Uma Questão De Prioridades

De acordo com os dados do INE, o saldo orçamental situou-se em 1.111,2 milhões de euros no conjunto dos três primeiros trimestres de 2018, representando um excedente de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período do ano passado verificou-se um défice de 1,9% do PIB.

Os funcionários públicos que em janeiro tiverem um aumento salarial superior a 28 euros podem ficar sem direito à progressão na carreira, perdendo os pontos obtidos na avaliação de desempenho, segundo uma proposta do Governo entregue hoje aos sindicatos.

Patinhas

6ª Feira

Prestes a terminar o primeiro mês. Já existem baixas e alguns regressos perfeitamente impensáveis. Não são poucas as pessoas que começam a considerar quanto tempo aguentarão. Dará para chegar ao Natal? Entretanto, recrudescem as exigências porque a cada nova investida de normativos corresponde nova camada burrocrática. O exercício da docência já contempla há uns bons anos uma componente de representação do acto pedagógico para justificar qualquer opção que não seja de sucesso garantido. Mas essa componente continua num crescendo imparável. A anunciada greve a “reuniões para as quais os professores forem convocados, caso não se encontrem previstas na componente não letiva de estabelecimento do seu horário” e mais umas outras chatices tem sido algo pedido por algumas pessoas (ou pelo menos ameaça-se vagamente com o incumprimento das tais burrocracias redundantes) mas fico sem perceber como isto funcionará: sendo “greve” como se serão contabilizadas as faltas, em especial se as reuniões forem sucessivamente convocadas por inexistência de quórum. Na base das 35 semanais? E o pessoal que der todas as suas aulas durante este período verá o valor dessas faltas desaparecer do salário? A sério que esperam mesmo uma grande adesão a este tipo de greve que, apesar de estimável e compreensível, é mais do domínio da conversa de café? Não conseguiriam antes fazer convocatórias de plenários de professores para as datas de eventuais reuniões intercalares? Em especial quando acontecem em horário pós-laboral?

Sim, já sei que sou um “guinote do restelo” que para o ex-pai albino e cortesãs do SE Costa, assim como para muitos indefectíveis do sindicalismo ortodoxo, mas isto parece-me uma coisa um bocado inconsequente atendendo a todo o contexto vivido. Até porque com as regras existentes sobre reuniões ao abrigo do CPA quase tudo vai acabar por ser feito e só se irão lixar materialmente os mesmos do costume, porque os mandantes vivem em pleno as suas “dispensas”, enquanto anunciam que já podiam ser professores “superiores” ou mesmo coisas mais importantes para a Nação.

Este é um discurso divisionista, será uma das críticas evidentes. Só que para se “dividir” há que existir uma “união” qualquer que eu não vislumbro depois da greve da outra semana (e que uma colega sindiclaista qualificou no meu mural do fbook como “óptima” [sic]) e da manifestação que se lhe seguiu e que teve um impacto de menos que zero no Governo, a menos que se considere que o “Temos Pena!” do actual PM não é pura e simplesmente um gozo total, a pedir mais que eles até agradecem os contributos para o Orçamento.

Estamos num beco sem saída? Há quem ache que só com o próximo governo se conseguirá algo, mas sem dizerem que tipo de governo estão a prever. Há quem diga também que as lutas não atingem os seus objectivos sem grandes esforços e muito tempo. Sim, pois, mas há coisas que se conseguem de um momento para o outro, basta ver a rapidez com certas pessoas arrumaram a sua vidinha às cavalitas dos contratados e como outros conseguem estar décadas a lutar das 9 à meia-noite (excluindo a época dos banhos). E sem qualquer avaliação do desempenho.

É altura de baixar os braços?

Não, pelo contrário. E nem vou falar muito sobre as vantagens da ILC em relação a petições da treta.

Falo da denúncia clara dos abusos – com exemplos e sem receio de ferir susceptibilidades pseudo-amigas – que estiveram na base da concepção e implementação dos decretos 54 e 55/2018 que parecem ser considerados maravilhas legislativas por mais gente do que seria razoável esperar, atirando-se para as escolas e professores eventuais falhas na sua “operacionalização”. Há muita coisa que poderia e deveria ser denunciada, mas, infelizmente, há quem tenha preferido vender-se por muito pouco ao “sistema”. Basta ver como se replicam “formações” da treta com powerpoints da maria-cachucha sobre a Educação Inclusiva.

