Insultuosas E Inadmissíveis!

É como a senhora ministra da Cultura considerava há bocado, em excerto televisivo, as declarações do comendador José Berardo que todos trataram por Joe durante décadas como se ele fosse José em Boston ou Nova York.

Ora bem… acredito que sim, embora também ache que ele foi o que esteve mais perto de nos dizer com clareza, não fosse o chato do advogado, como Portugal funciona quando e onde há dinheiro.

  • Alguém dá uma aparência de riqueza, não interessando a origem.
  • Pede dinheiro aos muitos milhões e são-lhe concedidos sem especial análise de risco, porque ele é amigo de amigos e parece ser pessoa rica.
  • Esse alguém faz o necessário para colocar os seus bem longe de qualquer hipótese de penhora, enquanto gasta de forma pródiga o dinheiro que recebeu.
  • Começa-se a perceber que está falido em termos empresariais, mas rico em termos pessoais, embora nada esteja em seu nome.
  • Ninguém questiona onde gastou o dinheiro, nem quando chega a altura de quererem recuperar os milhões. E gostaria de sublinhar o facto de ninguém, neste contexto, questionar onde sumiu o dinheiro.

Ora muito bem… depois de analisar num segundo momento a prestação do comendador José Berardo na Comissão Parlamentar Que Não Vai Servir Para Nada Nº 349, acho que ele prestou um evidente serviço público ao povo português revelando parte – rai’s parta o tal advogado – como temos sido desgovernados e como se atingiu uma situação de buraco financeiro para o qual é preciso remendos à conta do orçamento e muitas taxas e taxinhas, públicas e privadas, para por utentes e contribuintes.

José Berardo foi mais verdadeiro que muito comentador e analista do dia seguinte. Disse como as coisas são e riu-se de quem ou é ignorante ou se fez de ignorante na dita Comissão. Até porque há muito que há quem diga que as coisas são assim, que as cardonas&varas só andaram na banca para servir de facilitadores e há gestores e governantes que não passa(ra)m de elos de ligação para distribuição dos fluxos financeiros disponíveis. Sempre que ouviram falar em milhões de investimento nisto ou aquilo, provavelmente estavam a falar apenas no escoamento de fundos europeus ou activos bancários para a vida regalada de alguns.

O mais triste é que as coisas não mudaram, apenas terão mudado para uma escala menos obscena e com procedimentos menos evidentes. Mas daqui a uns 15 anos, quando todos estes casos estiverem quase esquecidos e prescritos, acabaremos por descobrir outros que…

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Não Há Circo, Sem Ursos (Por Muito Que Custe Ao PAN)

Agradeço ao Livresco o envio destes e muito mais links com reacções, análises e comentários sobre a trapalhada a que assistimos na última semana e meia, que acresce  meses e anos de palhaçada contínua. Na generalidade dos casos nem vale a pena tecer qualquer tipo de consideração sobre o que é dito ou escrito (nem sequer sobre aquele vídeo do JMFernandes, de que felizmente não acho o link, a quem umas bengaladas retóricas até fariam bem, para ver se atina com o que significa “justiça”). Fica apenas o registo, assim a modos que actualização “informativa”.

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Costa compara professores e técnicos superiores e defende carreiras mais atrativas no Estado

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Uma Petição Para Dar A Aparência De Algo

Estando a ILC admitida a votação em plenário e podendo os partidos apresentar propostas alternativas, caso considerem que deve ser uma reposição integral mas faseada do tempo de serviço docente, para que serve esta petição da Fenprof? Para ajudar a confundir e baralhar? Porque a petição não tem qualquer poder vinculativo e nada adianta ao que já está em discussão.

Como é habitual, a Fenprof que tanto criticou a ILC e os seus promotores (de forma indirecta ou por mensageiros em redes sociais e centrais de comunicação) vai de arrasto e apresenta algo que falta a coragem que outros tiveram. Enfim, as palhaçadas do costume pelos actores-bufos vitalícios que nos habituaram aos ziguezagues tácticos de prognóstico no final do jogo e que anda de vitória em vitória até à derrota final de que nunca assumem qualquer quota-parte da responsabilidade.

Alcatrão e penas seria pouco. Se isto é um discurso anti-sindical que tira força ao “poder negocial” dos sindicatos? Nada disso. Basta ver que neste mandato nunca o tiveram, o que se tem demonstrado de forma gritante, pelo menos para os professores que estão na carreira e andam a aguentar isto há que tempos. Apenas fica mais a clara noção de que há gente que nada arrisca de seu, que foi granadeirada perante todos e usa os que diz representar para guerras políticas de terceiros.

Acreditem que me custa ter de escrever isto. Há quem ache que detesto sindicatos. Pelo contrário, admirei os dos enfermeiros, sem estrelitas, mas uma acção forte e sólida. E preservo a memória de quem, na minha família, lutou para que existissem sindicatos livres. O que abomino é oportunistas (como aqueles acerca de quem me avisaram desde novo que só foram democratas quando os riscos se tornaram quase nulos) encavalitados há décadas na arte da “representação”, decisões pré-definidas em guiões formatados ou em reuniões de cúpulas iluminadas, em que grande parte dos participantes sabe que não sofrerá as consequências directas dos seus erros.

Alcatrao2

A Partir De Agora Só Greves Entediantes, Programadas E, Claro, Que Tragam Sacrifício Material Apenas Aos Grevistas E Poupanças Ao Estado

Vou agora esperar pela resposta indignada da “esquerda radical” a uma medida que se fosse de um “governo da Direita” seria razão para cuspirem todo o fogo dos Infernos.

