A Ter Em Atenção… 3/4

Acho que não me devo prolongar em justificações em relação a algo que está a irritar algumas pessoas com soluções automáticas engatilhadas. Sempre achei que mais informação fundamentada só ajuda a tomar melhores decisões. Há quem ache o contrário e que a emergência tudo justifica.

BigBrother

B) Zoom:

Dada a aplicabilidade, ao caso do “Zoom”, de quase tudo quanto de essencial se disse a respeito do “Google Classroom”, dá-se por reproduzido, nesta secção, o que se deixou alegado na alínea A) supra.

Como já mencionámos, temos um outro filho, a frequentar o 11.º ano.

E obviamente que, conforme tínhamos já referido em anterior comunicação, caso a escola deste nosso outro filho venha também a optar por soluções do género em questão, ou seja, e desde logo, proprietárias e/ou invasivas, intrusivas e ilegais, logicamente que não deixaremos de tomar, em relação ao mesmo, as decisões tomadas a respeito do caso do nosso filho mais novo, supra aludidas.

Ora, sucede que, tanto quanto nos chegou ao conhecimento, tudo indica que a escola do nosso filho mais velho pretende implementar, no âmbito do ensino à distância, a “solução” Zoom.

Como tal, tivemos a curiosidade em conhecer e analisar essa plataforma (Zoom).

Uma das coisas que constatámos é que o acesso às vídeo-conferências do Zoom obriga à instalação de um programa/aplicação: ou para PCs ou para smartphones (Android ou IOS). E acontece que todas essas aplicações/programas são proprietários…

Ora, sucede, desde logo, que nenhum dos equipamentos de que dispomos permite a instalação de programas/aplicações proprietários, pelo que sempre seria impossível, no nosso caso, a instalação de qualquer um dos ditos aplicativos Zoom. Os nossos equipamentos permitem apenas, e exclusivamente, a instalação de programas a partir de repositórios próprios, os quais, por sua vez, contêm exclusivamente software livre.

Depois, tivemos a curiosidade de ir verificar quais as cláusulas contratuais que a Zoom impõe aos seus utilizadores, e verificámos que as mesmas, além de ofenderem a totalidade dos direitos elencados nas alíneas a) a h) do ponto I, violam frontalmente a Lei da Protecção de Dados Pessoais, pelo que sempre seriam absolutamente inaceitáveis, pela nossa família (ou qualquer outra minimamente informada).

Com efeito, e se, por exemplo, se ler o tópico “Collection of your Personal Data”, da “Privacy Police” do Zoom, verificar-se-á que as respectivas cláusulas, além de violarem direitos de personalidade dos utilizadores, violam frontalmente a Lei da Protecção de Dados Pessoais, pelo que jamais poderíamos dar autorização para o uso dessa plataforma. E, como sabe, a autorização para a recolha e tratamento de dados tem de ser dada pela própria pessoa objecto da mesma, ou pelos seus pais, dependendo da idade. Transcrevemos abaixo um trecho desse tópico:

«Collection of your Personal Data
Whether you have Zoom account or not, we may collect Personal Data from or about you when you use or otherwise interact with our Products. We may gather the following categories of Personal Data about you:

* Information commonly used to identify you, such as your name, user name, physical address, email address, phone numbers, and other similar identifiers
(…)
* Facebook profile information (when you use Facebook to log-in to our Products or to create an account for our Products)
(…)
* Information about your device, network, and internet connection, such as your IP address(es), MAC address, other device ID (UDID), device type, operating system type and version, and client version
(…)
* Other information you upload, provide, or create while using the service (“Customer Content”), as further detailed in the “Customer Content” section below.”