O polvo dos interesses, favores e tenças mais ou menos disfarçadas em troca de apoios públicos está em amplo crescimento e bem alimentado. Sou obrigado a reconhecer: o costismo está de parabéns e bem ancorado nas “redes sociais” e outros espaços digitais que, mesmo quando criticam o ME, protegem devidamente quem deve ser mantido longe das críticas, enquanto não ruma em definitivo para paragens mais elevadas. Há demasiadas cumplicidades em forma de muralha d’aço.

O pântano tresanda e, voltando ao princípio, cada vez existe mais gente no terreno incapaz de respirar em condições. Mas a falta de ar puro também diminui o ânimo para reagir. E el@s sabem isso.

Stink

Ao Cuidado D@s Ingénu@s da APH

Aquela malta que gosta de ficar no canto da fotografia e que para isso leva um barrete de todo o tamanho para assinarem a sentença que outros cumprirão, porque há sempre quem escape nas mobilidades.

Matriz curricular do 3º ciclo conforme decreto-lei 55/2018, na qual o tempo destinado a Cidadania e Desenvolvimento é contemplado na componente das Ciências Sociais e Humanas:

Matriz3CEB

Portaria 223-A/2018, em que se determina que a Cidadania e Desenvolvimento pode ser leccionada, no limite, por qualquer professor, não estando fora de hipótese nem sequer ser do Conselho de Turma:

Cidadania

Parece coisa de somenos, micro-corporativa? Talvez, mas a verdade é que há “parceiros” que nunca são “comidos” desta forma em troca de menos de 30 moedas. A verdade é que na generalidade das escolas que não apenas semestralizaram a História, ao gosto da Geografia, é a História a perder mais um tempo lectivo semanal com a justificação dos cortes feitos nas “aprendizagens essenciais”, feitas com colaborações que nem quero adjectivar para não cair em injustiças pontuais.

E não adianta mandarem-me documentos com excelentes intenções, porque tiveram mais do que tempo para perceberem o que estava a passar-se e qual o equilíbrio de forças na gestão curricular há bastantes anos.

Até porque, em outros tempos, ainda o meu Umbigo estava a nascer, colaborei com a APH exactamente com um ou outro texto a prevenir contra o apagamento da História e da Memória.

O Jornalismo (Quase) Redescoberto

Ontem dei-me ao trabalho de acompanhar mais de meia hora o Expresso da Meia Noite, coisa que não fazia há muito, desde que comecei a achar que as notícias que interessavam conhecer morriam no Expresso, quando comprava o exclusivo de diversos papers. Ou quando se truncava informação, omitindo nomes, com a desculpa de “o que interessa é mudar os procedimentos”.

Eu discordo. Discordava. Discordarei. Precisamos de saber, com nome e cara estampada, quem foram aqueles que acentuaram os velhos traços de Portugal como um recanto amigável para redes de corrupção, nepotismo e caciquismo. Tabloidização? Transparência? Não sei… o que sei é que há muito que é sabido e não publicado, não por falta de provas equivalentes ao que é divulgado, mas porque não convém em dado momento.

(quem seguiu o programa, terá ouvido uma jornalista dizer que sabe quem é um “Pluto” na lista de pagamentos do GES, mas que não é “relevante”… será mesmo?)

O painel, com moderadores incluídos, tinha 6 jornalistas que, talvez por serem mais novos do que eu, pareciam estar a descobrir naquele momento o país em que têm vivido. Num lapso, um deles lá afirmou que desde 2004, quando Sócrates se candidatou a líder do PS, se sabia que alguma coisa de menos bom o rodeava. Mas que todos se tinham calado. Pois… mas se até eu sabia que Sócrates era “má moeda” e vivo no desterro aldeão, sem acesso a tertúlias da grande urbe, como é que eles podem dizer que eram apenas “rumores” que acabaram por não ser notícia.

Raios, desde 1987 que eu não votava para as legislativas e mexi-me em 2005 para votar contra o que aí vinha. Não sabiam? Não eram nascidos? Não queriam saber? Não os deixaram noticiair? A culpa foi da inépcia do Santana?

Não. As razões foram outras que um dia talvez alguém tenha coragem para admitir, quiçá depois de prescrever o que fizeram, omitiram, receberam, etc.

Outra coisa gira foi dizer que nada disto se sabia durante o mandato de Sócrates. Que o Ministério Público agarrou em coisas posteriores, de 2013 e foi recuando até dar com as outras. Phosga-se, que grande treta.