CADEIRADEBALANÇO

(se calhar, até poderão refilar, mas estão a rejubilar por dentro por terem sido devidamente amestrados os heterodoxos e surpreendentes enfermeiros)

Uma Questão De Prioridades

De acordo com os dados do INE, o saldo orçamental situou-se em 1.111,2 milhões de euros no conjunto dos três primeiros trimestres de 2018, representando um excedente de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período do ano passado verificou-se um défice de 1,9% do PIB.

Os funcionários públicos que em janeiro tiverem um aumento salarial superior a 28 euros podem ficar sem direito à progressão na carreira, perdendo os pontos obtidos na avaliação de desempenho, segundo uma proposta do Governo entregue hoje aos sindicatos.

Patinhas

6ª Feira

Prestes a terminar o primeiro mês. Já existem baixas e alguns regressos perfeitamente impensáveis. Não são poucas as pessoas que começam a considerar quanto tempo aguentarão. Dará para chegar ao Natal? Entretanto, recrudescem as exigências porque a cada nova investida de normativos corresponde nova camada burrocrática. O exercício da docência já contempla há uns bons anos uma componente de representação do acto pedagógico para justificar qualquer opção que não seja de sucesso garantido. Mas essa componente continua num crescendo imparável. A anunciada greve a “reuniões para as quais os professores forem convocados, caso não se encontrem previstas na componente não letiva de estabelecimento do seu horário” e mais umas outras chatices tem sido algo pedido por algumas pessoas (ou pelo menos ameaça-se vagamente com o incumprimento das tais burrocracias redundantes) mas fico sem perceber como isto funcionará: sendo “greve” como se serão contabilizadas as faltas, em especial se as reuniões forem sucessivamente convocadas por inexistência de quórum. Na base das 35 semanais? E o pessoal que der todas as suas aulas durante este período verá o valor dessas faltas desaparecer do salário? A sério que esperam mesmo uma grande adesão a este tipo de greve que, apesar de estimável e compreensível, é mais do domínio da conversa de café? Não conseguiriam antes fazer convocatórias de plenários de professores para as datas de eventuais reuniões intercalares? Em especial quando acontecem em horário pós-laboral?

Sim, já sei que sou um “guinote do restelo” que para o ex-pai albino e cortesãs do SE Costa, assim como para muitos indefectíveis do sindicalismo ortodoxo, mas isto parece-me uma coisa um bocado inconsequente atendendo a todo o contexto vivido. Até porque com as regras existentes sobre reuniões ao abrigo do CPA quase tudo vai acabar por ser feito e só se irão lixar materialmente os mesmos do costume, porque os mandantes vivem em pleno as suas “dispensas”, enquanto anunciam que já podiam ser professores “superiores” ou mesmo coisas mais importantes para a Nação.

Este é um discurso divisionista, será uma das críticas evidentes. Só que para se “dividir” há que existir uma “união” qualquer que eu não vislumbro depois da greve da outra semana (e que uma colega sindiclaista qualificou no meu mural do fbook como “óptima” [sic]) e da manifestação que se lhe seguiu e que teve um impacto de menos que zero no Governo, a menos que se considere que o “Temos Pena!” do actual PM não é pura e simplesmente um gozo total, a pedir mais que eles até agradecem os contributos para o Orçamento.

Estamos num beco sem saída? Há quem ache que só com o próximo governo se conseguirá algo, mas sem dizerem que tipo de governo estão a prever. Há quem diga também que as lutas não atingem os seus objectivos sem grandes esforços e muito tempo. Sim, pois, mas há coisas que se conseguem de um momento para o outro, basta ver a rapidez com certas pessoas arrumaram a sua vidinha às cavalitas dos contratados e como outros conseguem estar décadas a lutar das 9 à meia-noite (excluindo a época dos banhos). E sem qualquer avaliação do desempenho.

É altura de baixar os braços?

Não, pelo contrário. E nem vou falar muito sobre as vantagens da ILC em relação a petições da treta.

Falo da denúncia clara dos abusos – com exemplos e sem receio de ferir susceptibilidades pseudo-amigas – que estiveram na base da concepção e implementação dos decretos 54 e 55/2018 que parecem ser considerados maravilhas legislativas por mais gente do que seria razoável esperar, atirando-se para as escolas e professores eventuais falhas na sua “operacionalização”. Há muita coisa que poderia e deveria ser denunciada, mas, infelizmente, há quem tenha preferido vender-se por muito pouco ao “sistema”. Basta ver como se replicam “formações” da treta com powerpoints da maria-cachucha sobre a Educação Inclusiva.

O polvo dos interesses, favores e tenças mais ou menos disfarçadas em troca de apoios públicos está em amplo crescimento e bem alimentado. Sou obrigado a reconhecer: o costismo está de parabéns e bem ancorado nas “redes sociais” e outros espaços digitais que, mesmo quando criticam o ME, protegem devidamente quem deve ser mantido longe das críticas, enquanto não ruma em definitivo para paragens mais elevadas. Há demasiadas cumplicidades em forma de muralha d’aço.

O pântano tresanda e, voltando ao princípio, cada vez existe mais gente no terreno incapaz de respirar em condições. Mas a falta de ar puro também diminui o ânimo para reagir. E el@s sabem isso.

Stink