Ainda no âmbito da “Privacy Police” do Zoom, deparamo-nos com cláusulas e avisos como estes:

«Customer Content is information provided by the customer to Zoom through the usage of the service. Customer Content includes the content contained in cloud recordings, and instant messages, files, whiteboards, and shared while using the service.»;

«Zoom, our third-party service providers, and advertising partners (e.g., Google Ads and Google Analytics) automatically collect some information about you when you use our Products, using methods such as cookies and tracking technologies (…)»;

«As discussed above, we may collect information about your broad geographic location (city-level location) when you are using our Products or have them installed on your device.»;

«Note that we may use third-party service providers and our affiliated entities to help us do any of the things discussed here, and they may have access to Personal Data related to the specific activity they are doing for us in the process.»;

«Depending on where you reside, you may be entitled to certain legal rights with respect to your Personal Data.
Here are the types of requests you may make related to Personal Data about you (…): (…)
Under certain circumstances we will not be able to fulfill your request, such as if it (…) involves disproportionate cost or effort.»; – coitadinhos…

«We may transfer your Personal Data to the U.S., to any Zoom affiliate worldwide, or to third parties acting on our behalf for the purposes of processing or storage.».

Como ressalta à evidência, cláusulas e avisos deste género, conjugadas com as referentes à secção “Collection of your Personal Data”, faz do Zoom um monstruoso e criminoso Big Brother.

As cláusulas contratuais referentes aos “Terms of Service” do Zoom não são menos alarmantes e inaceitáveis. Só a título exemplificativo, cumpre chamar a atenção para a seguinte cláusula: “The host can choose to record Zoom meetings and Webinars. By using the Services, you are giving Zoom consent to store recordings for any or all Zoom meetings or webinars that you join.”.

Logicamente pois que também jamais aceitaríamos este tipo de cláusulas.
https://us04web.zoom.us/privacy
https://us04web.zoom.us/terms

A análise e conclusões aqui deixadas sobre o Zoom são corroboradas por inúmeros artigos, de que deixamos aqui alguns exemplos:

a) https://www.forbes.com/sites/kateoflahertyuk/2020/03/25/zooms-a-lifeline-during-covid-19-thisis-why-its-also-a-privacy-risk/

Em relação a este artigo, e dada a sua extrema relevância, transcrevemos aqui a seguinte passagem (a qual, aliás, está em total consonância com o que nós próprios havíamos dito):

«On the surface of it, Zoom’s privacy policy is similar to the likes of Facebook and Google – it collects and stores personal data and shares it with third parties such as advertisers.

But Zoom’s policy also covers what it labels “customer content,” or “the content contained in cloud recordings, and instant messages, files, whiteboards… shared while using the service.

This includes videos, transcripts that can be generated automatically, documents shared on screen, and the names of everyone on a call.

Consumer Reports points out that your instant messages and videos can be used to target
advertising campaigns or develop a facial recognition algorithm, like videos collected by other tech companies.”

“That’s probably not what people are expecting when they contact a therapist, hold a
business meeting, or have a job interview using Zoom.”».

b) https://www.cnet.com/news/now-that-everyones-using-zoom-here-are-some-privacy-risks-youneed-to-watch-out-for/

Dada a relevância, deixamos também um pequeno excerto deste artigo:

«Privacy experts have previously expressed concerns about Zoom: In 2019, the video-conferencing software experienced both a webcam hacking scandal, and a bug that allowed snooping users to potentially join video meetings they hadn’t been invited to. This month, the Electronic Frontier Foundation cautioned users working from home about the software’s onboard privacy features.

With the novel coronavirus causing a surge in work-from-home activity, Zoom has quickly become the video meeting app of choice. And with that popularity, privacy risks are extending to a greater number of users.

Here are some of the privacy vulnerabilities in Zoom that you should watch out for while working remotely.
(…)».

c) https://www.insidehook.com/daily_brief/tech/zoom-privacy-concerns

Igualmente alarmante, é este trecho:

«As Australia’s Financial Review notes, “In the past year, Zoom has suffered from several critical security vulnerabilities, ranging from allowing hackers into private calls uninvited, to allowing Mac users to be forced into calls without their knowledge.” As well, Zoom “essentially refused to change fundamentally flawed security practices.”

A separate issue: Random people are gate-crashing Zoom conferences with purposely disturbing images and videos.».

d) https://securityboulevard.com/2020/03/using-zoom-here-are-the-privacy-issues-you-need-to-beaware-of/

e) https://techcrunch.com/2020/03/17/zoombombing/

Face ao supra exposto, dúvidas não restam de que a utilização do Zoom no contexto escolar constituiria, salvo o devido respeito, uma grosseira irresponsabilidade.