Em 2008 e 2009 já não se sabia que aquilo estava “podre”? São capazes de dizer que não sabiam de nada mesmo? Ainda houve quem dissesse, durante o programa, que o silêncio da classe política é enorme e que pouco se diz sobre o que se vai sabendo “agora”. O Santos Silva é assim tão ingénuo? O próprio António Costa? E o que dizer do Grupo Lena facturar à grande com a Parque Escolar, mas ninguém tocar na MLR, mesmo depois do caso João Pedroso (sim foi ilibada à 2ª, mas alguém tem dúvidas do que se estava a passar?).  Não se tinha apercebido de nada? Porque eu bem vi quem eram os governantes no lançamento do livro dela… o jamé e o campos da testa alta, que depois apareceu em fotos nos copos a ver tv com o engenheiro. Tudo bons rapazes e rapariga. De nada souberam. A muralha d’aço vai proteger esta gente até quando?

Pois… o silêncio é da classe política, mas não só.

Perguntem a alguns dos senadores do jornalismo de sofá, alguns deles dos vossos grupos editoriais, que subiram – não apenas no actual Global Media – a posições de muito poder e acesso a informação há uma década, e depois digam-me onde e porque começou a omertá. Perguntem a muitos colegas que andaram por esse mundo a fazer a “cobertura de eventos” com muita coisa paga, às claras ou às escuras. A sério que não sabem mesmo como apareciam certas notícias? Durante segundos, no programa, falou-se mesmo em “publicidade”, mas o programa estava quase a acabar.

A sério que não sabem mesmo de nada?

Ou é apenas para se limparem de não terem dado ouvidos a quem vos avisou que o barco estava cheio de ratos a dar cabo de tudo?

Surdez

 

Quem de 9 Tira 5, Fica com Mais?

Desde o início que escrevo que a “descentralização” na Educação é apenas uma forma de esvaziar níveis de decisão que estão agora nas escolas, sem que se reduzam as suas funções. Ou seja, fazer o mesmo ou mais (do tipo “combater a pobreza”), mas com menor poder de decisão. E não me interessa se há quem agora tem vereadores, presidentes de câmara ou assembleia municipal da sua cor (ocorre-me o caso sintomático de Gaia, onde agora confluem muitas vontades descentralizadoras, até levam com outro menezes em cima). O que está em causa é que não adianta “temerem” isto ou aquilo, porque a realidade é o que é e não o que se mete na montra. Enfia (ou já enfiou) o barrete quem quis ou a quem pareceu que daria jeito.

Há gente que acredito ter sido crédula ou ingénua, mas são mais os oportunistas e os que sabiam há muito que seria assim, mas fingiram que não. E ainda há os troca-tintas que disseram o pior disto, mas que agora vão dizer que é a “boa” descentralização, enquanto arranjam outras coisas para fazer barulho e parecer que estão a “lutar”. E continua a lamentar que as actas do seminário do CNE realizado na Universidade de Aveiro sobre este tema tenham sido o que foram (pois há coisas que não estão lá e deveriam estar para que as pessoas não digam agora outras coisas, algumas que mal se ouvem e ainda as que de início foram truncadas por um azar dos távoras).

E depois há tudo o que se esconde sobre os fracassos de medidas deste tipo em países bem mais desenvolvidos do que o nosso neste tipo de matérias (como a Suécia, que agora já ninguém reclama como exemplo).

Descentraliza

Esquema retirado do Público.

As Contas do Insucesso (mas com Sentido)

Há vários anos que discordo abertamente das contas que por cá se apresentam sobre o custo financeiro do insucesso escolar. Não falo das questões sociais, psicológicas ou pedagógicas. Refiro-me à demagogia desenfreada que, independentemente da cor dos governantes ou especialistas, assalta quem fala disto com contas mal feitas. Arranjam um valor médio por aluno e multiplicam-no pelos “chumbos” e acham um valor que praticamente ninguém questiona (e a comunicação social amplifica de forma acrítica), excepto este ou aquele idiota como eu a quem esse tipo de contas cheira a esturro. Mas, como se sabe, os títulos e as medalhas de valor e mérito estão todas do lado deles e eu passo por ser apenas um tipo que não percebe nada de contas públicas e a quem, quando a coisa aperta, se dirigem umas bocas assim pró foleiro, em especial na minha ausência ou em remoques privados.

