Envie-se Para O Arquivo Morto

Já penso como virá a ser o Albino III. Porque o actual quase me faz ter saudades do I que eu pensava ser inultrapassável no domínio do frete político aos governos. Mas ao menos era patusco e cada vez que escrevia um mail encrespado era uma verdadeira avalanche de vírgulas… já este, tem mesmo a mania que sabe da coisa e tal e gosta de olhar de cima para baixo em todo o seu nanismo. E deve pensar que os professores nem são encarregados de educação. O que é chato mesmo é que, pelo meio de gente boa e dedicada, andam por aí uns kapos confapianos daqueles sempre em bicos de pés, voluntários para serem “representantes” e que parecem ter saído directamente de uma qualquer organização paramilitar dos anos 30.

E que é este tipo para dar lições de “ética”? Ganhou um certificado na Farinha Amparo? Porque no currículo oficial não encontro nada na área.

“Os alunos são prejudicados por esta greve”

A Confap diz compreender as reivindicações dos docentes, mas relembra que o final do ano lectivo passado foi “lastimável”.
pie-in-face

 

5ª Feira – 2

Uma manhã em cheio, daquelas que fazem rejuvenescer um professor velho, alquebrado, anacrónico e conservador. Dia dos Afectos com tudo o que o envolve de alegria e partilha emocional a atravessar toda a comunidade educativa, com corações a voar por entre todos e muitos abraços para a posteridade. Numa perspectiva moderna de igualdade de género, abracei duas colegas femininas por cada colega masculino, obedecendo à distribuição do corpo docente da minha escola, sem distinção de orientação sexual. Mas sempre com o devido respeito e distância corporal para que nada possa ser considerado assédio ou invasão do espaço pessoal alheio. Em sala de aula, foram produzidas algumas dezenas de corações em papel colorido e cartolina, em recorte simples, desenho elementar ou origami mais ou menos complexo (adorei aqueles com asinhas angelicais). Ao mesmo tempo, o torneio de futsal – apesar de desenvolvido em pavilhão muito pré-Parque Escolar e ainda bem que sem ser em dia de chuva – mobilizou dezenas de jovens, centenas com os que foram assistir, permitindo a confluência de interesses entre turmas e professor, no sentido de sairmos do aprisionamento convencional das salas de aula e aspirarmos o ar livre do espaço exterior. Apesar de alguma susceptibilidade ao alegado nível elevado de pólens no ar, o que me causa sempre aqui uma pontada sino-rinítica por cima do olho direito, faço um balanço extremamente positivo da manhã lectiva, até porque nos intervalos se verificou um convívio assaz agradável entre um conjunto de colegas sempre ansiosos por partilhar experiências de vida e de escola numa perspectiva de permanente melhoria pessoal e profissional.

A tarde, sem actividades lectivas, vai ser tão difícil de ultrapassar…

Hearts

2ª Feira – 2

Após um dia em cheio, apenas se quer a dádiva de algum silêncio. Sou pessoa pouco viajada em matéria de intercâmbios escolares, mas gostava de saber qual o nível de ruído numa escola (pública) finlandesa. Nos corredores e nas entradas e saídas de aulas. Ou mesmo de Singapura. Aquelas do topo do ranking que interessa.

cansaco-mental

(nem falo dos nossos colégios do topo da cadeia alimentar ou cai-me em cima a santa aliança dos anti-rankings)

O Tempo: Modo de Gestão

Como não pára, torna-se cada vez mais precioso. E como cada vez o ocupam mais com coisas acessórias, cada vez detesto mais quem faz disso ofício. Em especial quando uma tarefa com duas ou três fases ou etapas essenciais se torna um emaranhado de possibilidades igualmente redundantes e um labirinto de dúvidas encaganitantes.

