4ª Feira

Se o ME pede às escolas todos os anos, todos os meses, todas as semanas, uma enorme massa de informação sobre todos e mais alguns aspectos do seu funcionamento e acerca do seu corpo docente, que partilha com investigadores académicos certificados e comentadores do Observador, como se explica que tenham falhado de forma tão estrondosa a previsão da falta de docentes em várias regiões e grupos disciplinares (que são mais do que os anunciados)? Quando se preparam para mais outra plataforma a 360 graus, daquelas em que o mais certo é termos de passar o cartão na porta da casa de banho e assinalar o número da razão da utilização, para que serve tanta informação acumulada?

Apenas se demonstra que o acesso a informação, muita informação, de pouco vale se não se souber o que nela procurar ou que fazer com isso. O problema dos big data quando fica nas mãos de small minds é este.

Dumb

O Hiper-Controle Da Hiper-Burocracia

Publico, após edição cuidada 😉 , o desabafo que me chegou de alguém, algures, nuns serviços administrativos.

Como é que querem que esta porcaria ande para a frente…
15 dias antes a IGEC chegar, envia um email com uma lista de documentos e pastas que deseja numa sala exclusiva para eles.
E uma outra datas de ficheiros em formato excel para se preencher!!!
Dados que são todos exportados para o MISI, IGEFE… todos os meses!!!
Nem se dão ao trabalho de virem acompanhados desses mapas!!! E andamos nós a apaparicar esta gente! No final, temos 30 dias para corrigir tretas de caracácá… sobre instruções que nunca chegaram à escola! E outras situações em que recebemos orientações via nota informativa & email do IGEFE que o IGEC diz que são ordens, mas não são válidas! Isto é engraçado…
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Mas Ele Tinha Explicado Orgulhosamente Como Tudo Estava A Ser Feito

Não há forma de se ter os nossos dados “seguros” nos tempos que correm, a menos que não nos liguemos à net, não tenhamos cartões de débito e crédito ou qualquer relação com o fisco, segurança social, etc, etc. O “segredo” é saber isso, ter consciência do que fica disponível para outros acederem, por mais que nos digam que as nossas contas são seguras, deixarmos umas pistas erradas ou irrelevantes nos nossos perfis de utilizadores e detectarmos quando nos estão a servir aquilo que pensam que queremos, mas que no fundo é o que querem que queiramos.

360 Controle Central Total + 0 Autonomia = Escola 360

Até o big brother parecerá um menino. Esperem só por ter de inserir de novo todos os dados dos alunos. Já daqui a uns meses se forem dos casos-piloto. Depois, todo o mais pequeno dado sobre alunos, aulas, professores, faltas, classificações, etc, etc, será controlado centralmente.

Bigdata

Adicionalmente… foram 250.000 euros apenas para “aquisição de serviços de integração do Escola 360 com outros sistemas internos às escolas, Ministério da Educação e outras áreas governativas”, depois de 80.000 para “aquisição Serviços de migração dados alunos de escolas/agrupamentos de escolas no Escola 360” , 20.000 para “aquisição de Serviços de integração do Escola 360 com a Matrícula Eletrónica do Portal das Escolas”,  outros 250.000 o ano passado para “aquisição de serviços de suporte à aplicação Escola 360”   a que se juntam 75.000 no fim de 2017 para o mesmo efeito.

Mas o total gasto, pelo menos com acesso na base.gov, com o Escola 360 e serviços associados (como a “construção dos cadernos de analise funcional e técnica – Escola 360 – Provas de Aferição para o Instituto de Avaliação Educativa, I. P.” por 40.000 euros), ultrapassa largamente o milhão de euros nos últimos 18 meses e eu não consegui achar o que seria o contrato inicial para desenvolver o programa.

A Ideia É Lerem E Ficarem Assustad@s

Se não ficarem, ou pelo menos sem uma ponta de indignação e menor fascínio pelo zingarelho de que tanto se orgulham de ter nas mãos…

Mas eu continuo a dizer… temei mais o controlo de proximidade… porque é mais mesquinho. O Big Data é, tantas vezes, um monstro perigoso mas pouco perspicaz.

5 Eyes, 9 Eyes, 14 Eyes – Explained

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