A Maldição Dos 2ºs Mandatos

O segundo mandato em maioria absoluta de Cavaco Silva, chegou ao fim, mas de modo penoso, marcado por uma degenerescência completa e culpou-se a maioria absoluta pelos abusos de poder e por todo os esquemas de compadrio que tomaram conta do Estado e da sociedade.

O segundo mandato, em maioria relativa quase absoluta, de António Guterres terminou com ele a fugir de um “pântano” (político e não só) de que em parte se responsabilizou a tal maioria quase absoluta que precisava de favores limianos para se aguentar.

O segundo mandato, em maioria relativa, de Sócrates foi o que nos encaminho decisivamente para a falência técnica e a troika e na altura as culpas foram espalhadas em muitas direcções, com ele a criticar a maioria relativa que permitia maiorias negativas de bloqueio.

O segundo mandato de Costa, em maioria relativa com muletas parlamentares (PAN, PCP, as novas “limianas” independentes), vai-se aguentando, encostada a Belém, tropeçando aqui e ali, para além dos vários tropeções do primeiro mandato que a geringonça protegeu, e culpa-se a “percepção”.

Isto agora a seguir é apenas uma especulação, um “suponhamos”, porque me dizem que sem ideias novas, as coisas estagnam, não avançam e encalham nas águas movediças da pasmaceira.

E que tal limitar-se a um mandato o exercício de cargos governamentais (podendo voltar um mandato mais tarde), a começar pelo de PM, mesmo que seja o mesmo partido ou coligação a vencer as eleições, com eventual extensão da sua duração para 5 anos? E quanto aos presidente poderia fazer-se algo como estender o mandato para sete anos e ficar-se também por um, por causa de tudo que acarreta de cálculos o desejo de se ser reeleito como todos os anteriores?

Pelo Educare

Flexibilidade: verdadeiro modo de usar

(…)
Os professores estão a enfrentar um desafio que ninguém previu, nem as mentes mais iluminadas em todas as suas conceptualizações do que seria “o ensino no século XXI”; nem sequer as daqueles que em Março achavam que tudo iria terminar em bem, só porque assim eles achavam; ou as dos que anunciaram um Setembro em alegre desconfinamento. Estavam errados, nuns casos por ser mesmo impossível prever a realidade na sua imensa diversidade, em outros porque se agarraram às suas crenças como se fossem as únicas possíveis de conceber.

Os professores estão, todos os dias, a enfrentar a necessidade de “flexibilizarem” a que nenhuma formação por encomenda dá resposta cabal. Porque grande parte dessas formações são a antítese de “flexibilidade”, pois cristalizaram nas suas fórmulas.

Estes são tempos em que a flexibilidade é redefinida todos os dias. No terreno.

2ª Feira

Como subavaliar fortemente os casos positivos nas escolas, entre os alunos? Simples… por um lado, há os que tendo familiares positivos, se estiverem assintomáticos, nem sequer são testados, devendo ficar apenas uns dias em casa por precaução, mas não entrando em quaisquer estatísticas; por outro, há os, que tendo sintomas, só conseguem ter o teste prescrito para uma semana ou depois do aparecimento dos ditos cujos, o que dá uma margem de possibilidade elevada de já estarem negativos quando forem testados.

Que Raios Quer Isto Dizer?

Tiago Brandão Rodrigues: “Se olharmos para o sistema de ensino como se fosse uma região, o número de casos positivos nas escolas é o mais baixo do País”

E se considerássemos os Tribunais como uma região? Ou a rede de farmácias? Ou as esquadras de polícia? Ou o conjunto dos supermercados do falecido engenheiro Belmiro? Como seria a coisa?

Se há coisa que os “cientistas” sabem é que as analogias têm uma analogia muito limitada e que o seu valor explicativo depende bastante da incorporação da variável “disparate”.

Até porque, se olhássemos para o Ministério da Educação como se fosse um programa cómico, o shôr ministro era capaz de ser um dos protagonistas de uma nova edição d’Os Malucos do Riso ou um secundário mirone num reboot do Maré Alta.

Terreno Escorregadio

Cerca de um terço dos funcionários públicos tem mais de 55 anos e a classe docente, dos primeiros ciclos até ao Ensino Secundário, é uma das que apresentam maiores índices de envelhecimento. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) indicou, num relatório do ano passado, que “Portugal terá de substituir um em cada dois professores na próxima década”.

MAIS JOVENS E PRÉMIOS

O objetivo é rejuvenescer o pessoal, não só através do incentivo às pré-reformas com renovação dos quadros, mas também com os salários de acordo com a formação e a qualificação.