Só que… parece que o problema não é só meu. Acedi há uns dias ao relatório feito em 2015 pelo Institut des Politiques Publiques que faz o estudo dos custos das reprovações em França, numa perspectiva que até é favorável ao seu fim ou redução e que, entre outras coisas, faz as contas aos encargos financeiros do insucesso.

Só que… eis o que é escrito a esse respeito:

InsucFrancaInsucFranca2

Isto significa que um país que de acordo com o nosso CNE apresenta um nível de insucesso relativamente próximo do nosso (28,4% dos alunos com pelo menos uma retenção por lá contra 34,3% por cá de acordo com um estudo feito praticamente na mesma altura do francês) teria uma poupança de 2 mil milhões de euros em 10 anos, sendo o orçamento anual da Educação de 65 mil milhões. Ou seja, uma poupança numa década de 3,1% de um único orçamento (cerca de 0,3% em média por ano).

InsucEuropa

Por cá, as contas são todas outras… para um orçamento anual a rondar os 5,5 mil milhões de euros (valores dos orçamentos de 2015 e 2016) , os nossos especialistas apontam valores de poupanças anuais de 600 milhões (nos momentos de maior delírio demagógico) ou de mais de 250 milhões de euros (quando tomaram um cházinho de camomila). O que significa algo como uma poupança entre os 4,5% e quase 11% por ano. Isto só faria sentido de tivéssemos um insucesso 15-20 vezes superior ao francês, o que não é o caso.

As observações metodológicas do estudo francês aplicam-se de igual modo ao caso português: os alunos que não chumbam não deixam de ser alunos (só saem os que terminam a escolaridade obrigatória e não continuam estudos), até passam para ciclos de escolaridade mais caros e há custos fixos que não desaparecem com o fim dos chumbos.

Mesmo com poupanças a triplicar as francesas para compensar diferenças “sistémicas” ou da amostra usada (1% do orçamento anual), o valor seria de 50 a 60 milhões de euros. Nunca os valores que andam por aí a espalhar,  incluindo nas “formações para o sucesso”, mesmo na versão menos despudorada. Pode ser muito, mas é certamente muito menos do que a agit-prop dos sucessivos ME, seus apóstolos do sucesso e do próprio CNE com todo o seu saber técnico (vá… quem ler isto faça lá as queixinhas do costume a quem sabemos).

Porque entre nós se engana a opinião pública desta forma e com tanta facilidade e colaboração de muita comunicação social? Há resposta para isso, mas já me chega de criar amigos. Porque ou são incompetentes, apesar de tão qualificados, ou são pura e simplesmente desonestos e eu tenho dificuldade em definir as fronteiras da “mera” desonestidade “política”. Há (deveria haver) limites para o spin político. E, já agora, para o colaboracionismo mediático.

PG Verde

Supervisão Pedagógica

Como durante estas férias/pausa não me fui ilustrar em viagens distantes, aproveitei para me encontrar, conviver e, claro  falar com amig@s e colegas que também têm esta interessante profissão sobre a maneira como na suas paragens de encara aquilo a que se designa como “supervisão pedagógica”.

A maioria concordou numa caracterização que tem os seguintes pontos fundamentais:

  • Definir critérios de avaliação (em conselho pedagógico, departamento, grupo disciplinar, conselho de turma) aparentemente muito completos, cheios de ponderações, alíneas e sub-alíneas.
  • Criar grelhas/tabelas para registo da avaliação feita em todos esses critérios, com uma nível de sofisticação de fazer inveja a muito maníaco da estatística.
  • Preencher afanosamente tais grelhas, não esquecendo nenhuma célula.
  • Mostrar essas grelhas aos “supervisores” designados (coordenadores de departamento, directores de turma, fiscalizadores oficiais de equipas de avaliação interna ou dos planos para o sucesso, etc, etc), para ver se está tudo bem preenchido no sentido do sucesso.
  • Refazer as coisas se as estatísticas finais desagradarem às metas traçadas superiormente.

Também parecem ser tendências comuns a padronização de critérios entre disciplinas e turmas, matando à nascença qualquer esperança de diferenciação e a ausência quase completa de um acompanhamento do trabalho pedagógico “supervisionado”.

Claro que ainda há excepções, mas a verdasquice do sucesso tem dado nesta pobreza fransciscana que passa por ser uma coisa que não é. Ou melhor, que se destina a fazer parecer que é o que não é. Ou algo assim.