Irresponsabilidade esta que, de resto, custaria muito caro aos respectivos autores, dado que a implementação da sua utilização, ainda por cima em contexto escolar, faria incorrer os mesmos em responsabilidade criminal, contra-ordenacional e cível.

Destarte, jamais o nosso filho, ou nós próprios em seu nome, permitiríamos a utilização, por parte do mesmo, do referido Zoom. Decisão esta também ela definitiva e inapelável.

4ª Feira

Se o ME pede às escolas todos os anos, todos os meses, todas as semanas, uma enorme massa de informação sobre todos e mais alguns aspectos do seu funcionamento e acerca do seu corpo docente, que partilha com investigadores académicos certificados e comentadores do Observador, como se explica que tenham falhado de forma tão estrondosa a previsão da falta de docentes em várias regiões e grupos disciplinares (que são mais do que os anunciados)? Quando se preparam para mais outra plataforma a 360 graus, daquelas em que o mais certo é termos de passar o cartão na porta da casa de banho e assinalar o número da razão da utilização, para que serve tanta informação acumulada?

Apenas se demonstra que o acesso a informação, muita informação, de pouco vale se não se souber o que nela procurar ou que fazer com isso. O problema dos big data quando fica nas mãos de small minds é este.

Dumb

O Hiper-Controle Da Hiper-Burocracia

Publico, após edição cuidada 😉 , o desabafo que me chegou de alguém, algures, nuns serviços administrativos.

Como é que querem que esta porcaria ande para a frente…
15 dias antes a IGEC chegar, envia um email com uma lista de documentos e pastas que deseja numa sala exclusiva para eles.
E uma outra datas de ficheiros em formato excel para se preencher!!!
Dados que são todos exportados para o MISI, IGEFE… todos os meses!!!
Nem se dão ao trabalho de virem acompanhados desses mapas!!! E andamos nós a apaparicar esta gente! No final, temos 30 dias para corrigir tretas de caracácá… sobre instruções que nunca chegaram à escola! E outras situações em que recebemos orientações via nota informativa & email do IGEFE que o IGEC diz que são ordens, mas não são válidas! Isto é engraçado…
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Mas Ele Tinha Explicado Orgulhosamente Como Tudo Estava A Ser Feito

Não há forma de se ter os nossos dados “seguros” nos tempos que correm, a menos que não nos liguemos à net, não tenhamos cartões de débito e crédito ou qualquer relação com o fisco, segurança social, etc, etc. O “segredo” é saber isso, ter consciência do que fica disponível para outros acederem, por mais que nos digam que as nossas contas são seguras, deixarmos umas pistas erradas ou irrelevantes nos nossos perfis de utilizadores e detectarmos quando nos estão a servir aquilo que pensam que queremos, mas que no fundo é o que querem que queiramos.

360 Controle Central Total + 0 Autonomia = Escola 360

Até o big brother parecerá um menino. Esperem só por ter de inserir de novo todos os dados dos alunos. Já daqui a uns meses se forem dos casos-piloto. Depois, todo o mais pequeno dado sobre alunos, aulas, professores, faltas, classificações, etc, etc, será controlado centralmente.

Bigdata

Adicionalmente… foram 250.000 euros apenas para “aquisição de serviços de integração do Escola 360 com outros sistemas internos às escolas, Ministério da Educação e outras áreas governativas”, depois de 80.000 para “aquisição Serviços de migração dados alunos de escolas/agrupamentos de escolas no Escola 360” , 20.000 para “aquisição de Serviços de integração do Escola 360 com a Matrícula Eletrónica do Portal das Escolas”,  outros 250.000 o ano passado para “aquisição de serviços de suporte à aplicação Escola 360”   a que se juntam 75.000 no fim de 2017 para o mesmo efeito.

Mas o total gasto, pelo menos com acesso na base.gov, com o Escola 360 e serviços associados (como a “construção dos cadernos de analise funcional e técnica – Escola 360 – Provas de Aferição para o Instituto de Avaliação Educativa, I. P.” por 40.000 euros), ultrapassa largamente o milhão de euros nos últimos 18 meses e eu não consegui achar o que seria o contrato inicial para desenvolver o programa.