentar isto há que tempos. Apenas fica mais a clara noção de que há gente que nada arrisca de seu, que foi granadeirada perante todos e usa os que diz representar para guerras políticas de terceiros.

Acreditem que me custa ter de escrever isto. Há quem ache que detesto sindicatos. Pelo contrário, admirei os dos enfermeiros, sem estrelitas, mas uma acção forte e sólida. E preservo a memória de quem, na minha família, lutou para que existissem sindicatos livres. O que abomino é oportunistas (como aqueles acerca de quem me avisaram desde novo que só foram democratas quando os riscos se tornaram quase nulos) encavalitados há décadas na arte da “representação”, decisões pré-definidas em guiões formatados ou em reuniões de cúpulas iluminadas, em que grande parte dos participantes sabe que não sofrerá as consequências directas dos seus erros.

Alcatrao2

A Partir De Agora Só Greves Entediantes, Programadas E, Claro, Que Tragam Sacrifício Material Apenas Aos Grevistas E Poupanças Ao Estado

Vou agora esperar pela resposta indignada da “esquerda radical” a uma medida que se fosse de um “governo da Direita” seria razão para cuspirem todo o fogo dos Infernos.

CADEIRADEBALANÇO

(se calhar, até poderão refilar, mas estão a rejubilar por dentro por terem sido devidamente amestrados os heterodoxos e surpreendentes enfermeiros)