Isto é controlo e não supervisão. Isto não é pedagógico é meramente administrativo. Chamem-lhe “controlo administrativo”, não nos ofendam mais a inteligência que ainda sobrevive ao massacre.

Tiro

Mais (Sucesso) com Menos (Meios) – De Novo

As informações que recebo, de norte a sul, acerca da “formação” para a promoção do sucesso escolar não são inesperadas e é isso que mais me aflige porque correspondem à ideia preconceituosa que eu formara logo à partida acerca deste tipo de iniciativa, que não passa de pressionar as direcções para pressionarem as chefias intermédias para pressionarem os zecos para produzirem sucesso à força ou a culpa será só sua. A conversa fofinha, a retórica enrolada, a verborreia incontida, são apenas um manto que faz por ocultar que se pretende que o insucesso desapareça seja de que forma for e sem qualquer reforço de meios técnicos ou financeiros. Podem dizer que não é assim, mas parece que se vai constatando que ou é mesmo ou então tudo dependerá de autorizações casuísticas, sem regras claras. O texto que em seguida apresento é uma espécie de patchwork de minha responsabilidade, a partir de mails e mensagens de colegas a este respeito, que fui recebendo esta semana, sendo que a maioria dess@s colegas são pessoas que nem conheço pessoalmente mas que tiveram a simpatia de me confiar os seus desabafos.
(…)
Penso que já é do conhecimento de todos, mas gostava de relatar o que aconteceu hoje numa sessão, supostamente, de formação.Como sabe as escolas foram convidadas a elaborar o Plano de Ação Estratégica para os dois próximos anos letivos, mas de um convite, pareceu-me mais uma convocatória. Enquanto coordenadora de diretores de turma do 3.º ciclo fiz parte da equipa, mas sem grande vontade, porque já não acredito em nada, e porque o calendário não era o mais adequado: 6 sessões de 3 horas, entre os 5 de maio e 14 de junho.
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Logo no início,  ao apresentar o plano, colocámos a questão de a escola poder ter mais recursos; a formadora foi categórica, afirmando claramente que sim.
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Tivemos uma sessão sobre o Projeto da TurmaMais, outra sobre o Projeto Fénix, outra, com um perito em matéria de estratégias, e depois trabalho de mais de 18 horas de TPC para @s “formand@s”.
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Entretanto, foi publicado o Edital sobre a medida de “Promoção do Sucesso…”, sob orientação do professor Verdasca (o coordenador da Estrutura de Missão). Para a nossa zona, para uma outra sessão, foi destacada uma das suas colaboradoras para apreciar os planos que foram sendo delineados e dar orientação sobre o preenchimento da plataforma online.
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Qual não foi a surpresa dos presentes quando a senhora referiu que as medidas apresentadas terão que utilizar apenas as horas de crédito da escola e mais nada. Confirmou que só agora se aperceberam que com a nova fórmula do crédito horário as escolas iriam perder horas do crédito horário. Todos ficámos zangadíssimos por termos tido o trabalho de fazer os planos  com pressupostos errados e agora não termos direito a nada. A senhora tomou nota de todos os nossos comentários e disse que os iria transmitir ao professor  Verdasca.
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Numa sessão, em outro local, o próprio coordenador afirmara que não nos preocupássemos com os recursos e que ousássemos sonhar…
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Perante esta situação, a escola à qual pertenço considerou que assim sendo, não fazia sentido apresentarmos o que quer que fosse e houve mesmo quem abandonasse a reunião. Gostava de saber se tem conhecimento do que está a acontecer noutros distritos/centros de formação.
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Acho que as escolas estão a chegar a essa mesma conclusão; na conversa que tivemos hoje, uma escola disse que começou a fazer a distribuição de serviço e que em relação ao ano anterior, perde mais de 100 horas. Até põe a hipótese de não oferecer a Oferta Complementar, que temos usado para Educação e Cidadania.
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A própria colaboradora do professor Verdasca disse e transcrevo “Só agora é que se aperceberam que com esta nova fórmula as escolas perdem horas”. Alguém questionou se ao submeter o plano na plataforma, a escola poderia recuperar o diferencial, mas a senhora não soube responder (em outro ponto do país colocou-se a possibilidade de existirem autorizações específicas para cada plano).
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Gostaria de saber quanto se gastou nesta “formação” que mais uma vez não vai dar em nada. Quando comecei, fez lembrar a formação à pressão no tempo dos titulares e das aulas observadas. Cada ano que passa…
omelete sem ovo