O que me leva a um processo cada vez mais indispensável para manter alguma sanidade que consiste em dividir as pessoas entre as que:

Me fazem perder tempo que poderia gastar a fazer nada, a observar a luz do dia, a fazer uma leitura, em micro-problemas da maria cachucha desocupada que só nos fazem acrescentar aridez ao que resta da alma (ou o que quer que exista, com ou sem antónio damásio a defini-la).

Me fazem ganhar tempo ou me trazem algo de novo para pensar, admirar, reflectir com vantagens para o meu conhecimento das pessoas ou do que me rodeia e acrescentam algo de útil ou agradável ao meu tempo, cada vez mais escasso.

tempus-fugit

Gestão de Tempo

Cada vez perco menos tempo a ouvir ou a tentar aprender alguma coisa com quem pouco sabe. Às vezes, por cortesia, posso fraquejar. Mas são excepções excepcionalmente excepcionais. Pode parecer arrogância e até pode ser que seja, mas é bem mais verdade que é apenas uma forma muito pragmática de gerir o meu tempo, que deve ser desperdiçado de forma muito parcimoniosa à medida que encurta.

tempus-fugit

Algures, a Virtude?

Não sou dos que acham que a escola tem de ser quase o único refúgio da miudagem para se divertir, ser feliz e isso tudo, que antes era do foro familiar e das amizades não circunscritas aos muros escolares. Haverá mesmo quem ache que eu pense o contrário. Mas não é verdade; ao contrário de toda aquela malta que acha que a escola deve ser só trabalho, trabalho, trabalho, acho que ela deve ter espaços para os alunos respirarem alguma liberdade. Ao contrário daquela famosa ex-ministra e dos seus cortesãos adeptos de uma esmagadora escola a tempo inteiro e sem furos, eu acho que – sem se cair no excesso dos meus bons velhos tempos em que a excepção em alguns dias era ter aulas – os tempos escolares devem ser equilibrados com tempo para outro tipo de actividades. Pelo que discordo tanto daqueles modelos que parecem apenas perseguir um ideal de permanência beatífica na escola, fazendo apenas o que “interessa” aos alunos como do modelo que apenas se baseia em mais, mais, mais aulas e apoios e etc. Quando analisamos o que existe em matéria de relação entre a felicidade dos alunos na escola (sim, sei que é diferente de felicidade nas aulas) e o seu desempenho em testes comparativos, verificamos que há países em que a infelicidade dos alunos vai a par do seu aparente brilhantismo académico (alguns países orientais como a Coreia ou o Japão, mas também a própria Finlândia e sem surpresas a Alemanha), enquanto outros há em que parece que só há felicidade por fracos que sejam os resultados. Algures, mais ou menos encostado a um dos eixos, existirá um ponto de equilíbrio em que os alunos possam ter um resultado satisfatório num ambiente que lhes seja agradável. Apesar de todas as críticas dos arautos do nosso arcaísmo educacional oitocentista (e manchesteriano e coiso e tal), parece que os nossos alunos se sentem bem nas suas escolas. E, mais importante, sentem ter uma boa relação com os seus professores, contrariando quem acha que a qualidade dos nossos docentes deixa muito a desejar, nomeadamente no que se refere à sua capacidade de relacionamento com os alunos. Como professor, cheio dos defeitos e preconceitos inerentes à condição, estas opiniões dos alunos deixam-me satisfeito não pelo que expressam mas também – confesso a minha mesquinhez – pelo que significam de bofetada na cara de toda a gente. mesmo da que finge que as coisas não são assim.

slap

Felicidade na Escola

As estatísticas valem o que valem, mas por vezes as diferenças são tão grandes que fazem pensar acerca do que queremos como “escolas do futuro” e nos deixamos enganar pelo brilho das lantejoulas e pelos sorrisos para as fotografias de exportação. Não deixa de ser significativo que dois dos países mais destacados à esquerda e à direita como exemplos a seguir por Portugal sejam dos que têm alunos mais infelizes nas escolas. Sim, isso inclui a Finlândia que tantos dizem ser o paraíso educacional na Terra.

wherearethehappiestschoolkids