“O Governo irá contribuir para o rejuvenescimento da Administração Pública, através de percursos profissionais com futuro, alteração da política de baixos salários, reposição da atualização anual dos salários e, valorização da remuneração dos trabalhadores de acordo com as suas qualificações e reconhecimento do mérito”, refere o documento que seguiu para consulta dos parceiros sociais.

Há por aqui terrenos sinuosos para serem trilhados com aquela “elegância” a que Alexandra Leitão nos habituou. O que está na notícia, não é bem o que o Arlindo “ensaiou” há uns tempos, naquela polémica novos/velhos. Embora a lógica do aplainamento deva ser uma das linhas orientadoras.

A minha curiosidade está naquela da valorização das “qualificações”. O que quererá dizer? Que se terão em conta os graus académicos, pois a malta mais nova já sai toda com mestrado e ainda não há muito se negou a equivalência das velhas licenciaturas com profissionalização a esse grau?

(mas quase aposto que depois há graus “bons”, que dão bónus, e graus “maus”, que não interessam à tutela domesticadora…)

Quanto aos “prémios”… ui… nas escolas, a avaliar pelo “circo” instalado nos últimos tempos e reforçado com as circunstâncias da pandemia, nem quero ver como será feita a recompensa de métodos “inovadores” de gestão. Em especial, quando depender de gente que está nos cadeirões desde o tempo da pedra mal polida e que acham que o cúmulo da inovação é forrar as almofadas e colocar cortinas com florzinhas.

(já agora… desculpem-me a “lembrança”, a talhe de foice romba, mas se as provas do Desporto Escolar estão suspensas, o que vão coordenar os coordenadores do dito que, em algumas escolas, têm mais reduções à pala do crédito respectivo do que o mais matusalém dos colegas?)

Uma Coisa É Um Conjunto De Linhas Orientadoras…

… para a questão da recuperação das aprendizagens, outra 50 páginas de “Orientações” ao pormenor (Orientacoes_2020). Eu sei que agora ninguém quer arriscar e ficar mal na foto junto do poder, mas parece-me uma espécie de atestado de incompetência aos órgãos de gestão das escolas e aos próprios professores.  Não é que não exista quem mereça que lhe levem a colher de sopa à boca, mas… se isto é “autonomia”…

Com A Champions E O Jesus A Arrasarem, Fica Tudo Bêêêêêm

Não estraguem o cenário ao costismo-marcelismo. Coloquem lençóis com arco-íris nas varandas e façam muita meditação que verão que tudo isto não passa de um sonho mau que, numa perspectiva cósmico-holística é um mero blip no radar da Criação.

Covid-19: perspectivas para o Outono

rainbow

(e quem morrer já nem se queixa…)

A Razão É A Mesma

Há uns anos praticamente parei de publicar fotos com repastos, iguarias e petiscos diversos do meu trajecto gastronómico. Porque, depois de variadas críticas iniciais (umas benignas e bem dispostas, outras nem tanto), reparei que grande parte das pessoas começara a fazer algo parecido, aderindo intensamente ao food porn, desaguando nas recentes e raramente agradáveis fotos de coisas que passam por ser pães (e derivados) de produção artesanal, que um mínimo de bom gosto deveria desaconselhar publicitação.

Agora, é aquela coisa de se dizer que o E@D falhou e que não se pode repetir tal como aconteceu nos últimos meses. Como desde a segunda quinzena de Março que fui escrevendo sobre as limitações de um “modelo” que não era mais do que um desenrascanço que deixava muita gente de fora, sinto-me agora mal acompanhado por algumas das pessoas que então me criticaram, embora nem sempre com a coragem da frontalidade (falo, claro e a título exemplificativo da flexibilidade vertebral, do doutor saudável, sem vinagre). E também noto que algumas críticas não são propriamente benignas, no sentido de se criarem bases sólidas para uma futura situação de crise (mantenha-se a actual ou surja nova), mas sim de evitarem passar pelo “inferno” de ser professores com 1, 2, 3 ou mesmo 4-5 crianças (são opções parentais, que parecem só se assumir até certo ponto) em casa.

O E@D foi uma espécie de coisa que aconteceu e de que muitos dos promotores andam agora a dizer coisas que outros escreveram meses antes, por perceberem em que terreno andamos e não aderirem à teoria das nuvens alvas em céus límpidos. Por isso, acho que vou deixar de dizer tão mal do ensino remoto porque (basta ver boa parte das ligações que o Livresco me envia sobre o tema) ainda posso ser confundido com alguns vira-casacões.

CatAlice